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Paul Ricoeur leitor de Husserl.

Paul Ricoeur leitor de Husserl.

Apesar do tom heideggeriano da expressão “ser-no-mundo”, a ênfase deve cair na idéia de dimensão simbólica. Enquanto tal, o mundo não é a totalidade dos objetos radicalmente diversos da subjetividade, mas sim a totalidade simbólica na qual a subjetividade está imersa, para além de uma situação, em seu ato compreensivo de um texto. É exatamente neste senti- do que o mundo do texto é constituído pelo texto enquanto seu referencial. O dizer o mundo que o texto efetua é um constituir o mundo a partir da re- lação compreensiva que se estabelece entre o texto e o leitor, uma relação que estabelece a pertença a partir do distanciamento entre o texto e o leitor. Ora, esta idéia da constituição simbólica como configuração e refigu- ração do mundo é seguramente uma idéia de origem husserliana. Ela apa- rece em vários momentos da fenomenologia genética de Husserl (e até em algumas passagens da fase estática), principalmente nas Ideen II, onde a teoria da constituição é apresentada em sua forma mais acabada, e nas Me- ditações Cartesianas – texto-chave para seu idealismo. Tanto numa quanto na outra obra, Husserl se vale de uma teoria ambígua da constituição, como adverte o próprio Ricœ ur em seu estudo acerca das Ideen II. A constituição é por um lado um exercício de análise intencional, que sempre parte, como seu “guia transcendental”, do “sentido já elaborado em um objeto que tem uma unidade e uma permanência diante do espírito” (Ricœ ur, 1987a, p.88). Por outro lado, e é aí que se evidencia o idealismo husserliano, este sentido só o é para uma consciência, e numa consciência; o que implica numa de- cisão metafísica radical:
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Hermêutica e subjetividade, de Agostinho e Hipona a Paul Ricoeur - Três estudos sobre...

Hermêutica e subjetividade, de Agostinho e Hipona a Paul Ricoeur - Três estudos sobre...

O que essa dupla pertença de Agostinho, e em particular das Confissões, provoca na leitura que Ricoeur faz dele? Provavelmente o leve a forçar uma decupagem, a proceder a essa separação dos tipos de discurso, em uma leitura em atitude crítica que apaga a dimensão bíblica, também presente no texto agostiniano. Como o cientista que, para entender os mecanismos de um corpo trabalha nos órgãos mortos, ainda que saiba que a vida que falta é o que lhes dá sentido. Colocar Agostinho do lado filosófico é ler o texto confessional “como se fosse” filosófico, tomando para isso a dimensão filosófica que também está nele, e para isso prescindindo da dimensão poética, sem a qual o texto já não é o mesmo texto. Não procede de maneira diferente o leitor que busca na Bíblia o discurso argumentativo: ele se desfaz do que sobra para tirar à luz o que lhe interessa. Mas filosofia e escrita bíblica não se opõem de maneira necessária. Jerusalém e Atenas representam duas maneiras de pensar diversas, porém compatíveis quando se trata de leitura compreensiva ou de teologia descritiva. Deve-se falar, insiste Ricoeur, em um pensamento bíblico que, falto de um pensamento especulativo, se expressa nos gêneros narrativo, legislativo, profético, hínico, sapiencial. “Néanmoins, un ʻdire Dieuʼ varié sʼouvre par son tour polémique à la critique interne et externe.” 305
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Teoria da História, Didática da História e narrativa: diálogos com Paul Ricoeur.

Teoria da História, Didática da História e narrativa: diálogos com Paul Ricoeur.

Do ponto de vista do respeito às particularidades de cada esfera de pro- blematização, a contribuição de Ricoeur se faz presente no significado mesmo atribuído à expressão ‘narrativa’ no quadro da sua hermenêutica. Uma das características centrais da abordagem de Ricoeur consiste no fato de a inteli- gibilidade narrativa basear-se em um triplo movimento interpretativo que extrapola o momento de configuração narrativa propriamente dita. A primei- ra dimensão pressupõe levar em consideração uma forma de inteligibilidade característica do senso comum, que consiste na competência em acompanhar uma história. Tal característica, presente nas configurações narrativas históri- cas e ficcionais, já está presente, para esse filósofo, no momento da pré-com- preensão: “Os dois modos narrativos são precedidos pelo uso da narrativa na vida cotidiana” (Ricoeur, 1997, p.280). A configuração do tempo na narrativa corresponde à composição do texto literário ou histórico quando a intriga a ser narrada é armada, reconstruída a partir dos recursos específicos de cada modalidade narrativa. O terceiro momento – o da refiguração do tempo – corresponde ao encontro do mundo do texto com o mundo do leitor que completa de forma provisória e sempre incompleta, segundo Ricoeur, o círcu- lo hermenêutico, fazendo, assim, que a carga heurística do termo ‘narrativa’ possa ser mais bem apreciada.
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Do desejo de traduzir à transcriação: apontamentos sobre a decodificação jornalística do discurso científico, com base em conceitos de Haroldo de Campos, José Paulo Paes e Paul Ricoeur

Do desejo de traduzir à transcriação: apontamentos sobre a decodificação jornalística do discurso científico, com base em conceitos de Haroldo de Campos, José Paulo Paes e Paul Ricoeur

Os mecanismos jornalísticos de decodificação e edição do discurso da ciência implicam a necessidade de ressignificação das investigações especializadas, ligadas às mais diversas áreas do conhecimento, e a sublimação da terminologia técnica – transfigurando-a em narrativa dialógica, com linguagem e formato mais próximos à(s) experiência(s) daquele a quem se destina (leitor, espectador, usuário, etc.). Baseado na noção de transleitura, proposta por José Paulo Paes (1995), em diálogo com os desafios do processo de tradução abordados por Paul Ricoeur (2011), este artigo reflete sobre o uso do neologismo “transcriação” – criado por Haroldo de Campos – para discussão de práticas ligadas à cobertura da ciência pelo jornalismo.
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Reconhecimento, intersubjetividade e vida ética : o encontro com a filosofia de Paul Ricoeur

Reconhecimento, intersubjetividade e vida ética : o encontro com a filosofia de Paul Ricoeur

A questão do sujeito e a sua ―crise‖, a intersubjetividade e o reconhecimento, a ética e a sabedoria prática estão no centro do debate filosófico contemporâneo e constituem o tema/objeto da presente pesquisa de doutorado. Além disso, analisaram-se as ligações entre o sujeito e a intersubjetividade, tendo em vista o estabelecimento da chamada ―pequena ética‖, que foi tecida nas densas páginas do ―Soi-mêmme comme un autre‖ de Paul Ricoeur (1913-2005). Observou-se que o sujeito é constituído ao mesmo tempo como leitor e como escritor de sua vida e que a dialética da identidade (idem - ipse) expressa a temporalidade própria do ser do homem. Por tal razão, a identidade pode ser entendida, narrativamente, como história de uma vida. Nesse sentido, foi possível verificar, também, que compreender é sempre se compreender em face do texto e que não há apropriação direta de si, o cogito intuitivo é uma certeza sem verdade. Ainda, existe uma reflexão sobre a vida moral em todos os seus níveis, o que permite ao autor estabelecer uma distinção, embora conceitual, entre ética e moral. Há um apelo à singularidade das situações concretas, e é neste nível que reside a sabedoria prática ou, dito de outra maneira, a sabedoria prática é um retorno ao desejo ético, ao fundamento da ética, após a passagem pelo conflito normativo. A exigência de uma sabedoria prática surge precisamente no interior da conflitualidade. Cada ser humano está obrigado a um projeto pessoal inalienável que não pode atribuir a outro. O ético, portanto, é o que faz referência à consecução dos fins a que a pessoa se propõe, mediante os aspectos teleológicos da ação. Em troca, a moral será a obediência a uma norma, a um preceito e a uma lei. Tanto na vida individual quanto na vida coletiva convive-se, realmente, em respeito e em reconhecimento quando se atua em conjunto, e, ainda, é
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<b>Reflexões sobre a memória na ficção de Machado de Assis e na obra de Paul Ricoeur

<b>Reflexões sobre a memória na ficção de Machado de Assis e na obra de Paul Ricoeur

No livro Memórias Póstumas de Brás Cubas, que é considerado um romance moderno e psicológico da literatura brasileira, o leitor é surpreendido pelo inusitado de se tratar de uma obra narrada por um morto. A personagem principal, Brás Cubas, apresenta memórias que foi escrita por uma pessoa que já morreu e não por alguém que sabe que vai morrer. A obra se aproxima do niilismo de Nietsche, pois, no prólogo ao leitor, o ‘defunto- narrador’ confessa ter se apropriado de um pessimismo para relatar a própria morte. Assim o livro é dedicado “Ao verme que primeiro roeu as frias carnes do meu cadáver dedico como saudosa lembrança estas memórias póstumas” (Assis, 1994, p. 1).
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A representância do passado histórico em Paul Ricoeur linguagem narrativa e verdade

A representância do passado histórico em Paul Ricoeur linguagem narrativa e verdade

Desde as primeiras páginas de Meta-história, White tem apresentado desconfianças em relação ao conceito de representação histórica. Não obstante ele dizer que “ironia, metonímia e sinédoque são tipos de metáfora” e que a “a metáfora é essencialmente representacional” (WHITE, 2008, p. 48), são feitas sérias restrições a essa operação no âmbito da historiografia, sobretudo no que diz respeito à sua pretensão realista. O exemplo clássico mobilizado pelo estadunidense é a expressão metafórica “meu amor, uma rosa”, que, segundo ele, afirma a adequação da rosa como representação da amada, enfatizando a semelhança entre os objetos, apesar de suas diferenças. O problema é que essa correlação entre adequação e representação parece estar, em alguma medida, ausente no conhecimento histórico. Por isso, White se contrapõe à proposição de Nortrhop Frye segundo a qual a história é um modelo verbal de acontecimentos exteriores à mente do historiador. Seria um equívoco, na tropologia whiteana, pensar que a história funcione assim, pois nela não existe a possibilidade de verificar a adequação do modelo (a narrativa histórica) comparando-o com o original (o passado), verificando se foi possível reproduzir efetivamente as características do original (WHITE, 1994). Entre a narrativa histórica e o curso dos acontecimentos não há uma reduplicação ou reprodução, mas uma relação metafórica de longo alcance que sugere ao leitor uma espécie de figura em que são conferidas relações de semelhança entre os acontecimentos e as formas narrativas presentes na cultura. O saldo final de todo esse processo é a familiarização do que antes era estranho.
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UM DIÁLOGO COM A FILOSOFIA DE PAUL RICOEUR  Walter Veloso Dutra

UM DIÁLOGO COM A FILOSOFIA DE PAUL RICOEUR Walter Veloso Dutra

A ideia é compreender a forma como a configuração narrativa media-se entre a configuração do tempo no campo prático e a sua construção por quem recebe o relato. A narrativa “eleva-se do fundo do opaco do viver, do sofrer e do agir, para ser dada pelo autor, a um leitor que a recebe e assim muda seu agir” (RICOEUR, 2012, p. 95). Nesse sentido, inicia- se a correlação entre o tempo e narrativa de Ricoeur e o patrimônio cultural imaterial, que, a partir da narrativa dos diferentes povos e em diferentes épocas, constrói, no tempo humano de hoje, as expressões culturais intangíveis que referenciam e identificam as comunidades e seus modos, saberes e práticas de viver.
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Considerações sobre a fenomenologia hermenêutica de Paul Ricoeur

Considerações sobre a fenomenologia hermenêutica de Paul Ricoeur

Baseada no Lebenswelt (mundo-vida) de Husserl, a fenomenologia hermeneutica abre 0 campo do des-velar do que se pretende conhecer pelos intrincados caminhos da compreensaolinterpretaQao, indicados pelas expressaes. 0 desenvolvimento da filosofia de Ricoeur, segundo Ihde (1971), desemboca em duas grandes divisaes: a fenomenologia estrutural, como dada por Husserl e Heidegger, e a fenomenologia hermeneutica, que se torna mais presente a partir de seu livro The symboism of el, sendo esse seu primeiro "exercicio " numa fenomenologia hermeneutica.
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Linguagem, violência e sentido: a propósito de um debate entre Eric Weil e Paul Ricoeur

Linguagem, violência e sentido: a propósito de um debate entre Eric Weil e Paul Ricoeur

Nesse sentido, o modo do proceder ilosóico de Paul Ricoeur será a reex- posição. O que signiica que ele avança cuidadosamente refazendo cada etapa do pensamento daqueles com quem dialoga. Retém, ao máximo seu leitor, pela “reprise” dos supostos ilosóicos de seus interlocutores, para enim apon- tar seu ultrapassamento. Esta nova apresentação do pensamento alheio – o que para muitos faz parecer que Ricoeur não tenha um pensamento próprio (GAGNEBIN, 2009, p.163), não é somente um método que utiliza para atraves- sar com segurança uma ilosoia (ou um pensamento de modo geral) ao mesmo tempo em que o critica, mas a face de uma ilosoia convencida de que o dia- logo cerrado com as ilosoias é o caminho mais apropriado num contexto his- tórico em que o conlito entre as ilosoias é sua marca indelével. Ou, se se preferir, de uma interpretação cuja característica é a pluralidade inultrapassá- vel (RICOUER, 1995a, p. 104).
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Elementos constitutivos da textualidade aplicados à Teoria da Ação em Paul Ricoeur

Elementos constitutivos da textualidade aplicados à Teoria da Ação em Paul Ricoeur

Na realidade, se a apropriação está dialeticamente ligada ao distanciamento, implica que a apropriação está vinculada à objetivação característica do discurso enquanto obra. Nesse aspecto, o apropriar-se não responde ao autor, mas ao sentido projetado pelo texto. Como dirá Ricoeur, "contrariamente à tradição do Cogito e à pretensão do sujeito de se conhecer a si mesmo por intuição direta, é preciso dizer que nós apenas nos compreendemos pela grande digressão dos signos de humanidade depositados nas obras de cultura" 119 . Para Ricoeur, o texto é a instância criadora do si mundano ou de nossa mundaneidade, na medida em que responde pelo sentido que o leitor presente procura apropriar. A compreensão de si, derivada da dialética leitor-texto, torna-se mais evidente quando constatamos que só tomamos consciência de nossa presença no mundo, por aquilo que nos foi legado pela tradição escrita:
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Paul Ricoeur e a representação historiadora: a marca do passado entre epistemologia e ontologia da história

Paul Ricoeur e a representação historiadora: a marca do passado entre epistemologia e ontologia da história

Um ponto sempre presente no pensamento ricoeuriano sobre a história aponta para as múltiplas possibilidades de narração e interpretação dos acontecimentos de outrora. Algo semelhante, sustenta Ricoeur, ocorre no ofício do tradutor. Assim como a língua pura – para usar a expressão de Walter Benjamin –, a tradução perfeita é inatingível. Existe sempre a possibilidade e o convite de “retraduzir após o tradutor”, pois, assim “como ocorre no ato de contar, pode-se traduzir de outro modo, sem esperança de eliminar a distância entre equivalência e adequação total” (RICOEUR 2011, p. 30). A cada novo trabalho renova-se a esperança da tradução encontrar sua felicidade, contribuindo para a hospitalidade linguística, para o diálogo e para o encontro, em terceira margem, do autor e do leitor, até então, afastados pela fluida corrente textual.
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ESTUDO COMPARADO DA HERMENÊUTICA DE PAUL RICOEUR E DA TEOLOGIA DA LIBERTAÇÃO NA AMAZÔNIA A PARTIR DA PERSPECTIVA ECOLÓGICA  Daniela Oliveira Gonçalves, José Boeing

ESTUDO COMPARADO DA HERMENÊUTICA DE PAUL RICOEUR E DA TEOLOGIA DA LIBERTAÇÃO NA AMAZÔNIA A PARTIR DA PERSPECTIVA ECOLÓGICA Daniela Oliveira Gonçalves, José Boeing

O estudo comparado da hermenêutica do filósofo Paul Ricoeur e a hermenêutica da filosofa ambiental e da Teologia da Libertação a partir da ecologia na Amazônia no remete ao pensamento filosófico e teológico contemporâneo. A trajetória de vida e de reflexão filosófica e teológica de Paul Ricoeur contribui para o avanço do pensamento moderno da pessoa humana e o meio ambiente. Paulo Ricoeur percorre um caminho de dificuldades pessoais desde a infância e mais tarde, durante a segunda guerra preso pelos nazistas. Mas, na prisão estuda o existencialismo de Karl Jaspers e traduz a fenomenologia de Husserl. Escreve sobre a filosofia da vontade na simbólica do mal, Influenciado pelo método da linguagem de Heidegger e Gadamer, interpreta os símbolos no seu cotidiano se opondo ao racionalismo de Descartes e fenomenologia do idealismo de espírito de Hegel.
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As Concepções de Capacidade e Responsabilidade na Obra O Justo 1 de Paul Ricoeur

As Concepções de Capacidade e Responsabilidade na Obra O Justo 1 de Paul Ricoeur

O segundo nível é deontológico e corresponde ao predicado obrigatório. As pessoas vivem relações em que uns exercem poder sobre outros, sendo que todas as formas de violên- cia se originam desse poder. Por causa do prejuízo que um ser humano pode causar a outro é que ao predicado bom deve se unir o predicado obrigatório. Do ponto de vista deontológico, o justo na Ética a Nicômaco, de Aristóteles, é o justo meio da cidade (polis). Nesse sentido, Ricoeur (2008, p. 11) cita Hannah Arendt ao afirmar que “é no interesse (latim inter-sum, inter-es, inter-esse: estar entre) que o querer viver bem encerra seu percurso. É como cidadãos que nos tornamos humanos”. No entendimento ricoeuriano, o cerne do ponto de vista de- ontológico consiste em que a imparcialidade liberta a indignação do desejo de vingança. Essa imparcialidade é representada pela figura do juiz. Dessa forma, o elo entre a imparcialidade do julgamento e a independência do juiz é a referência à lei. Assim, “o que obriga na obriga- ção é a reivindicação de validade universal vinculada à ideia de lei” (RICOEUR, 2008, p. 13). Isso corresponde a um estatuto formal.
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A representância do passado histórico em Paul Ricoeur: linguagem, narrativa, verdade .

A representância do passado histórico em Paul Ricoeur: linguagem, narrativa, verdade .

Entretanto, nossa intenção não foi desqualificar a posição do historiador holandês, que tem contribuído bastante para as discussões de Teoria da História. Vale lembrar que a relação entre Ankersmit e Ricoeur é ambivalente e não se pauta, estritamente, por um antagonismo. Na obra História e tropologia (1994), Ankersmit afirmou o seguinte sobre Tempo e narrativa: “Talvez, nenhum livro no campo da filosofia da história, desde a Segunda Guerra Mundial, traga maior riqueza de aprendizagem e uma avaliação imparcial do que se tem feito até agora, ou um maior talento para sintetizar tradições distintas e heterogêneas” (ANKERSMIT, 2004, p. 137). No entanto, um pouco adiante, ele lamenta que o filósofo francês tenha regressado da tradição narrativista para a tradição epistemológica ao não se deter apenas em questões linguísticas, mas também se preocupar com a relação que os enunciados mantêm com a realidade do passado histórico. É necessário destacar, ainda, que o próprio Ankersmit afirmou ter abandonado a ênfase na tradição narrativa e se voltado para o tema da representação. “Segue-se uma discussão acerca da narrativa não lançará nenhuma luz sobre o problema da verdade histórica, considerando que a narrativa está principalmente associada ao romance. É por isso que passei, há algum tempo, da noção de narrativa para a de representação. Em primeiro lugar, porque essa noção não está contaminada com tudo que os narrativistas associam com a narrativa; e, em segundo lugar, porque a noção sugere forte -mente o que é representado: se você tem representações também deve haver algo que é representado por elas. Deste modo você pode corrigir o distanciamento entre linguagem/realidade, tão característico da teoria narrativista” (ANKERSMIT 2012, p. 321).
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Hermenêutica Simbólica e Filosofia do Símbolo

Hermenêutica Simbólica e Filosofia do Símbolo

We’ve described the Symbolic Hermeneutic from the Eranos &LUFOHDQG3KLORVRSK\RI6\PERODVLQVWUXPHQWWKDWHQDEOHDVLJQL¿FDQW understanding of the religious phenomenon. We’ve approach the standpoint of Cassirer’s symbolic anthropology and phenomenology of +XVVHUOWKDWLQÀXHQFHG9DQGHU/HHXZ(OLDGHDQGVSXUUHGUHVHDUFKHUV from the Eranos Circle. We’ve seek the Philosophical Hermeneutics of Schleiermacher, Gadamer and Ortiz-Osés paths of symbolic understanding. The contribution of Paul Ricoeur to phenomenological understanding of the symbol and its philosophy. As a result, we have elected the reductionists and originators motivations from Sartre, Saussure; Piganiol, Dumezil; Freud, Ricoeur; Bachelard, Eliade, Jung and Durand as a means of understanding the religious phenomenon which is revealed in symbolic form. We have made a descriptive- qualitative search with hermeneutic analysis.
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UMA REFLEXÃO CRÍTICA BASEADA EM PAUL RICOEUR  les Santos Mascarenhas

UMA REFLEXÃO CRÍTICA BASEADA EM PAUL RICOEUR les Santos Mascarenhas

O presente estudo tem por finalidade fazer um breve estudo do devido valor jurídico que se deve atribuir ao silêncio, sobretudo, na seara negocial, instituto do Direito Privado. Neste sentido, pretende-se, inicialmente, através de um breve estudo da obra de Paul Ricoeur, trazer alguns conceitos a título de compreensão e interpretação, buscando averiguar o significado do texto enquanto expressão linguística. Em seguida, com supedâneo nas teorias ricoeurianas, busca-se fazer um estudo do silêncio como expressão textual e de vontade humana, a fim de situá-lo no contexto dos negócios jurídicos.
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Filosofia da existência, existencialismo e o problema do sentido na filosofia da história de Paul Ricoeur

Filosofia da existência, existencialismo e o problema do sentido na filosofia da história de Paul Ricoeur

Como se sabe, na década de 1980, o debate sobre a continuidade/descontinuidade entre o mundo real e a narrativa ganhou evidência, sobretudo, a partir das reflexões de David Carr. A abordagem ontológica existencialista de acordo com a qual a existência humana é um absurdo, um amontoado de contingências sem qualquer significado, tem como corolário epistêmico uma dicotomia entre existência e linguagem, entre a experiência temporal e a narrativa, pois, nessa lógica, “é preciso escolher: viver ou narrar” (SARTRE [1938] 2015, p. 50). Em contrapartida, na teoria da ação ricoeuriana existe uma potencialidade de sentido que confere inteligibilidade à ação, graças ao simbolismo imanente à experiência: “se, com efeito, a ação pode ser narrada, é porque ela já está articulada em signos, regras, normas: está desde sempre simbolicamente mediatizada” (RICOEUR 1991a, tomo 1, p. 100-101). Quanto a isso, destacamos que o desejo de conciliar o caráter epistemológico da operação narrativa na escrita da história com o seu alcance ontológico aproxima Paul Ricoeur de David Carr. À primeira vista, ambos parecem ter um inimigo comum, a saber, aquelas perspectivas que advogam uma insuperável descontinuidade entre experiência e narrativa, tal como Louis Mink para quem: “estórias não são vividas, mas narradas. A vida não possui inícios, meios ou fins” (MINK 1970, p. 557). No entanto, a equivalência entre o approach fenomenológico de Carr e o fenomenológico-hermenêutico de Ricoeur é apenas aparente. De modo um tanto quanto surpreendente, Carr apresenta sua leitura de Tempo e narrativa, afirmando que o livro de Ricoeur, apesar de pretensamente ser contrário à abordagem standard caracterizada pela cesura entre narrativa e mundo real, estaria mais próximo da perspectiva de Mink e White do que o filósofo francês gostaria.
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Fenomenologia-hermenêutica de Paul Ricoeur como referencial metodológico numa pesquisa de ensino em enfermagem.

Fenomenologia-hermenêutica de Paul Ricoeur como referencial metodológico numa pesquisa de ensino em enfermagem.

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A imaginação reconstrutiva: Paul Ricoeur e Jürgen Habermas; sobre o discurso narrativo...

A imaginação reconstrutiva: Paul Ricoeur e Jürgen Habermas; sobre o discurso narrativo...

A subestimação de uma competência reflexiva no nível intermédio da interação cotidiana coloca de novo no eixo do debate o que podemos denominar o "corte da textualidade" que, sob a tese do distanciamento textual, Ricoeur insere no passo do simbolismo imanente ao simbolismo de segundo grau. O corte da textualidade , sob o pretexto de distinguir entre um quase-texto da cultura e um texto como tal, portador da função simbólica, parece pôr entre parênteses os potenciais reflexivos da interação cotidiana – composta, entre outros, pelos discursos da argumentação, da narração e da conversação –, reduzindo-os, em ocasiões, às características próprias dos discursos instrumentais, descritivos ou meramente ostensivos. 59 Levada ao extremo, a premissa do distanciamento textual parece postergar as competências de distanciamento dos participantes no jogo das perguntas e respostas da interação cotidiana, para a forma de um diálogo ultrassofisticado e estendido na esperança de uma fusão de horizontes, só possível por meio de um treinamento que parece exclusivo à comunidade de textos e leitores. Contudo, deve-se perguntar, inclusive, se para os processos de pré- compreensão narrativa as teses do distanciamento textual são realmente possíveis. E se, pelo contrário, as diferentes maneiras com que os sujeitos invocam, justificam ou dispõem a distância das formas e regras simbólicas de sua própria cultura, mediante posicionamentos argumentados, não constituem um insumo incontornável para a própria qualidade reflexiva das produções textuais. Um parêntese nas competências discursivas das situações cotidianas de interação para o distanciamento ao respeito da densidade simbólica das culturas poderia não só trivializar o potencial reflexivo dos textos narrativos, mas também resultar contraditório ao eliminar artificialmente algo que é necessário para a própria compreensão textual. Sem a distância efetiva que se opera a respeito de toda regra simbólica ou de toda oferta comunicativa, é dificilmente compreensível a distância das narrativas ou da teoria social, enquanto textos.
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