Copidesque e Revisão: Rosana Braga Projeto gráfico e diagramação: Silvia Maria Pereira
CIP-BRASIL. CATALOGAÇÃO NA FONTE SINDICATO NACIONAL DOS EDITORES DE LIVROS, RJ
C986r
Cardoso, Rodrigo
O sucesso está em suas mãos / Rodrigo Cardoso. Rio de Janeiro: 2007.
Inclui bibliografia ISBN 978-85-6030-378-6
1. Sucesso. 2. Autorrealização. 3. Liderança. 4. Mudança (Psicologia). I. Título.
07-4200. CDD: 658.406
CDU: 65.011.4
Todos os direitos reservados a Rodrigo Cardoso Rua José Antonio Martins, 98 -Vila São Paulo
São Paulo – SP - cep: 04651-070
Agradecimentos 09 Prefácio 13 Introdução 17 1. O primeiro passo 23 2. O poder da crença 33 3. O voo livre 37 4. O inesperado 41 5. O poder da gratidão 47
6. O que você realmente quer? 53 7. É só colocar no papel e agir! 57
8. A lei da atração 61
9. Medos 71
10. Ser, fazer e ter 81
11. Segurança ou liberdade financeira? 89
12. Escreva suas metas 97
13. Agora, ação! 105
14. A energia para realizar as metas 107
15. Paradigmas 113
16. Comunicação interpessoal —
de você com os outros 117
17. Comunicação intrapessoal —
de você com você mesmo 123
18. O controle emocional 129
19. O software do sucesso 135
20. O meio do caminho 143
21. O sucesso está em suas mãos 155
Posfácio 169
A
grAdecimentoS
edico esta obra a Deus, por eu ter recebido uma segunda chance, estar vivo e poder continuar minha missão.À minha querida avó Guaracyaba (em memória), que teve uma extraordinária influência em minha vida, mostrando como o ser humano pode se dedicar a fazer uma enorme diferença na vida de outros.
À Rosana Braga, o amor da minha vida. Uma mulher que pratica o que ensina. Muito além de ser uma extraordinária escritora de sucesso, jornalista, psicóloga e palestrante, é minha esposa, a quem sou eternamente grato por cada momento, por poder estar ao seu lado, por simplesmente existir, por ser essa luz, por compartilhar comigo a jornada da vida, por
acompanhar cada realização e por podermos passar esse “restinho de vida” juntos. Meu amor por ela é inefável, difícil ser explicado em palavras, pois as mesmas não seriam capazes de descrever esse profundo sentimento.
Ao meu filho Nicholas, que me surpreende a cada dia com sua maturidade precoce, sempre ensinando aos adultos como fazer “de um limão, uma limonada”. Um ser iluminado. Ao meu filho Lucas, o caçula, especial. Sua persistência mostra uma grande virtude. Adoro surfar e jogar xadrez com ele. Ao Vinicius, o novo filho que ganhei com a vida, tem o coração maior do que ele mesmo. Uma pessoa muito fácil de gostar. Busca a realização dos seus sonhos de maneira exemplar. Parabéns, Vini.
À minha mãe Sueli (em memória), por ter sido um exemplo de garra e perseverança, uma pessoa que tem o bem no coração. Nasceu para ajudar. Uma verdadeira guerreira. Ao meu pai Mauro. É indescritível a felicidade que sinto de poder finalmente conviver com ele.
Aos meus irmãos Giselle, Fran e Theo. Apesar de
convivermos muito menos do que eu gostaria, todos moram em meu coração.
Ao meu primo Roberto, por sua lealdade e sua confiança e também pela brilhante administração dos negócios da equipe Rodrigo Cardoso. Que bom que o destino nos uniu novamente.
Ao meu fiel escudeiro Edgar, extraordinário DJ que faz toda a diferença em minhas palestras, encantando
a plateia com sua trilha sonora, seus efeitos especiais e um perfeito sincronismo. O melhor exemplo de um profissional outstanding.
Ao meu assessor Dario, o melhor profissional de vendas que já conheci.
Ao Leandro, da Ideal Propaganda, talentoso, um verdadeiro gênio.
Ao Gustavo Cerbasi, de quem nunca esquecerei o gesto de arrumar tempo em sua agenda lotadíssima e, juntamente com sua esposa Adriana, honrar-me com sua visita quando eu estava internado no hospital.
Ao Aldo Novak, o único formalmente autorizado a falar sobre “O Segredo” no Brasil. Meu padrinho de casamento, pois foi ele que me apresentou a Rosana, provando mais uma vez a força da Lei da Atração.
A você, amigo leitor, o meu respeito e admiração por compartilhar seu tempo comigo. Espero de coração que este livro faça diferença em sua vida.
P
refácio
onheci Rodrigo Cardoso em 2003, por intermédio de Roberto Shinyashiki, um amigo em comum. Na época, eu acabara de lançar meu primeiro livro pela Editora Gente e, com pouca experiência em apresentações, havia aceitado o convite para participar de um circuito de palestras chamado Universidade de Líderes, no qual fariam parte Rodrigo, Shinyashiki e José Luiz Tejon. Foi um incrível período de aprendizagem e convívio com pessoas fantásticas, durante o qual dediquei horas a fio para conversas com Rodrigo, do escritório do Instituto Gente aos bastidores dos palcos, das longas horas de voo aos prazerosos momentos desfrutados nos locais que conhecíamos juntos.A troca foi muito rica. Passei a Rodrigo muitas
orientações sobre investimentos e construção de riqueza, e aprendi muito sobre o trabalho de comunicar, sobre os palcos, sobre a vida. Embora ele testemunhe hoje que começou a ficar rico após nossas conversas nas apertadas poltronas de avião, acredito que fui eu que saí no lucro. Quem convive com Rodrigo sabe que essa incrível figura motivadora é pura energia, mesmo nas horas de descanso. As mensagens que ele já levou a centenas de milhares de pessoas por intermédio de seus livros e palestras são fidedignas, pois ele realmente aplica as lições que ensina em sua vida. Seu sucesso não é obra do acaso, mas de uma crença muito forte em si mesmo, de muita atitude e ação para a conquista de seus objetivos.
Fiquei muito feliz ao ler este livro e constatar nele uma rica mistura: de um lado, mensagens nas quais seu trabalho se inspirou e, de outro, uma quase autobiografia que retrata seu lado humano e sonhador. Ter convivido com ele nos últimos anos é um privilégio de significado especial após a mais importante de suas lições de
superação. Ao visitar Rodrigo no hospital no final do ano de 2006 e vê-lo completamente engessado, parecendo uma estrela-do-mar após o terrível episódio narrado nas páginas que se seguem, eu não tinha dúvidas de que se recuperaria – afinal, sua saúde sempre foi uma fortaleza. Porém, saber que ele retomou sua rotina menos de dois meses depois daquele grave acidente foi constatar a perfeita tradução do que a fé e a atitude pessoal
constroem. Assim é Rodrigo Cardoso! E o livro que você tem em mãos é o retrato dessa figura que, apesar de todo o sucesso que já faz, pode ainda ir muito mais longe.
Em minha carreira, demorou um pouco para que eu
recebesse crédito pelo trabalho que fazia, e Rodrigo foi uma das pessoas que me fez acreditar mais em mim. Foi com sua opinião sincera que percebi que minha mensagem deveria atingir muitas pessoas. Foi essa mesma opinião que me levou a abandonar a vida previsível no Canadá e voltar ao Brasil para falar de riqueza a quem mais sentia falta. Rodrigo me fez acreditar, contra a opinião de muitos que respeito, que o Brasil precisava de uma nova abordagem no que tange às finanças pessoais, e essa crença me transformou no autor nacional mais vendido em 2007. Hoje, ao dedicar minhas horas de trabalho exclusivamente à construção de riqueza nas famílias, tenho certeza de que o sucesso, seja ele financeiro, pessoal, profissional ou em qualquer área de nossa vida, depende, sobretudo das escolhas que fazemos. É preciso traçar planos para realizar sonhos. Porém, mais importante do que ter sonhos é acreditar neles. Ao final deste livro, provavelmente você dará outro significado ao termo “acreditar”, como aconteceu comigo após conviver com esse brilhante profissional. Acredite!
i
ntrodução
arabéns, querido leitor. Se você investiu neste livro é porque, de alguma forma, acredita ser capaz de conquistar o sucesso. E isso é o mais importante: acreditar!É preciso ter consciência do que é o sucesso para você, pois para cada um de nós, a definição de sucesso é diferente. Porém, seja qual for a sua, uma coisa posso lhe garantir: você já é um sucesso! Talvez você me questione: “Como assim, Rodrigo? Eu ainda nem cheguei perto de onde quero!”. E eu lhe garanto: alcançar seus sonhos é a meta final! A única realidade que de fato existe em sua vida é o momento presente, o agora! Sendo assim, ao ler estas linhas, pergunte-se: quão bem-sucedido você já é? Quais são as conquistas pelas quais já é grato?
Quem são as pessoas especiais que compartilham com você sua história de vida? Quais são as pequenas ou grandes realizações que já fez?
Em nosso íntimo, o que mais queremos é a felicidade. E ela só pode ser encontrada num lugar e num tempo: no aqui e agora! Nossa vida é um eterno agora. A maior causa de nossos sofrimentos são os traumas e os fracassos do passado, além da ansiedade pelo futuro. Mas eu volto a afirmar: você já é um sucesso em alguma área ou aspecto de sua vida, e o fato de reconhecer isso o coloca em um estado de gratidão. Esse estado vai acelerar a realização de seus maiores sonhos. E sabe o que é melhor? O poder de gerar esse estado está em suas mãos. Você decide se vai agradecer, por exemplo, por ter a visão que possibilitará uma boa leitura deste livro. Você decide se vai agradecer pelo fato de ter se levantado da cama nesta manhã enquanto muitos não puderam fazê-lo. Você decide se será o mestre de si mesmo e nunca mais escravo da vida ou das circunstâncias.
Então, eu o convido a entrar nesse estado emocional de gratidão por tudo o que já tem e fez até hoje, por todas as pequenas realizações e conquistas. Convido você ao aprendizado de se parabenizar, o que torna muito mais fácil iniciar essa jornada comigo, investindo um pouco de seu precioso tempo na leitura deste livro, que tem a intenção real de impulsioná-lo a novas e grandes realizações em sua vida. Porém, lembre-se de aproveitar cada instante de sua vida, pois ela é constituída de momentos. Ao decidir agradecer por esses momentos, por mais difíceis que sejam, você se coloca na direção da conquista de suas metas e sonhos.
A felicidade consiste em seguir um caminho, e não em chegar ao destino. A felicidade é um estado de espírito, uma decisão. Não é difícil olhar à sua volta e encontrar algo de que possa reclamar neste momento. Mas você também pode olhar ao redor e encontrar algo pelo qual possa sentir-se grato e feliz. É só procurar!
É bem provável que você se identifique com a trajetória contada neste livro, já que muitas obras que falam de sucesso narram casos de pessoas que conquistaram suas grandes metas. Pois bem, o leitor conhecerá a história de uma pessoa como você, talvez com os mesmos medos, mas que ainda assim vem superando todos os obstáculos encontrados e hoje considera-se bem-sucedida, pois está conquistando a realização de inúmeras metas e valorizando cada segundo da vida como se fosse o último, vivendo com paixão.
Trata-se da história de um jovem que começou a trabalhar depois de se formar na faculdade. Empregou-se em uma empresa sólida e bem conceituada no mercado, uma construtora de shopping centers, clubes e edifícios, até que um dia resolveu mudar para a pequena empresa de engenharia de ar-condicionado de um amigo, na qual foi trabalhar com vendas. A empresa tinha três funcionários e estava instalada em uma pequena sala comercial.
O jovem enfrentou a oposição da família e dos amigos, que não entenderam sua atitude. Estava realmente dando um passo arriscado e, no íntimo, também sentia medo e preocupação. Afinal, deixava seu posto em uma grande empresa, na qual exercia uma função técnica e não tinha muito contato com as pessoas, para aventurar-se numa área desconhecida, com um amigo
que acabava de abrir um negócio próprio. E o que era pior: para trabalhar com vendas!
Mas por que nosso personagem faria tal troca? Talvez para aprender sobre o funcionamento de um pequeno negócio para, quem sabe, depois, montar o seu próprio.
O fato é que, depois de adquirir experiência naquela pequena empresa, ele montou intuitivamente seu primeiro negócio na base do “eu sozinho” e passou a faturar cerca de dez vezes mais do que recebia com o cargo júnior na construtora. Assim teve início sua trajetória de empreendedor, que contaria ainda com várias escolhas e decisões arriscadas e sem garantias. Afinal, assim é a vida!
Este jovem foi dono de quatro empreendimentos em paralelo, presidiu uma organização atuante em cinco estados brasileiros com mais de dois mil franqueados, idealizou e organizou eventos que arrecadaram toneladas de alimentos e milhares de brinquedos para alegrar o Natal de pessoas carentes. Entre outras ações ousadas e consistentes.
E pensar que esse jovem, quando terminou a faculdade, não tinha o que poderíamos chamar de “autoestima elevada”. Sentia-se extremamente desconfortável ao falar com seu chefe ou profissionais com cargos superiores, por exemplo. Porém, ele acreditava ter potencial para realizar algo
grandioso um dia. Só não sabia ainda o que seria.
Você já percebeu que eu conheço muito bem a vida desse jovem? Realmente, sei tudo sobre ele! Porque esse jovem, na verdade, sou eu!
Meu nome é Rodrigo Ubiratan Cardoso e convido você a ler este livro até o fim, para que encontre as respostas
que tem procurado a fim de se tornar uma pessoa mais feliz e mais realizada.
Mas preciso alertar você de uma verdade muito importante antes de começarmos: como eu já disse, sua felicidade está no caminho percorrido para realizar seus sonhos. Porém, para percorrer esse caminho, é preciso que você tenha seus sonhos bem claros e definidos. Você precisa realmente saber responder a essa pergunta: “O que você realmente deseja em sua vida?”.
Para chegar a essa resposta, reflita com estas perguntas: Você gostaria de ter liberdade financeira?
Gostaria de ser próspero o suficiente para que a falta de dinheiro não fosse um inconveniente em sua vida?
O que faria se dinheiro e tempo não fossem problemas para você?
Se você não tivesse dívida alguma, como seria sua vida? A que horas você acordaria, se pudesse escolher? Seria com o despertador ou na hora em que seus olhos abrissem? Que viagens faria? Que lugares do Brasil e do mundo gostaria de conhecer?
Onde moraria? No campo, na praia, em um apartamento de cobertura ou numa casa?
Quem você ajudaria? Alguém de sua família precisa que você tome uma decisão definitiva em sua vida?
O caminho começa com o primeiro passo. Então, vamos juntos, no próximo capítulo, dar este passo.
1. P
rimeiro
PASSo
ocê certamente conhece um provérbio que começa assim: “Diga-me com quem andas e...”. Aposto que completou a frase com “te direi quem és”, não foi? Pois é, mas, para mim, o provérbio deveria ser: “Diga-me com quem andas e te direi para onde vais em sua vida!”.
Ele traduz a importância que as crenças, as quais normalmente compartilhamos com as pessoas mais próximas, têm sobre nossa vida. As crenças que desenvolvemos, sobretudo no começo da vida, são decisivas para sermos ou não bem-sucedidos. Agora, somos nós que escolhemos em quem acreditar. Cabe a nós a decisão sobre o que queremos ser. Nisso consiste o primeiro passo.
V
Não existem fracassos. O que existem são resultados.
Li certa vez uma reportagem de jornal sobre a vida de dois irmãos gêmeos, na época com 35 anos de idade. Um era usuário de drogas, praticava roubos e acabara de ser preso. O outro era empresário, tinha vida estável e bem-sucedida. Em comum, além de serem irmãos gêmeos, os dois tiveram a infância marcada pelo pai, que era alcoólatra, violento, batia na mulher e terminou a vida em uma prisão. Agora, veja que interessante: um dos irmãos escolheu seguir o mesmo exemplo do pai (diga-me com quem andas...), enquanto que o outro escolheu um caminho bem diferente, de certo porque levar uma vida como a do pai era tudo o que não queria para si. Essa história ilustra o fato de que não importam as dificuldades que você teve no passado, tampouco o ambiente em que vive: o que conta é sua decisão sobre a realidade que quer viver.
As lembranças de minha vida me levam de volta ao tempo em que eu tinha sete anos. Algumas são importantes, outras eu mesmo decidi que não significam nada, porque não deixei que influenciassem na escolha do caminho que segui.
Precisamos deixar para trás certos aspectos do passado,
experiências negativas ou indesejáveis que não nos ajudarão em nada. Já as vivências positivas, que nos fortalecem, essas, sim, valem a pena serem guardadas como bons exemplos a seguir. Minha mãe era uma mulher incrível, cheia de energia e garra. Dedicou sua vida a proporcionar o melhor para todos, sempre com criatividade e empreendedorismo. Meu pai biológico é uma pessoa de coração muito especial, com quem estou tendo a felicidade de conviver agora, após praticamente trinta anos de afastamento pela distância e por circunstâncias
da vida. Já minha avó paterna era o tipo de pessoa positiva, perseverante, que se coloca mais a serviço dos outros do que de si mesma. Ela exerceu uma influência muito forte sobre minha infância e me ajudou a acreditar que eu poderia ser um vencedor. Não é por menos que é a ela que dedico este livro. Nasci em São Paulo. Quando ainda era bem pequeno, meus pais se separaram. Minha mãe casou-se pela segunda vez com um engenheiro e nos levou (a mim e a minha irmã) para Gurupi, em uma região onde hoje é o Estado do Tocantins. Gurupi era um município tão pequeno que tinha uma só rua asfaltada e um único semáforo. Morávamos em uma casa enorme e estávamos muito bem de vida. Meu “outro pai” tinha várias fazendas, onde me diverti muito. Até os 10 anos, tive o que se pode chamar de uma excelente infância em uma cidade do interior. Mas, a partir daí, tudo mudou. O marido de minha mãe começou a beber e se afundou no vício, a ponto de tomar um litro de uísque por dia. Para resumir a história, ele acabou morrendo. Minha mãe, minha irmã e eu voltamos para São Paulo com uma situação financeira muito difícil.
Vi meu padrão de vida mudar drasticamente. Saí de uma casa com o tamanho de um quarteirão inteiro para morar de favor na casa de meus avós maternos. Passava semanas sem ver minha mãe, pois ela se casou novamente, foi morar com o novo marido e trabalhar incansavelmente para nos sustentar. Foi uma fase de mudanças muito dramáticas, e nesse momento da vida escolhi que faria uma faculdade, teria um bom emprego e não deixaria minha família passar por situações difíceis. Essa decisão estava muito clara e bem definida para mim.
Lembro-me de como foi difícil enfrentar minha primeira nota zero. Em Gurupi, havia sido sempre bom aluno, mas
em São Paulo estava com muita dificuldade para acompanhar os estudos e ainda por cima era humilhado pelos “queridos coleguinhas” que me chamavam de “caipira boca mole”, pois falava com um forte sotaque do Norte.
Lembro-me que, quando telefonei para minha mãe para contar do meu zero, eu esperava levar uma tremenda bronca. Para minha surpresa, ela só respondeu: “Tudo bem, filhão, sei que você vai se recuperar. Acredito em você!”.
Foi então que entendi que o destino de minha vida dependia apenas de minhas decisões e ações. Adquiri minha primeira crença fortalecedora e estabeleci a primeira meta de minha vida, mesmo sem saber o que isso significava: eu seria um engenheiro!
Assim minha mãe contava sobre mim, na infância:
Era um domingo frio de junho. A garoa caía fina e eu corria com minha filha Giselle, com quatro anos de idade, pela Avenida Lins de Vasconcelos. Tinha pressa para não perder o ônibus e chegar em casa, no bairro de Indianópolis, a tempo de assistir ao jogo do Brasil, afinal era a Copa do Mundo de 1970.
Grávida de nove meses, eu mostrava ao mundo minha felicidade incrível, um absoluto orgulho pela gestação tranquila, embora trabalhasse dezoito horas por dia vendendo roupas de porta em porta. Era uma autêntica “sacoleira” da década de 1970.
Eu sabia que esperava um menino e que ele seria um doutor da eletricidade, famoso por sua energia positiva. Foi o que havia previsto uma velha senhora.
O Brasil venceu a Inglaterra por 1 a 0 e eu fui para a
dia 8 de junho, meu filho nasceu com a ajuda do Dr. Eduardo Martins Passos.
O destino se cumpria. Rodrigo Ubiratan Cardoso foi um menino lindo, simpático e de uma alegria contagiante. Por ter crescido no interior de Goiás, ele se sentia inseguro na Grande São Paulo, para onde retornou aos 12 anos. Seu intenso medo de se perder na multidão me preocupava. “Vamos vencer este medo”, pensava eu. Só não sabia como. Mas a oportunidade apareceu certa tarde, quando passávamos ao lado de uma estação do metrô. Naquele dia, Rodrigo me perguntou:
— Mãe, se eu tomar o metrô aqui, chego na casa da vovó Ya? — Com certeza. Se eu deixar você aqui na estação São Judas, você compra um bilhete, toma o trem na direção de Santana e desce na estação Vila Mariana. Estarei lá esperando por você. Quer ir?
— Quero — respondeu Rodrigo. E eu pensei: vencemos o medo!
Abri a porta do carro e o deixei na estação de metrô. Meu coração estava apertado e eu, tentando demonstrar uma segurança que estava longe de sentir, disse apenas: — Vai!
Voei para a estação Vila Mariana, encostei o carro e aguardei sete eternos minutos. Ele saiu da estação dançando e dizendo:
— Mãe, consegui! Não foi tão difícil quanto pensei que seria! Com o coração em festa, eu o beijei e respondi:
— Você pode tudo. Basta querer, meu filho!
*
Essa experiência gerou dentro de mim uma crença de que eu era capaz, o que me fortaleceu e me ajudou muito nos estudos.
Curioso como sempre fui, queria entender as “mágicas” da eletricidade. Tornei-me o melhor aluno da classe. Sabe como? Andando com o melhor aluno da sala! “Diga-me com quem andas, que eu te direi para onde vais...”, lembra?
Cursei um excelente colégio em São Paulo. Atravessei o segundo grau com uma das melhores médias da escola, mas sempre pensando na faculdade, e não na prova de amanhã. Tinha um sonho, tinha uma meta e estava focalizado nela. Não posso deixar de dizer que a pessoa a quem dedico este livro foi uma grande responsável por minha ascendência na escola. Embora eu fosse bom aluno em Goiás, na época meu nível de estudo deixava muito a desejar, especialmente quando comparado com o de São Paulo.
Paciente, minha avó estudava comigo e com os meus amigos da escola, fazendo teatro, resumos diagramados e tudo o mais. Como já mencionei, foi uma grande mentora em minha vida. Minha querida vovó Cy costumava dizer:
Vocês podem imaginar como incentivar adolescentes a estudar sem se valer de música, esportes ou passeios de carro? Só mesmo quando eu lhes transmitia minhas experiências anteriores e apelava para o teatro é que conseguia
gregas, resumos diagramados e sinopses de trechos literários. E deu certo!
Em minha opinião, Rodrigo herdou de sua bisavó (minha mãe) a vontade de vencer. Apesar de ter começado a vida como empregada doméstica, tornou-se a primeira mulher a trabalhar com corretagem de imóveis no estado de São Paulo. Isso me deu a oportunidade de ter uma educação aprimorada e uma estabilidade financeira com a qual poderei contar até o fim da vida.
*
Passei no vestibular da Universidade de São Paulo e entrei na Escola Politécnica, mas não no curso que realmente desejava fazer. Desde os 12 anos de idade, queria ser engenheiro eletricista. Porém, minha média no vestibular só me permitiu iniciar a Faculdade de Engenharia Civil. A única possibilidade de mudar para Eletricidade era se tivesse as melhores notas no primeiro semestre.
Esforcei-me ao máximo naqueles primeiros seis meses. Quando chegou o dia de buscar os resultados de minha avaliação, do qual me lembro até hoje, fui à secretaria da faculdade e lá recebi a notícia: eu seria um Engenheiro Eletricista!
Na verdade, essa foi a minha interpretação, porque tudo o que eu havia conseguido até aquele momento era a transferência para o curso que eu realmente queria fazer, o de engenharia elétrica. Daí a me tornar um engenheiro eletricista de fato, teria de fazer muitas outras escolhas. Por isso, gostaria de interromper minha narrativa neste ponto e pedir a você, meu amigo leitor, que volte ao
passado e procure se lembrar de suas pequenas vitórias na vida. Você se lembra daquele seu trabalho sobre germinação, do pezinho de feijão crescendo dentro de um copo com algodão molhado, que fazíamos na escola primária, ou ensino fundamental, como é chamado atualmente? Da apresentação da feira de ciências, de teatro ou do festival de música? Lembre-se agora da vitória no futebol ou no vôlei, da promoção no trabalho, da aprovação em um concurso ou processo de seleção de uma empresa.
Tente, por um momento, lembrar-se de todas as vitórias que você já experimentou na vida, por menores que tenham sido. Utilize o espaço abaixo para listar todas elas.
Se você não puder se disponibilizar para esse importante exercício agora, peço que se planeje para fazê-lo o mais brevemente possível. Isso é muito importante, pois a intenção do livro é proporcionar a você, leitor, resultados reais em sua vida — e isso só será possível se existir ação. Então, vamos lá! Pegue uma caneta e escreva!
Após escrever, leia com atenção suas vitórias passadas e comece, a partir de agora, a criar novas crenças que o fortalecerão para o sucesso, tais como:
• Se eu consegui uma única vez, posso repetir. • Eu sou uma pessoa vencedora.
• Posso realizar qualquer meta a que me propuser, se essa meta não ferir minha integridade nem prejudicar alguém. • Para tudo há solução, menos para a morte.
• A demora de Deus não é uma negativa.
• Nunca passarei por um desafio que não seja capaz de vencer ou, no mínimo, com o qual possa aprender. • Nada acontece por acaso, e todo acontecimento tem
propósito de crescimento pessoal.
• Aconteça o que acontecer, temos de assumir a
responsabilidade por nossas escolhas. Quem aprende a fazer isso, ganha uma força essencial; enquanto quem não aprende, torna-se enfraquecido para as próximas batalhas. Diga: “sou responsável e cuidarei disso”.
• Não é necessário entender de tudo para que se possa ter capacidade de usar tudo.
• Trabalho é prazer.
• As pessoas são nossos maiores recursos. • Tenho muito que aprender e muito a crescer.
• Não existem fracassos; o que existem são resultados. Você pode e deve escolher as crenças que o fortalecerão em sua vida! E talvez você esteja com vontade de me perguntar: “Mas, afinal, o que é crença e qual é sua origem?”. Pois bem, o que chamo de crença é uma regra que adotamos para a vida, com base em valores pessoais. Ela pode ser originada pelos seguintes fatores:
1. Influências do ambiente em que fomos criados. 2. Experiências positivas ou negativas do passado. 3. Pequenos ou grandes acontecimentos da vida.
4. O conhecimento adquirido por meio de estudos. 5. E o melhor: a criação de uma experiência futura em
sua mente.
Sim! Temos o poder de criar experiências fortalecedoras por meio de exercícios específicos de visualização. O momento presente é o que existe de fato — é o exato momento em que você lê esta linha. Passado e futuro são apenas imagens em nosso cérebro. Você tem total controle sobre essas imagens. Portanto, se criar uma imagem de seu futuro e pensar nela como se fosse algo que já aconteceu, será como se já tivesse vivido a experiência.
Esteja pronto para criar um futuro de prosperidade e felicidade, estabelecendo para si mesmo um novo conjunto de crenças.
2. o
Poder
dA
crençA
a mesma forma que aquilo em que acreditamos com grande intensidade pode destruir nossa vida, também pode salvá-la. E vice-versa.
Certa vez, li uma história muito interessante no livro do Dr. Lair Ribeiro. Era sobre um mendigo nos Estados Unidos chamado Charles Harris. Numa tarde de sexta-feira, Charles procurava um lugar para se abrigar durante a noite. Encontrou, em uma estação ferroviária, um vagão aberto e entrou. Ao fechar a porta, deu-se conta de que havia entrado numa fria, literalmente, pois ali era um vagão frigorífico! Tentou abrir a porta, mas não tinha como fazê-lo pelo lado
D
Se você acredita que pode, você está certo. Se acredita que não pode, também está certo!
interno do vagão. Começou a sentir frio, encontrou uma caneta pilot no chão, dessas para marcar a carne, e começou a descrever suas sensações na parede do vagão. Sentia suas mãos congelando, os dentes rangiam de frio e começou a imaginar como seria na segunda-feira, quando encontrassem seu corpo sem vida. Estava experimentando os efeitos do congelamento gradativo do seu corpo. Foi quando, sem forças para continuar, desfaleceu no local. Porém, nesta história tem um detalhe fundamental: o vagão estava em
manutenção naquele fim de semana, isto é, estava desligado! Em nenhum momento, a temperatura baixou para menos de 10° C. Com esse exemplo, espero ter dado a você, leitor, uma peque- na amostra do poder da crença. Esse poder é a explicação para o que aconteceu em minha vida, pois aos poucos fui estabelecendo um sistema de crenças que direcionou meus pensamentos. Pensamento gera comportamento, que gera ação consistente, que gera hábitos positivos, que geram resultados, que geram novas crenças, gerando, assim, novos pensamentos... Eis o ciclo do sucesso! Coloque seu foco nisso.
Se você acha que é um vencedor, deve pensar como um
vencedor e então se comportará como tal. Como resultado, suas ações e atitudes serão vencedoras, gerando o resultado positivo que o fará acreditar que é realmente um vencedor, e assim pensará como vencedor com muito mais intensidade, e então... Percebe onde isso vai parar?
Da mesma forma que aquilo em que acreditamos com grande intensidade pode destruir nossa vida, também pode salvá-la. E vice-versa.
Existem dois ótimos filmes que demonstram o poder da crença: O Segredo, que fala sobre a Lei da Atração (discutiremos isso mais adiante), e Quem Somos Nós?, baseado nos princípios da Física Quântica, com depoimentos e explicações de cientistas.
Se você ainda não os assistiu e tem interesse em saber mais sobre o poder da crença, recomendo-os.
Em O Segredo, por exemplo, é contada a história de Morris Goodman, conhecido como “Homem Milagre”. Seu depoimento é fantástico e vale a pena toma-lo como inspiração:
“Minha história começa em 10 de março de 1981, o dia que mudou toda a minha vida e do qual jamais esquecerei. O avião em que estava viajando caiu e acabei no hospital completamente paralisado. Minha espinha dorsal foi quebrada, perdi a capacidade de engolir, não podia beber ou comer, não podia respirar sozinho. Tudo o que podia fazer era piscar os olhos. Os médicos me informaram que eu viveria como um vegetal pelo resto da vida.
Foi o que disseram, mas isso não importava. O que importava era o que eu pensava. Eu me imaginei uma pessoa normal de novo, saindo daquele hospital andando. A única coisa que eu tinha de trabalhar durante a internação era a minha mente. E, uma vez que você tenha domínio sobre sua mente, você pode colocar as coisas no lugar.
Eu respirava por intermédio de um aparelho. Os médicos diziam que eu jamais respiraria sozinho de novo, pois o meu diafragma fora destruído.
Quando voltei a respirar por mim mesmo, eles não
conseguiam explicar ou compreender como isso tinha sido possível. Eu não podia deixar que nada me distraísse de minha meta e minha visão. Estabeleci o objetivo de sair do hospital no dia de Natal, e assim foi! Saí andando sobre minhas próprias pernas, a despeito daquela sentença terrível que os médicos haviam me dado. Esse é um dia do qual jamais esquecerei. Para as pessoas que estão assistindo a esse filme agora, se uma frase pudesse resumir minha vida e o que as pessoas são capazes de fazer, seria: “O homem se torna aquilo em que ele pensa”.”
Impressionante essa história, não é? O impossível pode ser apenas uma crença que você nutre. Mas você ainda não viu tudo. Fazia pouco tempo que eu havia tomado conhecimento dessa história e acabava de transcrevê-la para o livro, quando algo mágico e muito especial aconteceu comigo. Permita-me agora compartilhar com você, caro leitor, a experiência que tive, pois tenho certeza de que não ocorreu por acaso.
3. o
voo
livre
u estava na cidade de Governador Valadares, em Minas Gerais, e escrevia este livro. Tinha ido para lá porque é um dos melhores lugares do Brasil para a prática de voo livre, onde se pode
contemplar uma bela decolagem a partir do pico de Ibituruna. Ser piloto de parapente foi uma das metas que defini anos atrás, pois sempre fui apaixonado pela sensação de liberdade proporcionada pelos esportes aéreos. Era dezembro de 2006, e eu havia tirado alguns dias para me dedicar unicamente ao voo livre e à redação deste livro.
Era dia 19 de dezembro e eu acabara de transcrever o trecho do Homem Milagre. Faria um
E
Estava muito entusiasmado com a ideia de buscar as correntes térmicas e experimentar um voo “de verdade”.
voo e, em seguida, entraria no avião de volta para São Paulo. Pela primeira vez, eu usaria um aparelho chamado variômetro, que emite um sinal sonoro para avisar que estamos subindo com uma corrente de ar. Estava muito entusiasmado com a ideia de buscar as correntes térmicas e experimentar um voo “de verdade”; segundo os praticantes do esporte, este é um voo em que você ganha as alturas.
Meu professor havia me orientado a ficar muito atento à vela (nome dado à “asa” que sustenta o piloto no ar) enquanto estivesse em uma térmica, e lá fui eu. Depois de uma bela decolagem, procurei voar próximo a um bando de urubus para encontrar uma corrente ascendente. De repente, fui apanhado por uma delas, o que fez meu aparelho apitar, e aí cometi meu primeiro erro: olhar para a vela apenas no momento em que o variômetro soou. O segundo erro foi não perceber que ultrapassei a corrente ascendente e entrei em uma descendente.
Estava girando como os pássaros planadores, mas, em vez de subir, eu descia. E muito mais depressa do que o normal. O aparelho soava de um modo diferente, enquanto eu descia rápido. Teria de fazer um pouso de emergência, pois já estava muito baixo, e precisava decidir rapidamente onde aterrissar. Não seria possível chegar à pista principal, que ficava perto do centro da cidade, a apenas vinte minutos do hotel. Pensei em descer até a pista de emergência, para onde os alunos novatos eram levados, já que lá se podia fazer um pouso mais fácil.
O problema, pensei eu inocentemente, era que de lá até o hotel levaria duas horas de caminhada com o equipamento nas costas, o que me faria perder o avião para São Paulo.
Tudo isso me passava pela cabeça em frações de segundos. Foi então que avistei o Clube Minas e decidi pousar em seu campo de futebol. De lá, seria fácil pegar um táxi de volta ao hotel e, assim, eu não perderia o avião. Já havia pensado em pousar lá um dia, mas infelizmente não tivera a oportunidade de compartilhar a ideia com meu professor ou com os colegas. Se tivesse feito isso, eles teriam me desencorajado imediatamente, pois era perigoso. Ao decidir fazer o pouso ali, eu cometi meu terceiro, último e pior erro.
Iniciei o procedimento de pouso e... surpresa! O extenso campo que eu avistara lá de cima era, na verdade, dois campos separados por um alto e gigantesco alambrado, rodeados por enormes árvores. De repente, o espaço que eu tinha para o pouso havia sido dividido pela metade, e a situação estava ficando realmente séria. Como eu correria risco de morte se batesse contra a cerca divisória, decidi cruzá-la e tentar a descida no segundo campo.
Quando me aproximava do chão, fui pego por uma corrente ascendente e ganhei altura. Aquilo era tudo o que não podia acontecer em um espaço de pouso tão limitado! Precisava agir rápido ou cruzaria o campo e bateria contra as árvores, ou talvez caísse no rio que corria adiante do campo.
Fiz uma curva brusca para a esquerda, com o intuito de perder altura. Porém, com a manobra, minha velocidade aumentou e me colocou em rota de colisão contra as árvores. Fiz nova curva, dessa vez para a direita, para corrigir
meu pouso. Tarde demais.
4. o
ineSPerAdo
aí com forte impacto no solo e bati violentamente as costas. Os pilotos de parapente são treinados para virar as costas para o chão em situações como essa, pois nosso equipamento tem uma espécie de airbag dorsal que protege a coluna. Na hora do choque, vi estrelas, literalmente. Minha primeira reação foi movimentar os dedos do pé, e me senti aliviado ao constatar que podia senti-los. Fiquei estendido no chão, imóvel, até porque era impossível movimentar o corpo com a dor intensa que latejava em cada célula. Apenas gritei por socorro.
Então começaram a aparecer o que chamo de “os anjos em minha vida”. A solidariedade incondicional que não pede nada
C
Eu, que me sentia chateado por estar longe da família, vi que existem pessoas dispostas a deixar de lado seus interesses pessoais para alegrar um pouco a vida dos outros, mesmo que desconhecidos.
em troca, a vontade de ajudar, tudo isso mostra que existem pessoas boas de verdade neste mundo.
O nome dos primeiros anjos eu nunca vou saber, apenas me lembro deles. A criança de 9 ou 10 anos que me deu água para beber, enquanto eu esperava o resgate chegar. As pessoas que incansavelmente ligavam de seus celulares para cobrar mais rapidez da ambulância. Os homens que me resgataram. Depois de quase cinquenta minutos, eu dava entrada no hospital, esperançoso de que os médicos viessem me esclarecer que tudo não passara de uma pancada forte, receitassem algum analgésico e me liberassem para pegar o avião de volta para São Paulo.
Fiz alguns exames, mas ninguém me comunicou o que eu tinha. O tempo passava rápido e tive de me conformar com a perda do voo. Comecei a ficar ansioso para saber meu diagnóstico, e isso só aconteceu horas depois do acidente, quando enfim um médico me passou a “sentença”:
— O quadro é sério. Você fraturou a coluna vertebral e tem muita sorte de ainda poder se movimentar. Não sabemos ao certo se lesionou a medula ou não, precisamos de uma tomografia. Você ficará internado e, provavelmente, precisará de uma cirurgia.
A notícia me deixou atordoado. Estava sozinho naquela cidade, sem ninguém da família por perto. Foi então que apareceu mais um anjo de quem nunca esquecerei: Ariene, a moça da farmácia. Não tenho palavras para expressar como foi importante receber seu auxílio naquele momento e nos longos dias que ainda passaria naquele hospital. Ariene se aproximou de mim para saber se eu precisava de alguma
ajuda, e me emprestou seu celular. Telefonei para os meus familiares e para o escritório.
Depois, fui levado para uma enfermaria, onde fiquei com outros três pacientes. Todos eram mais velhos, mas eu era o único imobilizado. Foi ali que conheci outro anjo, alguém que ajuda as pessoas por amor. Seu nome é Zezinho, e ele estava internado havia quase um mês à espera de um laudo médico que viria de Belo Horizonte, sobre a necessidade de realizar uma angioplastia.
Zezinho é o tipo de pessoa que está sempre sorrindo. Alegrava a todos daquele quarto, oferecia suas frutas, emprestou-me um ventilador de mão para que eu pudesse aliviar um pouco o calor que sentia.
A única vez que percebi lágrimas em seus olhos foi quando lhe perguntei sobre sua história. Ele me contou que quatro horas depois de ter dado entrada no hospital com problemas cardíacos, sua esposa, que o acompanhava, teve um ataque fulminante e faleceu. Não houve nada que os médicos pudessem fazer.
Que força de espírito tinha aquele homem! Eu, que me sentia chateado por estar longe da família, vi que existem pessoas dispostas a deixar de lado seus interesses pessoais para alegrar um pouco a vida dos outros, mesmo que desconhecidos. No segundo dia de internação, comecei a tratar de minha transferência para o hospital de São Paulo, no qual tenho assistência, a Beneficiência Portuguesa. Mais uma vez, recebi o auxílio de Ariene, que me ajudou a providenciar um meio de transporte. Em São Paulo, um exército de amigos e parentes também se mobilizava para a transferência.
Era impraticável viajar de avião, pois eu tinha de me manter imóvel e em posição horizontal. Além disso, a pressão no interior da aeronave poderia agravar minha situação. Depois de muitos contatos e providências — inclusive a confecção em tempo recorde de um colete rígido para eu vestir — deixei o hospital de Governador Valadares às 5 horas da manhã do terceiro dia após o acidente. Foram 18 horas de viagem a bordo de uma ambulância, em companhia de mais dois anjos: o motorista e a bondosa enfermeira Seudina, que me trataram com delicadeza e paciência.
*
Os momentos que passei no hospital me fizeram perceber como eu era abençoado, e passei a agradecer por tudo o que tinha. A possibilidade de voltar a andar, poder respirar, poder ver; a oportunidade de me reaproximar de meu pai; a ajuda que tive de minha mãe; a atenção recebida do pessoal do hospital... Entre os enfermeiros, minha gratidão especial é por André, pelas situações em que demonstrou extraordinário valor como profissional e ser humano. Recebi meu presente de Natal (aliás, o melhor presente de minha vida) no dia 26 de dezembro, quando o Dr. Montanaro entrou no quarto, sentou-se na beirada da cama e me revelou: — Não sei de que altura você caiu, mas teve muita sorte. Sua vértebra T12 está esmagada e, por muito pouco, a medula não foi atingida. Graças a isso, poderemos fazer um procedimento cirúrgico ainda muito novo no Brasil.
O procedimento se chama cifoplastia e o Dr. Montanaro era um dos poucos médicos brasileiros, na época,
proporciona rápida recuperação e vida normal. Se eu fosse tratado do modo tradicional, ficaria pelo menos seis meses em recuperação, teria uma enorme cicatriz nas costas e não poderia fazer alguns movimentos, como abaixar e levantar a coluna.
A notícia me fez chorar. Fiquei muito emocionado pela dádiva, pelo presente, pelo milagre que Deus estava me proporcionando.
Tinha consciência de estar recebendo uma nova chance na vida e decidi não desperdiçá-la. Nisso você pode apostar! Fui operado no dia 28 de dezembro. Correu tudo bem, e o médico enfatizou que a recuperação dependeria só de mim. Por volta das cinco horas da tarde daquele mesmo dia, dei os primeiros passos depois de ter permanecido quase dez dias deitado na mesma posição. Lembrava-me, a todo instante, do trecho que havia transcrito no livro, sobre o Homem Milagre. Curiosamente, até então eu não tinha assistido ao filme “O Segredo”, apenas lido um texto sobre o filme recebido por e-mail. Foi durante minha estada no hospital que o vi pela primeira vez, depois que meu querido amigo Roney o trouxe de presente para mim.
Uma semana depois da cirurgia, eu já caminhava sem o colete e até dirigia meu carro. Não havia ficado com nenhuma sequela. Meu andar era um pouco duro, um “andar de robô”, mas isso melhoraria com o tempo. Afinal, tinham se passado apenas sete dias de recuperação!
5. o
Poder
dA
grAtidão
epois de passar pela experiência do acidente, aprendi a importância de agradecermos cada pequeno acontecimento ou detalhe de nossa vida. E descobri que uma das chaves do sucesso está ligada à energia que geramos e ao modo como nos sentimos na maior parte do tempo.
Muitas pessoas têm o hábito de reclamar. Reclamam do trânsito, do chefe, do trabalho, das dívidas, do tempo chuvoso ou do calor. Se você tem o hábito de reclamar e focalizar sua atenção naquilo que não quer, tenho uma péssima notícia: você acaba atraindo ainda mais situações que não quer. “Você atrai aquilo que teme”, declara Rhonda Byrne, autora do
D
Se você tem o hábito de reclamar e focalizar a atenção naquilo que não quer, tenho uma péssima notícia: você acaba atraindo ainda mais situações que não quer.
livro O Segredo. É isso mesmo. Faça uma breve retrospectiva de sua vida e veja como isso é verdadeiro.
Com base nessa afirmação, você poderia me perguntar, por exemplo: “Quer dizer então, Rodrigo, que você atraiu seu acidente?”. Pois é com muito pesar que eu lhe respondo: sim, eu atraí meu acidente. E esse foi outro grande aprendizado que tive com a experiência. Toda vez que eu voava, tinha o pensamento de que eu não poderia sofrer um acidente de jeito nenhum, pois precisava trabalhar e fazia isso com muita satisfação, ajudando várias pessoas. Esta era minha grande preocupação: não sofrer um acidente. E o que aconteceu? Acabei atraindo o que eu mais temia, como você já sabe. Depois disso, passei a vigiar meus pensamentos e, principalmente, minhas emoções.
O fato de estar lendo esse livro é um ponto a favor de mudanças positivas em sua vida, pois você atraiu essa leitura, buscou por isso. Permita-se, a partir de agora, vigiar seus pensamentos e emoções. Fazer isso é mais simples do que parece.
Já reparou que, nos dias em que você acorda de mau-humor, parece que nada acontece como gostaria? No entanto, há dias em que tudo dá certo, certamente porque você está feliz e acaba atraindo oportunidades, pessoas e situações maravilhosas. Pois aí está o segredo: SINTA-SE BEM!
Verifique como estão suas emoções neste exato momento. Basicamente, só existem dois tipos de emoções: as boas e as ruins. E quer saber da boa notícia? É você quem escolhe como se sentir. Quanto mais criar o hábito de estar feliz, grato pelas pequenas coisas da vida e focado naquilo que quer (e não naquilo que teme), mais rapidamente atrairá o sucesso para você.
Persista nessa prática, ela realmente traz resultados. Bob Proctor, discípulo de Napoleon Hill e autor do best seller internacional You Were Born Rich, afirmou: “Por que você acha que 1% da população ganha cerca de 96% de todo o dinheiro que circula? Você acha que isso acontece por acaso? Não, é tudo planejado. Esse 1% entende algo. Eles entendem o segredo. Essas pessoas sabem de alguma coisa que agora você também sabe. Elas escolhem o que querem, focam no que desejam e decidem se sentir bem diariamente. Lembre-se disso sempre que você reclamar. Talvez uma voz interna esteja contestando o que você lê neste momento, argumentando com algum pensamento do tipo: “Ele não diria essas coisas se conhecesse meus problemas...”.
Tenha cuidado! Nada é tão ruim que não possa piorar ainda mais. Se você reclama que o seu trabalho é ruim, reconheça que há muitos desempregados. Se reclama que tem dívidas, saiba que há pessoas ainda mais endividadas. Se reclama da saúde, pense nas pessoas em estado muito mais grave. Qual é, então, o segredo para sentir-se bem todos os dias? A resposta é: AGRADECER! Isso mesmo! Agradeça por aquilo que você já tem, agradeça pelas pessoas que estão à sua volta, agradeça por tudo o que conseguiu até hoje na vida. Esse é o caminho mais curto para que você obtenha muito mais! O estado de graça faz você se tornar um ímã de coisas boas e tudo começa a dar certo em sua vida. As pessoas ao seu redor não conseguem entender como isso é possível, mas para você não há mais mistério, pois descobriu como é importante manter-se em estado de gratidão.
Há quem possa estar pensando agora: “Ah, Rodrigo, mas você não conhece as pessoas que convivem comigo, não imagina
como é difícil lidar com elas...”! Posso imaginar, sim; a maioria de nós tem algum relacionamento difícil na vida. A dica para esses casos é focalizar a atenção nas qualidades da pessoa. Faça uma lista de seus pontos positivos, porque com certeza ela os tem, e comece a olhá-la pelo que tem de bom. Se persistir nisso, com o tempo sua atitude em relação a esta pessoa mudará — e, como num espelho, a dela com relação a você também.
Que tal colocar em prática essa dica? Escreva o nome de uma ou mais pessoas com quem seu relacionamento não esteja muito bom. Depois, ao lado do nome de cada uma, relacione as qualidades ou características que você admira ou gosta nelas. Vamos, faça uma forcinha. Se não conseguir pensar em nenhuma qualidade, pergunte a si mesmo: se existisse algo de bom nessa pessoa, o que seria?
Talvez seja uma pessoa disciplinada, persistente, batalhadora. Talvez tenha muitos defeitos, talvez ame você apenas do jeito que sabe amar e não do jeito que você gostaria de ser amado. Pode ser que alguma vez ela tenha feito algo que o agradou, mesmo que seja algo pouco importante. Ou quem sabe seja uma pessoa que nas horas difíceis muda de atitude e fica ao seu lado. Pense um pouco e escreva. Faça isso agora, se puder. Ou, se preferir, existe outra lista que pode ajudá-lo a cuidar de si mesmo e a criar o hábito de sentir-se bem diariamente: a lista sobre as coisas pelas quais hoje você é grato.
Imagino que você tenha seus problemas, certo? Mas quem não tem? Talvez tenha tido uma infância complicada ou uma juventude difícil, mas isso é passado. O que importa é sua vida daqui para a frente: como você quer que ela seja? Saiba que ela não precisa, nem deve, ser uma repetição do passado.
O ex-primeiro ministro da Inglaterra, Winston Churchill, declarou certa vez: “Não sou quem eu gostaria de ser; não sou quem eu poderia ser; ainda não sou quem eu deveria ser. Mas, graças a Deus, não sou mais quem eu era!”.
Portanto, reconheça o que há de bom em sua vida e agradeça. Agradeça por sua saúde, seu trabalho, as pessoas de sua vida, as conquistas que realizou, por menores que tenham sido. Decida sentir-se bem! Faça sua lista e leia-a todas as manhãs, não como quem cumpre um ritual rotineiro e mecânico, mas sim como quem verdadeiramente vive tudo aquilo. Este livro pode ser mágico em sua vida se você realizar os exercícios. Uma coisa é apenas ler, outra é praticar. A diferença entre os bem-sucedidos e os que apenas querem o sucesso é que os primeiros partem para a ação. Escolha o melhor momento para você escrever e entre em ação!
Garanto que esse estado de felicidade e reconhecimento pelas coisas boas sobre a sua vida e sobre as pessoas que você ama lhe fará maravilhas a partir de agora. Fique atento e verá que as coisas começarão a melhorar. Mas seja persistente: se você deixar de agradecer e voltar a reclamar, estragará tudo.
Lembre-se: leia a sua lista diariamente, deixando que o sentimento de gratidão tome conta de você todas as manhãs. E por que todas as manhãs? Porque nosso estado emocional nos primeiros momentos do dia tem forte influência sobre como será o resto do dia, determinando se você atrairá oportunidades e momentos felizes, ou situações difíceis e desagradáveis.
6. o
que
você
reAlmente
quer
?
magine que você está chegando ao aeroporto e se dirige à moça no balcão da companhia aérea, solicitando:
— Por favor, senhorita, poderia me vender uma passagem?
O que você acha que ela vai perguntar logo em seguida? Certamente, algo parecido com: — Para onde o senhor deseja viajar? É claro! Afinal, pedir a passagem não basta! Você tem de informar para onde quer ir. Existem situações ainda piores, como a daquele senhor que, ao entrar no elevador, ouviu do ascensorista a pergunta:
— Para que andar o senhor deseja ir?
I
As pessoas não planejam fracassar. Fracassam por falta de planejamento!
E ele respondeu:
— Para qualquer um, já estou no prédio errado mesmo! Pode até parecer maluquice, mas pense: quantas pessoas você conhece que vivem dessa forma, somente indo, sem saber exatamente para onde?
Se você não sabe para onde está indo, qualquer lugar serve. Mas talvez não seja essa a sua situação. Imagino que o fato de estar procurando por conhecimento significa que tem pelo menos uma ideia de onde quer chegar. Existe uma chama em você! Agora, uma pergunta muito importante: você tem suas metas claras, definidas e, principalmente, expressas por escrito? Vou contar um caso que ilustra como isso é importante: Em 1953, foi feita uma pesquisa com estudantes de uma
universidade americana a respeito de metas. Perguntou-se quantos tinham metas claramente definidas, e o resultado foi o seguinte: 87% não sabiam o que fariam após terminar a faculdade: 10% tinham uma ideia do que queriam fazer, como montar seu próprio negócio, trabalhar em uma grande corporação, voltar para a cidade em que nasceram, trabalhar com o pai, prestar um concurso;
3% tinham metas claramente definidas e por escrito. Passados 20 anos, os pesquisadores procuraram os entrevistados para saber como estavam suas vidas. E constataram que a soma da renda daqueles 3% que definiram suas metas era maior que a soma da renda dos 97% restantes.
Coincidência? Pode apostar que não! Os estudantes que haviam escrito suas metas sabiam muito bem para onde
estavam indo. As pessoas não planejam fracassar, mas fracassam por falta de planejamento!
Não estou insinuando que basta ter metas escritas para tudo acontecer como que por encanto. É claro que aparecerão obstáculos e surgirão “pedras no caminho”. Mas devemos ser gratos até pelas pedras, porque com as adversidades aprendemos a ser fortes: muitas vezes, elas nos ensinam e nos dão experiência. A propósito, a experiência muitas vezes é o resultado de maus julgamentos. Bons julgamentos são resultados da experiência. E o sucesso é o resultado de bons julgamentos!
Pense em duas pessoas. A primeira tem metas definidas, enquanto que a outra não tem. Imagine que elas estão indo para o mesmo lugar, como se seus trajetos fossem duas linhas paralelas. A pessoa que não tem metas está apenas vivendo um dia após o outro, enquanto que a que tem metas claras está entusiasmada com a vida. Tem um comportamento altruísta e coerente com o que quer para sua vida. Um bom exemplo de comportamento das pessoas que sabem onde querem chegar é o fato de que leem um livro durante pelo menos 15 minutos por dia, a fim de ser um pouquinho melhores hoje do que foram ontem.
Embora pareçam, as trajetórias das duas pessoas não estão paralelas. Há um pequeno ângulo entre elas, quase imperceptível a curto prazo. Porém, depois de alguns anos, a distância entre elas se torna gigantesca. Bastam uns poucos graus de diferença na rota de um avião para levá-lo a Tóquio em vez de para Nova Iorque.
É como diz Anthony Robbins no livro Poder Sem Limites: “Que diferença faz uma década na vida de uma pessoa que
tem metas traçadas, definidas e por escrito!” Ele conta que, quando esse pensamento lhe passou pela cabeça, cruzava o estado americano da Califórnia em seu helicóptero a jato, indo de Los Angeles para Orange Country, onde daria um de seus seminários. Ao sobrevoar a cidade de Glendale, reconheceu um prédio grande. Observou-o melhor e percebeu que era o lugar onde trabalhara como zelador apenas 12 anos antes!
Naquele tempo, sua maior preocupação era que seu
Volkswagen 1960 não se desmanchasse no percurso de trinta minutos de casa até o trabalho. Hoje, ele é um homem que faz diferença na vida de milhares de pessoas por todo o mundo, aconselhando desde esportistas consagrados, como Andre Agassi, até presidentes de grandes países.
Tenho muita admiração por Anthony Robbins, que foi um de meus mentores. Estive com ele em Orlando, na Flórida, e também na Austrália, participando de seu programa de treinamento conhecido como Date With Destiny (Encontro com o Destino).
Sua vida é mais uma prova da diferença que faz uma década na vida de uma pessoa com metas!
7. É
Só
colocAr
no
PAPel
e
Agir
u era uma daquelas pessoas para quem você olha e diz: “Hum, essa aí não vai dar em nada”. Era um jovem tímido, inseguro, de baixa autoestima. Lembro que, em 1993, quando estava terminando a faculdade, morava em uma casa que era do tamanho da cozinha de onde moro hoje. Trabalhava numa construtora e não tinha metas, muito menos consciência da importância de tê-las.
O que eu tinha era apenas uma sensação de desconforto quando olhava para o meu chefe e percebia que não queria ter aquele mesmo estilo de vida ao chegar à idade dele. Não queria estar dirigindo um carro como o dele após vinte anos de trabalho. Não queria acordar à mesma hora que ele
E
Não se preocupe se outras pessoas acharem graça de seus objetivos. Isso é bom, é sinal de que suas metas são grandiosas.
acordava todos os dias. Não queria nem mesmo ser tratado por meu chefe como ele era tratado pelo dele.
Assim era eu, muitos anos atrás, tendo uma leve noção do que eu não queria ser, mas sem ter a mínima ideia de quais eram meus planos e meus sonhos. Nunca havia escrito metas. Devo confessar que só comecei a fazer isso porque me falaram que era importante. Sinceramente, eu não imaginava que traçar metas era tão poderoso assim!
Você já teve a experiência de escrever na agenda uma lista de tarefas a fazer e ir riscando-as à medida que ia terminando? Percebeu a energia que você gera quando risca uma atividade concluída? Não dá uma sensação de “missão cumprida”?
Pois então, a energia é muito mais intensa quando você risca uma meta conquistada. É difícil expressar com palavras a sensação de realizar algo que você pos no papel um dia, quando aquilo parecia impossível.
Isso fortalece a crença de que você pode ir muito mais longe. Você começa a registrar metas maiores. A possibilidade de realizar seus sonhos está ali, mostrando-se materializável.
Foi exatamente o que aconteceu comigo. Comecei a fazer listas de metas, gostei da brincadeira e passei a por no papel até os desejos que, na época, pareciam impossíveis, como:
Saltar de quatro mil metros de altura, acima das nuvens, vendo o mar e a praia, “voar” por cinquenta segundos em queda livre.
Mergulhar com tartarugas, tubarões, ver o namoro de um casal de golfinhos em um dos lugares mais lindos do mundo: Fernando de Noronha.
Acordar em uma escuna com o reflexo ofuscante do nascer do sol na superfície do oceano, ouvindo os gritos dos pássaros famintos anunciando sua pescaria; sentir o balanço do barco entre as ilhas, em alto-mar; contemplar a esplêndida paisagem selvagem de um dos lugares mais privilegiados do Brasil: o arquipélago de Abrolhos.
E me empolgava cada vez mais: voar de asa delta, parapente e ultraleve, conhecer a terra do Mickey, aprender kite-surf, fazer um curso de dança; abrir meu próprio negócio, ministra palestras em todo o Brasil e em todo o mundo; ter o carro dos meus sonhos, com bancos de couro, ar-condicionado e câmbio automático; ser dono do meu tempo e... adivinhe? Escrever um livro!
O que posso dizer é que se passaram uns poucos anos e já alcancei todas essas metas — e você está participando comigo de uma delas ao ler este livro.
Por isso, quando você escrever as suas, não se censure. Sonhe alto. Visualize que está vivendo a situação, isso é muito importante. Pense grande! Não se preocupe se outras pessoas acharem graça de seus objetivos; isso é bom, é sinal de que suas metas são grandiosas. Infelizmente, a maioria das pessoas tem condicionamentos e crenças limitadas que as impedem de pensar grande.
Isso me faz lembrar pulgas adestradas. Sabe como se adestram pulgas? Elas são colocadas em um recipiente de vidro transparente com uma tampa. Começam a pular, mas
batem na tampa. Pulam e batem na tampa repetidamente, até que desistem de pular. Quando isso acontece, pode-se tirar a tampa do vidro porque elas não mais tentarão sair, nunca mais pularão alto. Nascem seus filhotes e eles também não saem do vidro, porque seus modelos, os pais, não pulam alto. Quantos de nós acalentamos crenças enfraquecedoras, acreditando que não somos capazes de “pular alto” porque as pessoas que consideramos modelos não são capazes? Será que isso acontece com você? Pense grande! Onde você quer estar daqui a cinco anos?
Escreva suas metas com o coração, com paixão, como se o “gênio da lâmpada” estivesse à sua disposição com muito mais do que apenas “três pedidos”.
E, por falar nisso, recomendo o livro A mágica de pensar grande, de David Schwartz. Um livro extraordinário!
8. A
lei
dA
AtrAção
e você continuar fazendo as mesmas coisas, obterá sempre os mesmos resultados. E para obter resultados diferentes, precisa usar a Lei da Atração, uma lei simples, mas extremamente poderosa, segundo a qual atraímos tudo o que mais queremos e também o que mais tememos. Falamos um pouco sobre isso no capítulo em que contei sobre meu acidente, lembra? Por isso, você precisa vigiar, ou melhor, observar
constantemente seus pensamentos e emoções. São as suas emoções que vão revelar se você está atraindo coisas boas ou ruins. Tudo é vibração, tudo é energia. Então, se no momento em que está lendo essas linhas, você está
S
Não olhe para os desafios que surgem no caminho, olhe para o resultado que deseja conquistar!
se sentindo bem, com esperança no futuro, motivado, pode apostar que está atraindo coisas boas, oportunidades e fatos que irão ajudá-lo a cumprir suas metas. E pode apostar: a vida se encarregará de ajudá-lo! É muito importante saber lidar com a Lei da Atração para que você possa conquistar e manter tudo o que deseja de bom na vida, como bons relacionamentos, liberdade financeira, vida saudável e carreira próspera. Para tanto, o primeiro passo é se lembrar sempre de que quando traçamos nossas metas, não devemos nos preocupar com o “como” vamos consegui-las, pelo menos não no início. Se você traça uma meta e já conhece o plano de ação, provavelmente é porque se trata de uma meta pequena ou de curto prazo. Já no caso das grandes metas, as de longo prazo, é muito difícil saber como iremos atingi-las logo que as traçamos. Mas não importa: todo e qualquer sonho que você tiver, coloque-o no papel e não se preocupe com o “como” chegará lá.
Não importa onde você está hoje, não importa se você é uma pessoa tímida, ou talvez esteja com a autoestima baixa. O que importa é aonde você quer chegar! É a sua capacidade de acreditar em seus sonhos e transformá-los em metas a serem alcançadas. O que importa é o seu potencial para fazer a vida acontecer.
Não olhe para os desafios que surgem no caminho, olhe para o resultado que deseja conquistar! Você só precisa ter a energia suficiente para lutar por seus sonhos, porque a esperança no futuro gera energia no presente.
Em última instância, suas metas e objetivos de vida geram motivação. O que é motivação? A etimologia dessa palavra é clara: é um motivo para entrar em ação.
É muito importante que você perceba que motivação nada tem a ver com felicidade. Motivação te faz pular da cama mais cedo. Motivação faz seu sangue ferver nas veias. Motivação faz seus olhos brilharem. Por outro lado, felicidade tem a ver com aceitação, com agradecer o que você já tem e parar de reclamar do que você ainda não tem. Esse é o caminho mais eficiente para conseguir aquilo que quer em sua vida. Eu chamaria essa atitude de “um poderoso atalho emocional para realização das suas metas”.
A Lei da Atração diz: Peça, Acredite e Receba.
Meu amigo Aldo Novak, escritor e palestrante e o único brasileiro autorizado formalmente a abordar e representar o “The Secret” (O Segredo) em nosso país, fez uma analogia fenomenal em sua palestra para que não só possamos aprender melhor o significado e a abrangência dessas três palavras, como também usá-las com maior eficácia em nosso favor.
Pedir, segundo ele, significa pensar com consistência. Todas as vezes que você visualiza o que deseja em sua vida com a fé inabalável de que você é merecedor de receber o seu desejo, todas as vezes que você fala sobre o que quer, todas as vezes que você pensa em seu objetivo, então de fato você está pedindo. Portanto, pedir é pensar. Mas apenas pensar não basta para que sua meta e objetivo se concretizem; é necessário acreditar. Nesse ponto, muitas pessoas se perdem. Elas imaginam que acreditar superficialmente é o suficiente. Não, não é. É preciso ter força em sua crença. É preciso ter alma em sua crença. A partir de então, por tão verdadeiramente acreditar, você começa a sentir aquilo que pensa e deseja.
Ou seja, é preciso sentir-se merecedor de verdade, sentir que seu sonho e objetivo são realizáveis e que você os merece. Sentir como se já os tivesse hoje. Sentir-se positivo e feliz, independente de ainda não ter realizado tudo o que deseja. Sentir que você pode e que, mesmo sem usufruir ainda dessa meta, você é capaz de agradecer por todas as outras conquistas que já fez em sua vida e pelas dádivas naturais que você já possui. Só assim os sentimentos de felicidade e gratidão o acompanharão, facilitando ainda mais a sensação desse desejo específico.
Por fim, e talvez a mais importante das compreensões do poder da Lei da Atração, esteja na última faceta desta eficaz trilogia: o significado da ordem “receber”. Receber não significa ficar sentado esperando seu desejo cair do céu. Muitas pessoas entenderam de forma equivocada esse ponto da Lei. Imaginaram que se pedissem acreditando fortemente, iriam receber seus sonhos realizados no colo, sem precisar empregar nenhum tipo de esforço para isso. No entanto, não há resultado sem atitudes coerentes, sem escolhas que estejam em sintonia com o que você pensou e sentiu. Receber significa, portanto, agir!
Sem ação não existe resultado. É necessário que você saia da zona de conforto, que você se mova, que faça acontecer. A boa notícia é que se essa busca estiver alinhada com o seu pensamento e com o seu sentimento, isto é, com o “pedir e acreditar”, é muito provável que você não fique patinando e nem batendo em tantas portas erradas, como a maioria das pessoas que age sem acreditar de verdade que merece receber o que pediu, achando que o universo é escasso e que se alguns já conseguiram, nada sobrou para ela.
Certa vez, sentindo-me repleto por esse sentimento de abundância e gratidão, recebi um telefona de Aldo Novak convidando-me para fazer parte de um documentário que seria lançado no Brasil com o título “O Código da Atração”. Durante a filmagem, ao ar livre, no Parque Ibirapuera, conheci uma jornalista e escritora, autora do livro “O Poder da Gentileza”, que também faria parte do documentário. Trocamos olhares, cumprimentos e terminei descobrindo que ela conduzia um programa de entrevistas.
Descrevo esse episódio em minha vida como uma demonstração da força que existe na Lei da Atração. Pouco depois, fui convidado para participar do programa de entrevistas de Rosana Braga, aquela escritora que havia conhecido no Parque. Uma mulher linda, simpática, extremamente inteligente e dotada de um talento único para escrever. Uma habilidade nata e ainda mais refinada com o próprio tempo e vida dessa escritora surpreendente.
Não tardou para que ficássemos amigos. Descobrimos muitas afinidades, entre elas, a prática da meditação. “Coincidentemente” ela havia estudado esta prática na mesma escola que eu acabara de fazer o curso. E numa noite eu a convidei para irmos praticar na referida escola. Após algumas horas de meditação, saímos para jantar e, naquele dia, começamos um namoro arquitetado pelo universo. Após alguns meses, e por indicação da Rosana, participei daquela que seria uma das maiores experiências de minha vida. Um curso de autoconhecimento chamado Processo Hoffman da Quadrinidade. Já estudei muito em minha vida e fiz vários cursos, mas nada parecido com que vivenciei naquela semana. Recomendo fortemente ao leitor que busca