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Hist yrico do Progestmo

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CAP ËTULO III A DEMOCRACIA E O PROGEST­O

3.1 Hist yrico do Progestmo

Fazemos uma incursmo histyrica para conhecer o Consed, na tentativa de compreender as origens do Progestmo. De acordo com Maranhmo (2000), o Consed originou-se no MEC, como um entidade permanente de representaomo dos Secretirios de Educaomo. A proposta foi lanoada durante o Encontro Nacional de Dirigentes de Educaomo, Cultura e Desporto, promovido pelo MEC, em Brastlia, em junho de 1981. Neste evento, foi aprovada uma moomo propondo criar um Conselho de Secretirios de Educaomo, subordinado ao Ministprio ³com a finalidade de prestar assessoramento e consultoria ao MEC para formulaomo e fixaomo da polttica do ensino bisico e atuar comoyrgmo catalisador das reivindicao}es regionais´ (MARANH­O, 2000, p. 3).

A iniciativa evoluiu para a constituiomo do Conselho de Secretirios de Educaomo do Brasil (Conseb), porpm, com a transiomo para a redemocratizaomo no Pats e, com a desincompatibilizaomo de diversos secretirios de educaomo para candidatarem-se js eleio}es de 1982, houve um esvaziamento do Conseb, que, por fim, foi desativado.

Frustrada a tentativa de instalaomo do Conseb foi criado o Fyrum Nacional de Secretirios de Educaomo. Esse Fyrum ³surgiu no contexto da transiomo democritica, com o objetivo de ser 75144

articulador dos governos estaduais em defesa dos interesses de melhoria da educaomo p~blica nacional´ (MARANH­O, 2000, p. 3). Naquele momento, segundo o autor citado, o Fyrum assumiu como foco principal a construomo de um sistema educacional compattvel com as aspirao}es democriticas da sociedade brasileira, ao mesmo tempo que passou a reivindicar maior autonomia na definiomo e implementaomo de poltticas de educaomo bisica, pelos governos estaduais.

As posio}es do Fyrum Nacional de Secretirios de Educaomo se confrontavam com as estratpgias poltticas do MEC, gerando tens}es, que duraram atp a dpcada de 1990. Maranhmo (2000, p. 8) descreve o perfil polttico do Fyrum:

O peso polttico assumido pelo Fyrum estabeleceu uma nova correlaomo de foroas no campo das poltticas educacionais, resgatando as Secretarias Estaduais de Educaomo do papel passivo de homologar e implementar as decis}es tomadas em Brastlia. Ao se tornar um novo ator na arena de formulaomo das poltticas educacionais, o Fyrum foi responsivel pela introduomo de novos temas na agenda educacional, como o da democratizaomo da educaomo - vista nmo mais, apenas como expansmo de oportunidades - e o da melhoria da qualidade do ensino.

Nesse contexto, o Fyrum conquistou certa autonomia para elaborar poltticas educacionais, uma vez que Estados e Munictpios emergiram como protagonistas da educaomo, constituindo espaoos qualificados para o debate das poltticas de educaomo, atp entmo definidas de forma centralizada pelo MEC. Em novembro de 1984, o Fyrum produziu um documento, intitulado ³Por uma polttica nacional de educaomo´, ³no qual criticava abertamente as poltticas educacionais dos governos do regime autoritirio e apresentava propostas para compatibilizar o projeto educacional com as aspirao}es democriticas da sociedade´ (MARANH­O, 2000, p. 9).

Consoante Maranhmo (2000), as posio}es do Fyrum nmo foram consideradas pelo governo da Nova Rep~blica (1985), o que levou a entidade a manter uma posiomo de independrncia e a lutar em defesa do princtpio federativo de autonomia das administrao}es estaduais fortalecendo sua independrncia em relaomo aos MEC. Em setembro de 1986, no XIV Fyrum Estadual de Secretirios de Educaomo, em Belpm (PA) ocorreu a criaomo oficial do Consed.

A partir desta data,³as relao}es entre o MEC e o Consed, conflituosas na dpcada de 1980, evolutram para um diilogo permanente e fecundo, iniciando, entmo, uma fase mais produtiva na sua relaomo´ (MARANH­O, 2000, p. 12).

Aguiar (2002), assegura que aquela relaomo conflituosa cede lugar a uma conduta conciliatyria e de parceria, j medida que o Consed se mostra sintonizado com as poltticas desenvolvidas pelo Ministprio da Educaomo e alinhado js orientao}es dos organismos internacionais descaracterizando seu papel polttico.

Na realizaomo da Conferrncia Nacional de Educaomo para Todos, em Brastlia (1994), de acordo com Aguiar (2002), foi firmado o Acordo Nacional de Educaomo para Todos, que consolidou os compromissos p~blicos das trrs esferas de governo, das instituio}es e representantes da sociedade civil com as metas e estratpgias estabelecidas no programa Educaomo para Todos (EPT). Desta feita, o Consed tornou-se um dos principais signatirios do Acordo.

O referido conselho assumiu a incumbrncia de incentivar e apoiar a integraomo Estado e Munictpio, promovendo o regime de colaboraomo em conjunto com a Unimo Nacional dos Dirigentes Municipais de Educaomo (Undime).

Destacamos que, ao assumirem o papel de protagonistas na construomo da polttica de educaomo bisica, o Consed e a Undime promoveram, em 1997, uma reunimo conjunta, da qual se originou uma comissmo nacional com o objetivo de consolidar, em 1998,um Protocolo de Cooperaomo. Esse Protocolo objetivava resguardar o princtpio democritico para assegurar educaomo de qualidade para todos. A cooperaomo entre o Consed e a Undime levou j realizaomo de duas edio}es do Prrmio Nacional de Gestmo Escolar, concedidos em parceria com a Unesco e Fundaomo Roberto Marinho9.

O prrmio consistia na distinomo dos diretores escolares ³bem-sucedidos´, que eram agraciados com o diploma Lideranoa em Gestmo Escolar. Tratava-se de um prrmio em dinheiro concedido pela Fundaomo Roberto Marinho e uma viagem de interckmbio no Brasil e/ou no exterior.

Outra aomo do Consed no campo da gestmo relaciona-se com j criaomo da Rede Nacional de Referrncia em Gestmo Educacional (Renageste), criado em agosto de 1996, destinado j formaomo de profissionais envolvidos em gestmo da educaomo, atuantes nos sistemas p~blicos de ensino, nas suas virias esferas: local (escolar), regional e estadual. O vetculo de comunicaomo do Projeto Renagestep a Revista Gestmo em Rede.

Para implantar o Progestmo, o Consed contou com financiamento proveniente das parcerias com os Estados. Posteriormente, novos parceiros foram incorporados ao processo, entre eles: a Fundaomo Ford10, que passou a arcar com o financiamento das atividades do

Programa no Consed; a Universidad Nacional de Educaciyn a Distancia (Uned)11, encarregada

da cooperaomo tpcnica em EaD e a Fundaomo Roberto Marinho, responsivel pela produomo e desenvolvimento dos vtdeos.

O Progestmo foi concebido com base nos seguintes pressupostos que balizaram seu conte~do e sua metodologia:

[...] paradigma da gestmo focada no sucesso da aprendizagem dos alunos e na melhoria do seu desempenho; gestmo democritica da escola p~blica, privilegiando os processos de participaomo dos virios segmentos da comunidade no Projeto Pedagygico da escola; programa comum, para assegurar um padrmo de qualidade na formaomo dos gestores, e flextvel, para se adequar js necessidades e diversidades das escolas do pats; formaomo continuada, em servioo, articulada j pritica cotidiana dos gestores, tendo por base resultados de pesquisa prpvia realizada junto a escolas p~blicas; formaomo voltada para o desenvolvimento de competrncias profissionais e concebida como elemento impulsionador do aprender a aprender, da auto-capacitaomo, do aprender a fazer

9

A Fundaomo Roberto Marinho p uma instituiomo sem fins lucrativos, que tem na educaomo seu principal foco de atuaomo.

10 A Fundaomo Ford (EUA) p uma organizaomo independente, que objetiva fortalecer valores democriticos, reduzir a pobreza e a injustioa, promover a cooperaomo internacional e avanoar no desenvolvimento humano (FUNDAd­O FORD, 2010).

11 A Universidad Nacional de Educaciyn a Distancia/Uned (Espanha) foi criada na dpcada de 1970 e desenvolve, exclusivamente, educaomo a distkncia. Destina-se a levar a educaomo superior a n~cleos populacionais que nmo disp}em de condio}es para realizar cursos de ntvel superior, garantindo a igualdade de oportunidades do acesso ao ensino superior (Uned, 2010).

coletivo e da formaomo de redes entre gestores e escolas (MACHADO, 2006, p. 26-28).

O objetivo geral do Progestmo p ³[...] formar ltderes escolares comprometidos com a construomo de um projeto de gestmo democritica da escola p~blica, buscando o sucesso escolar dos alunos´(CONSED, 2001)e os objetivos espectficos smo os seguintes:

assegurar padrmo comum e de qualidade na formaomo de gestores das escolas p~blicas de estados e munictpios; Elevar o ntvel de formaomo escolar e do ntvel de desempenho dos alunos; Elevar a qualidade dos servioos escolares e dos resultados das instituio}es (CONSED, 2001).

Esses objetivos reforoam os eixos fundamentais do Progestmo: gestmo democritica e elevaomo da qualidade dos servioos escolares como propostos na LDB (1996).

A declaraomo da coordenadora nacional clarifica a concepomo de democracia e de organizaomo adotadas no Progestmo:

[...] o Progestmo re~ne no conjunto dos mydulos, quest}es bem vinculadas com a nossa recente legislaomo. Tem a ver com a questmo democritica, o papel que a escola assume a partir da LDB, com relaomo ao seu projeto pedagygico, com relaomo a sua autonomia. Entmo, todos esses aspectos smo tratados no Progestmo, alpm de outras quest}es mais instrumentais, ligadas j gestmo dos servidores, do patrim{nio p~blico (MACHADO, 2006, p. 25).

Identificamos que a questmo democritica enfatizada no Progestmo, portanto, esti intimamente atrelada ao regulamentado, bem como aos aspectos instrumentais da gestmo expressos em sua finalidade. O programa, conforme seus objetivos, estabelece como finalidade assegurar um padrmo comum de qualidade na formaomo de gestores das escolas p~blicas de Estados e Munictpios brasileiros, buscando elevar o desempenho desses profissionais e, em consequrncia, a qualidade dos servioos e dos resultados das instituio}es que eles dirigem.

Arnfase no desempenho, na qualidade e nos resultados vmo ao encontro das caratertsticas da administraomo gerencial e das reformas educacionais com orientaomo nos compromissos assumidos pelo Brasil em EPT.

Com base nesses pressupostos, a metodologia, conforme explica Machado (2006), inclui a alternkncia de atividades a distkncia como atividades principais, integrando trrs componentes bisicos: os materiais instrucionais, o sistema de apoio j aprendizagem e o sistema de avaliaomo.

Do material instrucional bisico que di suporte ao estudo dos conte~dos curriculares e j orientaomo das atividades constam os seguintes: 1) Guia Diditico, 2) Guia de Implementaomo, 3) Cadernos de Estudo, 4) Cadernos de Atividades e Fitas de vtdeo.

24 UF 121.440

Total

AL, AM, AP, BA, DF, GO, MA, MG, MT, PA, PE, RJ, RR, SE, SP, TO

26.500 2006

BA, DF, GO, MG, MA, PA, PI, SC, SP, TO 28.898

2005

ES, MG, RR, SE, TO 22.705

2004

AC, CE, ES, PE, PI, RN, RR, RS, TO 22.912

2003

GO, MT, PA, PB, RO, SC, TO 15.247 2002 PA, SC 5.178 2001 UF atendidas N. de gestores Ano

Como articular a gestmo pedagygica da escola com as poltticas p~blicas da educaomo para a melhoria do desempenho escolar?

X*

Como desenvolver a avaliaomo institucional da escola? IX

Como desenvolver a gestmo dos servidores na escola? VIII

Como gerenciar o espaoo ftsico e o patrim{nio da escola? VII

Como gerenciar os recursos financeiros? VI

Como construir e desenvolver os princtpios de convivrncia democritica na escola?

V

Como promover o sucesso da aprendizagem do aluno e sua permanrncia na escola?

IV

Como promover a construomo coletiva do projeto pedagygico da escola? III

Como promover, articular e envolver a aomo das pessoas no processo de gestmo escolar?

II

Como articular a funomo social da escola com as especificidades e as demandas da comunidade?

I

Tttulo

Mydul o

conte~dos curriculares a serem trabalhados e inclui: a) as diretrizes gerais estabelecidas pelo programa; b) as orientao}es teyrico-metodolygicas de como estudar e aprender a distkncia; c) informao}es sobre o processo de avaliaomo da aprendizagem, entre outra.

No Quadro 5 encontram-se os conte~dos previstos nos dez mydulos que comp}em o Programa.

QUADRO 5- Cadernos de Estudos - Tttulos dos Mydulos do Progestmo

Fonte: Machado (2006).

* Inserido no ano de 2006. Fonte (Relatyrio de Gestmo/Consed 2007/2008, p. 23).

Nossa anilise volta-se para os conte~dos dos mydulos, a fim de identificar algumas evidrncias da ideia de democracia veiculada pelo material diditico, mais especificamente, para democracia, gestmo democritica e participaomo. Levamos em consideraomo o papel do gestor, pela rnfase que o programa lhe atribui como instrumento de democratizaomo escolar.

O pessoal capacitado pelo Progestmo, denominados cursistas, resulta o quantitativo nacional de 121.440 gestores escolares, em 24 Estados brasileiros, no pertodo 2001-2006. Esses dados podem ser confirmados no Quadro 6 a seguir.

QUADRO 6 - Gestores Atendidos por Unidade Federada - Progestmo (2001-2006)

Fonte: Consed/2006

1.700 08 Total 150 01 Santarpm 150 01 Marabi 300 01 Castanhal 500 02 Benevides 600 03 Belpm N. de vagas N. de polos Munictpios

O crescimento da demanda pelo programa confere-lhe cariter de referrncia nacional. Pari e Santa Catarina foram os primeiros Estados da Federaomo a aderir ao Progestmo. A implantaomo do programa no Estado do Pari p o assunto do item que se segue.

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