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Macrobiotica Zen Para o Brasil Henrique Smith

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Academic year: 2021

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H E N R I Q U E

S M I T H

M A C R O B I Ó T I C A

Z E N

P A R A O

B R A S I L

Homenagem ao centenário do nascimento G. Oksawa 1893 - 1993 1a edição Editora Hagaesse

ÍNDICE

Agradecimento Introdução

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1o Centenário do Nascimento de George Oshawa (1893-1993)

1a parte

1. Breve História da Macrobiótica

2. Como e porque tornei-me orientador

macrobiótico...

3. Reminiscências

4. Para os que mourejam e habitam no Brasil 5. Colóquio sobre a dor (poesia e prosa)

6. Dificuldades do Iniciante 7. Noções Básicas

8. Aguai - Energias e vibrações 9. Rotina do nosso serviço

10... Princípio Único - Yin/Yang 11... Medicina Alopática e Macrobiótica 12... Diagnóstic os 13... Controle Diário 2a Parte 14... Alimentos Principais 15... Alimentos Secundários 16... Tratament os Especiais 17... Terapêutic as Específicas

(4)

18... Relação

Sódio-Potássio

19... Relação

Magnésio-Potássio

20... Alimentos

Yang (produtos animais)

21... Alimentos

Yin

22... Frutas,

leite e derivados

3a Parte

23. Doenças de alta agressividade e de etiologia

desconhecida

24. Doenças cardíacas 25. Câncer

26. Aparelho respiratório 27. Doenças dos olhos 28. Casos curiosos

29. Alimentação na gravidez e lactação 30. Culinária Macrobiótica 31. Dietas macrobióticas 32. Sal 33. Água 34. Óleos 35. Umeboshi 36. Missô 37. Algas Marinhas 38. Arroz - receitas

39. Tofú - queijo de soja 40. Pães e biscoitos 41. Sopas

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43. Chás

44. Terapias alternativas

GRATIDÃO: Por um dever elementar de justiça,

registro, aqui, minha eterna gratidão à minha incansável esposa, Sra. Paulina Rabinovich Smith, sem cujo suporte abnegado e constante, esta obra não teria vindo a lume.

À memória do meu saudoso pai, Samuel Smith e minha querida mãe Sarah Smith, ambos falecidos e aos meus queridos filhos Roberto e Ricardo Luiz e à minha dileta filha Vera, ofereço, com carinho e afeto, esta obra, fruto de quem tem fé e esperança num mundo melhor.

AGRADECIMENTO

"L'home c'est rien; l'oeuvre c'est tout"

(Gustave Flaubert)

Após 30 anos vividos na macrobiótica, convictos dos seus magníficos resultados, dedicamos aos macrobióticos do Brasil o presente volume, segundo o conselho do introdutor da macrobiótica no mundo ocidental, George Ohsawa, nosso homenageado. Dizia Ohsawa que "Cada povo deve ter a sua macrobiótica".

Não nos move qualquer sentimento que não o de levar aos macrobióticos os ensinamentos e a experiência que adquirimos; o conhecimento médico, aliado ao vivenciamento na

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macrobiótica, nos possibilitam fazer de empírica, uma macrobiótica científica.

Sentimo-nos íntima e plenamente recompensados, quando a cura se processa no "incurável".

Esta é a obra, e não podemos deixar de agradecer, neste caminho de árdua e espinhosa, porém compensadora luta, aos membros de nossa equipe, dedicada, leal e entusiasta, face aos resultados obtidos.

1. Chaim Sterline Colaborador

2. Marco Antonio Carneiro Ferreira

Coordenador de Atividades Energéticas

3. Oscar Ginjas

Colaborador

4. Prof. Francisco de Assis L. Gondim

Jornalista

5. Dra. Eliane M. Mansur Reimão

Médica-Orientadora Pediátrica - Santos-SP (Ex-estagiária)

6. Jacinto Galante

Conselheiro macrobiótico - Santos-SP

7. Simão Haber

Colaborador

8. Jorge Zickel Correia Luna

Terapeuta - Complementos Alternativos

9. David Roberto de Almeida

Técnico em Tai Chi Chuan

10. Armando Alves

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Médico-Conselheiro, Conferencista

12. Dra. Norma Bier Vieira

Médica, Ex-estagiária, Orientadora - P. Alegre-RS

13. Diva Maggi de Souza

Assistente de Coordenação e Orientação

14. Dr. Elias Mutchinik

Médico Orientador

15. Prof. Dr. Ricardo Luiz Smith

Conselheiro Científico

16. Dr. Henrique Smith

Coordenador Geral

17. Dr. Sanny Rachmann Conselheiro Jurídico 18. Dr. Urias Carlos de Castro

Prado

Médico, Orientador

19. Cacilda da Silva Brandão Villela

Secretária

20. Dra. Miriam Federmann Médica,

Orientadora Pediátrica In Abstencia

Elza de Barros Paraniba Orientadora

Dra. Maria Ignez Casimiro Médica-Estagiária - Rio de Janeiro - RJ

INTRODUÇÃO

Com grande probabilidade, estou vivo, hoje, porque conheci o Dr. Henrique Smith, 13 anos atrás, o qual me orientou sobre a alimentação,

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na etiologia das principais doenças graves entre nós. Coincidiu com a época em que tomei conhecimento das publicações de Denis P. Burkitt (M.D.-F.R.E.S-F.P.V.S. - Medical Research Council, England), cujas conclusões, publicadas nas mais idôneas e respeitáveis revistas médicas internacionais, eram similares às orientações que me foram gentilmente oferecidas pelo Dr. Smith. Na época, eu era portador de frequentes crises de disenteria e já havia sido operado de apendicite, com 15 anos e, de hemorróidas, com 21 anos de idade. Com o conhecimento que tenho hoje e, mantendo o mesmo padrão alimentar que eu tinha naquela época, sei que havia enormes probabilidades de adquirir, na seqüência, câncer de cólon ou reto e doença coronariana.

Orientado pelo Dr. Smith, juntamente com a minha esposa, filhas, mãe, irmãos e sogros, é muito provável que saí da população de risco de adquirir graves doenças.

Com a dieta macrobiótica, em minha esposa regrediu ou desapareceu a displasia mamaria existente, ao exame clínico feito por sua ginecologista; minha filha, mais velha, curou-se da asma brônquica, sendo, hoje, esportista, campeã panamericana de karatê juvenil e não tiveram as 3 constipações intestinais, apendicite e hemorróidas, como eu tive; minha mãe e meu sogro recuperaram-se de sintomas causados por miocardioesclerose e minha sogra recuperou-se de diabete tipo II, ficando livre da medicação.

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Senti-me honrado pela oportunidade de dar o meu depoimento referente ao maior dos meus mestres - Dr. Smith, que salvou minha vida, livrando-me da morte prematura, como milhões de brasileiros, na minha idade, por câncer e, principalmente, doenças cardiovasculares. Também, evitou o Dr. Smith, sofrimento por doenças, à minha família, sendo responsável pela longevidade de minha mãe, meu sogro e minha sogra. Infelizmente, pela vontade de Deus, a orientação alimentar chegou tardiamente a meu querido pai, falecido por câncer de próstata. Burkitt e suas descobertas, confirmadas por numerosas publicações científicas, inclusive o mais recente relatório da Organização Mundial de Saúde - OMS - intitulado "DIET, NUTRITION AND THE PREVENTION OF CRONIC DISEASES", esclarecem que as doenças mais comuns nas cidades do mundo ocidental (25 doenças), principais causas de morbidade e mortalidade, podem ser evitadas, na imensa maioria dos casos (90%) através da alimentação. São essas as doenças cárdio-circulatórias, os mais freqüentes tipos de câncer, no adulto, alguns tipos de câncer na infância, diabete mellitus II, úlcera gastroduodenal, hérnia de hiato esofagiano no adulto, apendicite aguda, diverticulose do cólon, reto-colite ulcerativa, constipação intestinal, crônica, hemorróidas, fissuras anais, varizes de membros inferiores, tumores benignos do cólon, displasia, entre outras e, nós acrescentamos, as doenças

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infecciosas, asma brônquica, impotência sexual de origem circulatória e osteoporose.

Burkitt verificou que, nas zonas rurais da África, é muito baixa a incidência dessas doenças, comparada com a elevada incidência nos grandes centros urbanos. Também verificou que, nos grandes centros urbanos, a incidência dessas doenças era muito baixa até o final do século passado, quando a alimentação era similar a dos habitantes das zonas rurais da África, dos dias atuais.

Os cereais não eram refinados. Comia-se arroz integral e os alimentos à base de trigo eram feitos com farinha de trigo integral. Ao se refinar o arroz e o trigo, são removidos o farelo e o germe, fonte de fibras, vitaminas, proteínas e sais minerais dos grãos, permanecendo apenas o endosperma, fonte de amido, que é fonte de energia, é carbohidrato, mata a fome, mas faltam os demais nutrientes. As populações dos grandes centros urbanos, então, inclusive o Brasil, para não ficarem desnutridas, aumentaram o consumo de produtos animais, como o leite e seus derivados, carne e ovos, em 50%. Conseqüentemente, o teor de gorduras da alimentação passou de cerca de 15% para 45% das calorias totais ingeridas e o teor das fibras alimentares caiu de 35gr/dia para 15gr/dia, o teor de proteínas, excessivo e o teor de sais minerais, deficiente. Aí reside a causa dessas doenças.

O teor excessivo de gorduras, na alimentação, é absorvido. A deficiência de fibras alimentares

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colabora para isso, pois uma das funções das fibras é a de regular a absorção das gorduras; absorvendo as gorduras e eliminando-as com as fezes, pois as fibras não são absorvidas. Isso causa, desde a infância, o endurecimento e, progressivamente, sub-oclusões e, finalmente, obstruções arteriais, causando hipertensão arterial, enfarte do miocárdio e acidente vascular cerebral, principais causas de morte no Brasil. As gorduras promovem o aparecimento da maioria dos tipos de câncer, principalmente, mama, cólon e próstata. O tempo de promoção demora 20 anos ou mais.

O excesso de gordura diminui a atividade dos glóbulos brancos contra as células cancerosas, fungos, vírus e bactérias. Isso, associado ao uso de açúcares livres, deficiência de vitaminas A e E, e uso de suco de frutas e bebidas alcoólicas em excesso, diminui a imunidade, podendo ocasionar doenças infecciosas.

As fibras absorvem líquidos, tornando as fezes mais macias, pastosas e volumosas e são o mais potente estimulante do peristaltismo intestinal, promovem evacuações com facilidade, evitando fezes endurecidas, traumáticas, que causam lacerações, fissuras da mucosa anal e retal. A deficiência de fibras é causa da doença diverticular dos cólons por aumento crônico da pressão intra-lumenar dos cólons; ocorre em 1/3 da população de mais de 50 anos, nas grandes cidades ocidentais.

O uso de cereais e farinha de trigo refinada e açúcares livres, com deficiência de fibras

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alimentares, que também regula a absorção da glicose, absorvendo-a e eliminando-a com as fezes, ocasiona absorção maciça de excesso de glicose, podendo ocasionar pancreatite na produção de insulina e diabete tipo II (30% dos casos de diabete).

A diabete, associada a arteriosclerose, torna deficiente a oxigenação dos nervos erigentes, ocasionando impotência sexual.

O uso do leite e derivados, sucos de frutas em clima frio, doces, chocolates, refrigerantes, corantes, desencadeiam crises de asma brônqui-ca. O organismo humano fabrica 100 anticorpos contra 100 antígenos estranhos ao organismo humano, existentes no leite de vaca.

A deficiência de fibras retarda o esvaziamento gástrico, ocasionando estase e maior tempo de contato do alimento nocivo, que aumenta a acidez, tais como a carne, café, bebidas alcoólicas, pimenta, ocasionando a úlcera gastroduodenal. Associando-se, também, alimentos defumados ou em conserva de sal ou vinagre, ocasiona-se altas incidências de câncer do estômago.

Burkitt recomenda, em suas publicações, o uso de cereais em grãos integrais, farinha de trigo integral, leguminosas, legumes, verduras, frutas inteiras e manda evitar sucos e consumir com moderação carne magra, peixe ou frango em pequena quantidade e evitar, também, o uso de leite e derivados. Para a alimentação mais comum, deve-se substituir o arroz branco pelo arroz integral, o sal de cozinha, pelo sal marinho

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e os produtos elaborados com farinha de trigo que o sejam com farinha de trigo, integral. Aumentar o consumo de alimento de origem vegetal, como as leguminosas (Feijão preto ou azuki, ervilha, lentilha, grão de bico), os legumes e verduras, vários tipos de cada uma, nas refeições, frutos inteiros, evitar sucos, nos climas frios e, nos climas quentes, tomar em pequenas proporções, pouco produto animal - peixe ou frango, não diariamente, usar sementes como as de gergelim e soja crua fermentada.

A soja crua é a maior fonte inibidora de protease, enzima que impede o aparecimento de tumores malignos induzidos por irradiação.

As verduras verdes e amarelas têm substâncias inibidoras do aparecimento do câncer; o trigo integral tem 1 substância inibidora de carcinogênese.

Na dieta alimentar, as proporções recomendadas são 50% de cereais integrais (inclusive farelos), mas dando-se preferência aos grãos inteiros, que têm um potencial maior do que as suas farinhas; 10% de leguminosas, 25% legumes e verduras, 5% de sementes, 5% de frutas (dependendo do clima), 0% a 10% de produtos animais (exclusive leites e laticínios), dependendo do clima e das atividades físicas, intelectuais e excesso de trabalho. Os produtos animais, se usados, fazê-lo em pequena quantidade, a cada 3 dias, no verão e, em pequenas quantidades, diariamente, ou não, em 1 refeição, no inverno.

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(Médico, Cirurgião Pediatra)

1

O

CENTENÁRIO DO NASCIMENTO DE

GEORGE OHSAWA (1893-1993)

Sakurazawa Nyoiti, mais conhecido como George Ohsawa, introdutor da macrobiótica no mundo ocidental, nasceu em 18-10 de 1883, em Kioto, no Japão.

Sobreviveu, com dificuldades, às doenças que o acometeram, quando ainda pequeno. Ainda menino, após sua mãe, que foi enfermeira, falecer por tuberculose, teve que começar a trabalhar duro para sustentar a si e aos seus irmãos, pois seu pai havia abandonado a família, alguns anos antes. A tuberculose, - doença, então, incurável, para a medicina alopática -, não tardou a vitimar as suas duas irmãs e, algum tempo depois, o seu irmão.

Sozinho, o jovem Nyoiti continuou trabalhando e estudando, ávido de conhecimentos e desejando ser escritor e poeta. Lia todos os livros que conseguia, por empréstimo, até que, aos 17 anos, sofrendo de úlceras duodenais e de tuberculose, foi desenganado pelos médicos.

Foi, então, que tomou conhecimento do método terapêutico macrobiótico, baseado no equilíbrio sódio-potássio, nos alimentos, idealizado pelo médico Dr. Sagen Ishizuka, popularmente conhecido como "Doutor anti-doutor". Estudando e praticando esse método, conseguiu curar-se de todas as suas enfermidades e voltar ao trabalho

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e aos estudos, diplomando-se em comércio e língua francesa.

Estudou, também, a acupuntura, o judô, os arranjos florais, além de outras artes e técnicas antigas e, principalmente, a Medicina, a Filosofia e as religiões do antigo oriente. Aprofundou-se no estudo da Macrobiótica, descobriu-lhe a base filosófica: O princípio único da ordem do universo.

Com a idade de 23 anos, consciente da degeneração da saúde de seus compatriotas pelo abandono da alimentação e das terapias orientais, em favor dos hábitos alimentares consumistas e da medicina mercantilista do ocidente - sua própria família fora vítima dessa mudança -, Ohsawa decidiu dedicar-se à divulgação do sistema que lhe havia devolvido a saúde e a vida.

Aperfeiçoando e modernizando a Macrobiótica, terminou por codificar a ciência dietética-terapêutica-filosófica, que denominou "Macrobió-tica Zen" e, terminada a primeira guerra mundial, resolveu difundi-la por todos os continentes. Outra coisa não fez, enquanto viveu. Por onde passou, difundiu a Macrobiótica, fundou centros de estudos, inaugurou refeitórios, proferiu palestras, ministrou cursos e curou milhares de doentes desenganados pela medicina oficial. Escreveu quase trezentos livros e traduziu inúmeros outros. Fez várias profecias, cuja maior parte já se realizou. No afã de aperfeiçoar, cada vez mais, a macrobiótica, fez inúmeras experiências, nas quais, ele mesmo era

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a cobaia! Dormia pouco, trabalhava, lia, escrevia e viajava muito.

Tudo isso lhe enfraqueceu o organismo, até que, em 24 de abril de 1966, veio a falecer "prematuramente", aos 73 anos, assistido por sua esposa Lima, sua maior colaboradora e a continuadora de sua obra.

Ohsawa sempre foi um perfeccionista rigoroso e impunha a si mesmo a rígida disciplina que exigia dos seus seguidores.

Entre os seus discípulos mais dedicados e aos quais ele mais estimava, destacam-se WillianDufty - autor dos livros "sois todos sanpaku" e "sugar blues", conhecidos mundialmente, o químico brasileiro Flávio Zanatta - um dos introdutores da Macrobiótica, no Brasil - e Michio Kushi -, atualmente, a maior autoridade mundial em Macrobiótica, princípio único e medicina natural.

Dentre os livros que escreveu, sobressaem "Macrobiótica zen - arte da longevidade e do rejuvenescimento", - cuja versão inglesa motivou o gaúcho Mário Allgayer Costa a traduzi-lo e fundar a primeira associação macrobiótica da América do Sul, - "Filosofia da Medicina Oriental" e "o Câncer e a Filosofia do Extremo Oriente". Período decisivo de sua vida viveu Ohsawa, num mosteiro budista do Japão e que marcou, definitivamente, a sua consciente opção pela Macrobiótica, no cemitério daquele mosteiro, verificou, não sem espanto, que os monges, ali enterrados, haviam vivido mais de cem anos e os que haviam morrido mais jovem, o foram por

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acidente. Outro fato, igualmente marcante e significativo, foi a circunstância, nada acidental, de o monge prior, isto é, o dirigente máximo daquela instituição, ser, nada mais e nada menos, o cozinheiro-chefe, encarregado de supervisionar a elaboração, dosagem e distribuição das refeições e, conseqüentemente, do regime alimentar vigente naquele mosteiro. A cozinha, ali, era, na realidade, um verdadeiro laboratório de vida e, conseqüentemente, responsável pela saúde e longevidade dos monges budistas. Isso, sem contar, que todos os alimentos, usados no mosteiro, provinham do pomar e da horta do próprio mosteiro. Ohsawa, já com a sua saúde restaurada, como conseqüência da adoção do regime macrobiótico, teve, então, robustecida a sua convicção na eficácia definitiva da Macrobiótica, tanto como dieta alimentar, e como filosofia de vida.

Outro episódio, igualmente significativo e comprobante, definitivo, da eficácia da dieta Macrobiótica, ocorreu na Africa, aonde, ante a negativa do Dr. Albert Schwartz, inoculou, em si próprio, o vibrião da cólera e, para espanto geral, após o período normal de 10 dias, o terrível mal não se manifestou e para provar que isso era devido a que o seu organismo estava equilibrado e, por isso imune às doenças, abandonou temporariamente, a dieta macrobiótica e, ato continuo, ele, Ohsawa, contraiu o terrível mal e, somente conseguiu curar-se, com a sua volta ao regime macrobiótico, vencendo muitas dificuldades, pois, não existindo na Africa, os

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componentes do regime macrobiótico, tiveram que vir, via aérea, dos Estados Unidos da América. Com essa vitória sobre a terrível cólera, a Macrobiótica mostrou o seu decisivo valor para a saúde humana.

C

APÍTULO I

BREVE HISTÓRICO DA MACROBIÓTICA

Antes de prosseguir com nosso objetivo, vale registrar aqui um pouco da história dos precursores da Macrobiótica no mundo, até George Ohsawa, que morreu em 1966.

Viver sem problemas físicos, psíquicos, mentais ou sexuais significa encontrar a liberação total, o chamado Shangrilá. Eis por que procuraremos deixar, aqui, nossa contribuição de três décadas de experiência para os futuros orientadores.

Ekiken Kaibara foi o pai da Macrobiótica. Como em toda a história, achar o princípio é deveras difícil. Assim, ao escolher o ponto de partida, deter-nos-emos no século XVII ao XVIII, onde a atividade desse personagem ficou registrada. Geralmente, considera-se o Dr. G. Ohsawa como o fundador da Macrobiótica, mas o próprio Ohsawa dizia-se apenas o filho da Macrobiótica, citando Sagen Ishizuka (1850-1910), médico japonês, como o fundador da Macrobiótica Moderna, seu inspirador e mestre.

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Ishizuka deixou anotações que remontam a eras passadas da civilização da Ásia Oriental, desde o aparecimento dos conceitos do I Ching (Livro das Mutações) e o livro clássico d'A Medicina do Imperador Amarelo, de 4000 anos. Naquela época, muitos filósofos e médicos do Japão e na China ajudaram a disseminar e transmitir o pensamento que culminou na Macrobiótica Moderna de Ishizuka. Damos, porém, primazia histórica a Kaibara, que viveu de 1630 a 1716. Kaibara nasceu justamente quando o Japão começava a isolar-se do Ocidente, na época do advento do Cristianismo no país. O desassossego, no Japão, levou o governo a cortar ligações com as nações ocidentais, e Kaibara abraçou de corpo e alma os ensinamentos japoneses clássicos, tomando-se um dos expoentes da escola neo-confucionista.

O Confucionismo era uma filosofia social e política baseada na manutenção da harmonia,

em todos os assuntos ligados à humanidade, na

subserviência e na responsabilidade, e orientava a uma ética de gratidão. Fora isso, preconizava uma série de preceitos ligados à nação e à família.

A essa doutrina, o Neo-confucionismo acrescentou leis, para que cada pessoa agisse de acordo com sua posição e lugar na sociedade, e idéias religiosas taoístas relacionadas às concepções de como o Universo começou e como funciona.

O TAO foi tomado como o símbolo da Macrobiótica e é apontado como "o caminho e

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seu poder". É representado por duas baleias acasalan-do-se. No capítulo YIN-YANG, os leitores irão compreender, pela descrição das duas forças, por que o TAO tomou-se o símbolo da Macrobiótica.

Os históricos de Ekiken Kaibara e de Sagen Ishizuka são por demais apaixonantes e não cabem neste trabalho. As biografias de cada personagem podem ser encontradas em livros chineses, japoneses e em traduções norte-americanas. Do dr. Ishizuka, de interesse a registrar é que ele viu nos trabalhos de Kaibara o lado empírico e, como médico, achou necessária uma complementação com toque científico.

De pesquisas e observações, concluiu que o equilíbrio YIN-YANG acomodava-se nas leis das proporções definidas e que o sódio (Na) e o potássio (K), no organismo, obedeciam, dentro do equilíbrio, à proporção de 1 de sódio para 5 miliequivalentes de potássio, e que o soro sangüíneo apresentava a proporção de 7,5 gramas de sal (NaCl) para 1 litro de líquido. (Na descrição dos cereais, veremos que o único alimento conhecido, nessa proporção, é o arroz integral, secundado em várias proporções aproximadas pelos cereais em geral.)

Na trilha de Sagen Ishizuka, o próximo e, com certeza, o maior expoente da Macrobiótica Moderna é o Dr. George Ohsawa, nascido no Japão em 18 de outubro de 1893.

No mosteiro, sua vida transcorria calmamente: horas de rezas, momentos de concentração e refeições, trabalhando na horta e cuidando das

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aves. Com o tempo, observou, radiante, que seus achaques haviam desaparecido e sua fraqueza, bem como a falta de resistência física, haviam se modificado completamente. Orando, estudando e observando o mourejar dos monges, aconselhando-se com os velhos dirigentes, concluiu, depois de algum tempo, que era do chefe da cozinha que emanavam as ordens. A cozinha, observou ele, era o centro da vida do mosteiro, e os alimentos consumidos por ele e outros monges eram os combustíveis para energizar e equilibrar o organismo.

Sentiu-se eufórico e, depois de preparado, comunicou a seu superior a vontade de correr o mundo. Tendo saído do mosteiro, não parou mais. Com o cabedal adquirido na reclusão, viveu ainda algum tempo no Japão e, aprimorando-se em sabedoria e compreensão, partiu para Paris. Não conseguindo penetrar nos meios médicos, por onde achava que deveria iniciar sua peregrinação em prol da difusão dos ensinamentos do Princípio Único, inscreveu-se na Sorbonne, setor de Medicina.

Logo sentiu que deveria ocidentalizar seu nome e, assim, batizou-se George Ohsawa. George, por ter grande admiração pelo presidente dos Estados Unidos, George Washington, e Ohsawa por gostar da maneira francesa de cumprimentar: "Comment ça va?" - recebia tantos "ossavas" durante o dia, que ajaponesou o termo em ohsawa.

Em Paris, Ohsawa era dono de uma cultura trazida do Japão, cultura essa formada no

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mosteiro, onde, além de aprender sobre a cura de doenças com base na alimentação equilibrada, desenvolveu-se na aplicação de acupuntura, moshabustão, shiatzu, do-in e números outros procedimentos complementares para eliminação de sintomas.

Antes de sair pelo mundo disseminando sua chamada Macrobiótica ("o aumento da vida"), George Ohsawa voltou ao Japão e, ampliando ainda mais seus conhecimentos, fez escola e preparou inúmeros aficiona-dos e divulgadores. Dos numerosos adeptos da Macrobiótica, foram, até hoje, os seguintes os seus seguidores e alunos: Hishibara Shibuya, de Tóquio, Masahiro Oki, Toshi Kawaguchi, Michi Ogawa, Hiroshi Maruyama, Kaoru Yoshimi, Françoise Rivieri, Cécile Levin, Kikus Chis-hima, Moriyasu Uchio, Michio Kushi e Aveline Kushi, Herman Aihara e Cornélio Aihara, Shizuke Yamamoto, William Dufty, Bill Tara, Alex Jack, Mare van Carwenberghe, Edward e Wendy Esko, Murray Snyder, Noboru Muramoto Jacques e Ivette de Langre, Gerome Cartry, Duncan Sim, Shuzi Okada, Hideo Ohmori, Yab Lanslvot, Peter Dogger, Rick Vermunyten, George Van, Ratan Kezyser, Marli Lao Shun, Tomio Kikuchi, Flávio Zanata e outros. Hoje os orientadores devem somar dezenas ou centenas de milhares. Ohsawa esteve no Brasil, Uruguai e Argentina, deixando sementes, que germinaram por todo canto.

Por onde passou, fundou associações, restaurantes, refeitórios, lojas de artigos naturais e integrais; incentivou o plantio de arroz (de

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preferência, o do gênero cateto ou catetinho), ministrou cursos, proferiu palestras e curou milhares de doentes, ditos incuráveis, desenganados pela medicina alopática. Trabalhador incansável, Ohsawa lia, pesquisava, observava, escrevia, pouco dormia, parecia ter a obsessão de que tudo acabaria cedo e que o fim da jornada aproximava-se. Era preciso fazer render o tempo. Até a sua morte, em 1966, escreveu mais de trezentos trabalhos.

No Brasil, Flávio Zanata divulgou a macrobiótica de sul a norte e de leste a oeste. Há mais de 25 anos, foi fundada a primeira Associação Macrobiótica, em Porto Alegre, terra natal de Zanata; mais tarde, surgiu a Associação de Santos, e várias outras começaram a proliferar, por estados, do norte e do sul.

O livro Macrobiótica Zen, de G. Ohsawa, foi editado, pela primeira vez, em português, na cidade de Lages, no estado de S. Catarina em 1958, mimeografado por um grupo de padres de uma congregação religiosa.

Queremos aqui render homenagem e sincera gratidão ao Mestre G. Ohsawa, estendendo ao seu iluminado seguidor Michio Kushi nossa grande admiração. Reconhecimentos também ao esforço e trabalho produtivo de Flávio Zanata, Mauro Albanez Costa (primeiro presidente da Associação de Porto Alegre), e à dedicação do holandês van Toom Jare, hoje de volta a seu país de origem.

Aos leitores interessados no histórico da Macrobiótica, o livro mais completo sobre o

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assunto é Macrobiotics - Yesterday and Today, Ronald E. Kotzsh (PhD), 292 páginas, publicado nos Estados Unidos pela editora Japan Publications Inc. (10 East 53rd Street, New York, N.Y.).

C

APÍTULO

2

COMO E POR QUE ME TORNEI

ORIENTADOR MACROBIÓTICO

"Não falo de vinganças e de perdões; o esquecimento é a única vingança e o Único

perdão"

(J.L Borges)

Estou na medicina há 62 anos e, para iniciar este relato, devo relembrar alguns dos fatos que, há 30 anos, me levaram a Macrobiótica.

Houve um período de minha vida em que, além de médico, eu era também doente. Dos males que me afligiam, citarei em primeiro lugar, um pequeno tumor em meu esófago justa-gástrico, que, embora não apresentasse gravidade, causava-me incômodo, pois desencadeava o cha-mado mal de engasgo.

Até que, certa ocasião, chegou ao Brasil, vindo da França, o Prof. Ligury, convidado para proferir conferências sobre sua especialidade -endoscopia. Como não encontrasse casos para ilustrar suas demonstrações, resolvi oferecer-me como cobaia para uma audiência de 60 médicos.

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Acompanhando toda a operação pela televisão, vi, maravilhado, com que habilidade, destreza e rapidez o Prof. Ligury retirou o tumor de meu esófago em não mais do que 10 minutos - introduzindo pelo aparelho, primeiro, o instrumento cortante, depois outro instrumento que pinçou a parte seccionada e, por fim, um coagulador elétrico que estancou o sangramento. Que técnico maravilhoso! E, no entanto, lembro-me que, ao vê-lo, não pude evitar o pensalembro-mento de que jamais teria me entregue a suas mãos, caso o tivesse conhecido antes, pois, além de ter um porte insignificante, era cego de um olho.

Tempos depois, fui acometido por distúrbios cardíacos, diagnosticados, através de eletrocardiogramas, como angina de peito e pequenos infartos. Apresentava taquicardias paroxísticas, tendo certa feita sido obrigado a guardar o leito por 40 dias. Esses episódios me apavoravam, pois meu pulso chegava a mostrar de 180 a 200 batimentos por minuto, obrigando-me a internações hospitalares.

Uma noite, chamaram para examinar-me o Dr. José Feher, um luminar da cardiologia do Brasil, que, impressionado com o pulso de 220 batimen-tos por minuto, tirou um eletrocardiograma, para exemplificar em suas aulas. Não compreendia como era possível que esse estado não desencadeasse uma fibrilação auricular como o prenúncio do estado final. Diagnosticou então uma esclerose do feixe de Hiss, sistema de condução intracardíaco que controla os

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batimentos do coração. Tratamento intensivo e repouso absoluto. Fé em Deus e paciência.

Devido a esse estado, saí à procura de outros colegas igualmente destacados, e, de experiência em experiência, acabei por perder a audição do ouvido direito (creio que pela quantidade de cloranfenicol) e adquiri uma polineurite medicamentosa com dores lancinan-tes, que não cediam, mesmo com altas doses dos mais poderosos analgésicos.

Certa vez, quiseram puncionar-me a cisterna magna (intracraniana) para fazer o exame do líquido cefalorraquidiano. Recusei, ao saber que se tratava de um procedimento de rotina. Incontinente, veio a mim o professor, chefe do serviço, dizendo-me, com arrogância, ser aquela a rotina do serviço e que, ali, eu não era médico, mas um doente qualquer. Diante de minha insistente recusa, virou as costas e deu-me alta. O que passei, nem quero lembrar. Como disse, consultei-me com várias sumidades nacionais e também com algumas no estrangeiro. Minha última tentativa foi no hospital Hadassa, em Jerusalém (Israel), onde fui atendido por um especialista russo, muito reputado internacionalmente. Após uma consulta de 15 minutos, o Prof. Yamileviah aconselhou-me: "Volte para casa, entregue seu corpo a Deus e sua alma ao diabo, pois o senhor não tem três meses de vida". Cheguei a São Paulo, já conformado, pois tinha plena consciência do meu estado.

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Veio, então, visitar-me, meu irmão Newton, que, sabendo da minha condição, pediu-me que fizesse Macrobiótica. Eu não estava interessado. Mandou-me livros, joguei-os no lixo, pois não acreditava no que estava escrito. Insistiu tanto, que achei que devia satisfazê-lo.

"Ficarei com você 10 dias, depois irei embora", disse ele, pois reside em Cachoeira do Itapemirim, Espírito Santo. Com surpresa, no oitavo dia, depois de passar pela sensação de morrer, com dores de gritar dia e noite, vomitando, senti o que há muito não sentia: tudo estava azul, róseo, o mal-estar e as dores haviam desaparecido, como por encanto. As taquicardias tornaram-se espaçadas e o pulso não passava de 140 batimentos.

Aqui começa minha odisséia macrobiótica. Sem meu irmão, procurei na rua Visconde Duprat, uma mercearia de produtos macrobióticos, onde busquei informações acerca de um orientador. Não sabiam, mas falaram-me de um japonês que fazia compras ali e falava de macrobiótica. Soube que comia num certo restaurante, e lá obtive com a dona todas as informações. Deixei meu cartão na mercearia e no restaurante e esperei; não.tive comunicação, mas com paciência acabei por encontrá-lo. Soube que havia recebido os cartões, e de maneira nada cortês despachou-me. Foi, então, procurado por minha família e amigos, pois eu realmente precisava dele. Negativo.

Nesse ínterim, minha irmã Suzana, residente no Rio de Janeiro e também macrobiótica,

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inteirando-se do que se passava, enviou a São Paulo o químico Dr. Flávio Zanata, que, também, fora discípulo do Dr. George Ohsawa.

Recebi com alegria o Dr. Zanata, que me encantou desde o primeiro momento. Passou alguns dias como meu hóspede, abrindo o caminho para meu preparo físico-intelectual e culinário. Leu, escreveu, falou e cozinhou. Num determinado momento de nosso convívio, contei-lhe que fora refugado pelo tal orientador e, num arroubo de raiva, pedi-lhe que me preparasse para dar a ele uma exemplar lição. Pois se eu era capaz de abrir uma barriga ou um crânio para extirpar um tumor, não seria assim tão difícil aprender a filosofia do Princípio Único.

O Dr. Zanata tem todo meu respeito e gratidão, pois abriu-me as portas do saber.

C

APÍTULO

3

REMINISCÊNCIAS

Pesquisando nos arquivos, ao selecionarmos tópicos sobre nossas experiências e estatísticas, deparamos com algo que achamos de bom alvitre constar do trabalho, que nos propusemos deixar para a posteridade, no livro Macrobiótica Zen para o Brasil.

O que transcrevemos cremos ter certo valor pregresso nos choques psíquicos, observados durante os primeiros tempos, no conceito de uma nova vida, orientada pelos ensinamentos do Mestre George Ohsawa, induzido a fazê-lo pelo

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Dr. Flávio Zanatta, um dos seus diletos discípulos em 1967. Cremos ser um dos poucos médicos, ou o único no Brasil, a ter-se dedicado, de corpo e alma, diuturnamente, a fazê-lo.

Dois anos depois de uma completa mudança de vida cotidiana e profissional, numa noite de insónia, traumatizado pela complexa filosofia oriental do YIN-YANG, empírica, tendo, o consciente e inconsciente ainda condicionado, durante 50 anos, em "sólidas" bases científicas e dentro da tradicional Medicina Ocidental, sentimos que a Macrobiótica ia, aos poucos, levando-nos a uma profunda castração intelectual.

Naquela época, recusamos, a uma jornalista do "Estado de São Paulo", uma reportagem (com nossos parcos conselhos, havia conseguido curar-se de grave doença, dita incurável).

A negativa prendia-se a falta de profundidade na matéria. O nosso pavor em cair num ridículo, aos olhos dos colegas de profissão, por nos sentirmos despreparados para uma polêmica, por falta de uma consciente argumentação.

O que transcrevemos, de uma noite de intranqüilidade, mostra o estado mental em que nos encontrávamos. Guardamos no arquivo original e transcreveremos sobre a noite de agonia e intranqüilidade.

Em tempo, a reportagem no "Estado de São Paulo", foi concedida sob o título de "Um médico faz experiências" com duas ressalvas, o nosso nome não seria dado e a jornalista não assinaria a sua matéria.

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Antes transmitíamos, para os ouvintes, os conceitos dos orientadores, sentindo a necessidade de conceitos próprios, que teriam que se basear em experiências e observações. Do que nos foi ensinados nos bancos das escolas, deixam-nos abismados diante da diversidade de práticas e teorias impostas por outros mestres que seguimos como oráculos. São concepções que nos assustam, pois os choques produzidos de tal ordem, por não possuirmos a nossa própria dialética para transmitir com certa profundidade o sentimento de que nos achamos possuídos e não encontrarmos os argumentos necessários, ainda, para podermos de sã consciência, explicar com alguma profundidade, as verdades nos fatos observados.

Só a pesquisa e a observação poderão dar-nos os elementos de que nós ansiamos.

Vemos, ao longe, a luz de que necessitamos, o caminho parece-nos longo e por demais tortuoso. Temos que alcançá-lo, pois, embora distante, temos a impressão de que estará ao alcance da mão.

Com a experiência colhida em cada grupo, fazendo a concatenação do estudo de cada grupo ou raios e então compreender porque a luz é emitida por tantos raios. Mas, se a verdade encontra-se no centro então, a fórmula do sucesso só lá poderá ser encontrada.

Para poder ter, em mãos, os elementos para a argumentação irretorquível, essa argumentação não admitirá o sofisma de leve dúvida.

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Diante da complexidade do exposto, compreenderão a angústia de que estamos possuídos, vendo o tempo escoar inexoravelmente, sabendo-o curto e enorme as dificuldades.

Não procuramos angariar seguidores, apenas lembrar aos que procuram novos caminhos ou aos cegos que procuram a luz, que não é simples, que não é só o querer e começar que irá resolver o que parecer ser um problema simples. Haverá uma infinidade de barreiras e tropeços a transpor. Há uma cultura oriental milenar completamente desconhecida e complexa a absorver e com muita dificuldade compreendê-la. Há ensinamentos à primeira vista desordenados, o que é descrito em um momento, logo a seguir torna-se controverso. Há o atavismo, a hereditariedade e os conceitos de há muito implantados.

Para vencer as controversas constantes, o raciocínio e a mente terão que sofrer dentro do que chama de transformações e de transmutações. Para entender é preciso usar a palavra COMPREENDER! Por isso, repetimos, não procuramos adeptos, mas despertar em cada possível seguidor, os porquês que tudo vai de mal a pior, sentindo, como nesse momento, que só haverá possibilidade para alcançar o quase inacessível saber, conseguindo o difícil equilíbrio tão exigido, impondo uma técnica e uma vontade quase estóica.

Sentimos que cada um deve procurar o seu próprio caminho, cada um preparar sua

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auto-defesa dentro dessa humanidade desvairada, altamente sofredora, desarmada, altamente atemorizada, procurando um ponto de apoio para alcançar uma tranqüilidade interior. Será a macrobiótica, com todas as dificuldades expostas, a luz que se procura no fim do caminho? Haverá outro? Se é caminho, valerá o sacrifício sabendo, de antemão, que nada se consegue sem um mínimo ou máximo de sacrifício. Sofrer e ter esperança de dias melhores.

O Zen deverá orientar para conseguirmos, pela simplicidade de tudo, em particular, dos alimentos naturais, a desintoxicação do organismo, manter alerta os sentidos e o intelecto lúcido, chegando ao ponto de perceber que não estará perdido numa praça, procurando um caminho seguro.

O ser humano está sempre perdido nessa praça, cheia de avenidas que nela desembocam, e por mais que escolha, uma das avenidas, mesmo chegando ao seu fim, sempre voltará à praça perambulando até o fim de sua vida.

Pela compreensão, do Princípio Único as avenidas e as praças desaparecerão. Com o organismo equilibrado, desaparecerão os pro-blemas, angústias, os medos atávicos, a insatisfação, os baixos intentos e ambições desmedidas, o ódio, a intranqüilidade, enfim, tudo que assoberba a humanidade, levando ao caos; a arrogância, neurose, a enfermidade e a morte prematura ou de doenças ditas incuráveis como o câncer, lúpus, doenças do colágeno,

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todas altamente dolorosas e algumas altamente repugnantes.

Estamos há 30 meses de sacrifício inicial, de sofrimentos de 12 anos e de meses de felicidade interior.

Não poderemos, nessa madrugada, insone, deixar de registrar o que nos vai n'aima. Já perdi muitos pensamentos e idéias por não havermos registrados, como o que fazemos hoje, deixando, sempre, para escrever pela manhã ao acordar e que, pela manhã, os pensamentos foram esque-cidos, tomando o lugar os problemas a serem resolvidos. Assim, mesmo outras idéias a serem consignadas pela manhã foram esquecidas. Agora, poderemos dormir.

São Paulo - 5 horas da manhã de 5 de julho de 1970.

C

APÍTULO

4

PARA OS QUE HABITAM E MOUREJAM

NO BRASIL

Do que será descrito neste livro, somente poderá ser consignado como material original, os capítulos que têm por finalidade dar à macrobiótica, que é empírica, uma forma científica. O objetivo é proporcionar aos futuros orientadores, bases mais seguras para afirmarem sobre se as curas irão processar-se a curto,

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médio ou longo prazo, ou se o estado de desintegração orgânica do paciente chegou ao ponto de já não haver um mínimo de esperança. (Em todo o caso, porém, deve-se sempre tentar, pois houve casos de pessoas que, por um rasgo de piedade, não foram abandonadas à própria sorte e, conquanto parecesse impossível, conseguiram restabelecer-se.)

No capítulo que mostra os Gráficos, irão os orientadores observar se a cura ocorrerá a curto, médio ou longo prazo pelas reações registradas em 30 dias. (Vide Capítulo Diagnósticos).

Durante os três primeiros anos, os seguidores da Macrobiótica deverão estar aos cuidados do orientador, sempre compulsando os livros e observando os equilíbrios e desequilíbrios a cada mudança atmosférica, pesquisando a procedência e composição dos produtos a serem consumidos, compreendendo o máximo possível a Natureza, enfim, tudo que nos cerca.

Após esse período, dentro do prazo da cura, o macrobiótico receberá sua alforria, isto é, libertar-se-á do orientador, que deverá ser olhado como um conselheiro.

É por demais sabido que o Brasil, pela sua extensão territorial, num mesmo dia, apresenta diversidades climáticas as mais variadas.

Nos estados do Norte, como Amazonas, Acre e Pará, o clima apresenta-se tórrido, com chuvas diárias ao cair da tarde, enquanto que no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina ocorrem garoas e, em diversas localidades, até neves e

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geadas. Em São Paulo, num mesmo dia, podemos observar as quatro estações.

Chamamos a atenção para certas modificações, há muito observadas, com relação ao Equador, que é a linha que separa o hemisfério norte do hemisfério sul. Procuraremos dar alguns exemplos para conscientizar os indivíduos sobre as diferenças existentes no globo terrestre.

Anos atrás, um parente, viajando pela Europa, ao passar pela Alemanha, adquiriu um piano da famosa fábrica Grotrian-Steinweg-Nache em Braunschweig. Para sua surpresa, ao informar ao vendedor que o instrumento deveria ser enviado para São Paulo, Brasil, teve como resposta que a firma só poderia despachá-lo num prazo de seis a dez meses. "Por quê?", perguntou ele. "se estou pagando a vista, em moeda alemã?"

A resposta não se fez demorar: era preciso preparar um cepo para o clima tropical. Todos os pianos vendidos para o Brasil haviam voltado à fábrica com os cepos bichados. (Para os que ignoram o que é o cepo, trata-se do pedaço de madeira onde são encravados os pinos metálicos que prendem as cordas do piano.) Informou ainda que os técnicos da fábrica concluíram, depois de muitas experiências, estudos e observações, que tudo que atravessava o Equador sofria mutações e vibrações telúricas contrárias. Por isso, para o Brasil, eles mandavam pianos com cepos de madeira especialmente preparados para não carunchar. Outro exemplo, de nossa observação recente, foi o caso de uma paciente, a Sra. M., portadora, há

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muitos anos, de osteoartrite deformante, paralítica, em cadeira de rodas, impossibilitada de se mexer pelas dores lancinantes que qualquer movimento provocava e que, após seis meses de macrobiótica, estava com suas funções normais, andando e feliz da vida. A alegria de M, no entanto, durou pouco, ao receber de uma parente, que esteve no Japão, um "remédio milagroso", que estava "curando" os pacientes que sofriam da mesma enfermidade. Foi um desastre. Em poucos dias, M. ficou em anasarca (toda inchada), o rosto irreconhecível, de tão inchado, os membros e o ventre intumescidos, dores agudas até que, por fim, não podendo sentar na cadeira de rodas, ficou imobilizada na cama.

Esse "remédio milagroso", talvez fosse bom no Japão, mas ao atravessar o Equador sua ação tornou-se antagônica - razão por que é preciso ter cuidado com os remédios que passam de um hemisfério para outro.

Dr. G. Ohsawa, num tópico de seus escritos, enunciou: "Não se alimentar de produtos colhidos a mais de 50 quilômetros de raio", quer dizer, dentro de um círculo de 100 quilômetros de diâmetro.

A primeira vista, parece bairrismo, nacionalismo e outros "ismos", mas a verdade disso encontra-se na inversão das vibrações, nas forças centrípetas e centrífugas que se instalam. Difícil explicar? Não.

A paciente L.K.H., classificada pelas inúmeras reações negativas, conforme seu gráfico,

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necessitava urgentemente equilibrar sua vida metabólica, ingerindo alimentos positivos, pois as reações YIN tinham grande predomínio em seu organismo. A técnica filosófica exigia grande variedade de produtos YANG.

Não confiando nos produtos à venda nas feiras-livres, por serem colhidos em terrenos preparados e tratados com agrotóxicos e químicos, resolvemos trazer de Ilha Bela, distrito de São Sebastião, as verduras catalogadas de YANG, plantadas, cuidadas e colhidas por nós. Consciente de estar alimentando a paciente com produtos YANG, pois não restava a menor dúvida quanto ao plantio, cuidados e procedência, foi com surpresa que constatei que, em vez de se Yanguisar, a paciente continuava YIN.

Decepcionado comigo e com os ensinamentos de G. Ohsawa, lembrei então a recomendação dos 50 quilômetros. Conclusão: os produtos eram plantados com os cuidados prescritos, num terreno a 200 metros da beira do mar, numa altitude zero ao nível do mar; contudo, ao serem transportados para São Paulo, viajavam uma distância de 220 quilômetros e subiam a uma altitude de quase 800 metros acima do mar. Ohsawa não explicou, mas tinha toda a razão. O leitor poderá perceber quando custou-me compreender uma simples frase do Dr. G. Ohsawa? Ele ensina e alerta, em seus escritos, sobre os cuidados a se ter, mas não fornece as explicações que nós, brasileiros necessitamos. Todos acreditamos piamente no que ele nos

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legou, mas precisamos saber por que; ver e sentir para crer.

Assim, li, pesquisei, experimentei e compreendi; sofri bastante e aprendi à minha própria custa. Convicto afirmo: a Macrobiótica não é fácil, mas é maravilhosa e valeu a pena todo o passado.

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APÍTULO

5

COLÓQUIO DA DOR E ALGO MAIS

PALAVRA: "Lute para preservar sua saúde; e você

será melhor sucedido nisso, na proporção em que ficar longe dos médicos." (Leonardo da Vinci - 1452-1519).

FRASE: Mastering me God, giver of breath and Bread - "Guie-me Deus, que nos dá o pão e o ar

que respiramos" (Gerard Manleey Hopkins).

PENSAMENTOS: "A vida está cercada de solidão,

e se não fosse esta solidão, tu não serias tu, e eu não seria eu", (colhido por Assis L. Condim, de autor anônimo)

"Bem-aventurados os misericordiosos, porque sua felicidade está no exercício da misericórdia e não na esperança de um prêmio." (J.L.Borges)

REFLEXÕES:

Quando as palavras cessarem de corresponder aos fatos, é ocasião de rompermos com as palavras e retomarmos aos fatos.

A lógica do ZEN: ser é não ser. (Satisfação das nossas aspirações).

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As palavras não devem ter domínio sobre nós. Adquirir a liberdade intelectual. As árvores de ferro estão em plena floração.

No meio de uma chuva copiosa, não estou molhado. Palavras são palavras e nada mais, e os fatos são os fatos!

ZEN é como um espelho, reflete o que dele se acerca!

O ponto de vista ZEN é, sempre, original e estimulante!

ZEN nos liberta dos condicionamentos! Libertar a mente é ZEN!

COLÓQUIO DA DOR

C.J. Buell

I.

Sou a dor - a maioria das pessoas me odeia, Julgam-me cruel, acham-me sem coração,

Procuram maneiras de me subornar e de me enganar.

Entorpecem-me com anestésicos

Enchem-se com panaceias patenteadas, Chamam o médico com seus venenos, Procuram pelo curandeiro da Ciência Cristã.

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Erigem altares, queimam incenso,

Procuram satisfazer a ira dos demônios, Oram para os santos, deuses e anjos. Não para curar os males de que sofrem, Não para se limparem e purificarem.

Mas somente para matar o guia que os previne.

II.

Eu sou a dor, mas quando vocês me conhecerem,

E conhecerem meu segredo,

Que venho para ajudá-los e abençoá-los, Previní-los, guiá-los, ensiná-los e dirigi-los.

Quando conhecerem minha natureza amorosa, Como a princípio eu os faço sentir uma dorzinha, Ligeira dor como um aviso.

Esperando, assim, que por um lembrete bondoso, Vocês ouçam minha voz e me atendam.

Tenho certeza que, quando me conhecerem, Vocês me aceitarão alegremente,

Chamar-me-ão de amiga e me darão as boas-vindas.

Chamar-me-ão de amiga e solicitarão minha mensagem.

III.

Eis a mensagem que eu gostaria de trazer-lhes, Eis a razão de minhas visitas,

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Eis o segredo que eu gostaria de ensinar-lhes. Quando vocês aprenderem a viver com a natureza,

Em sua grande e infinita misericórdia, Em sua meiga e carinhosa bondade,

E pretende que os homens vivam e trabalhem. Quando vocês aprenderem a evitar os caminhos secundários

Que levam a hábitos errôneos,

Quando vocês aprenderem a conservar seu corpo

Forte e limpo e puro e ativo,

A dar-lhe trabalho na proporção correta A dar-lhe ar, alimento e água

Capazes de desenvolver cada membro, Capazes de nutrir todas as funções.

Quando vocês ensinarem sua mente e espírito A abrigar puros e nobres pensamentos,

A expulsar temor, ódio e maldade, A apreciar o amor e causas bondosas.

Quando vocês aprenderem essas coisas que lhes ensinei, Quando vocês as conhecerem, quando vocês as praticarem, Então, eu partirei e os deixarei,

Então, a dor não será mais necessária.

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Esta então é a verdade que lhes trago, Que eu os aflijo somente para previní-los, Não para fazer-lhes mal, mas para curá-los, Que venho para guiá-los e ensiná-los.

Sou o anjo mais abençoado de Deus,

Enviado para mostrar o caminho da virtude, Enviado para ensinar o mais nobre valor, Enviado para encher a mente com sabedoria, Enviado para estimular a alma à ação.

V.

Amem-me, confiem em mim, Aceitem minha mensagem,

E eu lhes trarei paz e os abençoarei.

Tradução: Paulina Rabinovich

DECÁLOGO GONDIM-ENSE

(Francisco de Assis Leite Gondim)

1. Amar a VIDA e o BEM sobre todas as coisas. 2. Cultivar o AMOR, como o mais belo,

poderoso e profundo dos sentimentos humanos e que todos e cada um amem e sejam amados.

3. Respeitar, preservar e defender o meio

ambiente, não poluindo e nem devastando a nossa mãe NATUREZA.

4. Acreditar e lutar por um mundo melhor e

uma sociedade solidária e justa, baseada na LIBERDADE, IGUALDADE e FRATERNIDADE.

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5. Buscar, incessantemente, a PAZ e a

compreensão entre os povos, cultivando a chama imperecível da ESPERANÇA num futuro melhor para todos, com base no AMOR, na GENEROSIDADE e no PERDÃO.

6. Educar as crianças com paciência, carinho e

tolerância, no espírito da fraternidade e solidariedade humanas.

7. Cultivar a HUMILDADE, BOA VONTADE, a

COMPREENSÃO e bom relacionamento entre as pessoas.

8. Respeitar a cultura, crenças e tradições de

cada agrupamento humano, combatendo o fanatismo e a intolerância.

9. LUTAR, incessantemente, para que os frutos

do progresso e da cultura se transformem em bem estar, distribuídos, fraternalmente, entre todos os seres humanos, como filhos de nossa mãe comum a TERRA.

10. Alimentar os ideais, os sonhos, as ilusões e

o otimismo, que acalantam e alegram os nossos corações.

CAPÍTULO

6

DIFICULDADE DOS INICIANTES

Vamos enumerar, aqui, as principais dificuldades com que os iniciantes, geralmente, se defrontam, ao escolher o modo de vida macrobiótico. Lembramos, contudo, que nada se consegue sem um pouco de sacrifício, e aconselhamos aos interessados, que não se deixem vencer pelo

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sentimento de que é mais fácil abandonar seus esforços do que enfrentar os obstáculos. Quanto aos possíveis detratores, melhor ignorá-los.

1) A pressão em contrário, por parte dos

familiares, decorre do desconhecimento dos benefícios advindos do tratamento macrobiótico.

2) As reações, às vezes forte, que ocorrem no

início do tratamento macrobiótico, podem levar a falsas interpretações, por parte do leigo.

3) Sendo a Macrobiótica um sistema de vida,

não basta comer seus alimentos; é preciso aprimorar-se na culinária e manter uma leitura constante dos livros indicados pelo orientador. E, pois, para indivíduos que estudam e observam.

4) É preciso compreender a base e a filosofia

que regem o sistema macrobiótico, as leis do Princípio Único YIN-YANG e, se possível, apreender o significado profundo do Zen.

5) Pesquisar sobre os alimentos e procurá-los

isentos de agrotóxicos químicos e inseticidas.

6) Observar os princípios da culinária,

procurando os orientadores culinários, que lecionem a parte teórica e prática - o que não é difícil - ou macrobióticos com algum tempo de vivência.

7) Procurar nas bibliografias, os livros e

trabalhos que irão orientá-los, empenhando-se na leitura dos mesmos.

8) Lembrar, sempre, que todos os problemas

serão resolvidos, pois os que ficaram para trás foram, de alguma forma, superados; é só ter calma e paciência.

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9) Lembrar sempre que não há doenças e sim

doentes, e que isso se prende a um único deslize orgânico - o desequilíbrio.

10) Não existem doentes incuráveis (só os que já entraram em desintegração orgânica); uma vez equilibrado o organismo, todos os sintomas (efeitos) desaparecerão. A medicina tira os efeitos (sintomas) ao passo que a Macrobiótica anula a causa.

Enumeramos, acima, as principais dificuldades que envolvem o iniciante e que, muitas vezes, levam-no a abandonar o único caminho que o livrará do impasse a que o conduziu a doença. Outras dificuldades poderão surgir, ligadas ao lar. A esposa ajudará, se casado, e, se solteiro, quem irá preparar o alimento?

Em muitos casos, o solteiro não terá outra opção, tendo que preparar suas refeições ou procurar um restaurante macrobiótico, ou o orientador porá à disposição dele pessoa preparada para esse fim, que poderá ensiná-lo.

No caso de casado, se a esposa não se interessar, será difícil alcançar o resultado desejado, pois é ela, no julgamento oriental, quem dirige o "laboratório da vida", a cozinha, e espera-se que ela comungue com os anseios do marido.

Sendo o paciente uma mulher, esse impedimento não existe, pois ela preparará seu alimento, mesmo havendo críticas e menosprezo por parte do marido. Mesmo assim, a falta de cooperação do companheiro, que, por qualquer divergência,

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ironiza algum fato, poderá tolher a mulher em sua liberdade de ação, levando-a a desenvolver um traço de insatisfação e a viver amargurada. O marido, nos fins de semana, quer freqüentar restaurantes sofisticados e revolta-se contra a esposa. Com o passar dos tempos, a parte psíquica da mulher vai se alterando, até que ela, finalmente, toma ojeriza pelos alimentos e se afasta emocionalmente das pessoas que a cercam. Nesses casos, o orientador, inteligentemente, contornará a situação, mostrando que a Macrobiótica não proíbe nada, apenas ensina o que de menos mal poderá ser usado.

De qualquer forma, a cura dependerá de uma série de fatores ligados ao paciente: (a) aceitação incondicional (inclusive pela família, que deve, pelo menos, não atrapalhar com críticas destrutivas); (b) disciplina inicial (durante os quatro primeiros meses, contando com os dez dias de arroz no princípio); (c) leitura dos livros básicos orientadores: Macrobiótica

Zen, de G. Ohsawa; Guia de Alimentação

Macrobiótica, de Use Clausnitzer; Sois Todos

Sampaku, de William Dufty; Macrobiótica, de

Michio Kushi etc.

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APÍTULO

7

NOÇÕES BÁSICAS PARA OS QUE SE

PROPÕEM INGRESSAR NA

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É de importância capital, em primeiro lugar, saber dos benefícios resultantes da adoção do sistema de alimentação macrobiótico - que implica, concomitantemente, na mudança para um novo sistema de vida.

O primeiro ponto básico é a conscientização, ter em mente, de uma vez para sempre, que todo e qualquer sacrifício na alimentação e na maneira de viver será compensado por uma vida sem doenças, tranqüila e feliz - o que os orientais chamam de SATORI.

Nesse estágio, após um período compulsando livros, assistindo palestras e discutindo com orientadores, a pessoa estará apta a receber as bases para um bom desempenho da técnica e para uma ótima compreensão da filosofia que rege o Princípio Único. Faremos aqui uma pausa, para registrar uma passagem digna de ser lembrada.

A senhora Ana G. apresentou-se numa das preleções que, há 28 anos, ministramos toda primeira quinta-feira de cada mês. Retomou, depois, várias outras vezes, sempre chegando cedo e ocupando um lugar próximo ao orientador. Após alguns meses, já era uma ouvinte assídua, e quando interpelada sobre quando iria consultar-se, nada respondia, limitando-se a sorrir com simpatia. O tempo foi passando e D. Ana continuava ocupando seu lugar, que se tornou cativo. Com surpresa, cinco anos depois de assistir regularmente aos ensinamentos, resolveu pedir uma consulta! Por que depois de tanto tempo?

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"É que minha doença", explicou ela, "não tem cura; estou doente há mais ou menos 40 anos. Já estive internada em quase todos os bons hospitais de São Paulo e sempre acabo ouvindo dos médicos o conselho de que devo acostumar-me com a doença, a deformação e as dores que ela causa." [A enfermidade de D. Ana era um tipo de lúpus insidioso.] Nesses cinco anos acompanhei aqui três casos de lúpus, e só depois de vê-los curados é que me resolvi fazer Macrobiótica."

Por incrível que pareça, D. Ana, embora já no nono ano de Macrobiótica e hoje com mais de 70 anos de idade, continua a comparecer assidua-mente, a todas as preleções mensais, convencendo os iniciantes a preservar para alcançar o que ela chama de "alegria de viver". A fase da conscientização envolve, principalmente, a atenção a três fatores insubstituíveis, que constituem a base da Macrobiótica; são eles o arroz integral, a mastigação e a saliva.

De início, conscientizar-se de que o arroz é o alimento mais importante para o macrobiótico; porém, mais importante que a mastigação é a saliva. Sem saliva, não haverá Macrobiótica. Esse aforismo é verdadeiro!

Na medicina, encontramos doenças incuráveis, que apresentam, como sintoma para diagnóstico, a falta de saliva. É o caso, por exemplo, da síndrome de Jöhingreen, que além da falta de saliva, caracteriza-se também pela ausência de

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lágrimas, e de alguns casos de mal de Hansen (lepra).

Poderíamos citar, pelo menos, três casos desse tipo que foram curados pela Macrobiótica, mas um deles merece menção especial.

Marinela, professora, procurou-nos, por saber-se condenada. Quatro meses depois, voltou ao consultório, radiante, dizendo-se curada. Contou-nos então que sofria de síndrome de Jöhingreen, uma doença rara e que não tem cura; identifica-se pela falta de lágrimas, de saliva e depois de bile e secreção vaginal (todas as glândulas de secreção externa deixam de funcionar e o paciente falece). Como o caso dela, só eram conhecidos outros dois, ambos já falecidos. Como desconhecêssemos tal enfermidade, procuramos o oculista que havia diagnosticado o mal e, por ele, recebemos bibliografia sobre o assunto.

Um outro caso, este de hanseníase, também é digno de registro.

Alberto S., internado em hospital para leprosos, procurou-nos e iniciou-se na Macrobiótica - o primeiro caso sem saliva que nos apareceu. Trouxe-nos, a seguir, esposa e cunhado, internados com ele no Sanatório Santo Ângelo, onde perfaziam 18 leprosos. Todos, em nove ou dez meses, haviam recebido alta do hospital, curados; só ele não obtivera cura, e constatei que não tinha saliva.

Aconselhei-o a perseverar no tratamento, pois G. Ohsawa, em um de seus trabalhos, afirmava que casos desse tipo seriam resolvidos em três anos -

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que era o período necessário para instalar-se a cura biológica".

O paciente persistiu e, passado esse tempo, voltou ao consultório dizendo-se curado. Em sua prescrição, aconselhei-o, de acordo com o trabalho de G. Ohsawa, a mastigar arroz cru ou tostado umas 200 a 250 vezes, pela manhã e à tarde e comer de 2 a 3 ameixas de umeboshi, diariamente.

Feliz da vida, Alberto agradece sensibilizado, dizendo, jocosamente: "Custou-me três dentaduras a linha de conduta imposta".

O A

RROZ

Planta da família das gramíneas, o arroz (cujo nome científico é Oryza sativa) apresenta-se em três famílias ou subespécies - indica, jônica e javânica -, com inúmeros gêneros e subdivisões. Data de cerca de 7.000 anos e, segundo o Conselho Internacional de Vegetais, totaliza 74.000 variedades, entre o arroz cultivado e o chamado arroz selvagem.

O porte da planta, na época da colheita, varia de 0,80m a 1 metro de altura, mas em certa localidade, na confluência dos rios Ganges e Brah-maputra, na índia, chega a atingir até 6m de altura, pela elevação das águas (Bangladesh). A planta cresce com a mesma rapidez com que sobem as águas.

Antigamente, o consumo de arroz, nos países europeus, era muito pequeno, enquanto, no

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