Acontecimentos do spculo XX, entre eles, o desenvolvimento internacional de poltticas econ{micas e sociais polarizadas, motivou acirrado confronto entre o bloco ocidental, representado pelos Estados Unidos e, o oriental, a Unimo Soviptica. Uma polttica de polarizaomo ideolygica, sobretudo na segunda metade do spculo, pys- segunda guerra mundial sustentou a chamada guerra fria entre esses dois domtnios.
No Brasil, na dpcada de 1960, decorrem dessa bipolarizaomo o Programa Alianoa para o Progresso, com a presenoa da United StatesAgency for InternationalDevelopment (Usaid), atuando em diversasireas, das quais a educacional era a parte mais vistvel.
De acordo com Motta (2010), o objetivo dessa agrncia era injetar recursos financeiros e tpcnicos na Amprica Latina, com a meta de fomentar a modernizaomo, a fim de neutralizar os efeitos da Revoluomo Cubana e o perigo que ela representava de expansmo do comunismo.
Na ytica das teorias da modernizaomo ocidentalizadas, a expansmo da ideologia da revoluomo comunista consistia em spria ameaoa j subversmo da ordem social e polttica. Essa ideologia comunista poderia influenciar os patses que mantinham profunda desigualdade social e econ{mica, instigando a lygica do desenvolvimento econ{mico, da melhoria dos indicadores sociais e da estabilidade polttica em uma sociedade em que as elites perderiam a hegemonia de poder e de domtnio do capital.
Esse pertodo marcado por divis}es em ireas de influrncia do mundo comunista e do nmo comunista foi substitutdo pela multipolarizaomo ņ divismo do poder em megablocos econ{micos. Essa mudanoa significou alterao}es na natureza do poder, que deixou de enfatizar as quest}es polttico-ideolygicas e militares, passando a valorizar os aspectos econ{mico-tecnolygicos na nova ordem mundial. As nao}es puseram-se, entmo, a estabelecer relao}es regidas por novas regras de associaomo das grandes potrncias, por meio da criaomo de ireas de influrncia e de formaomo de blocos econ{micos. Os mercados mundiais foram integrados em um conttnuo processo de 35144
globalizaomo, sob a pgide dos princtpios neoliberais e da adoomo do Estado mtnimo. A internacionalizaomo da economia e do capital levou os patses de um mesmo continente a buscarem uma aomo conjunta, associando-se por meio de relao}es polttico-econ{micas, como, por exemplo, a Unimo Europeia.
Segundo Paula (2007), de modo geral, a nova dinkmica das relao}es econ{micas e financeiras internacionais redefiniram as estratpgias de desenvolvimento, impactando as poltticas e as prioridades desses organismos, que passaram a estabelecer novas condio}es para manter os emprpstimos e refinanciar as dividas da Amprica Latina.
Nos relatyrios sobre o desenvolvimento mundial formulados pelo Banco Internacional para Reconstruomo e Desenvolvimento (BIRD) a partir de 1989, as recomendao}es para a reforma do Estado seguem a lygica do mercado e dmo rnfase ao modelo de gestmo de conotaomo gerencialista. Neste mesmo ano, em uma reunimo ocorrida em Washington, smo definidas as poltticas e prioridades que se consolidariam durante os anos 90. Recomendadas pelo Consenso de Washington e pelos organismos internacionais, as reformas orientadas para o mercado transformaram-se em um parkmetro para o projeto de modernidade capitalista, mediante a reconstruomo e o desenvolvimento econ{mico da Amprica Latina.
No Brasil, nos anos 90, quando Fernando Collor de Mello assumiu a Presidrncia da Rep~blica, a pretensmo da reforma do Estado ji vinha sendo projetada, em funomo das consequrncias das priticas sociais e econ{micas do regime militar e da necessidade de criar um novo espaoo produtivo para inseromo do Brasil no cenirio econ{mico mundial.
A reforma e a gestmo p~blica brasileira foram um desdobramento do ajuste estrutural da economia, que teve intcio com a adesmo do governo Collor js recomendao}es do Consenso de Washington, (BIRD) e Banco Mundial (BID).
Conforme Silva (2007), para compreendermos as estratpgias do projeto neoliberal3 para
a educaomo no Brasil, p importante entender que esse processo faz parte de um movimento internacional mais amplo, como ji mencionado, de ofensiva neoliberal e precisa ser visto como uma luta em torno da distribuiomo de recursos materiais e econ{micos, sobretudo, como uma aomo para criar as pryprias categorias, noo}es e termos por meio dos quais se podem nomear a sociedade e o mundo.
[...] nesta perspectiva, nmo se trata apenas de denunciar as distoro}es e falsidades do pensamento neoliberal, tarefa de uma crttica tradicional da ideologia (ainda vilida e necessiria), mas de identificar e tornar vistvel o processo pelo qual o discurso neoliberal produz e cria uma realidade' que acaba por tornar imposstvel pensar e nominar uma outra realidade' (SILVA, 2007, p. 16).
Segundo este autor, atualmente, presenciamos um processo mediante o qual o discurso neoliberal acaba por fixar as formas de pensar sobre a sociedade e nys pryprios como sujeitos sociais. Ele ainda adverte:
3
O neoliberalismo nasceu no intcio da dpcada de 1940, como arcabouoo teyrico e ideolygico em oposiomo js
[...] p extremamente importante que um projeto alternativo nmo se limite a discutir o conte~do das propostas neoconservadora e neoliberais, mas que se concentre tambpm nas formas pedagygicas pelas quais esse projeto busca conquistar o apoio popular (SILVA, 2007, p. 18).
Assim, de acordo com Afonso (2001, p. 24), algumas perspectivas que sustentam e aprofundam um debate em torno de ratzes histyricas da globalizaomo e das suas dimens}es sociolygicas, ideolygicas, econ{micas, poltticas e culturais nmo deixam de apresentar um amplo consenso.
Com uma intensidade maior ou menor, todos os patses confrontam-se hoje com a emergrncia de novas organizao}es e instkncias de regulaomo supranacional, cuja influrncia se junta a outras organizao}es que ji nmo smo recentes, mas continuam a ser influentes, entre as quais, as que ditam os parkmetros para a reforma do Estado. ³[...] Nmo p apenas a expressmo Estado-regulador que vem acentuar o fato de o Estado ter deixado de ser produtor de bens e servioos para se transformar, sobretudo em regulador do processo de mercado´ (AFONSO, 2001, p. 25).
Visando j modernizaomo da gestmo e o processo de entrada do Brasil no mundo globalizado, o Estado p}e em pritica um conjunto de reformas com base na nova administraomo p~blica que se desenvolve na Inglaterra, Estados Unidos, Nova Zelkndia, Austrilia e em outros patses.
Esse modelo foi trazido para o Brasil por Bresser-Pereira, ministro da Administraomo Federal e da Reforma do Estado Brasileiro (Mare). A nova administraomo p~blica curvou-se j tendrncia mundial. Para isso, uma nova forma de estruturaomo do Estado brasileiro foi implementada por meio das reformas administrativas guiadas por um Plano Diretor da Reforma do Estado, publicado em 1995, no governo de Fernando Henrique Cardoso. Essa reforma passou a ser conhecida como ³Desburocratizaomo do Estado Brasileiro´ e tinha com o objetivo de introduzir uma administraomo p~blica descentralizada e flextvel. Essa administraomo incorporou a concepomo gerencialista e tecnocritica derivada do desdobramento do ajuste estrutural da economia para fortalecer a competitividade. Alpm disso, tinha a finalidade de imprimir maior eficirncia nas organizao}es dos patses divididos em classes sociais em que se conflitam o capital e o trabalho.
Subordinando-se aos indicativos de ordem econ{mica, o Estado introduz o modelo de administraomo que tem no gerencialismo uma das bases de sustentaomo da nova administraomo p~blica, denominado gestmo gerencial. Este modelo enfatiza as priticas empresariais que enfatizam aspectos instrumentais da gestmo eliminando as possibilidades de uma gestmo p~blica democritica.
No Plano Diretor da Reforma do Estado, encontramos as propostas da vertente gerencialista que foram concebidas e implementadas pelo Mare, com sustentaomo em pelo menos trrs pilares centrais: a reforma fiscal, a descentralizaomo e a polttica de privatizaomo do p~blico.
Paula (2007) esclarece que os objetivos da reforma comandada por Bresser Pereira giravam em torno de melhorar as decis}es estratpgicas do governo e da burocracia; garantir a propriedade e o contrato, promovendo um bom funcionamento dos mercados; garantir a autonomia e capacitaomo gerencial do administrador p~blico; assegurar a democracia atravps da prestaomo de servioos p~blicos orientados para o ³cidadmo-cliente´ e controlados pela sociedade.
Entre os modelos que ganharam destaque para modernizar o aparelho estatal, o da administraomo p~blica gerencial p defendido no Mare como a grande satda. Paula (2007) declara que esse modelo se apresentava como o marco naquele momento de inovao}es e, sobretudo, como satda para a crise fiscal do Estado.
Os modelos de administraomo caracterizados pelo Mare smo:
1 de administraomo patrimonialista: o aparelho do Estado funciona como uma extensmo do poder do soberano, e seus auxiliares, servidores, possuem status de nobreza real;
2 de administraomo burocritica: voltada para si pryprio e para o controle interno; seus princtpios smo: a profissionalizaomo, a ideia de carreira, a hierarquia funcional, a impessoalidade, o formalismo e o poder racional legal;
3 De administraomo gerencial: flextvel e eficiente, administraomo profissional, aut{noma e organizada em carreira; voltado para a descentralizaomo administrativa epara o atendimento do cidadmo. A eficirncia da administraomo p~blica visa j disciplina e j parcim{nia no uso dos recursos; transparrncia nos indicadores de desempenho; maior controle dos resultados; rnfase nouso de priticas de gestmo originadas no setor privado.
Para a autora citada anteriormente, a reforma gerencial abarca trrs dimens}es: a institucional, a cultural e a gestmo. Na dimensmo institucional, a reestruturaomo do aparelho de Estado volta-se para atividades exclusivas do Estado, como: a legislaomo, a regulaomo, a fiscalizaomo, o fomento e a formulaomo de poltticas p~blicas inerentes ao domtnio do n~cleo estratpgico do Estado. As atividades nmo exclusivas do Estado smo os servioos sociais (sa~de, educaomo, assistrncia social) e cienttficos, que podermo ser prestados tanto pela iniciativa privada quanto pelas organizao}es sociais integrantes do setor p~blico nmo estatal e atividades de apoio (limpeza, vigilkncia, transporte, servioos tpcnicos, manutenomo, entre outras) submetidas j licitaomo para ser terceirizadas.
Alpm de reorganizar o aparelho de Estado a reforma prevista no Mare deveria transformar a ³cultura burocritica´ do Estado em ³cultura gerencial´. Essas express}es foram cunhadas por Bresser-Pereira, abrangendo a dimensmo cultural (PAULA, 2007).
Na dimensmo da gestmo, os programas e projetos elaborados pelo Mare destacam a participaomo e a qualidade, na perspectiva dos mesmos princtpios dos programas de qualidade total, implantados no setor empresarial. Essa transformaomo caberia aos administradores p~blicos, que deveriam explorar a dimensmo da gestmo, colocando em pritica as novas ideias e procedimentos mais recentes advindos do setor empresarial, entre eles, os programas de qualidade, a reengenharia organizacional, a administraomo participativa.
Vale lembrar as afirmao}es de Cabral Neto (1999) de que ao lado da aomo do Estado para articular novas formas de legitimar a polttica educacional neoliberal, havia uma demanda do movimento dos educadores em prol da democratizaomo nas relao}es hierirquicas de todo o sistema educacional. Nesse contexto, foi inevitivel. o embate polttico em torno das propostas do governo e das formuladas pelo movimento dos profissionais da educaomo, vis}es diferentes dos mecanismos de democratizaomo, que deveriam ser edificados para viabilizar, na pritica, uma gestmo democritica da polttica educacional.
Durante o pertodo do regime militar (1964-1985), o tema a participaomo e democratizaomo da gestmo da educaomo acalorou as discuss}es e debates pedagygicos. O exerctcio da cidadania foi uma tendrncia presente na dpcada de 1980 e a participaomo do cidadmo elemento convergente das poltticas educacionais.
Consoante Paula (2005),
a tradiomo mobilizadora no Brasil data do pertodo colonial alcanoou o seu auge na dpcada de 1960 durante o governo de Jomo Goulart, quando a sociedade se organizou para as reformas no pats e em seguida foi reprimida pelo golpe de 1964. Estas mobilizao}es reemergiram na dpcada de 1970 e reforoaram a proposta de tornar a administraomo p~blica mais permeivel j participaomo popular. Com essa heranoa de mobilizao}es sociais, nos anos de 1980 emergiu a vertente societal de reforma e gestmo do Estado ( PAULA, 2005,p.154).
A autora lembra que, na histyria das reformas brasileiras, as dimens}es econ{mico-financeira e institucional-administrativa sobrepujaram a sociopolttica, o que impossibilitou conciliar a inclusmo socioecon{mica, que abrange direitos constitucionais como trabalho, educaomo e sa~de e a inclusmo sociopolttica, que se refere j participaomo dos cidadmos nas decis}es de natureza p~blica que afetam a vida social. Paula (2007) destaca que esses smo dois aspectos que circundam o exerctcio da cidadania.
Na dpcada de 1980, a proposta de descentralizaomo provocou expectativas positivas para a superaomo de problemas identificados no Estado e nos sistemas poltticos nacionais. Passou-se a supor que, por definiomo, formas descentralizadas de prestaomo de servioos p~blicos seriam mais 39144
democriticas e que, alpm disso, a democracia seria fortalecida e consolidada, superando as priticas e consequrncias do regime militar. Nessa realidade, a descentralizaomo nas reformas do Estado parece reinar em quase absoluto consenso (ARRETCHE, 1997).
Com efeito, os elementos centrais do projeto neoliberal global smo: a tentativa nacional de conquista hegem{nica pela manipulaomo do afeto, do sentimento; a transformaomo do espaoo de discussmo polttica em estratpgias de convencimento publicitirio; a celebraomo da suposta eficirncia e produtividade da iniciativa privada em oposiomo j ineficirncia e ao desperdtcio dos servioos p~blicos; a redefiniomo da cidadania pela qual o agente polttico se transforma em agente econ{mico e o cidadmo em consumidor (SILVA, 1997). e nesse projeto global que se insere a redefiniomo da educaomo com base no mercado.
Desse modo, em uma sociedade hegem{nica de valorizaomo do capital e sob a influrncia da globalizaomo neoliberal, as iniciativas para a reforma do Estado objetivam implantar um modelo de gerenciamento pautado na descentralizaomo, como fator necessirio ao consenso requerido pela modernizaomo da gestmo p~blica.
Como consequrncia do desenvolvimento tecnolygico e da nova ordem globalizada, a educaomo se destaca em torno do seu valor econ{mico, conforme indica Pino:
A educaomo passa a ser central, porque constitutiva, para o novo modelo de desenvolvimento auto-sustentado e para a posiomo dos patses no processo de reinseromo e realinhamento no cenirio mundial. Novos requerimentos smo colocados aos sistemas educativos relativos j qualificaomo e competrncias dispontveis ao mundo do trabalho e j qualidade da educaomo, em todos os ntveis, particularmente na educaomo bisica (PINO, 2008, p.26).
As ao}es para a educaomo subsumidas j economia trm lugar privilegiado pelo seu valor econ{mico como base do novo estilo de desenvolvimento, como garantia de efetivaomo de uma polttica macroecon{mica e de desenvolvimento social coerente, suscettvel de ser reconhecida em kmbito internacional. Por consequrncia, temas relacionados j qualidade da educaomo ganharam centralidade nos debates governamentais. O conceito de qualidade adotado tinha a conotaomo de eficirncia, eficicia e efetividade, tal como os padr}es de avaliaomo de racionalidade empresarial, defendidos pelo modelo econ{mico neoliberal.
Vale recuperar Paro (2007), ao se referir sobre a prevalrncia do conceito de qualidade na concepomo tradicional e conservadora de educaomo. Nestas concepo}es, a educaomo p considerada passtvel de ser medida pela quantidade de informao}es, pelo predomtnio de estattsticas, pela aferiomo dos conte~dos de ensino. A qualidade da escola p associada ao atendimento das leis de mercado.
Com esse entendimento de qualidade, os programas e as reformas da educaomo brasileira foram implantados. No tocantej polttica educacional, a descentralizaomo p apresentada nos planos
governamentais elaborados para a dpcada de 1980.
Para Cabral Neto (1999), a descentralizaomo, afinada com a conjuntura polttica do momento, tinha como eixo a busca de novos modelos de gestmo que propiciassem a participaomo dos atores sociais na concepomo e execuomo de tal polttica.
Gadotti (2002) menciona que, a partir dos anos 1980, o discurso da administraomo e planejamento participativos foi adotado pelo pryprio governo. Para superar o autoritarismo entmo existente na definiomo das poltticas governamentais os articuladores da Nova Rep~blica propuseram um Programa de descentralizaomo e participaomo dos cidadmos na formulaomo e implementaomo das poltticas educacionais.
e necessirio fazer um breve apanhado histyrico acerca de dados do planejamento para a educaomo no pertodo de redemocratizaomo do Estado brasileiro, pys ditadura militar. Ele nos mostra como nos planos educacionais foi adotada a ideologia dos governos estabelecidos.
Conforme Fonseca (2009), em virtude do destaque internacional vincular educaomo com a economia constituiu tema central das reuni}es interamericanas de ministros da educaomo, convocadas pela Organizaomo dos Estados Americanos (OEA) no final da dpcada de 1950. Nas dpcadas posteriores, a recomendaomo para que os patses incorporassem a educaomo aos seus planos econ{micos foi mantida.
Desse modo, nos anos 1970 deu-se intcio a um processo consistente de planejamento consubstanciado nos Planos Nacionais de Desenvolvimento (PND). Foram trrs PND ainda no pertodo do regime militar e um no governo Josp Sarney, quando foi denominado de Plano Nacional de Desenvolvimento da Nova rep~blica (I PND-NR).
O I PND para o pertodo de 1972 a 1974, tinha como objetivos principais: elevar o Brasil, no espaoo de uma geraomo, j categoria de naomo desenvolvida; duplicar, atp o final da dpcada, a renda per capita e fazer a economia crescer entre 8 e 10% atp o final do Plano. Na Educaomo, foram elaborados trrs Planos Setoriais de Educaomo e Cultura (PSECs) para os mesmos pertodos dos PND I, II e III. O I PSEC (1972- 1974), coerente com o I PND, subordina a educaomo j dimensmo econ{mica.
O II PND (1975-1979), elaborado sob o impacto das crises do petryleo e monetiria internacional, tinha como objetivo principal o aumento da mmo de obra, das exportao}es e do mercado interno. O II PSEC (1975-1979) apresentava uma avaliaomo dos avanoos conquistados, os objetivos gerais e espectficos para cada etapa e ntvel de educaomo, estratpgias globais e espectficas e uma programaomo detalhada das ao}es estratpgicas a serem alcanoadas.
O III PND (1980-1985) foi elaborado sob o impacto das³diretas ji´, da abertura polttica e tinha como objetivo stntese a construomo de uma sociedade desenvolvida em beneftcio de todos os brasileiros, no menor prazo posstvel. Esse objetivo seria alcanoado pelo crescimento da renda e 41144
poltticas.
O plano para a educaomo ņ o III PSEC (1980-1985) foi elaborado apys a realizaomo em Brastlia, em julho de 1979, de um seminirio sobre polttica e planejamento da educaomo e cultura, com a participaomo dos secretirios de educaomo e cultura das unidades federadas e da sociedade civil organizada. A ele seguiram-se os encontros nacionais de planejamento realizados em Manaus, Natal, Goiknia, Vitoria e Florianypolis, nos meses de agosto a setembro do ano de 1979, quando foram identificados os desafios.
A organizaomo do III PSECD, elaborado por meio de consultas regionais, ao contrario da forma autoritiria que caracterizava o comportamento do polttico atp entmo, reflete o cenirio polttico do Pats daquele momento.
Sobre o discurso acerca dessa participaomo, Cabral Neto (1999) destaca que
[...] no interior do III PSECD, a participaomo esti fortemente ligada j adoomo da tpcnica de planejamento participativo, como uma satda para ultrapassar o planejamento tecnocritico centralizado, forma dominante de planejamento adotado nos primeiros governos do regime civil-militar. No entanto, uma leitura mais atenta indica que, naquele momento, o que estava sendo proposto era uma alternativa tecnocritica, com uma nova roupagem, para lidar com os problemas educacionais. Como nmo havia, ainda, uma organizaomo mais consistente da sociedade civil, principalmente, de setores ligados j irea educacional, a incorporaomo do discurso da participaomo j agenda do governo decorreu mais de uma concessmo do Estado do que de press}es exercidas pela sociedade (CABRAL NETO, 1999, p. 5).
A participaomo inserida nas poltticas educacionais ficou praticamente restrita j burocracia dos ntveis federal, regional e estadual, j medida que se iniciou uma discussmo entre os tpcnicos dos yrgmos governamentais para elaboraomo de planos e programas da irea. Assim, a descentralizaomo, que respalda as reformas empreendidas pelo governo brasileiro das dpcadas 1980-1990, imp}e-se como alternativa para viabilizar as ao}es do Estado de forma eficiente, eficaz e com qualidade.
No que se refere ao diagnystico da situaomo educacional do Pats apresentado no I PND-NR (1986-1989), os planejadores identificaram que muitos dos entraves educacionais teriam sua origem na excessiva centralizaomo dos recursos p~blicos, na rigidez do processo decisyrio, bem como na ausrncia de participaomo da sociedade na discussmo dos problemas educacionais. De acordo com Silva (2007), as medidas que influenciaram as poltticas educacionais propunham a