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AMOR OU LOUCURA, TANTO FAZ!! Por Lilly Maxwell

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Academic year: 2022

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AMOR OU LOUCURA, TANTO FAZ!! Por Lilly Maxwell

SINOPSE

Pâmela era diferente das mulheres da sua idade. Focada na sua carreira , não tinha tempo a perder com paixões ou relacionamentos. No seu ponto de vista , os homens eram distrações que não se podia dar ao luxo. E sem contar que muitos deles sentiam seu ego ameaçado com a forma como ela conduzia sua carreira.

Aos 32 anos, ela ja tinha feito paz com o futuro que tinha escolhido e a sua paixão pelo marketing era suficiente para preencher a sua vida. Claro que não tinha feito um voto de castidade, mas não ficava com nenhum homem tempo suficiente para se apegar.

No seu meio a apelidavam de viúva negra , como a aranha venenosa que come o parceiro depois do acasalamento.

Ela aceitou o nome de bom grado e estava pouco se lixando pro resto do mundo.

Allan era o típico mulherengo e mimado. Apesar de ter estudado nas melhores escolas e ter um alto nível académico não se via a trabalhar . Era herdeiro de um negocio próspero que seu pai ergueu do zero. Ser rico e bonito dava-lhe acesso a quase tudo. E mulheres e festas era só o que lhe

interessava.

Seu tempo era dividido em festas e as horas que passava no escritório apenas para agradar os olhos do homem que pagava suas contas. Mas todo o seu trabalho era feito pelo seu talentoso assistente enquanto Allan ficava horas sentado a jogar o seu playstation.

Mas o que seria da vida sem grandes surpresas e truques do destino?

Quando os seus caminhos se cruzam , a vida da uma volta de 360 graus colocando ambos em terreno desconhecido.

Juntem-se a mim em mais uma aventura cheia de beijos, romance e claro um final feliz.

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AMOR OU LOUCURA, TANTO FAZ!! – CAPÍTULO 1

PÂMELA

As vozes histéricas e agudas começavam a dar comigo em doida. Mais um grito e era capaz de matar uma das damas de honra com minhas próprias mãos.

“ Pam!! Posso tratar-te por Pam ?” gritava a noiva do outro lado do provador.

“ Claro” respondi esboçando um sorriso forçado

“ Chegou a tua vez. Va la quero ver como o vestido fica em ti.”

Contei até três e levantei caminhando até ao lado reservado para trocar e colocar o vestido de noiva que havia escolhido.

Deves estar a perguntar se é um casamento em grupo. Deixa recuar um pouco e ajudar-te a entender o que se passa.

O meu melhor amigo vai se casar. Liam e Sabrina são perfeitos um para o outro, e apesar de eu não ser fã de relacionamentos não posso negar que ver estes dois juntos causa uma certa inveja. Enfim, Sabrina decidiu que eu deveria ser uma das damas de honra e Liam implorou-me pra que aceitasse.

O que eu não faço por ele?

E aqui estou, num grupo de mulheres histéricas e demasiado alegres pro meu gosto, numa loja de vestidos de noiva.

Sabrina pediu cada uma das damas para escolher um vestido de noiva e experimentar. Era só uma brincadeira inocente. E porque Sabrina era podre de rica, tinham nos colocado numa sala privada, com direito a espumante e chocolates. Resumindo, todos funcionários estavam ao nosso dispor, bem como todos os vestidos.

Rapidamente, me livrei das minhas roupas e levei o vestido que estava pendurado na porta e vesti.

Nem me dei ao trabalho de olhar, sai do espaço confinado para que as outras pudessem ver-me.

“ Uau...Pam...estás...meu Deus.” Os olhos de Sabrina brilhavam enquanto falava.

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Então virei-me para o enorme espelho que havia na sala. Dizer que ver-me vestida de noiva deixou- me sem palavras seria pouco. Fiquei por alguns instantes perdida na minha imagem reflectida no espelho quando a voz de Sabrina , que agora estava do meu lado, me trouxe de volta.

“ Eu compraria o vestido e guardaria para quando chegar o teu dia. É perfeito.”

Olhei pra ela e esbocei um sorriso mas não respondi ao seu comentário. Voltei ao provador e tirei o vestido.

Saímos da loja muitas horas mais tarde, depois da noiva escolher o vestido e todas nós

concordarmos no modelo dos vestidos das damas de honra. Com o assunto do que vestir para o casamento tratado , fui ao escritório fazer o que me faz feliz.

Logo que entrei em minha sala , meu celular tocou dentro da minha bolsa.

“ Alô” atendi enquanto sentava e ligava o computador.

“ Como correu?” Liam perguntava do outra lado da linha

“ Uma tortura. Estas a dever-me uns cem favores por isto.” Respondi num tom dramático.

Ouvi Liam rir-se do outro lado e não consegui não me juntar a ele.

“ A sério, Liam. Não sei o que se passa com elas sempre aos gritos e saltinhos. Enfim...está feito.

Não vejo a hora do grande dia chegar. Não sei se aguento a gang da noiva por mais tempo.”

Liam provavelmente estava no chão a rebolar-se de tanto rir. Era o que eu imaginava ouvindo suas gargalhadas pelo telefone.

“ Pam, tens que relaxar. Leva esta experiência na boa, vai ser uma boa história para contares aos teus netos.”

“ Sim, sim claro. Acreditas que Sabrina me fez experimentar um vestido de noiva. Me imaginas num vestido de noiva?? “

“ Essa eu queria ter visto. Tiraram fotos?” Liam falou entre risos.

“ Graças a Deus , não. Estas em dívida comigo. Uma enorme dívida amigo.”

“ Obrigado por fazeres isto Pam. És a maior.”

“ Sim, claro. Agora deixa-me trabalhar.” Falei enquanto procurava meu bloco de notas na bolsa

“ Pam, é sábado. A gang da noiva não tinha planos para depois da prova de vestido?”

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“ Sim, iam tomar um chá num restaurante que não me lembro o nome. Se fossem a um bar até pensaria em juntar-me a elas. Chá , dispenso.”

“ Ok. Tens que trabalhar menos. Ha mais coisas pra se fazer na vida miúda. Falamos mais tarde.

Cuida-te.”

“ Ok. Até mais.”

Coloquei o celular de lado e comecei a ler as notas que fiz sobre a campanha publicitária de um cliente. Eu pensava melhor quando o escritório estava vazio.

Sai do escritório depois da meia-noite e parei em um bar onde Liam e um grupo de amigos estavam.

Logo que entrei vi Liam e caminhei até la.

“ Finalmente, pensei que fosses virar a noite a trabalhar.”

“ Não seria a primeira vez.” Falei esboçando um sorriso.

O lugar estava abarrotado então preferi ir directo ao balcão senão esperaria uma eternidade até um garçon aparecer. Fiz meu pedido e em pouco tempo tinha meu copo na mão. Tentava navegar no oceano de corpos para chegar a minha mesa quando alguém esbarra violentamente em mim e metade da bebida do copo vai ao chão.

“ Desculpe...não vi por onde andava..."

Levantei a cabeça com a cara fechada e pronta para soltar os cães em cima dele quando sou desarmada por um sorriso de orelha a orelha e uns olhos grandes cor de chocolate . Mas Logo que reconheci o idiota a minha frente a admiração foi embora. Sem perder tempo o contornei e segui meu caminho. Estava a poucos passos da minha mesa quando senti uma mão segurando meu braço e virei imediatamente.

“ Porquê tanta pressa? Deixe-me pagar outra bebida ao menos para me retratar.” Ele falou enquanto me olhava da cabeça aos pés.

“ Não , obrigada. Se me das licença...” falei olhando pra mão que me segurava.

Ele entendeu o recado e soltou-me.

“ A oferta continua em pé. Procura-me se mudares de ideias.” Falou o idiota com aquele sorriso convencido em seus lábios.

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Não respondi, virei e continuei a caminhar. Cheguei a mesa e Liam levantou-se pra dar-me lugar.

Sentei e dei um gole do meu gin .

“ Nem acredito que falta pouco menos de um mês. “ Liam falou chamando minha atenção.

“ Sim, em poucos dias Sabrina vai mandar mais em ti e vou sentir saudades do meu amigo.” Falei em tom de brincadeira.

“ Não me importo que ela mande em mim, obedeço sem pestanejar. Tu melhor que ninguém sabe o quanto a amo e faria tudo para vê-la feliz.”

“ Miúda sortuda...”

“ Ou eu sou o sortudo. Enfim...em poucos dias farei dela minha mulher. “

Céus deviam ver a cara do homem. Todo bobo porque vai se casar. Liam era uma espécie rara. A maioria dos homens fugia de compromisso como o diabo foge da cruz.

Dois gins e meio depois estava pronta pra ir embora. Liam estava feliz por eu ter conseguido passar por la , então havia feito a minha parte. Senti o ar fresco da madrugada tocar meu rosto logo que coloquei o pé fora do bar que ainda estava muito cheio. Caminhei até onde havia estacionado meu carro quando uma voz me faz virar.

“ Ja de saída?? Tão cedo?”

“ Alguns de nós tem vida para além de bares e festas “ respondi enquanto abria a porta.

Em segundos ele estava do meu lado e segurava a porta me encurralando entre ele e o carro.

“ Como faço para me retratar uma vez que recusaste a minha oferta?”

“ Estas a perder teu tempo comigo. Com certeza deve ter uma miúda dentro daquele bar esperando por uma chance de falar contigo. Eu preciso mesmo ir.” Falei sem fazer contacto visual.

Ele é o último homem com quem me envolveria, mas não sou cega e nem burra pra ignorar o charme e a imagem do homem parado a poucos centímetros de mim.

“ Wow, essa doeu. Posso ao menos saber teu nome?”

“ Natasha” respondi sem pensar. E me arrependi segundos depois quando me lembrei que ele iria descobrir meu verdadeiro nome em breve. Paciência

“ Prazer Natasha, Allan.” Ele respondeu inclinando pra me dar um beijo leve no rosto.

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Devia ter me afastado, pois o leve toque dos seus lábios na minha pele fez meu coração bater mais forte e a temperatura do meu corpo subir. Mas o que se passa comigo?

Ele afastou-se e nossos olhares cruzaram-se . Droga, agora eu estava ali parada a olhar como uma louca sem dizer nada.

“ Algo me diz que nossos caminhos voltarão a cruzar-se. Vemo-nos por ai Natasha.” Ele falou com aquele sorriso estampado em seu rosto que faz qualquer mulher perder o juízo.

Ele afastou-se e entrei no carro imediatamente. Liguei o carro e sai dali sem querer olhar pra saber se ele continuava parado ali a ver-me ir embora.

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AMOR OU LOUCURA, TANTO FAZ!! – CAPÍTULO 2

PÂMELA

Haviam duas coisas que me colocavam com os nervos a flor da pele: a cara dos clientes depois de eu apresentar um trabalho e ser convocada para almoçar com os meus pais.

Sim, convocada, porque não havia espaço para desculpas ou emergências. Era obrigatório se fazer presente.

Queria estar sentada em casa com o meu laptop no colo e a fazer o que adoro, mas estou aqui olhando pro prato ouvindo o sermão da mãe que ja faz parte do ritual de todos os almoços em família.

“ ...como uma mulher pode viver só pra carreira. Teu pai mimou-te demais e deixou-te crescer com essas ideias trocadas. Esta mais do que na hora de casares e teres um homem que coloque um pouco de juízo nessa cabeça”

“ Irene por favor, estamos a mesa. Deixe a miúda terminar a refeição.” Meu pai como sempre o único do meu lado.

“ Isto é culpa tua Artur. Alguém tem que dar um basta nesta loucura. “

Amo minha mãe , mas temos formas de ver a vida diferentes. E desde que completei 25 anos os nossos choques tem aumentado.

Juntas levantamos a mesa após o almoço e depois juntei-me ao meu pai no sofá da sala, feliz por ter uns minutos longe da minha mãe.

“ Uff...hoje parece que ela esta pior. Não parou de falar nem um instante” falei afundando no sofá.

“ Tu sabes como ela é, rainha do drama. Mas ela só quer o teu bem.”

“ Eu sou feliz do meu jeito. Isso devia lhe bastar.”

“ Pâmela...”

“ Não pai, nem todas mulheres sonham casar, ter filhos. Eu so peço que respeitem minhas escolhas.”

Meu pai respirou fundo e abanou a cabeça.

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“ E iremos respeitar, quando essas escolhas tiverem pés e cabeça.” Minha mãe falou entrada na sala.

“ Acho que esta na hora de me ir embora” levantei de imediato.

“ Pâmela...” meu pai falou em tom de súplica.

Dei-lhe um beijo no rosto e fui até onde minha mãe estava parada e dei-lhe um beijo também.

Em pouco tempo estava de volta ao meu apartamento. Perdi-me no trabalho por horas e so reparei nisso quando meu celular tocou.

“ Alô”

“ Ola miúda. O que fazes?” quase não se ouvia a voz do Liam do outro lado da linha. Havia ruido de vozes e musica.

“ O que achas? “

“ És um caso perdido. Larga o laptop , estarei ai em cinco minutos. “ Liam falou e desligou a chamada na minha cara.

Há dias que o odeio. Ele tem tendência a ser muito mandão. Talvez por sentir-se como se fosse meu irmão mais velho. Conforme o prometido, cinco minutos depois ele estava na minha porta. So calcei umas sapatilhas e sai com a calça de jeans e a blusa azul marinho que trazia durante o almoço com meus pais.

“ Pra onde me levas?” perguntei entrando no carro.

“ Os pais de Sabrina decidiram dar um chá para juntar as duas famílias e acertar detalhes da cerimónia. Vou precisar de ti pra me salvares das conversas aborrecidas dos primos dela.”

“ O que ganho com isso?” falei esfregando as mãos uma na outra.

“ Minha eterna gratidão” ele falou em tom de gozo.

“ Isso ja tenho. Acho melhor dares meia volta e me devolveres ao meu canto.”

Liam soltou uma gargalhada e não levou a sério a minha exigência.

Em poucos minutos chegamos ao portão da casa dos pais de Sabrina. O portão abriu e deixava ver um corredor entre árvores altas. De carro , levamos quase dois minutos a atravessar as árvores antes de podermos ver a casa.

Nunca ca tinha estado, mas ouvi falar da casa, ou melhor ,palácio onde Sabrina vivia. Sabia que era de uma família com posses, tinha mais dois irmãos mais velhos que trabalhavam com o pai.

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Saímos do carro e entramos na casa . Segui Liam enquanto admirava a imensidão do lugar.

Atravessamos uma porta e entramos num grande salão onde havia uma mesa enorme com cadeiras colocadas dos dois lados. Logo que nos viu entrar Sabrina veio ao nosso encontro.

“ Pam, que bom vê-la. “ Falou enquanto me puxava para um abraço.

“ Igualmente, Sabrina.”

“ Venha, deixe-me apresentar-te a todos.”

Virei pra olhar pra Liam e ele esboçou um sorriso e acenou deixando claro que eu estava por minha conta.

Não deu pra fixar o nome de todos mas acredito que ficou o essencial. Estava a meio de uma das apresentações quando uma voz que me era familiar me fez ficar tensa.

“ Não me apresentas a tua amiga Sabrina?”

Sabrina virou para olha-lo. Eu levei mais tempo a conseguir dar um simples comando ao meu cérebro. Mas consegui virar e encara-lo instantes depois.

“ Pam, este é o meu irmão mais velho Allan. Cuidado com ele, é traiçoeiro e parte corações por diversão. Allan esta é Pâmela, amiga do Liam e agora minha amiga também.”

“ Prazer Pâmela” ele respondeu e estendeu a mão pra mim.

“ Prazer” estendi minha mão e ele a segurou e levou pros seus lábios beijando levemente.

Pra quem via de fora era um gesto inocente. Mas os olhos dele em mim enquanto seus lábios tocavam minha pele foi a coisa mais sensual que ja vi.

Retirei minha mão e esbocei um sorriso forçado. Sabrina olhou pra mim e tive a impressão que ela viu algo em meus olhos pois abriu um sorriso.

“ Pam, este é meu irmão do meio , Adam. Este é de confiança, “ ela falou enquanto piscava o olho.

“ Prazer”

O Adam era igualmente bonito e bem mais simples que Allan. Apertou minha mão e conversamos por algum tempo sobre o meu trabalho e talvez uma possível oportunidade para a minha empresa fazer um trabalho para eles.

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O chá, embora mais de metade estava com um copo de algo com algum teor de álcool, decorria sem sobressaltos. Era mais um pretexto para ter pessoas em casa. As únicas caras familiares pra mim eram os pais de Liam, os noivos e Allan.

Me afastei do grupo para apreciar a sala. Estava concentrada numa pintura pendura na parede quando senti a presença de alguém atras de mim. O aroma do perfume e a reação do meu corpo me diziam exactamente quem era.

“ Posso fazer-te uma visita guiada pela casa se quiseres.” Ele sussurrou inclinando pra se aproximar da minha orelha.

“ Obrigada. Mas não será necessário. Sabrina prometeu fazer isso mais tarde.”

“ Eu serei muito melhor guia que Sabrina. “

“ Não duvido. Mas mesmo assim, dispenso.” Falei e de seguida me afastei.

Ele me seguia em silencio enquanto eu fingia apreciar outros quadros na sala. Fingia sim, porque minha mente estava em branco e so conseguia me concentrar nos passos atrás de mim, o perfume que inundava meus sentidos e meu coração que parecia querer sair pela boca.

Irritada virei-me e o encarei . Ele parou logo que viu-me virar.

“ O que estás a fazer?” perguntei séria.

“ Apenas a tentar conhecer-te melhor Natasha.”

Droga!! Eu sabia que tinha sido uma péssima ideia dar um nome falso.

“ Sabes muito bem que esse não é meu nome.”

“ Sim, Pâmela é muito mais bonito.”

Ja vi que não vou conseguir me livrar dele. Virei e caminhei até onde Sabrina estava. Pedi que me indicasse o caminho pro wc e uma das empregadas levou-me até la. Precisava de ar e de colocar meu juízo no lugar. Seja la o que estiver a acontecer comigo de certeza que é passageiro.

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AMOR OU LOUCURA, TANTO FAZ!! – CAPÍTULO 3

ALLAN

Se me perguntassem se eu mudaria alguma coisa em minha vida eu diria sem pestanejar “ Nada”.

Era perfeita.

Por anos me dediquei a tudo que meus pais decidiram para meu futuro. Terminei a licenciatura como um dos melhores. Não tive tempo pra respirar e fui logo fazer o mestrado. Fiz tantas outras certificações. Quando regressei e colocaram em meus ombros o fardo de dirigir a empresa eu não concordei. Decidi vestir a capa de rebelde e tirar um tempo pra mim, pra viver um pouco. Eu sabia que era uma questão de tempo até as algemas da responsabilidade encontrarem meus pulsos novamente.

Mas por agora, eu sou dono da minha vida. E vivo do meu jeito, com paixão , intensidade e sem limites.

Depois de a ter visto na outra noite , aquela mulher não saía da minha cabeça. Mas a deixei ir pois não gostei do sabor da rejeição. Normalmente elas correm atrás de mim e não o contrário.

Por isso vê-la novamente trouxe de volta todas as sensações daquela noite. E saber que ela era amiga do Senhor Perfeito fez sentido. Provavelmente deve ser igualzinha a ele, e não faz o meu tipo.

Mas me vi a ser atraído pra ela como se um íman me puxasse. Me vi a insistir que ela me olhasse e me desse uma chance de tê-la a sós. E de novo, ela escapou-me entre os dedos.

VI ela afastar-se, altiva e determinada, como uma verdadeira rainha . O nome dela ecoava em minha mente e o aroma do perfume que ficou gravado em minha memória no nosso primeiro encontro era uma droga que começava a viciar-me.

“ Fique longe dela Allan.”

Virei pra encarar o homem atrás de mim. Ele mesmo, o senhor Perfeito.

“ E porquê eu faria isso Liam?” respondi esboçando um sorriso só para o irritar.

“ Tu sabes bem porquê. Continue a brincar Allan , mas longe da minha família.” Ele respondeu com cara de poucos amigos.

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Liam não era uma má pessoa, mas eu detestava aquela postura de bom rapaz, íntegro, responsável que meus pais veneravam. Ele ia casar-se com a minha única irmã, e honestamente eu não me importava desde que ele a fizesse feliz.

Não valia de nada comprar uma briga por uma mulher quando havia milhões no mundo e centenas aos meus pés.

“ Tudo bem. Ja percebi que a Pâmela esta fora dos limites.” Falei piscando um olho pra ele.

Afastei-me do grupo e sai do salão em direção a sala de multimédia. Estava cansado de ouvir as conversas e a formalidade de um “ chá de famílias”. Entrei na sala, totalmente escura e não quis acender as luzes. Conheço de memoria como me movimentar no interior e liguei o grande ecrã na parede e o playstation. Sentei-me numa das poltronas e liguei o jogo que havia deixado a meio quando minha mãe veio tirar-me daqui para receber os convidados.

Estava concentrado no meu jogo quando vi a luz entrar pela porta que se abria. Levantei a cabeça pra ver quem era.

“ Desculpe, ham..perdi-me e não sei como chegar ao salão. “ Pâmela falou embaraçada.

Eu me perderia também se não tivesse vivido nesta casa.

“ Entre e feche a porta.” Falei em tom autoritário e esperei a sua reacção.

“ Como?!!” ela falou surpresa.

“ Tenho certeza que ouviste-me bem da primeira vez. Mas se quiseres posso vir falar-te ao ouvido pra tirar as dúvidas.”

Ela abriu a boca e fechou sem dizer nada. Coloquei o controle do jogo na mesa e levantei-me. Ela me viu aproximar mas não se mexeu. Parei a poucos centímetros dela e a puxei pra mim e fechei a porta atrás dela.

“ Agora que estamos a sós , diga-me Pâmela, porquê foges de mim como se eu fosse uma bomba prestes a explodir?” falei sussurrando próximo a sua orelha.

“ Eu..eu..não...”

“ Vamos tentar novamente.” Falei enquanto a encostava a porta e enterrava meu rosto no seu pescoço beijando levemente. “ O que há de errado comigo que te faz querer estar a milhas de distancia.” Desta vez minha voz saiu rouca e quase cortada.

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Aquele perfume estava a dar cabo da minha sanidade mental e todo controle que eu tinha quando me aproximei dela estava a desaparecer.

O som da sua respiração e os batimentos do seu coração me deram certeza que não era o único afectado pela proximidade dos nossos corpos.

“ Solta-me ...” ela murmurou

“ Não” respondi e levantei a cabeça para olha-la.

“ Allan...” ela falou tão baixo que quase não se ouvia. Mas a forma como ela disse o meu nome atirou o resto do meu controle pela janela. Inclinei e a beijei.

Esperava que ela me travasse, empurrasse mas fui recebido com tanta vontade quanto a minha. Isto era uma péssima ideia, mas não conseguia parar. Arranquei dela todo desejo e paixão e me vi afogar naquela boca e ser devorado por ela sem dó nem piedade.

Do nada ela afastou-se . Abri os olhos e ela me olhava e seu rosto não deixava transparecer emoção nenhuma.

“ Nunca mais te atrevas a tocar-me .” ela falou zangada mas num tom controlado.

Empurrou-me e abriu a porta saindo de seguida. E fiquei ali parado a olhar pra porta a tentar entender se tinha sido uma alucinação ou o beijo tinha mesmo acontecido.

Ja me tinham avisado que ela era implacável, fria e sem coração. Mas aquele beijo foi tudo menos frio, eu estava a um passo de entrar em combustão se ela não tivesse me dado um balde de agua fria interrompendo o beijo.

Ela podia até ser a viúva negra, mas eu não seria o único a morrer no final.

PÂMELA

Meu coração batia a mil por hora enquanto eu me perdia cada vez mais naquele labirinto de portas e corredores. Parei por uns instantes para puxar o ar.

Encostei na parede e fechei os olhos tentando acalmar meu coração. O que se passa comigo? Nunca fui de perder o controle muito menos me deixar levar num momento de fraqueza. Respirei fundo e decidi me concentrar em encontrar o caminho de volta.

Passei por mais duas portas e ouvi vozes. Caminhei seguindo o som e encontrei dois homens conversando.

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“ Me desculpem, perdi-me e não consigo encontrar o caminho de volta para o salão onde estão os convidados.”

“ Eu a acompanho. “ Um deles respondeu.

Ele caminhava a minha frente e eu o seguia calada. Quando chegamos ao salão vi Liam olhar-me com a testa franzida. Agradeci ao homem e caminhei até onde Liam e Sabrina estavam.

“ Não me diga que estavas perdida?” Sabrina falou com um sorriso malandro nos lábios.

Me sentia como uma adolescente que foi apanhada em flagrante fazendo o que não devia.

“ Um pouco, por sorte encontrei alguém que me trouxe de volta.” Respondi calmamente.

Liam continuava a olhar-me de forma suspeita mas permanecia em silencio. Eu não estava a gostar nem um pouco da expressão no seu rosto. Mas decidi ignorar e continuar a conversar com Sabrina.

Algumas horas depois nos despedíamos e estava aliviada por Allan continuar desaparecido.

Depois de atravessarmos os portões Liam olhou-me pelo canto do olho. O silencio estava a deixar- me desconfortável.

“ Fala logo o que te vai na mente porque começas a irritar-me com esses teus olhares.” Falei sem tirar os olhos da estrada.

“ Não sei do que falas.” Ele respondeu de seguida sem olhar pra mim.

“ Mentes muito mal Liam. Fala de uma vez.” Insisti.

Ele soltou um longo suspiro e abrandou a velocidade. Olhou pra mim por um instante antes de falar.

“ Diz-me que não estavas algures pelos cantos da casa com o Allan.”

Ouvi-lo dizer aquelas palavras foi como um soco no estomago. Conseguia sentir a decepção no seu tom de voz. Droga!! O que fui fazer?

“ Liam...eu perdi-me apenas isso. Porque pensas que eu estaria com o Allan?”

“ Porque ele não tirava os olhos de ti desde o momento que colocaste os pés no salão. Não preciso dizer-te que ele não é uma boa ideia.”

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“ Eu sei Liam, eu sei. Tenho foco em outras coisas e ele é uma distração que não preciso neste momento.”

Liam não disse mais nada mas senti seus olhos em mim uma vez e outra.

AMOR OU LOUCURA, TANTO FAZ!! – CAPÍTULO 4

ALLAN

A semana de trabalho iniciou e eu não via a hora de terminar. Era chato ter que levantar cedo para vir dar as caras no escritório. Mas era exigência do meu pai e não abria mão de ter os filhos a trabalhar com ele. Mas no fundo ele sabia que eu passava as horas a jogar.

E estava a meio de um jogo, completamente esticado na poltrona e sem os sapatos quando a porta da minha sala abriu.

“ Vejo que estas muito ocupado.” Adam falou num tom de gozo.

“ Hum hum.” Respondi sem tirar os olhos do ecrã.

Ele puxou uma cadeira e sentou-se do meu lado. Entreguei-lhe outro controle e ele juntou-se a mim no jogo.

“ Lembras da Pâmela?”

“Que Pâmela.” Perguntei fingindo não me lembrar dela.

“ A amiga do Liam.” Adam respondeu de imediato.

“ Ham, sim. Vagamente” menti.

“ Estou a pensar entregar a ela a campanha do Natal. Andei a pesquisar e tive boas referencias da agencia dela. O que achas?”

“ Desde quando precisas da minha aprovação para decidir sobre contratos?”

Adam deixou o controle na mesa de centro a minha frente e levantou-se . Pausei o jogo e olhei pra ele.

“ Porque tive a impressão que havia uma certa tensão entre vocês. Não quero que haja atritos durante o tempo que formos a trabalhar com ela.”

“ Foi impressão. Eu nem sequer lembro da cara dela. Esteja a vontade.” Falei e voltei minha atenção pro jogo.

“ Ok. Nesse caso vou já marcar uma reunião com ela pra começarmos a trabalhar.”

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Eu não respondi e alguns instantes depois ele saia da minha sala. Depois que ele falou o nome dela minha concentração não era mais a mesma. Deliguei o jogo e soltei um longo suspiro.

O que há com essa mulher que não consigo sacudi-la da minha mente?

Levantei da poltrona e fui até minha mesa. Sentei-me e pus-me a ler alguns emails. Até ao meio dia estava entediado e cansado de estar fechado entre paredes.

Fui a um restaurante próximo ao edifício onde funcionava a empresa e sentei-me sozinho. Ainda estava a fazer o meu pedido quando oiço uma voz chamando meu nome.

“ Allan??!!”

Virei-me e dei de caras com uma das amigas de Sabrina.

“ Mariza, que bons olhos a vejam.” Falei esboçando um sorriso.

“ Que sorte a minha encontrar-te aqui. Posso fazer-te companhia?” ela nem esperou eu responder e ja estava sentada na cadeira bem a minha frente.

“ Trabalhas por aqui?” perguntei fazendo conversa.

“ Não. Estava por perto fazendo compras e vi-te entrar aqui. Não ia deixar passar a oportunidade.”

Era só o que me faltava.!!Não me levem a mal, Mariza é linda, dona de um corpo que deixa as mulheres a fazerem olhares malvados e os homens a babarem atras dela. Mas é do tipo de mulher que a conversa só dura cinco minutos. Demasiado fútil e sem noção. Meu erro foi ter deixado uma noite ir longe demais. Em minha defesa, eu estava podre de bêbado e pareceu uma boa ideia no momento, até acordar na manhã seguinte com ela a tentar ocupar demasiado espaço em meu apartamento.

“ Nunca mais ligaste, fazes-me pensar que aquela noite não foi tão boa como me fizeste crer.” Ela aproximou-se falando num tom que suponho que seja a versão dela de uma voz sedutora.

Mal me lembro o que aconteceu naquela noite em meu apartamento, ou como fomos la parar. Mas so disse que tinha sido maravilhoso e ia ligar pra tira-la do meu apartamento. Se arrependimento matasse...

“ Tenho andado ocupado. “ respondi olhando na direção por onde a garçonete desapareceu.

“ Não tão ocupado para estar nas melhores festas.”

“ Sabes como as coisas funcionam por aqui. Precisas dar a cara nesses eventos ou és esquecido. Mas ando ocupado com trabalho. “

(18)

Felizmente a garçonete regressou com o meu pedido e Mariza fez o dela.

“ Mas com o casamento da Sabrina vamos ver-nos mais vezes.” Ela falou esboçando um sorriso

“ Não entendi.”

“ Sou uma das damas de honra. Estarei sempre por perto pra auxiliar Sabrina na organização do casamento. Se quiseres ajuda para escolher a tua roupa é só dizer. Ainda tenho em mente todos os contornos desse corpo.” Ela falou piscando um olho.

No instante seguinte eu tossia desesperado depois da agua ter ido pelo caminho errado. Céus ela nem sequer disfarçava.

“ Obrigada pela oferta. Ja tenho isso tratado.” Respondi quando o ataque de tosse cessou.

“ Que pena. Eu teria adorado fazer isso por ti.”

Quando o pedido de Mariza chegou eu ja havia terminado meu almoço.

“ Infelizmente não vou poder fazer-te companhia. Preciso voltar ao trabalho.” Falei enquanto me colocava em pé. “ Foi bom ver-te Mariza.

“ A ti também Allan. Liga-me, podemos continuar por onde paramos a última vez.” Seus olhos me despiram enquanto ela falava .

Aquela mulher era depravada demais pro meu gosto. Onde eu estava com cabeça??

Caminhei de volta pro escritório e em poucos minutos estava de volta a minha sala. Nelson, meu assistente, entrou atrás de mim com uma pasta cheia de papeis nas mãos.

“ Allan, preciso da sua assinatura nestes documentos. É urgente.” Ele falou colocando a pasta na minha mesa.

“ Ok. Dê-me cinco minutos e ja tos devolvo.”

Ele saiu imediatamente e eu sentei-me para analisar os documentos. Nelson fazia todo o trabalho mas eu não assinava nada sem ler. Posso estar a ter o meu momento rebelde , mas não sou parvo.

Depois de cuidadosamente analisar cada um deles assinei e chamei Nelson para leva-los.

Encostei na cadeira com as mãos na nuca e minha mente viajou para aquele momento que tive com Pâmela na sala de multimédia. Conseguia sentir o aroma do seu perfume so de lembrar dela.

Aquela mulher tinha demasiado fogo contido dentro daquele corpo . E que corpo, que me fazia suar frio durante a noite.

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Eu queria vê-la novamente, queria testar se o que aconteceu foi coisa de momento ou havia mais por baixo daquela fachada fria e controlada que ela mostrava ao mundo..

Peguei no telefone fixo na minha mesa e liguei pro Adam.

“ Alô”

“ Será que podes deixar-me apresentar a campanha pra Pâmela no teu lugar?”

“ Tens certeza” senti um tom de preocupação na sua voz.

“ Absoluta” respondi sem hesitar

“ Claro. Podes tratar tu do assunto.”

“ E Adam, não precisas dizer que serei eu. Deixa ela pensar que tu vais tratar do assunto.”

“ Allan...o que se passa?””

“ É só um pequeno favor que te peço, como teu irmão.” Falei num tom de súplica.

“ Está bem. Não direi nada.”

“ Obrigado. Fico a dever-te essa.”

Desliguei a chamada e meu dia subitamente ficou maravilhoso. Ela vai ter uma grande surpresa quando vier negociar o contrato. E eu farei questão de fazer valer cada minuto.

(20)

AMOR OU LOUCURA, TANTO FAZ!! – CAPÍTULO 5

PÂMELA

Quando sai da cama esta manhã estava ansiosa. A medida que as horas foram passando eu ficava nervosa. Conseguir este contrato era uma questão de orgulho. Pra uma agência pequena como a minha, conseguir um contrato com uma das maiores cadeias de supermercado do pais era quase um milagre. E eu estava a um passo de consegui-lo.

Quando coloquei os pés no edifício onde funcionavam os escritório eu estava uma pilha de nervos. A recepcionista levou-me até uma sala de reuniões no terceiro piso e deixou-me la sozinha. Ainda faltavam cinco minutos para a hora marcada. Aproveitei o tempo para ler as notas que tinha feito para a apresentação da minha empresa e algumas ideias que tinha para a campanha de natal.

A porta abriu atrás de mim e levantei-me pra cumprimentar Adam. Mas quem entrava era Allan e esboçava aquele sorriso que me deixava com as pernas bambas.

“ Natasha, que bom vê-la novamente.” Ele falou em tom de gozo.

“ Bom dia Allan. Como tens passado?” falei enquanto estendia minha mão pra ele.

Ele segurou e levou aos seus lábios, provocando calafrios em meu corpo.

“ Acho que podemos começar.” Ele falou sentando-se na cadeira ao meu lado.

“ Ham..pensei que a reunião fosse com Adam.” Falei confusa.

“ Adam teve que ausentar-se para cumprir com outras obrigações. Mas eu sou tão competente quanto ele para estar aqui “

“ Não é o que se diz por ai.” Murmurei pra mim e me arrependi quando levantei a cabeça e vi que ele havia ouvido minhas palavras.

“ A sério?? E o que se diz por ai?” ele perguntou num tom calmo olhando nos meus olhos.

Droga. Eu devia estar a ser profissional e estou a deixar que Allan afecte meu juízo.

“ Nada...Podemos começar?” falei tentando mudar de assunto.

“ Não , eu quero saber. Ou tens medo de falar o que pensas? Tive a impressão que tu eras uma das poucas pessoas que era directa e falava as coisas sem medo do que os outros fossem pensar.”

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“ Allan...podemos nos concentrar no que viemos aqui fazer ?”

“ Sim, depois de responderes a minha pergunta. Quero saber o que vai nessa cabeça, o que realmente pensas a meu respeito, para achares Adam mais capaz de conduzir esta negociação que eu.”

Respirei fundo e rendi-me. Ele é que pediu e eu estava cansada de tentar ser educada e ele a insistir que abrisse a minha grande boca.

“ Todos sabem que tu só estás aqui a fazer figura, que na verdade Adam e teu pai e que tomam as grandes decisões. Diz-se até que teu assistente é que faz o trabalho por ti. Tu só assinas. Portanto, sim eu tenho razão de estar preocupada com esta reunião , porque as pessoas que vão decidir se isto vai a frente não estão aqui para ouvir as minhas ideias.” Eu estava ofegante quando terminei de falar.

Ele havia conseguido me fazer perder o controle, novamente. Droga!!

“ Foi assim tão difícil desabafar?” Ele esboçou um sorriso enquanto falava. “ Agora que sabemos com quem cada um esta a lidar, podemos começar.”

Eu comecei a apresentar a minha empresa e Allan me olhava com atenção. Não interrompeu nem uma vez e uma vez a outra ele abanava a cabeça me fazendo perceber que acompanhava meu discurso.

Quando comecei a falar das ideias que tinha para a campanha de natal ele acrescentou algumas coisas e tomou notas. Era estranho vê-lo tão sério e profissional. Em vez do brincalhão e sedutor que eu estava acostumada.

Quando terminamos eu estava impressionada com as ideias que discutimos e as sugestões que ele deu para melhorar as minhas ideias. Era um lado de Allan que eu não sabia que existia e que acho que muita gente não conhece.

“ Obrigado pelo seu tempo Pâmela. Irei discutir a sua proposta com o Adam e irei retornar em breve.” Ele falou ainda em modo profissional.

“ Obrigada pela oportunidade.” Falei e levantei de seguida começando a arrumar meus papeis na pasta que trazia.

Allan levantou também e tirou os papeis das minhas mãos . Com toda calma segurou-me pela cintura e virou-me para ficarmos frente a frente e a mesa de reuniões atrás de mim.

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“ Agora que a parte séria ficou pra trás há algo que eu preciso testar.” O tom havia mudado e meus sentidos estavam em alerta total.

“ Testar??” perguntei sem conseguir desviar o olhar dos seus lábios que me tentavam.

“ Sim, Pâmela. Eu preciso ter certeza se o que aconteceu entre nós foi real...” ele sussurrou encostando seus lábios aos meus.

Meu coração batia descompassado e eu tentava me manter lúcida . Mas suas mãos deslizavam pela minha saia acariciando minhas pernas por cima do tecido.

“ Allan... “ sussurrei e ele interrompeu-me beijando-me . E como da última vez, naquela sala escura , ele conseguiu derrubar minhas barreiras , me transformando numa adolescente com sede de experimentar o desconhecido.

Mas recuperei minha sanidade mental a tempo de me afastar antes que a porta atras de nós abrisse. Adam entrava na sala e eu me ocupei em colocar os papeis em minha pasta.

“ Boa tarde Pâmela. Tudo bem?” Adam olhou pra mim e depois Allan com olhar suspeito. Ele deve ter percebido que algo se passava.

“ Tudo perfeito. “ respondi e fiquei surpresa pelo tom controlado de minha voz quando no interior eu estava uma desgraça.

“ Então , Allan , fico a espera da sua chamada.” Falei estendendo a mão pra ele e rezando pra que ele apenas me desse um aperto de mão mantendo o profissionalismo.

Ele esboçou um sorriso e apertou minha mão.

“ Foi um prazer, Pâmela. Receberas minha chamada quando menos esperares” ele piscou o olho logo que terminou de falar.

Ignorei as borboletas na minha barriga que dançavam toda vez que aquele sorriso acendia em seu rosto. Virei minha atenção pra Adam que olhava curioso a nossa interação.

“ Obrigada pela oportunidade , Adam. Espero estar a altura do desafio.”

“ De nada. Tenho certeza que será uma boa parceria para ambos. “ Adam falou apertando minha mão.

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Levei minha bolsa e a pasta e sai, deixando os dois irmãos na sala de reuniões. Passei pela recepcionista que acenou sorridente em minha direção me despedindo.

Cheguei ao meu carro e meu celular vibrou na bolsa. Destranquei as portas e entrei. Girei a chave na ignição e só depois procurei o celular na bolsa.

Allan: Estou ansioso por trabalhar contigo Pâmela.

Eu precisava recuperar meu foco se ia trabalhar com Allan. Não posso arriscar anos de trabalho a construir minha reputação e uma imagem sem manchas ou escândalos para perder tudo num piscar de olhos.

Meu celular vibrou em minhas mãos e me arrependi de ter olhado.

Allan: E mais do que ansioso por explorar esse outro lado que só eu tenho o prazer de ver. Quando estivermos a sós eu vou chamar-te Natasha. Minha Natasha.

A temperatura do meu corpo subiu vários graus e tive que ligar o ar condicionado do carro ou era capaz de tirar a roupa .

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AMOR OU LOUCURA, TANTO FAZ!! – CAPÍTULO 6

PÂMELA

Sobrevivi ao primeiro dia tentando conter a ansiedade. Conseguir aquele contrato ia pôr-me a competir com as grandes agencias. Era uma oportunidade sem igual. Mas reconheço que a ideia de trabalhar lado a lado com Allan estava a deixar-me inquieta.

Eu nunca me senti assim , nunca um homem me afectou tanto.

“ Não, não. Eu não vou deixar ele estragar meus planos. Eu preciso arranjar uma forma de mante-lo a distancia.” Murmurei no silencio do meu quarto.

Adormeci com ele na cabeça apesar do esforço que fiz para afasta-lo para o fundo do meu cérebro, la onde as memorias morrem.

A chamada não veio no dia seguinte e quando cheguei a casa estava irritadiça. Decidi descontar a minha raiva queimando calorias enquanto saltava a corda. Fui a cama exausta mas a irritação não me largava.

Cheguei ao escritório pela manhã bem mais cedo que o habitual e fechei-me na minha sala. Apesar de estar ansiosa pelo contracto , os outros clientes mereciam minha dedicação a 100%. E foi o que fiz. Coloquei meus fones nas orelhas e me perdi no meu momento criativo ao som da minha lista de musicas. Não sei em que momento eu levantei e me deixei levar pela musica e dançava de olhos fechados . Abri os olhos quando senti um par de mãos segurando minha cintura.

Aqueles olhos cor de chocolate me olhavam como se conseguissem ver minha alma.

“ Sempre soube que havia mais detrás dessa executiva perfeita. “ ele falou sem tirar seus olhos dos meus.

Afastei-me , e desviei o olhar para sair da hipnose provocada pelo seu intenso olhar.

“ Devias ter batido antes de entrar” falei atrapalhada.

“ Bati, por várias vezes, decidi entrar mesmo assim.”

Com a minha mesa entre nós eu sentia-me mais segura e depressa recuperei meu controle.

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“ Sente-se , por favor” falei indicando a cadeira a frente dele. E ele obedeceu sem protestar.

“ Pensei que fosses ligar” falei enquanto me sentava também.

“ Essa era a ideia inicial mas, porquê ligar se posso dar-te a boa noticia pessoalmente e convidar-te para comemorarmos juntos.”

Ele sabia do efeito que tinha nas mulheres e usa-o sem vergonha nenhuma. Eu precisava ser superior, e jogar melhor que ele.

“Agradeço pelo esforço mas , terei que recusar o convite.”

“ Já reparaste que só me dizes não. Começo a cansar-me desse padrão.”

“ Esqueci-me que não estás habituado a ouvir não das mulheres com quem interages. Lamento, mas continua a ser não.”

Ele riu-se e eu não sabia o que tinha dito que podia ser engraçado. Sem me deixar abalar , continuei a olha-lo.

“ Sabes o que eu acho? Que no fundo queres dizer sim e tens medo de gostar tanto que não consigas largar-me nunca mais.” Ele falou entre risos.

“ Convencido não? E sabes o que eu acho? Que no fundo só estás aqui porque eu disse não e estás a tentar provar a ti mesmo que ainda és irresistível.” Falei esboçando um sorriso.

“ hum...interessante. E como iremos saber qual de nós dois esta certo?” ele perguntou levantando.

“ Não interessa quem está certo. Minha resposta não vai mudar. Pra ti, será sempre não.”

Allan levantou e colocou as mãos nos bolsos das calças. Nos encaramos por alguns instantes até ele quebrar o silencio e a tensão no ar.

“ Veremos...eu consigo ser bastante persuasivo.”

“ Não duvido. Agora se me dás licença preciso trabalhar.”

Ele apenas fez um gesto com a cabeça e saiu da minha sala. Quando a porta fechou eu relaxei na cadeira. Agora que ele estava longe do meu espaço privado conseguia pensar com clareza. Eu havia conseguido o contrato e estava mais que pronta para começar a trabalhar.

Imediatamente enviei um email para pôr a equipe em prontidão para o nosso novo projecto. Tinha que ser algo jamais visto.

Os dias que se seguiram foram dedicados a acertar os detalhes do contrato e assinaturas do mesmo.

Eu estava eufórica quando cheguei ao restaurante onde ia jantar com Liam e Sabrina. Ambos esboçaram um sorriso quando me viram aproximar.

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“ Olá, olá pombinhos.” Falei logo que cheguei a mesa e sentei-me.

“ Alguém está de muito bom humor hoje.” Liam falou olhando-me curioso.

“ Estou nas nuvens. Consegui um grande cliente e era tudo que precisava para fazer sobressair o nome da agencia.”

“ Uau. Parabéns. Brindemos ao sucesso.” Sabrina falou enquanto fazia sinal para um garçon.

Em poucos minutos uma garrafa de espumante e três taças eram colocadas em nossa mesa. Depois de encher as taças brindamos aos noivos e a minha nova conquista.

“ E quem é esse grande cliente?” Liam perguntou

“ A empresa da minha família” Sabrina respondeu mais rápido que eu.

A expressão no rosto de Liam era difícil de ler. Não dava pra saber se ele estava feliz, surpreso ou zangado com a noticia. Mas Sabrina por alguma razão estava tão entusiasmada quanto eu.

“ Liam??” falei tentando arrancar dele alguma reacção.

“ Hamm...não achas que estás a dar um passo maior que a perna?”

Ouvi-lo duvidar das minhas capacidades doeu bastante. Mas não me deixei abater e de cabeça erguida respondi.

“ O que seria da vida sem desafios? E só farei a campanha para o natal.” Falei determinada.

“ Pam...acho que devias pensar melhor no assunto.” Ele insistiu o que só me deixava mais irritada

“ Pensei que fosses ficar feliz por mim."

“ E estou, apenas quero ter certeza que não estás a ir com muita sede ao pote. Eu sempre te apoiei, não pretendo parar agora.”

“ Obrigada” respondi aliviada. “ O único senão é ter que trabalhar com o Allan. Desculpe Sabrina, é teu irmão, mas honestamente , preferia que fosse o Adam.”

Sabrina soltou uma gargalhada e eu esbocei um sorriso me sentindo embaraçada.

“ Entendo perfeitamente. Mas és capaz de te surpreender. Allan é bastante inteligente, ele só está a passar por uma fase.”

“ Crise de meia idade??” perguntei em tom de gozo.

“ Podemos dizer que sim.” Sabrina respondeu entre risos

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O resto da noite foi mais leve, pois falamos sobre o casamento. Sabrina falava animada sobre os planos para o grande dia e Liam a ouvia sem tirar seus olhos dela. Ia jurar que vi um brilho nos olhos dele. Era incrível como depois de tantos anos ele continuava a babar-se todo por ela. Algumas mulheres são mesmo sortudas.

Saímos do restaurante depois das dez da noite e eu só pensava na minha cama. Quando entrei no apartamento comecei a despir-me a partir da porta . Cheguei ao quarto , larguei as roupas no chão e atirei-me pra cama. A euforia já havia desaparecido, havia ficado aquele frio na barriga de

nervosismo . Aquela sensação que antecede um grande momento. Adormeci alguns minutos depois .

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AMOR OU LOUCURA, TANTO FAZ!! – CAPÍTULO 7

ALLAN

Ouvir o que ela pensava a meu respeito não foi agradável. Suas palavras foram um tiro certeiro no meu ego. Não sei porquê me importo com a opinião dela. Mas me vi a dedicar-me ao trabalho pela primeira vez.

Estava a meio de uma pesquisa quando ouvi vozes do outro lado da porta. A porta abriu e meu pai entrava em minha sala seguido pelo Adam.

“ Bom dia Allan.” Ele falou naquele tom que intimidava qualquer um.

Adam estava quieto encostado a porta. Voltei minha atenção ao meu pai que estava parado a minha frente.

“ Bom dia. A que devo a honra da visita?” Falei, mostrando que não me deixei afectar pela forma como eles invadiram a sala.

“ Fiquei a saber agora que decidiste trabalhar na campanha de natal. “

“ O trabalho é todo da agencia, eu apenas irei supervisionar e garantir que a campanha vá de encontro a aquilo que nós pretendemos.” Falei enquanto colocava de lado os papeis que tinha na mão.

“ Não acho boa ideia mas parece que teu irmão tem mais fé em ti.”

Olhei pra Adam que continuava calado ouvindo a conversa.

“ Ao menos uma pessoa no mundo que não me acha incompetente.” Respondi ligeiramente irritado.

“ Estou ansioso para que proves que estou errado.” Meu pai falou e saiu da minha sala.

Adam aproximou-se com as mãos nos bolsos e um sorriso no rosto.

“ Cheguei a pensar que ele fosse devolver a campanha pra ti.” Falei quebrando o silencio.

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“ Ele não faria isso. Mas acho que queria sentir o quanto querias fazer isto. E tenho quase certeza que encontrou a resposta que queria.”

Olhei pra Adam tentando entender o que ele queria dizer com aquilo.

“ Bom, vou deixar-te trabalhar. Ainda precisas convencer Pâmela da tua competência.” Ele falou entre risos e saiu também.

Convencer Pâmela seria um desafio. E eu adoro desafios.

Nos dias que se seguiram mudei a maneira como me comportava com ela. Me mantive profissional e uma vez a outra dizia gracinhas só para aliviar o ambiente tenso do trabalho. Senti ela baixar a guarda e soltar-se mais. Duas semanas a trabalhar lado a lado tinham transformado a maneira como eu a via. Confesso que a respeitava muito mais agora. Era uma excelente profissional e uma mulher apaixonada pelo que fazia. Havia momentos que me perdia a olha-la enquanto ela estava pensativa.

E quando seus olhos se iluminavam por ter tido uma ideia boa , meu coração se enchia de orgulho.

Tínhamos nos tornado uma equipe forte e era incrível como conseguia estar a vontade do lado dela.

“ Passa-se algo?” a voz de Pâmela me tirou do meu momento de reflexão.

“ Nada. Porquê?”

“ Estou a falar sozinha a minutos e tu estas sabe-se la onde.”

“ Desculpe, deve ser do cansaço. Que horas são?”

“ Passam das 10 da noite” ela responde olhando pro ecrã do seu celular.

“ Acho que devíamos parar por hoje “ falei enquanto arrumava os papeis espalhados na mesa de reuniões.

“ Eu queria terminar isto antes de dar por encerrada a noite.” Ela falou sem tirar os olhos do laptop.

Levantei e dei a volta a volta a mesa parando atras dela. Coloquei minhas mãos nos seus ombros e comecei a massagear lentamente. Ela ficou tensa no principio mas lentamente relaxou.

“ Tu trabalhas demasiado.” Falei sem parar de massagear

“ Pareces o Liam. Ele vive reclamando da mesma coisa.”

“ Vocês são muito próximos.” Falei tentando manter a conversa o mais casual possível, mas no fundo estava curioso por entender a natureza da relação dos dois.

“ Crescemos juntos, nossas casas eram próximas e somos amigos desde que me lembro.”

“ Me parece que seja mais do que isso”

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Ela levantou os olhos pra olhar-me.

“ O que queres dizer com isso? Liam é como o irmão mais velho que não tive. As vezes ele é um pouco exagerado e super protector , mas eu não me importo.”

“ Tens certeza que ele te vê como uma irmã?”

Droga. De onde veio essa pergunta? Pâmela levantou-se e começou a arrumar os papeis e o laptop na sua mochila.

“ Como podes insinuar isso? Ele vai casar-se com tua irmã. Não conheço ninguém com um caracter impecável como do Liam. Ele sempre foi correcto e honesto comigo. E ele ama Sabrina.”

Senti mágoa no seu tom de voz e arrependi-me de ter falado o que me ia na cabeça.

Segurei suas mãos obrigando-a a parar o que fazia. Ela virou-se para encarar-me.

“ Me desculpe. Não queria deixar-te nesse estado. Me desculpe.”

“ Tudo bem. Continuamos amanhã. “

Ela retirou sua mão da minha e levou sua bolsa e a mochila que tinha seu laptop e saiu. E fiquei ali parado vendo ela afastar-se. Senti que dei cabo dos progressos que havia feito e agora ela voltaria a colocar a barreira entre nós. Porquê eu tinha de dar voz as minhas inseguranças?

A verdade é que toda a vez que eu a via com Liam algo dentro de mim gritava. Começa a odiar a forma como ela era do lado dele, mais solta, mais alegre. Eu tinha ciúmes dele e custava-me admitir.

O edifício estava vazio e a sala de reuniões era o único lugar iluminado. Peguei meu celular e minhas chaves e desliguei as luzes antes de sair.

Cheguei ao estacionamento e meu celular tocava no bolso. Tirei e o nome do Adam iluminava o ecrã.

“ Alô “

“ wow, que silencio é esse? Estás em casa?” ele falou num tom de gozo

“ Muito engraçado. Estou a sair do escritório.” Falei e ouvi a gargalhada do Adam do outro lado da linha.

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“ Posso saber o que é tão engraçado?”

“ A Pâmela esta a fazer-te transpirar meu irmão. Nunca te vi trabalhar tanto.”

E ela estava . Mas o incrível é que era tão fácil estar ao seu lado e perdermo-nos por horas . Eu gostava da companhia dela , mais do que deveria.

“ Eu fiquei porque quis. Precisávamos terminar algo.” Respondi ignorando os risos que ecoavam pelo celular.

“ Ok. Apenas queria lembrar-te do jantar no sábado.”

“ Não me esqueci. Podes tranquilizar os teus pais . Estarei presente.” Eu sabia que ele me ligava a pedido da minha mãe.

“ Optimo. Até amanhã.”

Entrei no carro e em poucos minutos estava no edifício onde morava. Entrei no meu apartamento e nem me deu ao trabalho de acender as luzes. Caminhei até meu quarto me desfazendo do casaco e da gravata. Entrei no quarto, tirei os sapatos e a camisa e sentei na cama. Peguei no celular e enviei uma mensagem para Pâmela.

Allan: Chegaste bem a casa?

Olhava ansioso para o ecrã esperando a resposta chegar. Depois de dois agonizantes minutos meu celular vibrou na minha mão.

Pâmela: Cheguei, obrigada . E tu?

Respirei de alivio por sentir que ela não havia erguido uma barreira entre nós.

Allan: Também. O que fazes? Eu estou sem sono.

Pâmela: Estou sentada no sofá a terminar o trabalho que não me deixaste acabar.

Allan: Então pra próxima não te deixo levar o laptop pra casa. Talvez assim descansas.

Pâmela: Se estivesse a descansar não estaria a responder as tuas mensagens.

Ela tinha razão. Mas ela devia descansar.

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Allan: Se prometeres largar tudo e ir a cama eu prometo não entrar no carro e vir a tua casa agora.

A resposta levou tempo demais pra chegar e eu estava ansioso por saber o que ela escolheria. Parte de mim desejava que ele fosse teimosa e me obrigasse a ir ao seu encontro. Estou a ser egoísta?

Pâmela: Venceste. Vou a cama. Bons sonhos Allan.

Allan: Boa noite Pâmela. Sonhos felizes.

Deitei-me na cama sentido uma ponta de decepção. Sem fazer qualquer esforço ela inundava meus pensamentos e esgueirava-se silenciosamente invadindo meu coração.

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AMOR OU LOUCURA, TANTO FAZ!! – CAPÍTULO 8

PÂMELA

Com o casamento a aproximar-se havia mais encontros com as damas de honra para fazer a última prova dos vestidos, com o confeiteiro para provar a massa do bolo e hoje teria que vestir a rigor para o jantar em casa dos pais da noiva. Maldita hora que aceitei ser dama de honra.

Liam ofereceu-se para vir buscar-me mas recusei pois queria aproveitar trabalhar até ao último minuto. Quando estava pronta chamei um táxi para levar-me ao jantar. Chegados ao portão um segurança aproximou-se com uma lista de nomes. Depois de encontrar o meu deu ordens para que abrissem o portão e o táxi seguiu ate parar em frente a casa. Logo que o carro parou vi Allan parado a conversar com alguns convidados. Paguei o táxi e sai do carro. Eu havia optado por um vestido preto sem alças que me ajustava até a cintura e abria da cintura pra baixo até ao joelho. Coloquei umas sandálias vermelhas que combinavam com a pequena bolsa que tinha na mão.

" Boa noite Pâmela" Allan falou logo que cheguei a porta.

" Boa noite Allan." Respondi esboçando um sorriso.

Ele segurou minha mão e conduziu-me pelo corredor até ao salão onde estavam os restantes convidados. Entramos e vi Liam e Sabrina rodeados por meia dúzia de pessoas.

Liam franziu a testa logo que me viu e eu sabia porquê. Retirei minha mão da mão do Allan tentando disfarçar abrindo minha bolsa. Felizmente Allan não fez caso e continuamos a caminhar até onde estavam os noivos.

Sabrina abraçou-me feliz por me ver e Liam trocava olhares com Allan.

" Estás linda Pâmela" Sabrina falou sorrindo de orelha a orelha.

" Concordo" Allan falou sem desviar o olhar de Liam.

Se o olhar matasse, Allan estaria morto, pois o jeito que Liam o olhava deixava claro o seu desagrado ao comentário. Sabrina olhou pro seu noivo e franziu a testa. Eu dei uma cotovelada discreta em Liam para chamar-lhe a atenção.

" Ouch" ele murmurou .

" Para com isso. Estas a ser ridículo"

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" Falamos mais tarde Pam." Ele murmurou e voltou sua atenção a outros convidados que chegavam.

Eu afastei-me e fui cumprimentar os pais do Liam .

" Pâmela querida, que bom ver-te." A mãe de Liam puxou-me para um abraço e eu a abracei de volta.

" É igualmente bom ver-te Ivete. Como tens passado?"

" Bem, tirando as dores e queixas próprias da idade."

De seguida o pai de Liam abraçou-me também. Quando me afastei reparei nos pais de Sabrina que estavam de lado. Estendi a mão para cumprimenta-los também.

" Então esta é a famosa Pâmela." A mulher falou esboçando um sorriso.

" Famosa?? Deve estar a confundir-me com alguém." Falei sorrindo.

" Tenho certeza que não. Prazer, eu sou a Stela e este é o meu marido Ricardo."

" Muito prazer." Respondi educadamente.

" Devo admitir que sinto pena do Allan. Deve estar a ser um inferno pra ele submeter-se ao teu ritmo. " desta vez o pai é que falou.

" Creio que sim, mas ele tem se aguentado bem. Confesso que ele tem me surpreendido bastante."

" É bom saber" o pai falou esboçando um sorriso.

Pedi licença e afastei-me deles. Adam acenava em minha direção e fui ao seu encontro. Allan juntou- se a nós instantes depois.

" Espero que Allan não te esteja a dar problemas" Adam falou em tom de gozo.

" Porquê todos acham que vou comportar-me mal. Eu sou um cavalheiro." Allan protestou.

Adam e eu o olhamos e não conseguimos segurar o riso. Allan não se deixou abalar e riu-se também.

Anunciaram que iam servir o jantar e Allan colocou a mão nas minhas costas conduzindo-me até a mesa. Sentei-me entre os dois irmãos e vi Liam olhar-nos do outro lado da mesa. Allan deve ter reparado pois inclinou pra falar ao meu ouvido, num gesto deliberado para provocar Liam.

" Acho que o teu maninho não é muito a favor da nossa amizade." Ele sussurrou sorrindo.

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Meus olhos continuavam atentos em Liam que agora franzia a testa. Hoje ele está pior que nos outros dias. Decidi ignorar Liam e aproveitar a companhia agradável dos dois irmãos da noiva. Allan era mais relaxado enquanto Adam era mais sério mas igualmente simpático. Claro que Allan conseguia roubar mais a minha atenção com seu charme e sedução.

O tempo passou tão rápido que só me dei conta disso quando serviram a sobremesa. Levantamos da mesa e fomos até a varanda que tinha uma vista linda do jardim na parte traseira da casa. Adam pediu e licença e afastou-se me deixando sozinha com Allan. O ar frio me obrigou a colocar os braços a volta do meu tronco. Allan tirou seu casaco e cobriu-me aproximando-se mais de mim. Sentia falta daquela proximidade , pois desde que começamos a trabalhar juntos Allan manteve sempre uma postura profissional impecável.

Ele inclinou e encostou seus lábios no meu pescoço arrancando um gemido de mim.

" Não imaginas como tem sido difícil manter minhas mãos longe de ti. Tinha saudades do teu cheiro." Ele sussurrou em meu pescoço.

Eu não conseguia dizer nada. Estava dominada pela sensação boa do seu calor em meu corpo. Ele continuou a plantar beijos em meu pescoço subindo até encontrar meus lábios.

" Eu sei que queres isto tanto quanto eu, mas eu quero ouvir-te admitir Pâmela."

Preferia morrer a ter que admitir que queria que ele me beijasse louca e intensamente. Que ansiava pelo toque dos seus lábios nos meus todos os dias que ficamos sozinhos até altas horas da noite.

Que ele era figura constante nos meus sonhos. Eu nunca iria admitir pra ele.

" Pâmela." Ele sussurrou esfregando seus lábios nos meus .

" Isto é uma loucura." Murmurei

" Eu sei...mas é tão bom ter companhia na loucura, não achas?"

Ouvimos alguém limpar a garganta e Allan afastou-se devagar . Foi quando vi Liam parado na porta que separava a varanda do salão com o olhar fixo em nós.

" Pâmela, podes dar-me um minuto com o Allan?"

" Liam, não sou mais uma adolescente que precisas proteger dos rapazes. Sou uma adulta e dona das minhas decisões." Falei sabendo o que ele pretendia fazer .

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Liam caminhou até nós e Allan segurou-me pela cintura num gesto possessivo.

" Tire suas mãos de cima dela Allan." Liam falou e notava-se a irritação no seu tom de voz.

" Eu tiro se ela assim o desejar."

Virei pra Allan e meus olhos imploravam pra que se mantivesse calado e não provocasse mais a fera.

Mas Liam não esperou e , num movimento arrancou-me dos braços de Allan , praticamente me arrastando com ele. Atravessamos o salão e felizmente ninguém reparou em nós. Em pouco tempo estávamos no estacionamento ao lado do carro dele

" Entra no carro. Vou levar-te a casa." Ele ordenou destrancando as portas.

" Eu posso apanhar um táxi. Não vai ficar bem o noivo ausentar-se." Falei tentando chamar-lhe a razão .

" Eu vou leva-la a casa" a voz do Allan nos fez virar de imediato.

Ele caminhava sem pressa em nossa direção. O meu plano de chamar Liam a razão acabava de ir por água abaixo. Liam ignorou Allan e abriu a porta empurrando-me pra dentro do carro . O que

aconteceu de seguida foi um caos.

Em segundos Allan estava atrás de Liam e segurava seu braço impedindo-o de fechar a porta. Liam respondeu com o seu punho no rosto de Allan mandando este para o chão. Liam largou a porta e num piscar de olhos estava com as mãos no colarinho da camisa do Allan levantando-o do chão. Saí do carro e tentei separa-los. Mas eu parecia uma formiga numa luta de elefantes e em meio a confusão não sei qual dos dois empurrou-me para longe.

Caída no chão vi Adam , Sabrina e alguns empregados saírem apressados para tentar parar a briga.

" Parem com isso." Sabrina gritava e eu via a cena desenrolar-se sem conseguir mexer-me.

Por fim , conseguiram os separar e senti duas mãos me ajudando a levantar.

" Estás bem?" Adam perguntou enquanto me colocava de pé.

Apenas gesticulei com a cabeça para tranquiliza-lo .

" O que se passou aqui?" ouvi Sabrina gritar.

(37)

Nenhum dos dois abriu a boca. Apenas trocavam olhares de raiva um pelo outro.

" Liam?" ela insistiu olhando para o seu noivo que agora estava todo sujo e desalinhado.

" Eu o quero longe de Pâmela. Ele que arranje outra mulher pra usar." Liam falou zangado.

" Não acredito que esta confusão foi por isso. Consegues perceber o quão ridículo estas a ser?"

" Todos nós sabemos o que ele faz com as mulheres. Mas ele não vai colocar suas garras nela. Não enquanto eu estiver por perto pra impedir."

Sabrina cruzou os braços e virou-se pra Allan que estava do lado oposto com dois homens o segurando. Ela abanou a cabeça e voltou sua atenção para Liam.

" Começo a pensar que por detrás dessa vossa amizade incomum existe algo mais. " Sabrina falou e era evidente a mágoa na sua voz.

" Eu morria de ciúmes de ti Pâmela. Mas quando ele pediu-me em casamento eu decidi lutar contra minhas inseguranças e aceitar-te como uma irmã. " ela falou olhando pra mim e eu queria não estar no centro daquela confusão.

" Sabrina.." Liam começou a falar mas ela cortou-o.

" O que aconteceu aqui foram as ações de um homem com ciúmes. Não me quero casar tendo dúvidas do teus sentimentos. Acho que precisamos de um tempo para avaliar nossa relação." Logo que terminou seu discurso virou-se e começou a caminhar em direção a casa.

" Sabrina.." Liam a chamava mas ela continuou a caminhar em direção a porta sem olhar pra trás.

Liam conseguiu soltar-se dos homens que o seguravam e a seguiu .

Eu estava congelada no lugar vendo o estrago que havia caído sobre meus ombros. Allan conseguiu livrar-se das mãos que o seguravam e estava do meu lado.

" Pâmela, estás bem? Não te magoaste?" ele falava tocando meus braços a procura de ferimentos.

Eu estava com um nó na garganta e lágrimas rolavam pelo meu rosto

" Fica calma, eles vão entender-se." Adam falava atrás de mim. Havia esquecido que ele continuava ali servindo de apoio para me manter em pé.

" Vou levar-te a casa" Allan falou de seguida.

(38)

" Não. Por favor, ja houve demasiados estragos por uma noite. Adam podes chamar um táxi pra mim? "

" Pâmela...deixa-me levar-te." Allan implorou e eu abanei a cabeça reforçando minha decisão.

" Eu levo-te. Quero ter certeza que chegas bem." Adam falou e Allan concordou.

Não protestei. Não tinha mais forças para discutir.

(39)

AMOR OU LOUCURA, TANTO FAZ!! – CAPÍTULO 9

ALLAN

Depois que todos convidados saíram minha mãe me deu um longo sermão . Sabrina recusava-se a falar comigo e Pâmela não atendia minhas chamadas , nem respondias as minhas mensagens. O noivo descontrolou-se em ciúmes pela mulher errada e eu sou o culpado. Não dá para entender essa lógica.

Só cheguei ao meu apartamento depois das duas da manhã e apesar da hora tardia não tinha sono.

Precisava falar com Pâmela . Rebolei na cama por horas a fio, mas o sono não queria nada comigo.

Quando eram seis da manhã rendi-me e sai da cama. Fiz um banho rápido e em poucos minutos estava vestido e pronto pra sair. Eu não ia esperar, se ela insistia em não atender minhas chamadas eu ia obriga-la a ouvir-me de outra forma.

Em poucos minutos estacionava em frente ao edifício onde ela morava . A entrada estava desértica aquela hora com excepção do homem que eu queria crer que era o segurança, mas que dormia na cadeira . Entrei no elevador e carreguei no botão com o numero do andar dela. Quando cheguei a porta estava com dúvidas se tinha sido uma boa ideia. Mas bati na porta mesmo assim.

Não ouvi som algum. Voltei a bater um par de vezes e finalmente a porta abriu.

“ O que fazes aqui Allan?”

A imagem a minha frente era de partir o coração. Ela estava com os olhos vermelhos e inchados, suponho que de tanto chorar. E as olheiras não deixavam dúvidas que tal como eu, ela não havia pregado o olho. Eu dei um passo e a abracei.

Meus olhos foram de encontro a figura que dormia no sofá . Afastei-me dela e olhei novamente pra ter certeza do que via. Ela colocou uma mão no meu peito me impedindo de continuar.

“ O que faz ele aqui?” perguntei irritado.

“ Allan chega. Peço que vás embora.” Ela falou evitando olhar pra mim.

“ Não. Eu vim falar contigo. Se não pode ser aqui então vem comigo.” Insisti.

(40)

Ela virou pra trás por um instante e quando o seu rosto voltou pra mim vi nos seus olhos a mudança de atitude. De frágil e indefesa, ela olhava-me agora fria e distante.

“ Não tornes isto mais difícil do que já é. Liam tem razão, não pensas em mais ninguém senão em ti.

Toda esta confusão pode colocar em risco a felicidade de outras pessoas e tu não queres nem saber.

Deixa-me em paz, vamos manter a nossa relação estritamente profissional e nada mais."

“ Porquê fazes isso? Porquê corres comigo da tua vida quando sei que me queres por perto? Vamos conversar e juntos achar uma solução pra esta confusão.”

“ Não sei o que te deu a ideia de que eu queria estar contigo Allan. Se em algum momento eu levei- te a pensar que sim, peço perdão. Eu não estou interessada em qualquer tipo de relacionamento nem contigo , nem com outro homem. “

“ E Liam?” perguntei sem pensar

“ Tens que parar com isso. Liam e eu somos apenas amigos. É Sabrina que ele ama e agora ambos sofrem e eu queria poder voltar atrás no tempo e nunca ter permitido que chegasse a isto.”

Aproximei-me dela e acariciei seu rosto. Ela não se moveu e ficamos por instantes a olhar um pro outro em silencio. Um nó se formou em minha garganta quando me apercebi que aquele momento tinha o sabor amargo de uma despedida.

Inclinei e a beijei, mas ela permaneceu imóvel, fria e insensível. Afastei-me e a olhei sem querer acreditar no que via. A indiferença dela me magoou e como um tolo quis magoa-la também. Para que sentisse a dor que eu sentia e me consumia inteiro.

“ Tens razão. Eu sempre penso somente em mim. Mas ao menos me permito viver e apreciar a vida.

Enquanto tu morrerás sozinha, enterrada em trabalho assistindo outros serem felizes. Já me tinham avisado, mas pensei que fosse exagero. É isto que fazes, atrais os homens pra tua teia e no auge da relação , quando menos esperam tu arrancas a cabeça e o coração das vítimas. Precisas te tratar Pâmela." falei e o riso disfarçava minha fúria.

Seus olhos estavam arregalados, a surpresa e mágoa agora estampada em seu rosto. Mas meu coração quase parou quando vi as lágrimas que escorriam pelo seu rosto. Dei meia volta e caminhei de volta pro elevador. Estava matar-me olhar pra ela naquele estado. Eu queria magoa-la por ferir meu ego, mas agora só pensava em abraça-la e apagar minhas palavras da sua memória.

PÂMELA

As palavras de Allan ecoavam em minha cabeça e eu continuava parada na porta sem conseguir mexer-me. Pela primeira vez a menção da alcunha que muitos me atribuíam havia conseguido me

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