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DEUVO ALEX SANDRO BARBOSA DO NASCIMENTO

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Academic year: 2021

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DEUVO ALEX SANDRO BARBOSA DO NASCIMENTO

IGREJA EVANGÉLICA ASSEMBLEIA DE DEUS E OS SUJEITOS SOCIAIS EM VULNERABILIDADE SOCIAL NA CIDADE DE CRUZEIRO DO SUL (2002-2011)

RIO BRANCO 2013

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DEUVO ALEX SANDRO BARBOSA DO NASCIMENTO

IGREJA EVANGÉLICA ASSEMBLEIA DE DEUS E OS SUJEITOS SOCIAIS EM VULNERABILIDADE SOCIAL NA CIDADE DE CRUZEIRO DO SUL (2002-2011)

Monografia apresentada à coordenação do curso de Bacharelado em História, vinculada ao Centro de Filosofia e Ciências Humanas, da Universidade Federal do Acre, como pré-requisito para obtenção do título de bacharel em História.

Orientadora: Geórgia Pereira Lima

RIO BRANCO 2013

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DEUVO ALEX SANDRO BARBOSA DO NASCIMENTO

IGREJA EVANGÉLICA ASSEMBLEIA DE DEUS E OS SUJEITOS SOCIAIS EM VULNERABILIDADE SOCIAL NA CIDADE DE CRUZEIRO DO SUL (2002-2011)

Monografia apresentada ao Curso de Bacharelado em História, vinculada ao Centro de Filosofia e Ciências Humanas, da Universidade Federal do Acre como um dos pré-requisitos para a obtenção do título de bacharel em História.

Banca Examinadora:

... Profª. Mestra Geórgia Pereira Lima Orientadora e Presidente da Banca ... Prof. Dr. Francisco Pinheiro de Assis - Membro

... Prof. Drª. Sandra Cadiolli Basílio – Membro

... Prof. Dr. Enock da Silva Pessoa - Suplente

Conceito:...

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DEDICATÓRIA

À memória da Professora de História, Adalva Barbosa da Silva, minha mãe mulher guerreira, a minha querida e amada esposa Beatriz Gonçalves “muitas filhas obraram virtuosamente; mas tu a todas és superior”, e a Bruna Adalva minha querida filha presente de Deus.

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AGRADECIMENTOS

Pela vida e a saúde a mim outorgadas, agradeço a Deus, e também por mais uma vitória concedida a minha pessoa.

Agradeço à professora Doutoranda Geórgia Pereira de Lima a paciência e a dedicação na orientação deste trabalho monográfico, desde a elaboração do projeto de pesquisa até a finalização.

Também aos professores Mestrando Armstrong Santos, Doutor Francisco Pinheiro, Doutor Enock da Silva Pessoa e Doutora Maria José Bezerra.

Não poderia esquecer também de mencionar os nomes do Professor Doutor José Dourado e da Professora Doutora Socorro Neri, que foram de grande importância para que eu pudesse concluir este curso de graduação.

Minha gratidão também é estendida a minha esposa Beatriz Gonçalves, a quem também dedico mais essa conquista, agradecendo a compreensão em me tolerar nas minhas aflições e inquietações da vida e dos estudos.

A minha filha Bruna Adalva, pela compreensão e paciência quando estive ausente em alguns momentos.

A minha irmã Deigue adarkiminia, pela sua contribuição nas minhas pesquisas, e a Missionária Lúcia minha sogra pelas suas muitas orações.

A minha gratidão aos amigos de trabalho do Tribunal de Justiça do Estado do Acre: Maria Gorete da Silva Feitosa Bandeira, Maria Goreth de Amorim, Maria Socorro Soares que sempre me motivarão, Odson Lopes Moreira pela contribuição na correção ortográfica desta monografia.

Aos membros da Igreja Evangélica Assembleia de Deus em Cruzeiro do Sul, as preciosas contribuições concedidas: Pr. Carlos Alberto dos Santos, Pr. Davi do Nascimento Santiago, Milca Oliveira dos Santos e Aldeiza Ribeiro.

A todos os entrevistados que doaram parte do seu tempo na realização das entrevistas. O meu muito obrigado, também, a todos os colegas de curso e todos os professores da UFAC.

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A VIDA É BELA

A vida é bela, amar também e por que não dizer que sofrer faz parte da vida? Sofrer, lutar, amar, viver e vencer são verbos que podemos conjugar. Se não amamos não sofremos, não lutamos e não vencemos, como poderemos dizer que vivemos e como podemos descobrir se a vida é bela?

É vivendo que amamos É amando que sofremos É sofrendo que lutamos É lutando que vencemos

É vencendo que descobrimos a beleza de viver. A vida é bela.

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RESUMO

A monografia “Igreja Evangélica Assembleia de Deus e sujeitos sociais em vulnerabilidade social na cidade de Cruzeiro do Sul (2002 – 2011)” é resultante de uma pesquisa desenvolvida para atender a uma exigência acadêmica e a escolha da temática deve-se, antes de tudo, ao compromisso político e social da autoria com a expansão do evangelismo enquanto expressão da fé cristã, numa perspectiva de diálogo entre o espiritual e o material. Sendo um trabalho que se insere na área de História Cultural, porém com ênfase no social, seus objetivos consistiram em contextualizar historicamente a Igreja Assembleia de Deus na cidade de Cruzeiro do Sul, situada no Vale do Juruá, destacando as origens e fortalecimento da Igreja Assembleia de Deus naquele município, seu posicionamento ante o quadro de exclusão social dos segmentos mais pobres da população e a reconstituição das memórias da Instituição religiosa e de suas práticas sociais. As fontes de pesquisa trabalhadas consistiram em bibliografias específicas à abordagem do tema e ao seu embasamento teórico. No entanto, devido ao propósito de trazer para o cenário da escrita da história as experiências e trajetórias, seja da Instituição e seus membros, seja das pessoas beneficiadas com as ações sociais desenvolvidas, privilegiou-se a utilização da oralidade, conforme os pressupostos da História Oral defendidos por José Carlos Meihy, da Universidade de São Paulo, dentre outros autores que referenciaram as reflexões realizadas. O estudo desenvolvido também se caracteriza pela originalidade do enfoque, podendo se constituir fonte para outros estudos vindouros.

Palavras-chaves:

Igreja Assembleia de Deus da cidade de Cruzeiro do Sul; Evangelismo e assistência social; Exclusão social e práticas da Igreja Assembleia de Deus de Cruzeiro do Sul.

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ABSTRACT

The monograph "Evangelical Assembly of God Church and social subjects in social vulnerability in the city of Cruzeiro do Sul (2002 - 2011)" is the result of a survey designed to meet an academic requirement and the choice of the theme should be, above all, the political and social commitment of authorship with the expansion of evangelism as an expression of the Christian faith from the perspective of dialogue between the spiritual and the material. Being a work that falls within the area of Cultural History, but with emphasis on social goals consisted in contextualize historically the Assembly of God Church in the city of Cruzeiro do Sul, located in Juruá Valley, highlighting the origins and strengthening of the Church Assembly of God in that city, its position before the picture of social exclusion of the poorest segments of the population and the reconstitution of the memories of the religious institution and its social practices. The research sources consisted in bibliographies dealing of the issue and its theoretical basis. However, due the purpose of bringing to the stage of history writing the experiences and the trajectories of the institution and its members, as well as people benefited from the social actions, we focused on the use of orality as the assumptions of Oral History defended by José Carlos Meihy, from the University of São Paulo, among other authors have referred to these reflections. The study also developed characterized by originality of approach, which can be a source for other studies to come.

Keywords:

Assembly of God Church in the city of Cruzeiro do Sul; Evangelism and social care; Social exclusion and practices of the Assembly of God Church of Cruzeiro do Sul.

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SUMÁRIO

INTRODUÇÃO...09

CAPÍTULO I - A IGREJA EVANGÉLICA ASSEMBLEIA DE DEUS NA CIDADE DE CRUZEIRO DO SUL...14

1.1 ENTRE MODELOS: EVANGELÍSTICO E ASSISTÊNCIA SOCIAL...24

1.2 MODELO EVANGELÍSTICO...25

1.3 MODELOS ASSISTÊNCIA SOCIAL...28

1.4 A IGREJA E O ENFRENTAMENTO DA CRISE NA CIDADE DE CRUZEIRO DO SUL...30

CAPÍTULO II - A IGREJA EM FOCO: EXCLUSÃO SOCIAL...32

2.1 AÇÃO VIDA NOVA E A VULNERABILIDADE SOCIAL NA CIDADE DE CRUZEIRO DO SUL...36

2.2 O HOMEM E A RELIGIOSIDADE: QUEM SE DEFINE?...40

CAPÍTULO III - MEMÓRIAS, INSTITUIÇÃO RELIGIOSA E AÇÃO SOCIAL...44

3.1 ENTRE NARRATIVAS: HOMENS E MULHERES NA AÇÃO SOCIAL...48

3.2 MEMÓRIAS INSTITUCIONAIS: OS PROJETOS E AÇÃO SOCIAL...52

CONSIDERAÇÕES FINAIS...56

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INTRODUÇÃO

O presente estudo está centrado na assistência social praticada por instituições religiosas como questão de estudo no intuito de compreender as práticas realizadas pela Igreja Evangélica Assembleia de Deus junto às famílias em vulnerabilidade social na cidade de Cruzeiro do Sul, entre os anos de 2002 a 2011.

Em 2003, como pastor da congregação Pêniel da Igreja Assembleia de Deus, localizada no bairro do Saboeiro, na cidade de Cruzeiro do Sul, juntamente com um grupo de companheiros e companheiras, realizei atividades, inicialmente, em casas de moradores cruzeirenses que congregavam nesta igreja e, mais tarde, conseguimos alcançar os parentes desses sujeitos com o objetivo de evangelização.

Durante essas atividades no período de 2003 a 2007, deparei-me com as mais diversas situações que as famílias enfrentavam, tais como: pais que trabalhavam como chapa, outros trabalhavam como diaristas desenvolvendo serviços braçais dos mais diversos; mães que deixavam os seus filhos sozinhos em casa, para trabalhar como faxineiras e/ou, em casa de famílias.

Nesse trabalho percebi que, devido à ausência dos pais, as crianças passavam o dia inteiro pelas ruas atuando como pedintes; encontramos ainda vários lares em que as crianças apresentavam índice elevado de desnutrição; em outras famílias, constatou-se que a maioria de seus membros estava doente; os adolescentes, jovens e crianças em idades escolares ficavam ociosos em casa; em algumas famílias existiam membros que eram alcoólatras; também constatamos que adolescentes e jovens se prostituíam para poder trazer algum dinheiro ou alimento para casa, pois muitos sobreviviam da ajuda de parentes e amigos.

Entre essas famílias, o desemprego, o analfabetismo, a falta de moradia e a incidência de alcoolismo familiar eram fatores que justificavam as primeiras intervenções que a igreja passou a realizar tratando da vulnerabilidade social. Neste sentido, a igreja, como instituição religiosa, iniciou a distribuição de cestas básicas através de um grupo de irmãos da congregação Pêniel.

Algumas vezes ficávamos emocionados quando chegávamos a algumas casas e ali entregávamos uma cesta básica, pois os pais, ao receberem essa ajuda, testemunhavam que não sabiam como iriam alimentar a família naquela semana. Como pastor, percebemos que a distribuição de cestas básicas representava muito para aqueles sujeitos sociais.

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Estas constatações nos impeliram a realizar a presente pesquisa, delimitada no período de 2002-2011, com a perspectiva de analisar as ações da Igreja Evangélica Assembleia de Deus na vida de sujeitos sociais inseridos num quadro de exclusão social.

Ao iniciar, particularmente, a revisão bibliográfica, pode-se verificar certo silêncio historiográfico quanto às abordagens do tema “religiosidade e vulnerabilidade social”, o que permite pensá-lo como campo de possibilidade completamente aberto.

No campo da historiografia acreana, o historiador Essío dos Santos Maciel, em sua monografia (2010): “Crescimento e práticas sociais das igrejas evangélicas em Rio

Branco a partir de 1990”, afirma que todas as práticas sociais realizadas pelas igrejas

evangélicas não passam de tradição cultural e religiosa, como podemos observar:

Modelo de ação tradicional nos faz compreender que as pessoas realizam as suas ações motivadas, especificamente, por costumes que culturalmente foram internalizados e impregnados em seu ser. Dessa forma, os sujeitos acreditam que devem lutar pela manutenção da ordem estabelecida, tendo como objetivo a preservação dos costumes que foram cristalizados pela sociedade. Os que agem de acordo com esta visão desconsideram o processo histórico, talvez por falta de conhecimento das constantes transformações que nos ocorreram diversos padrões culturais. (SANTOS. 2010, p.30).

Enquanto o sociólogo Enock da Silva Pessoa, na sua tese de doutorado (2003): “O

discurso evangélico como expressão de cidadania, teve o objetivo de estudar as crenças, as atitudes e os comportamentos políticos de lideranças evangélicas no Acre” enfatiza que

o grande crescimento das igrejas evangélicas no Brasil é devido à preocupação que os evangélicos têm demonstrado com o social. Diz ele:

“O fato de o crescimento das igrejas evangélicas no Brasil estar acontecendo mais nas periferias das cidades que nos grandes centros urbanos pode ser um sinalizador dessa maior preocupação com o social. (PESSOA, 2003, p.239).

Diante da necessidade social encontrada na cidade de Cruzeiro do Sul, foi que a igreja evangélica Assembleia de Deus começou a demonstrar a preocupação com esses sujeitos sociais, buscando meios para proporcionar o atendimento as suas necessidades básicas.

Portanto, um dos objetivos deste estudo foi realizar uma análise entre a ação “vida nova” desenvolvida pela igreja Assembleia de Deus junto à comunidade do bairro da Várzea. Também foram analisadas quais foram às contribuições que essa ação trouxe para sociedade cruzeirense.

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Os objetivos aqui elencados permeiam uma preocupação quanto às formas como se deram a mudança do modelo puramente evangelístico para o modelo da ação social. No decorrer do estudo buscou-se verificar se as ações sociais têm contribuído para o crescimento e expansão da igreja Assembleia de Deus. Também se abordou o desenvolvimento da Ação “Vida Nova”, quem foram os seus gestores e que obra social é essa.

A problemática central da investigação desenvolvida consistiu em abordar a relação entre religiosidade e ação social, a partir de um estudo de caso – as ações realizadas pela Igreja Assembleia de Deus, na cidade de Cruzeiro do Sul, numa conjuntura marcada por crises sociais dimensionadas pelo perfil econômico da região e a vulnerabilidade dos segmentos sociais mais pobres, os quais constituíam os membros da Igreja e a população no seu entorno, de onde viriam os novos fiéis.

A realização desse estudo apresentou viabilidade, devido à existência de fontes internas como o acervo da própria Igreja: relatórios demonstrativos de atividades desenvolvidas pela “ação vida”, e também fotos que registram eventos realizados pela referida ação junto à comunidade, ou a construção do primeiro templo da Igreja Evangélica Assembleia de Deus em madeira, e anos depois em alvenaria, bem como informações sobre a 1º convenção da Assembleia de Deus do estado do Acre, na cidade de Cruzeiro do Sul; ou, ainda, a fundação do 1º circulo de oração da igreja (um grupo de mulheres que se reúnem para passar algumas horas em oração), imagens de alguns pastores que lideraram a igreja e fontes externas em acervo pessoal da família do Pr. João da Silva Brás, que foi o pastor que passou mais tempo na direção da igreja.

Também trabalhamos com documentos de convênios realizados pela fundação Betel com algumas instituições, documentos esses que demonstram que ação “vida nova” tinha apoio financeiro de algumas instituições.

A análise feita em alguns documentos do acervo histórico da Igreja Assembleia de Deus, em Cruzeiro do Sul, nos permitiu centrar a abordagem do tema em questões atinentes à fundação da igreja naquele município, quem foram os pioneiros na pregação pentecostal no município de Cruzeiro do Sul e os fundadores da Igreja Evangélica Assembleia de Deus, quais foram às estratégicas usadas pela igreja na evangelização dos sujeitos, quais foram os pastores que já pastorearam a igreja, e o tempo que cada um passou na direção da igreja.

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Em visita à administração da Fundação Betel, houve acesso a documentos que descrevem algumas ações sociais desenvolvidas por essa instituição, particularmente a ação “vida nova”.

Também utilizamos a história oral como método de pesquisa, porque possibilita ao pesquisador recorrer, além de fontes escritas e visuais, às fontes orais como elementos significativos na construção da história. Ao utilizar a história oral como método de pesquisa, precisamos entendê-la numa perspectiva que vai além de uma simples entrevista. A história oral proporciona ao historiador tomar conhecimento de fatos históricos de sujeitos sociais que os documentos escritos não poderão registrar.

A este respeito, José Carlos Bom Meihy (1996) assinala que a percepção do passado é algo que tem continuidade hoje e cujo processo histórico não está acabado.

Compreendo que através do uso da história oral, o historiador terá condições para chegar ao conhecimento de fatos sociais que para historia através dos métodos tradicionais não seria possível, ficando então memória no passado por não estarem registrados em documentos.

De acordo com Loiva Otero Felix, “a memória é um dos suportes essenciais para o encontrar-se dos sujeito coletivos, isto é, para a definição dos laços de identidade (1998, p.81). Essa afirmação indica que a memória do sujeito é fundamental na construção da história coletiva.

Também F.C. Souza afirma que “as fontes são informações indispensáveis na construção da historiografia após passar por análise: por meio de fontes vivas de informações: história de vidas, autobiografia, biografias, depoimentos pessoais e entrevistas, material que precisa passar por um minucioso processo de análise”. (1998, p.47).

Na construção da história, o historiador na sua pesquisa precisa se apropriar de todos os recursos e métodos disponíveis que lhe possibilitem a análise criteriosa e fidedigna das fontes, sejam elas fontes orais ou documentos escritos.

As reflexões que integram o corpus do texto monográfico estão distribuídas em três capítulos. O primeiro capítulo, A Igreja Evangélica Assembleia de Deus na cidade de

Cruzeiro do Sul, trata sobre a fundação desta instituição, e seus objetivos espirituais. Nessa

parte do trabalho se analisam as motivações das ações sociais realizadas pela Igreja, para além do modelo puramente evangelístico, passando a atuar no que estamos chamando de modelo baseado em ações sociais. Também aborda como esses modelos foram desenvolvidos e o

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enfrentamento da igreja frente à crise social na cidade de Cruzeiro do Sul, no período em estudo.

No segundo capítulo A Igreja em foco: E a exclusão social, é discutida a ação “Vida Nova” e a vulnerabilidade social, particularmente no bairro da várzea, localizado na cidade de Cruzeiro do Sul. Aborda-se ainda o conceito de religiosidade adotado pela Igreja Evangélica Assembleia de Deus e sua implicação nos procedimentos da instituição juntos aos sujeitos sociais atendidos pela mesma.

No terceiro capítulo, Memórias, Instituição Religiosa e Ação Social, identificamos os sujeitos sociais que foram atendidos pela Igreja Assembleia de Deus, como estes foram atendidos e através de quais ações sociais foram alcançados. Trata também das memórias institucionais e dos projetos sociais que foram desenvolvidos pela Igreja junto à sociedade na cidade de Cruzeiro do Sul, no período delimitado.

Este trabalho monográfico, inserido na área de História Cultural. Porém com ênfase no social, procurou formalizar um conhecimento teórico e prático, com abordagem original em relação à região do Juruá, que poderá contribuir para a prática de estudos vindouros, além de oportunizar a aquisição de subsídios para promover discussões sobre o tema: religiosidade e assistencialismo.

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CAPÍTULO I

A IGREJA EVANGÉLICA ASSEMBLEIA DE DEUS NA CIDADE DE CRUZEIRO DO SUL

Cruzeiro do Sul fica na Região do Juruá, é o segundo maior município do Estado do Acre, com uma área de 7.781,5 km2; limita-se ao Norte com o Estado do Amazonas, ao Sul com o município acreano de Porto Valter, ao Leste com o município acreano de Tarauacá e a Oeste com os municípios acreanos: Mâncio Lima, Rodrigues Alves e também o Peru.

Cruzeiro do Sul é conhecido com “Terra dos Nauas”, devido à tribo indígena – os Nauas que habitavam essa região. O município encontra-se numa região de difícil acesso, apesar de estar distante da capital por 680 km, a ligação rodoviária é muito precária com a mesma e conseqüentemente com outras partes do país. O acesso ao município só é possível por via fluvial ou aérea, tornando assim o custo de vida muito alto, massacrando a população carente que não tem nenhuma expectativa de vida (profissão, educacional e social).

O transporte fluvial resume-se apenas ao transporte de mercadorias para o abastecimento do comércio local e das outras cidades da Região do Juruá (Mâncio Lima, Rodrigues Alves, Porto Valter e Marechal Thaumaturgo). Durante o período da estiagem (sem chuvas) esse transporte fica bastante prejudicado, motivo pelo qual encarece as mercadorias, repercutindo diretamente na sobrevivência da população carente.

O transporte aéreo faz linha regular atuando no transporte de passageiros e de carga (mercadorias).

A população de 67,441, onde 38.971 vive na zona urbana e 28.470 vive na zona rural, 33.919 são homens e 33.522 são mulheres. A população vive oprimida pelo alto preço das mercadorias e poucas oportunidades de empregos, uma vez que o grande empregador é o setor público, uma pequena parte da população ativa é absorvida pelos estabelecimentos comerciais, a outra grande parte da população ativa está em atividades informais.

A agricultura e a pecuária são a nossa principal atividade econômica, destacando-se na produção da farinha que é muito apreciada nos grandes centros urbanos do país e também na criação de gado de corte.

Os estabelecimentos comerciais na sua maioria são de pequeno porte. Outra característica das relações comerciais é que 67,37% dos insumos e mercadorias utilizadas

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pelos estabelecimentos têm origem em outros Estados, 16,48% de outros municípios acreanos e apenas 1,83% na zona rural e 18,32% na própria cidade. Isso significa que o município importa a maioria dos produtos que aqui comercializa.

A baixa produção agrícola da zona rural deve-se às características geográficas do município que não permite a todos os agricultores, estrutura para escoamento dos produtos agrícolas, produzindo apenas para o próprio consumo.

Quanto à atividade industrial, existem apenas três beneficiadoras de café (moagem do café) e uma de fabricação de guaraná. São estabelecimentos pequenos.

A ocupação do nosso município tem as mesmas características históricas da ocupação não só do Estado do Acre, mas da Região Norte. Resultante da vinculação, em mídia nacional, de uma campanha para povoar esta região. Atraindo assim, principalmente os nordestinos, que fugiam da seca, e viam nas campanhas “enganosas” a esperança de encontrar melhores condições de vida. Jamais imaginariam que aqui encontrariam condições sobre humanas de trabalho, ou melhor de escravidão.( site: http://www.cruzeirodosul.ac.gov.br).

A Igreja Evangélica Assembleia de Deus na cidade de Cruzeiro do Sul - Acre é classificada como do grupo de igrejas pentecostais clássicas. Ela tem como prática a valorização do leigo, pois constuma dar-lhe a palavra em quase todos os cultos para cantar ou dar um testemunho e para trazer outros para a fé. No entanto, a forma de administrar a igreja é bastante concentrada na mão do pastor-presidente (CONDE, 2002).

A igreja Assembléia de Deus tem como credo: Crer em um só Deus, eternamente subsistente em três pessoas: o Pai, o Filho e o Espírito Santo (Dt 6.4; Mt 28.19; Mc 12.29).

Na inspiração verbal da Bílbia Sagrada, única regra infalível de fé normativa para a vida e o caráter cristão (2 Tm 3.14-17).

Na concepção virginal de Jesus, em sua morte vicária e expiatória, em sua ressurreição corporal dentre os mortos e sua ascensão vitoriosa aos céus (Is 7.14; Rm 8.34 e At 1.9).

Na pecaminosidade do homem que o destituiu da glória de Deus, e que somente o arrependimento e a fé na obra expiatória e redentora de Jesus Cristo é que pode restaurá-lo a Deus (Rm 3.23 e At 3.19).

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Na necessidade absoluta do novo nascimento pela fé em Cristo e pelo poder atuante do Espírito Santo e da Palavra de Deus, para tornar o homem digno do Reino dos Céus (Jo 3.-8).

No perdão dos pecados, na salvação presente e perfeita e na eterna justificação da alma recebidos gratuitamente de Deus pela fé no sacrifício efetuado por Jesus Cristo em nosso favor (At 10.43; Rm 10.13; 3.24-26 e Hb 7.25; 5.9).

No batismo bíblico efetuado por imersão do corpo inteiro uma só vez em águas, em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo, conforme determinou o Senhor Jesus Cristo (Mt 28.19; Rm 6.1-6 e Cl 2.12).

Na necessidade e na possibilidade que temos de viver vida santa mediante a obra expiatória e redentora de Jesus no Calvário, através do poder regenerador, inspirador e santificador do Espírito Santo, que nos capacita a viver como fiéis testemunhas do poder de Cristo (Hb 9.14 e 1Pd 1.15).

No batismo bíblico no Espírito Santo que nos é dado por Deus mediante a intercessão de Cristo, com a evidência inicial de falar em outras línguas, conforme a sua vontade (At 1.5; 2.4; 10.44-46; 19.1-7).

Na atualidade dos dons espirituais distribuídos pelo Espírito Santo à Igreja para sua edificação, conforme a sua soberana vontade (1 Co 12.1-12).

Na Segunda Vinda premilenial de Cristo, em duas fases distintas. Primeira – invisível ao mundo, para arrebatar a sua Igreja fiel da terra, antes da Grande Tribulação; segunda – visível e corporal, com sua Igreja glorificada, para reinar sobre o mundo durante mil anos (1Ts 4.16. 17; 1Co 15.51-54; Ap 20.4; Zc 14.5 e Jd 14).

Que todos os cristãos comparecerão ante o Tribunal de Cristo, para receber recompensa dos seus feitos em favor da causa de Cristo na terra (2Co 5.10). No juízo vindouro que recompensará os fiéis e condenará os infiéis (Ap 20.11-15). E na vida eterna de gozo e felicidade para os fiéis e de tristeza e tormento para os infiéis (Mt 25.46).

Além da crença comum a todos os cristãos, as doutrinas distintivas da igreja evangélica assembleia de Deus são: a glossolalia falar em línguas estranhas como evidência do batismo com o Espírito Santo, a crença na possibilidade do individuo perder a sua salvação

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“arminianismo”1, ao se afasta das normas bíblicas aceitas pela igreja, considerado como pecado (PESSOA, 2007, p.320).

A Igreja assembléia de Deus considerada uma instituição de utilidade pública, tendo em vista os trabalhos sociais que vem desenvolvendo junto à sociedade, através da Fundação Betel, os quais com suas ações buscam o fortalecimento das famílias que estão em situação de vulnerabilidade social. Trabalhos esses que tiveram o seu reconhecimento pelas autoridades municipal e estadual, conforme afirmou o ex-governador Jorge Viana:

A Assembleia de Deus tem procurado fazer este trabalho de assistência social, tão importante para todos, disse o pastor Carlos Alberto. Temos contado com o apoio de todos e, por isso, agradeço a este trabalho. Cada vez mais no Acre temos um ambiente harmônico e o trabalho em comunidade deve ser partilhado por todos, afirmou Binho Marques ao ressaltar a importância do trabalho voluntário no fortalecimento das famílias e das comunidades. Esta é uma família que dá certo e que se multiplica, observou o ex-governador Jorge Viana. (Agência de Noticias do Acre, de 15 de setembro de 2008)

Com base no exposto acima, convém salientarmos que no final do século XIX houve nos Estados Unidos da América (EUA) um movimento de avivamento pentecostal que trouxe uma nova postura para as igrejas protestantes no mundo. Dois jovens suecos, Daniel Berg e Gunnar Vingren, dirigiram-se para aquele país onde se encontraram e tiveram a experiência de serem cheios do Espírito Santo e, após tal experiência e convivência com o trabalho evangelístico, sentiram de Deus a chamada para o ministério missionário.

Em determinada ocasião, após uma fervorosa reunião de oração na casa do irmão Adolf Olldin, na cidade de South Bend, Estado de Indiana - E.U.A, o anfitrião Gunnar Vingren e demais presentes foram comunicados da chamada missionária que Deus havia revelado ao dono da casa sobre os seus hóspedes para uma localidade chamada Pará. Mesmo sem saberem onde seria esta localidade, foram a uma biblioteca e, após pesquisas em mapas, descobriram que Pará era um Estado brasileiro que tinha por capital Belém.

Diante dessa revelação recebida pelos missionários, em que deveriam ir para o Estado do Pará. Surgiu uma inquietação a este historiador, porque o Pará seria agora o campo

1

O Arminianismo: também chamado tradição reformada arminiana, a fé reformada arminiana, ou teologia reformada arminiana) é uma escola de pensamento soterológica de dentro do cristianismo protestante, baseada sobre ideias do teólogo reformado holandes Jacobus Arminius (1560 - 1609) e seus seguidores históricos, os Remonstrantes. A aceitação doutrinária se estende por boa parte do cristianismo desde os primeiros argumentos entre Atanásio e Orígenes, até a defesa de Agostinho de Hipona do "pecado original."

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missionário escolhido por Deus, o Brasil é um país com 26 estados federados dividido em 5.570 municípios.

Permeando em algumas fontes de pesquisa encontramos que o contexto histórico que se encontrava o Pará no começo do século XX, no ano de 1910, era o chamado 'Ciclo da Borracha' na sua fase final, a cidade sofreu um golpe importante do qual somente conseguiu recuperar-se a meados do século, quando converteu-se no centro de serviços financeiro mais importante do norte do Brasil, a partir de então começa a surgir o turismo e imigração de nordestinos fugindo da seca, Pará torna-se e o centro de atração econômica de varias partes do País.

Depois de confirmados os anseios de seus corações, tomaram a iniciativa de viajarem ao destino proposto segundo a revelação sobrenatural concedida a seu irmão na fé. Desta maneira, no dia cinco de novembro de 1910, viajaram de New York em direção à Belém do Pará, chegando àquela cidade na tarde do dia 19 de novembro de 1910, tendo o primeiro contato com o Pastor Justus Nelson da igreja Metodista, pessoa com quem Gunnar Vingren já havia se encontrado, ainda nos E.U.A, em eventos evangelísticos, na cidade onde congregava. Depois do reencontro, este foi acompanhado até a casa pastoral da Igreja Batista, onde os membros da comitiva ficaram hospedados por alguns meses, passando, desde então, a se congregar com o grupo de evangélicos daquela denominação. Na ocasião, a Igreja Batista em Belém encontrava-se sobre direção do Pastor Raimundo Nobre.

Com o passar do tempo e convivendo com os irmãos Batistas, participando de cultos e reuniões de oração, Daniel Berg e Gunnar Vingren começaram a ensinar sobre a doutrina pentecostal. Em uma reunião de oração, uma irmã por nome Celina Albuquerque, no dia nove de junho de 1911, foi a primeira pessoa brasileira a receber o batismo com o Espírito Santo e teve início a um grandioso movimento pentecostal no Brasil, que se desenrola até a atualidade.

O novo comportamento dos fiéis diante do avivamento pentecostal teve por conseqüência a iniciativa, por parte da congregação e através de seu líder, de tentar deter o crescimento desta nova maneira de adoração e culto, caracterizada por um barulho de louvor até então não experimentado, muito menos aprovado pela igreja Batista, em Belém do Pará.

Portanto, a rejeição por parte de quase todos os membros da congregação e a penalidade estabelecida pelo líder responsável pela igreja, na ocasião, aos que aderiram ao movimento pentecostal, foram o estopim que determinou a discordância doutrinária e a

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origem da nova denominação pentecostal que, no seu início, contou com apenas dezoito pessoas expulsas e disciplinadas de sua igreja de origem para se tornarem o cerne da Missão da Fé Apostólica que, somente em 1918, após registrada, passou a ser chamada até os dia atuais de Igreja Evangélica Assembleia de Deus.

A igreja Evangélica Assembleia de Deus, desde a sua fundação, tem sido considerada a maior igreja evangélica pentecostal do Brasil. Recentemente, o órgão oficial para Censo no Brasil, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística - IBGE, divulgou dados que demonstram que a Assembleia de Deus foi a igreja que mais cresceu no Brasil, e que representa mais de 50% dos evangélicos do país, que em 2010 somavam mais de 22 milhões.

Desta forma, desde a década de 1970, a Assembleia de Deus é a maior denominação evangélica pentecostal do país, e continua crescendo. Segundo os números do Censo 2010 do IBGE, foi divulgado que, há 12.314.410 assembleianos em todo o país. Em 2011, o IBGE já havia apresentado os dados sobre religião na Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF) de 2009, os quais revelavam que o número de fiéis desta denominação no país já era de 11 milhões, a apenas um ano do Censo de 2010. Porém, com os dados do último Censo, esse crescimento pode ser avaliado melhor.

Como nova denominação, fruto do desmembramento da Igreja Batista, a Assembleia de Deus segue a doutrina teológica pentecostal, pois seus fiéis acreditam nas manifestações sobrenaturais do Espírito Santo através dos seus dons.

Daniel Berg, antes da sua vinda para o Brasil, já havia pastoreado uma Igreja Batista, tendo como experiência administrativa o modelo eclesiástico batista.

Segundo Kessler e Câmara (1987), existem três sistemas de governo eclesiástico que são: Episcopal ou Prelática, Presbiteriana ou Oligárquica e Congregacional ou Independente. O modelo congregacional tem por característica ser liderada por pastores com a participação dos fiéis na administração da congregação, o que os autores denominam de “autogoverno”, pelo caráter democrático da administração.

Os missionários suecos fundadores da Igreja Evangélica Assembleia de Deus, primeira igreja pentecostal no Brasil, após serem expulsos da comunhão da Igreja Batista, iniciaram a expansão do evangelho pentecostal em Belém e redondezas.

Berg e Vingren, juntamente com os demais membros da igreja criada, começaram a divulgar a doutrina pentecostal em todos os municípios do Pará. Como estratégia, eles

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começaram a evangelização de pessoas nas ruas e também a realização de cultos em praças públicas e também nas residências de alguns irmãos.

Os missionários Daniel Berg e Gunnar Vingren, apesar de a igreja estar ainda em sua fase inicial, se preocupavam com o trabalho evangelístico e missionário. Eles começaram a procurar dentre os membros da Igreja Assembleia de Deus brasileira pessoas que tivessem a vocação missionária. Como resultado, dentro de pouco tempo surgiram obreiros vocacionados para um trabalho de âmbito nacional, tais como: Isidoro Filho (1912) e Absalão Piano (1913), os primeiros pastores pentecostais consagrados no Brasil; além de Pedro Trajano (1914), Crispiniano Melo (1915) e Adriano Nobre (1915). Ainda em 1913, o irmão José Plácido da Costa foi designado como missionário e foi o primeiro desta Igreja a levar as boas novas ao povo português. (IBRAUM- Instituto Brasileiro de Museus).

Destacamos também que Gunnar Vingren e Daniel Berg tiveram como auxiliares na Igreja recém-criada os seguintes irmãos: Pedro Trajano Pinheiro (1915-1917); Adriano Nobre (1916-1917); Almeida Sobrinho (1916-1924); Samuel Nyström (1917-1924); Bruno Skolimowsk (1922-1924); Nels Nelson (1921-1924).(CPAD - Casa Publicadora das Assembléia de Deus).

Através da evangelização, o estado do Pará foi sendo alcançado pela nova doutrina. É nesse contexto que a Igreja Evangélica Assembleia de Deus foi se consolidando cada vez mais. O Pará estava vivendo um grande avivamento pentecostal. Em decorrência desse avivamento, alguns missionários foram enviados para vários estados do país com o objetivo de abrirem novas Igrejas Assembleia de Deus para divulgação da doutrina pentecostal.

Dessa maneira, apesar de algumas dificuldades encontradas, aconteceram os primeiros passos para a fundação de igrejas em todas as regiões do País: Ceará (1914); Alagoas (1914); Paraíba (1914); Roraima (1915); Pernambuco (1916); Rio Grande do Norte (1918); Maranhão (1921); Espírito Santo (1922); Rondônia (1922); São Paulo (1923); Rio de Janeiro (1924); Rio Grande do Sul (1924); Bahia (1926); Piauí (1927); Minas Gerais (1927); Sergipe (1927); Paraná (1928); Santa Catarina (1931); Acre – cruzeiro do sul (1932), conforme informações encontradas em pesquisa no acervo histórico da Igreja evangélica Assembleia de Deus em Cruzeiro do Sul, a data da sua fundação seria 1928. Segundo o sociólogo Doutor Enock da Silva Pessoa, em sua obra Trabalhadores da Floresta do Alto Juruá, a data precisa da fundação da igreja seria 1932 e não 1928; Goiás (1936); Mato Grosso (1936); Mato Grosso do Sul (1944) e Distrito Federal (1956). O avivamento pentecostal que a

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igreja do Pará estava vivendo tinha agora chegado a todos os estados do Brasil. (CONDE , 2002, p.29).

Todavia, foi somente no ano de 1932 que o estado do Acre teve a oportunidade de receber esse movimento que estava alcançando toda a nação brasileira. Chegando ao vale do Juruá, vindos de Belém do Pará, o casal de missionários Manoel Pirabas e Regina Pirabas, membros da Assembleia de Deus, com o propósito de anunciar a pregação do Evangelho, dando ênfase à doutrina pentecostal, fixaram residência na Estrada BR 364, s/n - Km 30 - Vila Lagoinha.

Segundo o Doutor Enock da Silva Pessoas (2007), Manoel Pirabas era um

seringueiro, que veio para cruzeiro do sul não como missionário e sim para a extração do látex, Piraba era fiel da igreja, até então estava desviado da fé, mas solicitou pedido de reconciliação à igreja em Belém tornando-se novamente um membro em plena comunhão.

Pirabas percebendo a necessidade espiritual dos moradores daquela vila começaram então a anunciar o Evangelho. Foi neste contexto que o Sr. João Chaves, morador da vila acima mencionada, recebeu a pregação do Evangelho confessando a fé protestante, sendo então, o primeiro membro da Igreja Assembleia de Deus no Juruá, depois Maria Clara da Costa, também moradora da vila Lagoinha, foi a segunda pessoa que se converteu.

Como a pesca era prática típica da vila Lagoinha, várias pessoas vinham de Cruzeiro do Sul para pescar. Em uma dessas idas, o Sr. Tomas Pinheiro de Aquino, que era morador da cidade de Cruzeiro do Sul, participou a noite de culto evangélico e, ouvindo a pregação do evangelho, se converteu. Tomas Pinheiro de Aquino convidou o missionário Manoel Pirabas para vir a Cruzeiro do Sul, com o propósito de abrir um ponto de pregação do Evangelho em sua residência. Esse convite feito por Tomas a Manoel Pirabas foi considerado uma porta aberta por Deus para a expansão do Evangelho nos vários bairros da cidade de Cruzeiro do Sul. (Acervo: Igreja Evangélica Assembleia de Deus em Cruzeiro do Sul).

Desde então, a Assembleia de Deus não parou mais de crescer, tomou nova forma no ministério do Pastor Antônio Tibúrcio Filho (1937 a 1938), quando foi construido o primeiro templo Assembleiano em Cruzeiro do Sul. (Acervo: Igreja Evangélica Assembleia de Deus em Cruzeiro do Sul).

De 1938 a 1945, o Pastor Pedro Domingos de Carvalho conduziu a igreja abrindo pontos de pregação no Rio Azul e no município de Rodrigues Alves. (Acervo: Igreja Evangélica Assembleia de Deus em Cruzeiro do Sul).

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De 1945 a 1949, o Pastor Otoniel Alves de Alencar, vindo do Piauí, onde já tinha grande experiência ministerial, dedicou-se à área de ensino doutrinário e teológico.

Francisco Garcia do Nascimento, o novo Pastor que presidiu a igreja até 1951, teve o privilégio de hospedar a 1ª Convenção Regional Acre – Rondônia, cujo ministrante foi o Pastor Alcebíades Pereira Vasconcelos (Acervo: Igreja Evangélica Assembleia de Deus em Cruzeiro do Sul).

A localidade Mourapiranga recebeu o evangelho no ministério do Pastor Jose Rufino Neto, que permaneceu ate 1955.

O ano de 1956 foi marcado pelo “ministério relâmpago” do Pastor Antonio Prudente de Almeida, que passou o pastorado da igreja ao irmão Francisco Batista da Silva (avô materno do Pastor Samuel Câmara), que permaneceu até 1959. O pastor Samuel Câmara é hoje pastor Presidente da Igreja Assembleia de Deus do Pará.

O registro histórico seguinte foi marcado pelo longo ministério do Pastor João Brás da Silva que, com sua companheira, Irmã Guiomar Turi da Silva e filhos, expandiram extraordinariamente o trabalho. Relevante considerar que o Pastor Brás foi o pioneiro quanto à utilização do Rádio como instrumento de evangelização nesta Região; organizou a construção do novo templo sede, na Rua Boulevard Thaumaturgo; fundou um trabalho de evangelização em Mâncio Lima, Aracati e outras localidades, além de instalar muitos pontos de pregação na cidade de Cruzeiro do Sul e organizar os vários departamentos da Igreja. Seu ministério perdurou até 26/09/1983.

Um curto período marcou o ministério do pastor Carlos Levy Mendes Conde, que passou a direção da Igreja ao pastor Jonas Francisco da costa. De 1983 a 1988, o pastor Jonas liderou alguns projetos missionários no Alto Juruá e outras localidades, o que culminou com abertura de várias congregações nos bairros de Cruzeiro do Sul e a aquisição de 2 modernos barcos para dar suporte aos novos trabalhos que eram realizados junto à comunidade ribeirinha. A cidade cruzeirense também experimentou a abertura de novas congregações, assim como a aquisição de um grande terreno, onde foi construído o atual templo sede, situado na Rua Newton Prado, nº 56, bairro João Alves.

Em 04 de outubro de 1988 foi empossado o novo presidente da Igreja, o pastor Luiz Gonzaga de Lima. Na direção do trabalho até 4 de outubro de 1994, o pastor Luiz e família prestaram relevantes serviços àquela comunidade religiosa, construindo o novo templo sede, abrindo congregação na cidade e no interior, além de muitos outros feitos. Na gestão do Pr.

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Luiz Gonzaga de Lima a Igreja Evangélica Assembleia de Deus foi anfitriã da convenção estadual de ministros do evangelho e também foi fundado o núcleo da EETAD (Escola de Educação Teológica das Assembleias de Deus), que ofereceu um consistente suporte doutrinário à Igreja em Cruzeiro do Sul (Acervo: Igreja Evangélica Assembleia de Deus em Cruzeiro do Sul).

O pastor atual, Carlos Alberto dos Santos, nasceu no dia 18 de Abril de 1961 no seringal Maceió, Rio Tarauacá, Município de Tarauacá-Acre. Filho de Francisco Siqueira de Oliveira e Maria Fernandes dos Santos. Cursou o ensino Fundamental e até a 7ª série nas Escolas João Ribeiro e Plácido de Castro em Tarauacá (1967-1975). Cursou o 1º grau na Escola Craveiro Costa em Cruzeiro do Sul, ano de 1976, e no Colégio Estadual Rio Branco – CERB, anos 1977 e 1978 (Rio Branco-AC) cursou o 2º grau. Residiu com sua mãe e irmão na cidade de Cruzeiro do Sul no início do ano de 1976, transferindo-se para Rio Branco no início de 1977, onde, após o 2º grau, fez vestibular na UFAC em 1979, tendo cursado a Faculdade de Heveicultura até o penúltimo período de 1981, quando passou a dedicar-se ao estudo de Teologia e à obra de Deus na Assembleia de Deus de Rio Branco. Assumiu a presidência da igreja no dia 4 de outubro de 1994 (Acervo: Igreja Evangélica Assembleia de Deus em Cruzeiro do Sul).

A Igreja Evangélica Assembleia de Deus, na cidade de Cruzeiro do Sul, sob a presidência do Pastor Carlos Alberto dos Santos, foi crescendo geograficamente alcançando todos os bairros cruzeirenses, inclusive construindo em alguns bairros uma congregação com o objetivo de consolidar a pregação do Evangelho.

Quando o Pr. Carlos Alberto assumiu a igreja, existiam em Cruzeiro do Sul apenas cinco congregações da Assembleia de Deus nos seguintes bairros: Remanso, Boca do Moa, São Salvador, Cruzeirão e São José. Atualmente, todos os bairros do município de Cruzeiro do Sul foram contemplados com uma congregação, somando um total de trinta e cinco.

A Igreja foi crescendo de maneira a atrair pessoas de várias classes sociais. Porém, eram os mais pobres que sempre procuravam a igreja, buscando encontrar conforto e força diante das adversidades da vida. Por esses motivos, esses sujeitos eram alcançados pela pregação do evangelho.

Além das responsabilidades de ordem espiritual, e devido às necessidades apresentadas pelos sujeitos que chegavam a Igreja, diante de tais necessidades é que a Igreja, através de suas congregações, passou a assumir responsabilidades de ordem material. Em meio a algumas visitas feitas aos membros, começou-se a distribuir cestas básicas, roupas,

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calçados e medicamentos. Esse assistencialismo foi crescendo, de maneira que pessoas dos bairros que ainda não tinham uma congregação da assembleia de Deus começaram a ir em busca dessa ajuda em congregações existente em outros bairros.

Com essas práticas, a Igreja estava cumprindo um duplo papel, gerando auxílio espiritual e material e essa ação colaborava para o crescimento da igreja, tendo em vista que atraia novos adeptos para os espaços das congregações.

1.1 ENTRE MODELOS: EVANGELÍSTICO E ASSISTÊNCIA SOCIAL

A Igreja Evangélica Assembleia de Deus pontuou naquele momento histórico a evangelização do sujeito espiritual sempre com a proposta de uma nova terra celestial, local de total harmonia entre os seres humanos. Diante da evangelização do sujeito espiritual, a Igreja tomou conhecimento de que, além da necessidade espiritual que os seus sujeitos tinham, existia também a necessidade social a que, até então, a Igreja não dava quase nenhuma atenção.

Nesse contexto, os anos 2004 constituem o cenário a partir do qual a Igreja Evangélica Assembleia de Deus iniciou, de forma mais organizada, as atividades ligadas à assistência social, buscando então o conhecimento legal para poder desenvolver projetos sociais junto aos seus sujeitos. Dessa forma, surgiu a Fundação da FAEB – Fundação Assistencial e Educacional Betel, registrada no CNPJ: 01.178.226/0002-20. Fundada em 18 de novembro de 2004, está situada na Rua Newton Prado, nº56, Bairro João Alves – CEP: 69980-000, na cidade de Cruzeiro do Sul-Acre.

O ano 2004 se apresenta como um divisor das ações praticadas pela Igreja Evangélica Assembleia de Deus, uma vez que se começa a realizar uma prática assistencial intrinsecamente ligada à base do Estado de Direito, representado pela Lei de nº 8.742/93 (Lei Orgânica da Assistência Social - LOAS), que define quais as entidades que poderão desenvolver assistência social:

Art. 3o Consideram-se entidades e organizações de assistência social aquelas sem fins lucrativos que, isolada ou cumulativamente, prestam atendimento e assessoramento aos beneficiários abrangidos por esta Lei, bem como as que atuam na defesa e garantia de direitos. (Redação dada pela Lei nº 12.435, de 2011). § 1o São de atendimento aquelas entidades que, de forma continuada, permanente e planejada, prestam serviços, executam programas ou projetos e concedem benefícios de prestação social básica ou especial, dirigidos às famílias e indivíduos em situações de vulnerabilidade ou risco social e pessoal, nos termos desta Lei, e

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respeitadas as deliberações do Conselho Nacional de Assistência Social (CNAS), de que tratam os incisos I e II do art. 18. (Incluído pela Lei nº 12.435, de 2011).

A Igreja Evangélica Assembleia de Deus encontra na LOAS fundamentação legal e orientações para desenvolver projetos sociais de maneira a poder alcançar sujeitos em vulnerabilidade social, buscando proporcionar a esses sujeitos benefícios e a garantia dos seus direitos elencados na Constituição Federal, no artigo 5º, que diz: “ todo cidadão tem direito a saúde, educação, moradia, cultura e a segurança (...)”

Nesse sentido, geraram-se as questões a partir das situações sociais que motivaram a Igreja Evangélica Assembleia de Deus a estabelecer as mudanças do modelo puramente evangelístico para, a partir de 2004, nortear e apresentar o modelo de ação social à sociedade cruzeirense.

Portanto, a Igreja, ao iniciar atividades voltadas para a assistência social de sujeitos em situação de vulnerabilidade social, rompe com alguns paradigmas que primavam exclusivamente para a evangelização, gerando assim um equilíbrio entre evangelização e ação social.

Com essa atitude da igreja confirmou-se, então, que o papel integral da igreja é mais do que evangelismo e assistencialismo. É saber utilizar ambos para atingir tudo o que Jesus afirmou, quando disse: “Ide por todo o mundo e pregai o Evangelho a toda criatura, quem

crer será salvo”, salvação essa na sua totalidade; espiritual e social. Perceba que a salvação

apresentada pelo evangelho não se limitava em salvar o espírito, mas também em salvar os sujeitos de todas as mazelas existentes socialmente.

1.2 MODELO EVANGELÍSTICO

Na tradição bíblica, a evangelização está intimamente relacionada à história da salvação do sujeito, ficando à responsabilidade da igreja levar esse sujeito ao conhecimento necessário para que ele alcance tal objetivo.

Segundo o Pr. Carlos Alberto dos Santos, pastor presidente da igreja evangélica Assembleia de Deus em Cruzeiro do Sul, o evangelho de Jesus Cristo afirma que a igreja deva atender o sujeito no espírito, alma e corpo:

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O próprio evangelho que preceitua que a gente atenda o ser humano no espírito, na alma e no corpo; chamada tricotomia, isto é, o homem precisa ser atingido no seu integral, isso é evangelho, o evangelho não é menos que isso. Agora logicamente pra fazer tudo isto precisa das condições necessárias, então este é o primeiro propósito a primeira razão atender a necessidade do evangelho, o que preceitua o evangelho de cristo fala que a gente precisa atender o ser humano não só na sua alma e espírito mais também ajudar no corpo isto é nas suas necessidades temporais também precisam ser assistidas. (Entrevista com o Pastor Carlos Alberto dos Santos, pastor presidente da Igreja Evangélica Assembleia de Deus, em Cruzeiro do Sul, realizada em 5 de maio de 2012).

Nesse sentido a evangelização é encarada como uma missão. É um ato de obediência fundamental que a Igreja deve prestar as suas próprias crenças conforme determina a Bíblia:

Meus irmão, que aproveita se alguém disser que tem fé, e não tiver as obras? Porventura a fé pode salvá-lo? E, se o irmão ou irmã estiverem nus, e tiverem falta de mantimento quotidiano, E algum de vós lhe disser: Ide em paz, aquentai-vos, e fartai-vos; e lhes não derdes as coisas necessárias para o corpo, que proveito virá daí?. Assim também a fé, se não tiver as obras, é morta em si mesma. Mas dirá alguém: Tu tens a fé e eu tenho as obras: monstra-me a tua fé sem as tuas obras, e eu te mostrarei a minha fé pelas as minhas obras. (BIBLIA, Tg 2:14-18)

Não é suficiente perceber a necessidade da evangelização do sujeito, mas é fundamental tomar consciência de que toda a Igreja, e nela cada membro, é o sujeito da evangelização. Fica, pois, muito claro que toda a Igreja é por sua natureza evangelística.

Igualmente, a Igreja Evangélica Assembleia de Deus, em Cruzeiro do Sul, está consciente do seu compromisso com o sujeito em sua totalidade, espírito e corpo, não com uma salvação abstrata, ou seja, cuidar somente do espírito, mas compromisso de fé com o ser humano como sujeito cheio de necessidades, com seu crescimento e mesmo com sua sobrevivência como sujeito social.

O compromisso com a justiça de lutar em favor de sujeitos em situação de vulnerabilidade é parte indispensável do processo de evangelização. A defesa dos direitos humanos, da dignidade da pessoa, não é oportunismo ou modismo, mas sinal de fidelidade e de autenticidade com as quais se identificam a Igreja Evangélica Assembleia de Deus. Desta forma, “Todo o indivíduo tem direito à vida, à liberdade e à segurança pessoal”. (Declaração Universal dos Direitos Humanos, adotada e proclamada pela Resolução 217, da ASSEMBLÉIA GERAL DA ORGANIZAÇÃO DAS NAÇÕES UNIDAS, DE 10 DE DEZEMBRO DE 1948).

Em seu compromisso de evangelizar o sujeito, a Igreja Evangélica, além de anunciar a dignidade do sujeito social, tem como marca a responsabilidade de denunciar e buscar o

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combate a qualquer tipo de privação ao sujeito dos seus direitos como cidadão. Uma Igreja verdadeiramente evangélica é aquela que anuncia a cada ser humano que ele é filho de Deus. É aquela que se compromete com a libertação da humanidade. Libertação esta que é de total responsabilidade do Estado, tendo em vista que a Constituição federal e a LOAS afirmam que cabe ao Estado proporcionar ao sujeito seguridade social.

Art. 1º - A assistência social, direito do cidadão e dever do Estado, é Política de Seguridade Social não contributiva, que provê os mínimos sociais, realizada através de um conjunto integrado de ações de iniciativa pública e da sociedade, para garantir o atendimento às necessidades básicas. II - a vigilância socioassistencial, que visa a analisar territorialmente a capacidade protetiva das famílias e nela a ocorrência de vulnerabilidades, de ameaças, de vitimizações e danos. III - a defesa de direitos, que visa a garantir o pleno acesso aos direitos no conjunto das provisões socioassistenciais. (LEI Nº 8.742/93 - LEI ORGÂNICA DA ASSISTÊNCIA SOCIAL- LOAS).

A igreja evangélica Assembleia de Deus, por ser uma igreja de doutrina pentecostal, tem como prática o evangelismo pessoal. Desde 1932 vem desenvolvendo trabalhos junto à comunidade com o objetivo de evangelizar as pessoas, realizando culto nos lares de membros da Igreja, onde o anfitrião tem por responsabilidade convidar o maior número possível de ouvintes.

Também em alguns pontos estratégicos a evangelização é feita através de cultos relâmpagos na praça do taxista, no cais, etc. A escolha desses locais para propagação do evangelho era devido ao grande aglomerado de pessoas que todos os dias estavam nesses locais, formando então um ambiente propício para pregação expositiva do evangelho de Jesus Cristo. Dessa feita, várias pessoas eram convencidas a aceitar a fé protestante, assim a igreja conseguia agregar a cada dia mais pessoas.

Os cultos seguem a seguinte liturgia: inicia com uma oração breve, depois cânticos congregacionais, após é feita a leitura de alguns trechos da Bíblia Sagrada, textos que falem sobre a salvação através do arrependimento e confissão de fé pública.

Alguns membros têm uma oportunidade nos cultos para testemunharem sobre a sua conversão em Jesus Cristo. E estes testemunhos, por sua vez, contribuem para as pessoas se converterem.

Depois, o líder que é responsável pela direção do culto, prega a palavra de Deus, com base na Bíblia Sagrada, de forma expositiva para todos que estão presentes.

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Também são realizados evangelismos em vários bairros da cidade, com distribuição de folhetos com porções bíblicas.

Em várias congregações são realizadas campanhas evangelísticas com propostas de curas e milagres, as quais têm atraído um grande número de pessoas, em sua maioria, doentes em busca de auxílio. Além disso, são realizadas 2correntes de fé, com objetivo de propor soluções para problemas em várias áreas da vida das pessoas, tais como: Culto da Família, Culto de Jovens, Culto das Senhoras, Cultos de libertação espiritual e financeira, Culto da vitória, Culto da Unção, Culto de Avivamento, Culto do 3batismo com Espírito Santo.

É também prática da Igreja a realização de congressos destinados a públicos específicos; congresso dos senhores e senhoras, jovens, adolescentes e crianças, com o intuito de alcançar todas as faixas etárias.

As atividades que mais têm chamado atenção da população cruzeirense são as campanhas de cura e libertação, e também os chamados cultos de prosperidade financeira.

Vários são os meios utilizados para a evangelização: tv, rádios, internet, e a mídia volante. A Igreja possui missionários, pessoas que vivem de forma integral, sendo mantidos pelas ofertas da igreja para pregação do evangelho nos lugares mais longínquos, onde ainda não existam congregações da Assembleia de Deus.

Assim sendo, é através dos seus múltiplos braços evangelísticos que a Igreja Assembleia de Deus, em Cruzeiro do Sul, vem alcançando a cada dia um número maior de fiéis em vários bairros da cidade.

1.3 MODELO SOCIAL

O município de Cruzeiro do Sul, situado no Alto Juruá, atualmente considerado o segundo maior município do Estado do Acre, fica na BR- 364, a 648 km distantes da Capital Rio Branco. Cruzeiro do Sul tinha o extrativismo da borracha, até o início do século XX,

2

Correntes de fé : A união de várias pessoas com objetivos de alcançar milagres. 3

Batismo com Espírito Santo: O termo é a transliteração do grego "βαπτισμω" (baptismō) para o latim (baptismus), conforme se vê na Vulgata em Cl 2.12. Este substantivo também se apresenta como "βαπτισμα" (baptisma) e "βαπτισμός" (baptismós), sendo derivado do verbo "βαπτίζω" (baptizō), o qual pode ser traduzido por "batizar", "imergir", "banhar", "lavar", "derramar", "cobrir" ou "tingir", conforme utilizado no Novo Testamento e na Septuaginta

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como a principal atividade econômica. Além da borracha, a economia da cidade girava em torno da exploração da madeira. Atualmente, a farinha é o principal produto da atividade econômica municipal, sendo uma das melhores da região e muito apreciada em todo país. Nos últimos anos as atividades econômicas do município estão voltadas para atividades extrativistas e de agronegócios que visam produzir e comercializar bens e serviços.

Essas atividades econômicas são fundamentais para manutenção da região e do homem que há décadas tenta sobreviver nesta parte remota do país e através delas as pessoas podem obter itens necessários para a sua vida. Segundo dados do IBGE, a composição econômica de Cruzeiro do Sul é essa: serviços (75%), agropecuária (12,8%), indústria (11,3%). No município, existem poucas oportunidades de emprego formal: ou se trabalha no comércio, ou no serviço público. Muitas são as pessoas que não conseguem um trabalho fixo. Para sobreviver, muitos pais e mães de família trabalham na informalidade, ou na condição de diaristas, serviços gerais e correlatos, para levar um pouco de dinheiro para casa.

A Igreja Assembleia de Deus, em Cruzeiro do Sul, através dos seus braços sociais, vem buscando proporcionar a esses sujeitos que vivem em condições de vulnerabilidade social meios para que eles possam conseguir suprir algumas das suas necessidades, através de algumas congregações espalhadas em quase todos os bairros do município.

Contemplando este horizonte, a Igreja Evangélica Assembleia de Deus, através do Departamento de Assistência Social, criado com objetivo de atender o sujeito em situação de vulnerabilidade social, começou a fazer distribuição de cestas básicas e medicamentos para as famílias, que na maioria eram membros da própria Igreja.

O departamento de Assistência Social buscava a cada dia criar meios para poder manter essa assistência a essas famílias, instituindo em algumas congregações a realização de cultos com objetivos de arrecadar alimentos e roupas, para posterior distribuição às famílias identificadas como estando em vulnerabilidade social.

O trabalho de assistência social foi crescendo, alcançando também pessoas que não tinham nenhum vínculo religioso com a Igreja. Muitas pessoas começaram, agora, com o intuito de receberem alguma ajuda, a participar dos cultos. Esse assistencialismo não parou, a igreja começou então a levar esse trabalho de apoio às famílias das populações ribeirinhas.

Neste sentido, o departamento de assistência social começou a desenvolver um trabalho junto às comunidades ribeirinhas através das chamadas viagens missionárias. Essas

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viagens eram feitas em alguns rios levando para as famílias a pregação religiosa e também alimentos, roupas e medicamentos.

As viagens missionárias eram realizadas sempre no começo de cada ano, pois é nesse período que os rios ficam com os níveis elevados de suas águas, facilitando assim o acesso às várias comunidades ribeirinhas, que são mais difíceis de serem alcançadas pela terra. Nessas oportunidades eram realizadas distribuições de alimentos, consultas médicas, assessorias jurídicas, atendimento odontológico, desenvolvidas através de profissionais voluntários, sendo alguns membros da Igreja também integrantes da sociedade que não tinham nenhum vínculo religioso.

1.4 A IGREJA E O ENFRENTAMENTO DA CRISE NA CIDADE DE CRUZEIRO DO SUL

A igreja evangélica Assembleia de Deus a cada dia estava crescendo em número de membros e simpatizantes. Também crescia a compreensão de que era necessária uma nova maneira de gerar apoio aos seus membros em situação de vulnerabilidade.

O Pastor Carlos Alberto dos Santos, líder da igreja, percebeu que os meios usados pela igreja para proporcionar assistências aos seus sujeitos, não estava mais conseguindo atender a essas demandas, devido ao grande número de pessoas em situação de vulnerabilidade, incluindo-se membros e simpatizantes da igreja.

Diante dessa situação uma equipe foi instituída com a responsabilidade de buscar apoio financeiro para poder então dar continuidade a esse assistencialismo que vinha sendo desenvolvido. A igreja buscou apoio de empresas e do governo nas esferas estadual e municipal, porém nada conseguiu.

Para a igreja receber algum tipo de recurso para prosseguir com suas obras sociais, algumas reuniões foram realizadas com as lideranças na perspectiva de, com a preocupação, estabelecerem mudanças nas suas práticas religiosas, com intuito de gerar um apoio maior às pessoas que estavam chegando à igreja, com as suas mazelas sociais.

Diante dessas dificuldades foi que a igreja encontrou na Constituição Federal de 1988 a porta de entrada para o início da construção da política de assistência social na condição de política pública, dever do Estado e direito da população. Essa condição se

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materializou através da LOAS (Lei Orgânica de Assistência Social), aprovada em 1993, que regulamenta o direito à assistência social e que a organiza como a política social.

Frente a este desafio, novos tempos se iniciaram a partir da Fundação Assistencial e Educacional Betel - FAEB, criada na cidade de Cruzeiro do Sul, em 2004. E, através da aludida Fundação, foram realizados os seguintes projetos:

Abrigo Infantil Lar Novo Dia: Visa atender a crianças que tenha até 12 anos,

encaminhadas pelo Juizado da Infância e da Juventude e do Conselho Tutelar, vítimas de abandono e maus tratos, com acolhimento e encaminhamento a família biológica, conforme decisão judicial.

Projeto vida nova: Tem como proposta atender adolescentes de 12 anos a jovens de

20 anos, encaminhadas pelo Juizado da Infância e da Juventude e do Conselho Tutelar, vítimas de abuso e exploração sexual, violência e uso de drogas, com acolhimento, acompanhamento e reintegração familiar e comunitária, conforme decisão judicial, sendo que todas as adolescentes recebem no projeto acompanhamento psicológico, social e educacional, acesso ao sistema de saúde, cursos profissionalizantes de gestão de renda, aprendem ofício do lar e boas maneiras para convivência familiar e comunitária.

Escola de informática Glaife Dantas: Oferece curso básico de informática e

navegação de internet para o público adolescente de 14 a 20 anos, usuários do SUAS, que estejam frequentando escola, encaminhados pelo Conselho Tutelar e CRAS.

Programa Pró Jovem Adolescentes: Desenvolve atividades cultural, social,

profissionalizante e orientação quanto à vida profissional e social para se tornar um cidadão de sucesso.

Apoio às famílias com vínculos fragilizados: Prestar serviço de acompanhamento e

apoio às famílias das crianças e adolescentes atendidos pelos programas sociais de acolhimento e acompanhamento. Essas famílias recebem vista do assistente social e psicólogo, e são encaminhadas ao CRAS para inclusão nas políticas sociais do sistema SUAS.

Prevenção à violência intrafamilar: Participar de constantes campanhas e

mobilização de combates à violência, além de realizar palestras nas escolas e comunidades. Desses projetos, dois - Abrigo Infantil Lar Novo Dia e Projeto Vida Nova - têm se destacado por apresentarem maior ação junto às comunidades, quanto ao enfrentamento das implicações decorrentes das crises sociais existentes na cidade de Cruzeiro do Sul.

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CAPÍTULO II

A IGREJA EM FOCO: EXCLUSÃO SOCIAL

O combate à exclusão social, tendo como objetivo mobilizar mais pessoas e mais recursos para o apoio a quem vive nesta situação vulnerável bastante complicada.

As demandas sociais são enormes, o que exige mobilização dos diversos setores da sociedade brasileira, inclusive, e, principalmente dos mais abastados, politizados e/ou mais bem qualificados.

A instauração de uma sociedade democrática, moderna e pluralista não ocorrerá sem a contribuição de todos, no entendimento de que “[...] a necessidade de se sentir pertencente a um grupo é e faz parte do ser humano. Desde que este começou a formar uma comunidade, existe o desejo de viver em sociedade com seu semelhante, não nos reconhecemos sós e isolados”. (NASCIMENTO, 1993, p.36)

O sentimento de fazer parte de um grupo permite ao ser humano perceber quando se encontra isolado, à margem do grupo, ou seja, excluído, sendo natural que surjam tentativas de integrá-lo novamente à sociedade, quer seja por parte dos próprios excluídos ou por parte da sociedade que, a princípio, o excluiu.

Embora esse problema exista, a Igreja Evangélica Assembleia de Deus só começou a demonstrar a preocupação com o sujeito excluído num passado recente, quando seus líderes eclesiásticos, através de discursos dentro e fora da Igreja, passaram a dar visibilidade a tal fato.

A questão da exclusão social teve início na Europa, devido ao crescimento do número dos sem-teto e da pobreza urbana, da falta de acesso a empregos e rendas por parte de minorias étnicas e imigrantes, da natureza precária dos empregos disponíveis e da dificuldade dos jovens para ingressar no mercado de trabalho.

Na França, por exemplo, desde os anos 50 há um número expressivo de pessoas presas à engrenagem da pobreza, em meio a uma crescente abundância, que são consideradas “resíduos” que o desenvolvimento pós-guerra pareceu esquecer.

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