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Tribunal de Justiça de Minas Gerais

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Tribunal de Justiça de Minas Gerais

1.0000.16.006008-3/001

Número do Númeração 6058116-

Des.(a) Elias Camilo Relator:

Des.(a) Elias Camilo Relator do Acordão:

07/07/0016 Data do Julgamento:

12/07/2016 Data da Publicação:

EMENTA: APELAÇÃO CÍVEL - AÇÃO ORDINÁRIA - CONCURSO PÚBLICO - EXAME ADMISSIONAL - INAPTIDÃO - VALOR DA CAUSA INFERIOR A 60 SALÁRIOS MÍNIMOS - COMPETÊNCIA - JUIZADO ESPECIAL DA FAZENDA PÚBLICA - RECURSO NÃO PROVIDO.

- A partir de 23/06/2015, as ações de interesse dos Estados, do Distrito Federal, dos Territórios e dos Municípios, que não excedam o valor de 60 salários mínimos e que não estejam contempladas nas exceções previstas no art. 2º da Lei nº 12.153/2009, devem ser processadas e julgadas no âmbito dos Juizados Especiais da Fazenda Pública.

- O rito do Juizado Especial da Fazenda Pública não é incompatível com a realização de perícia técnica, haja vista que o art. 10, da Lei nº 12.153/2009, prevê a possibilidade de realização de exame técnico, sendo irrelevante o seu grau de complexidade.

APELAÇÃO CÍVEL Nº 1.0000.16.006008-3/001 - COMARCA DE BELO H O R I Z O N T E - A P E L A N T E ( S ) : I A R A D E S E N A L E O C A D I O - A P E L A D O ( A ) ( S ) : E S T A D O D E M I N A S G E R A I S

A C Ó R D Ã O

Vistos etc., acorda, em Turma, a 3ª CÂMARA CÍVEL do Tribunal de Justiça do Estado de Minas Gerais, na conformidade da ata dos julgamentos, em NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO.

DES. ELIAS CAMILO SOBRINHO

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Tribunal de Justiça de Minas Gerais

RELATOR.

DES. ELIAS CAMILO SOBRINHO (RELATOR)

V O T O

Trata-se de recurso de apelação contra a sentença que reconheceu a incompetência da Vara da Fazenda Pública para o julgamento da presente ação ordinária, extinguindo o feito, ante a impossibilidade de migração de processos do PJE ao PROJUDI.

Em suas razões recursais, a apelante pugna pela reforma da sentença, para que seja fixada a competência da Vara da Fazenda Pública para julgamento do feito, determinando-se o seu regular prosseguimento. Aduz que a ação discute o resultado do exame médico admissional que a considerou inapta para o cargo de Professora, sendo que a matéria não se enquadra no rol previsto no art. 8º da Resolução nº 700/2012 - TJMG. Alega que a causa guarda diversas peculiaridades, principalmente no tocante ao resultado da perícia médica realizada. Afirma que a posse em cargo público reveste-se de natureza alimentar, estando excluída da competência dos Juizados Especiais, conforme §2º do art. 3º da lei 9.099/95, de aplicação subsidiária à lei 12.153/10, conforme previsão expressa de seu art. 27.

Sem contrarrazões.

In casu, o juiz de primeiro grau entendeu que a competência para

julgamento do feito é do Juizado Especial da Fazenda Pública, haja vista não

ultrapassar 60 salários mínimos a vantagem econômica pleiteada na inicial,

não se enquadrando nas exceções previstas pela

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Lei n. 12.153/2009.

Constato que o ajuizamento da ação originária se deu em 17/07/2015, posteriormente ao encerramento da limitação de competência dos Juizados Especiais da Fazenda Pública, determinada pela Resolução nº 700/2012, da Corte Superior deste Tribunal de Justiça, fato este noticiado, inclusive, pelo Ofício Circular n. 005, de 23.06.2015 da Presidência do TJMG e do Conselho de Supervisão e Gestão dos Juizados Especiais. Vejamos:

"Nos termos dos artigos 23 e 28 da Lei 12.153, de 22 de dezembro de 2009, a partir desta data, encerra-se a limitação de competência dos Juizados Especiais da Fazenda Pública, determinada pelo art. 8º da Resolução nº 700/TJMG, de 13 de junho de 2012.

A partir de então, as ações propostas contra os entes públicos, cujo valor esteja aquém de 60 (sessenta) salários-mínios, serão processadas nos Juizados Especiais dotados de competência fazendária, ressalvadas aquelas previstas no §1º do artigo 2º da mesma lei federal.

(...)".

O referido artigo 2º da Lei 12.153/2009, por sua vez, dispõe:

"Art. 2o É de competência dos Juizados Especiais da Fazenda Pública processar, conciliar e julgar causas cíveis de interesse dos Estados, do Distrito Federal, dos Territórios e dos Municípios, até o valor de 60 (sessenta) salários mínimos.

§ 1o Não se incluem na competência do Juizado Especial da Fazenda Pública:

I - as ações de mandado de segurança, de desapropriação, de divisão e

demarcação, populares, por improbidade administrativa, execuções fiscais e

as demandas sobre direitos ou interesses difusos e coletivos;

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II - as causas sobre bens imóveis dos Estados, Distrito Federal, Territórios e Municípios, autarquias e fundações públicas a eles vinculadas;

III - as causas que tenham como objeto a impugnação da pena de demissão imposta a servidores públicos civis ou sanções disciplinares aplicadas a militares.

§ 2o Quando a pretensão versar sobre obrigações vincendas, para fins de competência do Juizado Especial, a soma de 12 (doze) parcelas vincendas e de eventuais parcelas vencidas não poderá exceder o valor referido no caput deste artigo."

Na hipótese, foi atribuído à causa o valor de R$ 5.000,00, o que não ultrapassa o teto do Juizado Especial, razão pela qual o caso dos autos enquadra-se dentre as hipóteses previstas na mencionada lei.

Ademais, o rito do Juizado Especial da Fazenda Pública não é incompatível com a realização de perícia técnica, haja vista que o art. 10, da Lei nº 12.153/2009, prevê a possibilidade de realização de exame técnico, sendo irrelevante o seu grau de complexidade.

Neste sentido, decisões do STJ:

"PROCESSUAL CIVIL. AÇÃO PROPOSTA CONTRA O ESTADO DO RIO DE JANEIRO.JUIZADO ESPECIAL DA FAZENDA PÚBLICA. ARTIGO 2º DA LEI 12.153/2009.NECESSIDADE DE PROVA PERICIAL COMPLEXA.

VALOR DA CAUSA INFERIOR A 60 SALÁRIOS MÍNIMOS. COMPETÊNCIA ABSOLUTA.

1. O art. 2º da Lei 12.153/2009 possui dois parâmetros - valor e matéria - para que uma ação possa ser considerada de menor complexidade e, consequentemente, sujeita à competência do Juizado

Especial da Fazenda Pública.

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2. A necessidade de produção de prova pericial complexa não influi na definição da competência dos juizados especiais da Fazenda Pública.

Precedente: REsp 1.205.956/SC, Rel. Ministro Castro Meira,

Segunda Turma, DJe 01.12.2010; AgRg na Rcl 2.939/SC, Rel. Ministro Hamilton Carvalhido, Primeira Seção, DJe 18.09.2009; RMS 29.163/RJ, Rel.

Ministro João Otávio de Noronha, Quarta Turma, DJe 28.04.2010.

3. Agravo Regimental não provido."

(AgRg no AREsp 753.444/RJ, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 13/10/2015, DJe 18/11/2015.). Grifo nosso.

ADMINISTRATIVO E PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. FORNECIMENTO DE MEDICAMENTO. AÇÃO CIVIL PÚBLICA, AJUIZADA PELO MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL. ATUAÇÃO COMO SUBSTITUTO PROCESSUAL DE DETERMINADA PESSOA. VALOR DA CAUSA INFERIOR A 60 SALÁRIOS MÍNIMOS. COMPETÊNCIA DO JUIZADO ESPECIAL FEDERAL. PRECEDENTES DO STJ. AGRAVO REGIMENTAL IMPROVIDO.

I. Hipótese em que o Ministério Público Federal atua como substituto processual de pessoa determinada, em ação ajuizada contra a União, o Estado do Paraná e o Município de Umuarama/PR, de valor inferior a sessenta salários-mínimos, objetivando a condenação dos réus ao fornecimento gratuito de medicamento.

II. Nos termos da jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça (a) "as causas relacionadas a fornecimento de medicamentos até 60 salários mínimos submetem-se ao rito dos Juizados Especiais, não sendo a necessidade de perícia argumento hábil a afastar a referida competência"

(STJ, AgRg no REsp 1.469.836/MG, Rel. Ministro HUMBERTO MARTINS,

SEGUNDA TURMA, DJe de 09/03/2015); (b) "a exceção à competência dos

Juizados Especiais Federais prevista no art. 3º, § 1º, I, da Lei 10.259/2001 se

refere apenas às ações coletivas

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para tutelar direitos individuais homogêneos, e não às ações propostas individualmente pelo próprios titulares" (STJ, CC 83.676/MG, Rel.Ministro TEORI ALBINO ZAVASCKI, PRIMEIRA SEÇÃO, DJU de 10/09/2007);e (c)

"Não há óbice para que os Juizados Especiais procedam ao julgamento de ação que visa o fornecimento de medicamentos/tratamento médico, quando o Ministério Público atua como substituto processual de cidadão idoso enfermo" (STJ, REsp 1.409.706/MG, Rel. Ministro BENEDITO GONÇALVES, PRIMEIRA TURMA, DJe de 21/11/2013).III. Agravo Regimental improvido.

(AgRg no REsp 1354068/RS, Rel. Ministra ASSUSETE MAGALHÃES, SEGUNDA TURMA, julgado em 18/06/2015, DJe 01/07/2015). Grifo nosso.

Destarte, repita-se, tratando-se de ação que deve ser processada nos termos da Lei 12.153/2009, a competência para o julgamento do presente feito é, de fato, dos Juizados Especiais.

Ademais, destaco que a ação não possui caráter alimentar, tratando-se de matéria afeta ao Direito Administrativo, uma vez que discute o cumprimento de requisitos para exercício de cargo público.

Todavia, cumpre anotar que não há razão para extinção do feito, devendo os autos eletrônicos ser remetidos ao Juizado Especial da Fazenda Pública, visto que eventual incompatibilidade tecnológica entre o PJE e o PROJUDI é um problema a ser sanado pelo Tribunal de Justiça, não podendo a autora ser prejudicada por problema técnico que não deu causa, sob pena de configuração de obstrução do acesso à justiça.

Mediante tais considerações, nego provimento ao recurso e, de ofício, casso a sentença que decretou a extinção do processo, determinando a remessa do feito ao Juizado Especial da Fazenda Pública.

DES. JUDIMAR BIBER - De acordo com o(a) Relator(a).

DES. JAIR VARÃO - De acordo com o(a) Relator(a).

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SÚMULA: "NEGARAM PROVIMENTO AO RECURSO E

DETERMINARAM A REMESSA DO PROCESSO AO JUIZADO ESPECIAL

DA FAZENDA PÚBLICA"

Referências

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