Apesar da insistência em deixa-la a porta de casa, Allan acabou fazendo a vontade de Patrícia e a deixou em uma praça de táxis.
Agora , a caminho de casa ela relembrava os momentos passados do lado dele. Parecia um sonho.
Nunca havia se sentido atraída por homem nenhum, mas Allan a fazia experimentar sensações novas. A forma como a tocava, o cuidado com que manejava seu corpo e os beijos. Patrícia suspirou só de lembrar.
O táxi parou em frente ao edifício , ela pagou e saiu , caminhando em direção a entrada. Precisava de um banho , sentia que havia ficado com o aroma do perfume de Allan em suas roupas e talvez alguns bocados de relva no cabelo depois de terem rolado pelo chão submersos em tanta paixão.
Procurou a chave na sua mochila e abriu a porta. Mas o sorriso desapareceu do seu rosto quando viu Jorge sentando no sofá virado pra porta.
“ Posso saber onde estavas até agora?” ele perguntou naquele tom ameaçador que Patrícia já conhecia .
“ Estava na faculdade. Tive que ficar a estudar com alguns colegas.” Ela falou rezando pra não gaguejar.
Jorge levantou do sofá e caminhou até ela, como se fosse um predador pronto para matar a sua presa. Por instinto, Patrícia deu um passo pra trás .
“ Tu conheces as regras. Eu deixo-te estudar, mas quero-te aqui a minha espera quando chegar.” Ele falou parando a pouco centímetros dela.
“ Desculpa” ela falou assustada.
“ Tu sabes que apenas desculpas não vão me deixar feliz. Terei que castigar-te minha Flôr, pra que tenhas mais atenção as horas nas próximas vezes.”
Patrícia abanava a cabeça implorando por perdão. Mas Jorge a encostou na parede colocando uma mão sobre o seu frágil pescoço.
“ Tu sabes o quanto dói-me castigar-te . Mas insistes em ser rebelde pra me magoar , Patrícia.”
“ Jorge, por favor” ela implorava com lágrimas nos olhos.
Com uma mão no pescoço de Patrícia para a manter no lugar, Jorge ergueu a outra e deu-lhe uma valente bofetada. Fez uma pausa e outra se seguiu.
“ Sshh…já passou minha Flôr.” Ele sussurrava abraçando-a.
Patrícia soluçava enquanto lágrimas escorriam pelo seu rosto. Mas não se moveu apesar de querer estar a quilómetros de distancia daquele homem.
Jorge afastou-se e olhou pra ela com tristeza no olhar.
“ Tu me obrigas a fazer isto. Tu sabes que a culpa é tua. Eu sofro so de imaginar que tu estas na rua nos braços de outro. “ ele falou calmamente limpando as lágrimas do rosto de Patrícia.
O celular de Jorge tocou e ele o tirou do bolso e olhou pro ecrã franzindo a testa.
“ Preciso ir. Toma um banho quente , vai fazer-te bem. Te vejo amanhã.”
Jorge atendeu a chamada enquanto abria a porta e saiu do apartamento. Patrícia caminhou até seu quarto e atirou-se pra cama chorando mais. Agora não da dor física , mas de desespero por sentir-se encurralada. O choque de realidade depois de uma tarde de sonho foi um golpe mais forte que a mão pesada de Jorge no seu rosto.
Adormeceu depois de horas aos prantos.
Na manhã seguinte seu rosto estava inflamado, não sabia se era das bofetadas, do choro ou de ambos. Decidiu não ir a faculdade e passou a tarde a estudar em seu quarto. Ficou aliviada quando recebeu uma mensagem de Jorge informando que não viria por estar ocupado.
Apesar de tentar se ocupar com os estudos era difícil não pensar no Allan. A tarde que passaram juntos parecia ter sido há uma eternidade, e seu coração ansiava por vê-lo novamente. A noite chegou e ela foi a cama pensando em como fazer pra contacta-lo.
Foi a faculdade no dia seguinte e Allan a esperava a saída da faculdade. Sorrindo ela aproximou-se dele.
“ Oi” Patrícia falou ao chegar.
“ Oi” Allan respondeu com outro sorriso.
Seguiu-se uma breve pausa e ambos olhavam-se sem dizer uma única palavra. Como se seus olhos estivessem a dizer tudo que precisava ser dito.
“ Eu sei que não devia ter vindo. Mas não consigo tirar-te da mi…”
Patrícia aproximou-se e o beijou cortando seu discurso. Allan não se fez de rogado e a envolveu em seus braços , aprofundando o beijo. Quando finalmente afastaram-se, estavam ambos sem folego , mas a felicidade de ambos estava estampada nos seus rostos sob forma de sorrisos que iam de orelha a orelha
“ Confesso que não estava a espera.” Allan falou lutando pra controlar sua respiração5.
“ Não sei o que me deu..” Patrícia falou embaraçada desviando seu olhar para o chão.
Allan colocou uma mão no seu queixo e levantou sua cabeça , obrigando-a a encara-lo.
“ Adorei. Só pensei que fosses zangar-me por procurar-te aqui. A última vez quase me arrancaste a cabeça.” Allan falou esboçando um sorriso.
Patrícia riu-se , lembrando a forma como o tratou no primeiro dia que ele a esperou a porta da faculdade.
“ Isto é uma loucura, sem contar que é perigoso.” Ela falou respirando fundo.
“ Eu sei. Mas não te impediu de beijar-me no meio da rua.” Allan falou com uma pitada de gozação em seu tom de voz.
Patrícia estava mais do que envergonhada com seu comportamento. Não era típico dela ser tão espontânea. Depois que Jorge a levou pra ser sua amante , todos seus movimentos são
monitorados, suas palavras controladas que não há espaço para espontaneidade.
Allan abriu a porta pra ela entrar e ela abanou a cabeça recusando.
“ Não posso.” Ela falou de seguida.
“ Porquê?”
Ela hesitou por um instante, pensando se devia ou não contar a verdade pra ele.
“ Jorge virá cedo hoje e ele fica zangado quando não me encontra no apartamento.”
Allan fechou a porta , sabendo que não haveria argumentos para faze-la mudar de ideias.
“ Porquê estas com um homem como o Jorge?” Allan perguntou frustrado.
Patrícia sabia que este dia chegaria, em que Allan iria querer saber mais. Ela ainda não estava preparada pra responder e sabia que isso podia lhe custar caro.
“ Patrícia?” ele insistiu vendo que ela continuava em silencio.
“ É complicado.” Foi a única coisa que ela conseguiu dizer.
“ Mereces melhor…devias querer melhor…” Allan falou irritado.
“ Preciso ir”
“ E quando poderei ver-te novamente?” Allan perguntou segurando suas mãos.
“ Amanhã, a mesma hora. “ Patrícia respondeu esbofando um sorriso.
“ ok”
Ela deu um beijo no rosto do Allan e começou a caminhar até ao lugar onde haviam vários táxis parados. Allan a seguiu com o olhar até ver o táxi onde Patrícia estava, desaparecer pela rua.