CAP ËTULO III A DEMOCRACIA E O PROGESTO
4.5 A democracia , a gest mo democritica e a participaomo na percepomo dos sujeitos da EEC ap ys o Progestmo
Nos depoimentos constatamos que a gestmo democritica p considerada como sin{nimo de participaomo. Ao expressarem a noomo de democracia na escola, os sujeitos estabeleceram uma relaomo que se reporta quase exclusivamente j participaomo coletiva, que, para Gadotti (2002), significa a constituiomo de estratpgias expltcitas da administraomo (horirio adequado, local confortivel, facilidade de acesso), que deve dotar de todas as condio}es para a comunidade interna e externa participarem.
Das seis professoras respondentes, cinco disseram desconhecer o Progestmo, uma disse que a democracia na escola pode ser resultado do Progestmo. A Vice- Diretora negou que a democracia na escola pode ser resultado do programa. Justificou as resposta alegando que ³[...] nem todos os envolvidos na administraomo tiveram oportunidade de fazer o curso´ (Vice-Diretora A). Para a Secretiria B, o Progestmo contribui para a democracia na escola. Para as Coordenadoras C, D, E, F, o programa nmo exerceu essa influrncia. Dos 12 sujeitos pesquisados, 90% expressam essa opinimo. Apys o Progestmo, a democracia na escola aparece como decorrrncia da participaomo no processo de gestmo, conforme pode ser observado na resposta da Secretiria B, que assim se pronunciou:
O Progestmo foi de grande valia e procuro aplicar os conhecimentos adquiridos no curso [...] positiva. Os diretores estmo mais flextveis e conseguindo que todos se engajem na construomo de um novo espaoo verdadeiramente democritico, onde cada um se sinta responsivel neste processo (Secretiria B, 27/8/2011). A apreciaomo da respondente coincide com o que esti definido no terceiro objetivo do PPE, relacionadojs reformas, particularmente com as mudanoas no modelo de gestmo (CABRAL NETO; RODRIGUES, 2007).
A respondente faz uma avaliaomo positiva do Progestmo e compreende que os conhecimentos transmitidos trm alguma influrncia na aomo dos gestores. Como ji afirmamos, no Progestmo os gestores de escola smo considerados ltderes, tal como p descrito no modelo gerencial, analisado no capttulo trrs.
A Secretiria B considera a democracia vivida na escola como resultado do Progestmo e responde: ³[...]: nem todos os envolvidos na administraomo tiveram a oportunidade de fazer o curso´. Deixa impltcito a importkncia do curso na sua formaomo, e que se mais pessoas tivessem 97144
participado dele estariam mais bem preparadas para agir de modo democritico na escola. A Vice-Diretora A, com certa relutkncia manifestou-se:
[...] nmo p posstvel fazer essa observaomo, [falar da importkncia do Progestmo] pois as pessoas que estmo j frente da gestmo nmo tiveram oportunidade de fazerem o curso, nappoca estavam em sala de aula e o curso era direcionado apenas aos diretores, vice-diretores, orientadores e coordenadores pedagygicos (Vice-Diretora A, 27/8/2011).
Essa Vice-Diretora A hi vinte anos ininterruptos se dedica ao trabalho na EEC. Ela vivenciou a capacitaomo das diretoras desde a primeira ediomo do Progestmo.
A Vice-diretora A capacitou-se na primeira ediomo em 2001 do Progestmo. Decorridos dez anos e, estando j frente da gestmo da escola, p natural, a nosso ver, que tivesse compartilhado os conhecimentos adquiridos com as demais gestoras. Verificamos, entretanto que este compartilhamento nmo ocorreu. Entendemos que defender uma gestmo democritica e a pritica nmo reafirmar a democraciap uma contradiomo, conforme pode ser constatado:
Sabemos que formar o convtvio democritico na escola p muito complexo e ao mesmo tempo se torna desafiador, mas esse curso veio contribuir para refletirmos sobre a nossa pritica pedagygica e repensarmos enquanto profissionais em educaomo. Sabemos que uma democracia envolve toda a comunidade externa e a escolar, onde cada um se sinta responsivel pelo processo em construomo (Vice-diretora A, 27/8/2011).
Paro (2008) assegura que o desconhecimento dos condicionantes materiais, institucionais e ideolygicos presentes na escola e a falta de sua explicitaomo a todos os representantes da comunidade escolar impedem mudanoas em qualquer sentido, ainda mais quando a mudanoa p no modelo de gestmo consolidado como modelo gerencial.
Com o depoimento da Vice-Diretora A constatamos que a reflexmo a respeito da pritica pedagygica ocorre mediante os elementos estabelecidos pelo Progestmo. Verificamos tambpm que embora haja espaoo para a discussmo sobre a participaomo, na maioria das vezes prevalece o que p regulamentado pelo mundo oficial, por meio de exigrncias legais, apresentadas de forma fragmentada. Queremos dizer com isso, que no espaoo da escola os avanoos poderiam ocorrer para alpm do estabelecido.
Apuramos, ainda, que, na percepomo da Coordenadora E, a gestmo democritica nmo se desenvolve na EEC. Temos clareza de que essa afirmaomo pode ser feita, porque esta Coordenadora participou do Progestmo em outro Estado, onde, segundo ela, os pressupostos do programa foram acatados. Assim sendo ela tem um parkmetro para avaliar que na EEC
O Progestmo quase nmo influencia, porque da equipe gestora apenas uma pessoa participou e na pritica pouco se faz daquilo que o Progestmo prop}e. Quase todos os profissionais que fizeram o curso estmo fora da irea de formaomo ou
foram demitidos ou estmo aposentados (Coordenadora E, 29/8/2011).
A Coordenadora E nmo esclarece o ³pouco´ que p feito. Ainda que nmo tenha feito a avaliaomo sobre a democracia na escola apys a realizaomo do Progestmo, traz uma informaomo importante, a de que praticamente quase todos os profissionais que fizeram o curso estmo fora da irea de formaomo ou foram demitidos ou estmo aposentados.
As demais coordenadoras eximiram-se de avaliar o exerctcio democritico na gestmo da EEC apys o Progestmo, pois nmo conhecem o Programa.
Nesse depoimento, chama nossa atenomo o fato de profissionais que cursaram o Progestmo terem sido demitidos. Capacitar profissionais da escola para posteriormente demiti-los, constitui uma aplicaomo irresponsivel dos recursos p~blicos.
Esclarecimentos feitos por Mendonoa (2000) podem oferecer substdios para entendermos os motivos das demiss}es em que:
Essa forma de provimento, que denominei indicaomo, baseia-se na confianoa pessoal e polttica dos padrinhos e nmo na capacidade prypria dos indicados, ficando distante da ordenaomo impessoal que caracteriza a administraomo burocritica. A exoneraomo segue, nesse sentido, a mesma lygica. Na medida em que o beneficiado com o cargo perde a confianoa polttica do padrinho, a exoneraomo p acionada como consequrncia natural, como o despojamento de um privilegio. A indicaomo como mecanismo de escolha do diretor nmo pode, por esses motivos, ser compreendida como democratizadora nem como propiciadora de modernizaomo administrativa e burocratizaomo (MENDONdA, 2000, p. 409). A indicaomo polttica para o cargo de diretor de escola retira a autonomia da escola, as vozes smo silenciadas em face das ameaoas. Alpm disso, os profissionais smo mantidos atrelados aos desmandos de quem fez a indicaomo.
Mendonoa (2000) comenta sobre o fato de a indicaomo de gestores escolares ser feita diretamente pelo governo:
Sendo o cargo de diretor considerado de confianoa do governo, as escolas p~blicas brasileiras tradicionalmente tiveram seu provimento efetivado por nomeaomo do governador ou do prefeito, em geral a partir de indicao}es feitas pelos titulares das Secretarias de Educaomo ou das lideranoas polttico-partidirias das respectivas regi}es. O grau de interferrncia polttica no ambiente escolar que esse procedimento enseja permitiu que o clientelismo polttico tivesse, na escola, um campo fprtil para seu crescimento. Para o polttico profissional, ter o diretor escolar como seu aliado polttico p ter a possibilidade de deter indiretamente o controle de uma instituiomo p~blica que atende parte significativa da populaomo. Para o diretor, gozar da confianoa da lideranoa polttica p ter a possibilidade de usufruir do cargo p~blico. Estabelecem-se, desta maneira, as condio}es de troca de favores que caracterizam o patrimonialismo na ocupaomo do emprego p~blico. (MENDONdA, 2000, p. 408).
A realidade das escolas, explicitada por Mendonoa (2000), em relaomo j troca de favores entre diretores e poltticos, nmo se aplica a direomo da EEC. Elas foram investidas no cargo por eleiomo direta. No entanto, como mencionado anteriormente, o processo eletivo de escolha dos gestores das escolas estaduais do Pari sofreu retrocesso com a Portaria 393/2011. Essa portaria institui uma comissmo de trabalho para rever a gestmo democritica nas escolas. Assim, para o ano de 2011 todos os diretores das escolas estaduais, foram todos indicados ao cargo pelo governo do Estado. Frente a essa realidade de indicaomo de cargos a explicitaomo de Mendonoa (2000) sobre o patrimonialismo na ocupaomo do emprego p~blico encontra uma realidade tambpm nas escolas da rede paraense.
Na percepomo da Secretiria B, a permanrncia de recursos humanos na instituiomo p de responsabilidade da prypria escola:
e um processo em permanente construomo. A escola cumpre importante papel no sentido de assegurar a todos a igualdade de condio}es para a permanrncia bem sucedida na instituiomo escolar, portanto, escola, democracia e gestmo caminham juntas na busca individual e social daquilo que queremos ser (Secretiria B, 16/8/2011).
Pela maneira como esta Secretiria se refere j escola, parece que ela atribui todo o poder de decismo de permanrncia e sucesso dos seus trabalhadores j gestmo escolar. Poder-se-ia entender, com essa resposta, que a escola tem autonomia total, desvinculada das estruturas de decismo do Estado. Entretanto, essa autonomia nmo procede, o que nos leva a deduzir que contratos e demiss}es smo de exclusiva decismo da Seduc.
Embora a Secretiria mencione o significado de democracia como a busca individual e social, a afirmaomo ³daquilo que queremos ser´ deixa vago o sentido de objetivos educacionais no tocantej realizaomo dessa dupla dimensmo.
Elucidao}es feitas por Paro (2007) auxiliam na compreensmo dos objetivos da educaomo bisica na dupla dimensmo, individual e social, que assim explica:
Quando estes (objetivos) nmo estmo suficientemente explicitados e justificados pode acontecer de, em acrpscimo j nmo correspondrncia entre medidas proclamadas e resultados obtidos, estar-se empenhando na realizaomo dos fins errados ou nmo inteiramente de acordo com o que se pretende (PARO, 2007, p. 15).
A democracia no seu sentido mais elevado de mediaomo para a construomo e exerctcio da liberdade social precisa ser claramente apresentada nos objetivos educacionais.
atravps de projetos, planejamento´. Lima (2003, p. 51), considera que ³as regras formais obrigam a um desempenho em conformidade (administraomo centralizada), tendo como bases predominantes de legitimaomo a normatividade, o cumprimento da lei e dos regulamentos, passtvel de controle e de fiscalizaomo´.
Para as coordenadoras, democracia na escola significa,
[...] o envolvimento de todos os segmentos na tomada de decismo (Coordenadora D, 16/8/2011).
[...] o envolvimento e participaomo coletiva de toda a comunidade escolar, respeitados os direitos uns dos outros e a legislaomo educacional bem como cumpridos os deveres de forma consciente e responsivel (Coordenadora E, 16/8/2011).
Nestes depoimentos a ideia de democracia vinculada j participaomo coletiva no processo decisyrio e na legislaomo p bastante expltcita. Coadunam tambpm com esta ideia de democracia, os dizeres das professoras M, L, I.
Ji para a Coordenadora C, democracia na escola significa
[...] que a tomada de decis}es deve ser no coletivo, de forma que a comunidade escolar possa participar, sugerir, propor e decidir no conjunto de interessados pelo processo educativo (Coordenadora C, 16/8/2011).
Nesta manifestaomo da Coordenadora C, identificamos, pela primeira vez o entendimento de democracia como processo educativo. De acordo com Paro (2007) na realidade de nossas escolas p~blicas, a pritica escolar, em geral frustra as perspectivas da emancipaomo intelectual e cultural dos alunos em decorrrncia da prypria estrutura diditica e administrativa da escola. Alude essa estrutura diditica pressupondo que
essa estrutura nmo p neutra com relaomo aos fins educacionais, porquanto suas foroas nmo atuam apenas sobre a eficirncia do ensino, mas tambpm sobre a natureza dos resultados, isto p, dos objetivos efetivamente alcanoados. Sendo mediao}es para o alcance dos fins que se prop}em, tanto a estrutura diditica (currtculos, programas, mptodos e organizaomo horizontal e vertical do ensino) quanto a estrutura administrativa (organizaomo do trabalho e distribuiomo do poder e da autoridade) precisam ser dispostas de modo coerente com esses fins. Essa parece ser uma das maiores fontes de resistrncia j realizaomo de propysitos democriticos numa escola p~blica tradicionalmente estruturada e organizada para atender a objetivos nmo comprometidos com a liberdade e com a formaomo de autrnticos sujeitos histyricos (PARO, 2007, p. 31).
Todo espaoo escolar p educativo, dat que a democracia precisa se fazer presente na sala de aula, nas dependrncias de toda a escola, para se tornar, de fato, mediaomo para a construomo e o exerctcio da liberdade social.
O entendimento das Professoras H e G sobrej perspectiva de existrncia de espaoos, para que a comunidade possa participar do processo educacional. Ao expressar sua noomo as professoras apresentam uma definiomo que inclui dimensmo pedagygica relacionada j democracia. Conforme uma das falas: ³[...] a democracia p um modo de convivrncia humana e os alunos devem encontrar na escola a possibilidade de vivencii-la´ (Professora H). Assim se pronunciando, a Professora H, com mais tempo de servioo na EEC (33 anos), amplia a concepomo de democracia.
De forma geral, observamos que houve uma constante preocupaomo com as determinao}es legais e a inseromo de ideias veiculadas pelo Progestmo.
Para apreender o conceito dos sujeitos da EEC acerca de participaomo foi utilizado um questionirio. Em doze depoimentos, as respostas ao questionirio estavam vinculada j ideia da participaomo como sin{nimo de gestmo democritica, respostas que smo apresentadas ao longo deste capttulo.
No que diz respeitoj participaomo na escola, uma das entrevistadas assim se expressou: Todos estmo procurando transformar o ambiente escolar num local de elevaomo da autoestima, da curiosidade, da cooperaomo, do respeito m~tuo do compromisso, da autonomia e do fazer, ensinar e aprender (Secretiria, 08/8/2011).
A Secretiria da Escola identifica a participaomo como simples resultado, porpm uma Coordenadora uma tem percepomo que contraria a da Secretiria:
Nmo! (Inexiste). Embora, em alguns momentos, haja demonstraomo na pritica coletiva, na maioria das vezes as decis}es smo tomadas por uns poucos (Coordenadora C, 10/8/2011).
Destacamos deste enunciado o seguinte depoimento: ³participaomo de poucos na tomada de decis}es´. Esta resposta nmo nos permitiu distinguir quais smo os momentos de participaomo na escola e quando nmo acontecem, bem como quais smo os poucos que participam na tomada de decis}es.
Outra coordenadora tem a mesma percepomo de sua colega (Coordenadora C) demonstrando-a assim:
Nmo. Algumas vezes acontece quando a comunidade p consultada sobre quest}es de interesse de todos, mas essa consulta se restringe mais j equipe tpcnica e docente. Na maioria das vezes, nem esses smo consultados. Por exemplo, o Conselho Escolar nmo atua como deveria, nmo hi reunimo desse yrgmo, e seus membros nmo smo conhecidos pela comunidade escolar. Ele existe apenas para cumprir uma exigrncia legal (Coordenadora D, 10/8/2011).
Apesar da atual equipe gestora da escola ter sido eleita por meio de³processo democritico´, na maioria das vezes nmo consegue colocar em pritica a gestmo escolar democritica. O Conselho Escolar, que deveria ser um dos mecanismos da gestmo democritica, p totalmente inoperante nesta escola. Os gestores necessitam ampliar sua vismo nas dimens}es Administrativa, Pedagygica e Financeira, mediante cursos de formaomo continuada para desenvolver um trabalho coletivo, que envolva todos os segmentos da escola na melhoria da sua qualidade (Coordenadora E, 10/8/2011).
.
Esta Coordenadora reconhece a importkncia da formaomo para o exerctcio da gestmo e tem conscirncia polttica do papel do conselho escolar. e certo, porpm, que a ³existrncia de yrgmos de decismo colegiada no espaoo escolar nmo asseguram por si sy a democracia´ (GADOTTI, 2002, p. 43).
Esses enunciados permitem corroborar nossa constataomo de que a democracia e participaomo na gestmo da escola, tem entendimento diferenciados pelos sujeitos respondentes. Acreditamos que esses diferentes entendimentos da existrncia de democracia e participaomo na gestmo da escola ocorrem pela natureza polissemia do conceito. Essa discrepkncia na compreensmo da existrncia ou nmo da democracia e participaomo na escola, nos permite depreender que a participaomo substancial, efetiva existe em estado embrionirio na EEC.
A Coordenadora foi enfitica ao afirmar, tambpm, que a equipe gestora da escola nmo consegue estimular a participaomo, apesar de eleita por meio de processo democritico.
Na percepomo das coordenadoras a participaomo na escola p quase nula. E quando existe se restringe j equipe tpcnica e professores. A comunidade escolar como um todo, alunos, servidores e pais nmo participam dos processos de tomada de decismo. A existrncia do conselho escolar e de eleiomo direta nmo confirma a pritica da participaomo na gestmo da EEC. Em consequrncia, a democratizaomo das relao}es interpessoais no interior da escola ainda permanece utypica.
A Coordenadora E reclama por participaomo na escola, o que implica promover cursos de formaomo continuada para os gestores, embora seu entendimento de participaomo relaciona-se j ideia da qualidade voltada para resultados, representados por gestores capacitados, de modo condizente com o propysito do Progestmo.
A eleiomo para diretor escolar e a existrncia do conselho escolar smo aspectos destacados pelo Progestmo como instrumentos do processo de democratizaomo, porpm na perspectiva das coordenadoras C e D, constituem indicativos de melhoria dos processos de gerenciamento na EEC.
Sobre a existrncia de democracia participativa na escola as professoras se manifestaram do seguinte modo: ³a comunidade escolar participa das decis}es´ (Professora L, 29/7/2011); ³a comunidade escolar pode expressar suas opini}es em busca de beneftcios para escola ( Professora G, 29/7/2011); ³ apresentar propostas e cada um emite opinimo que favoreoa a um todo´ 103144
(Professora M, 29/7/2011). A Professora J respondeu afirmativamente sobre a existrncia da democracia na escola.
Houve tambpm respostas menos otimistas. Para a Professora H (29/7/2011), [...] ³a participaomo na escola acontece em parte... nem sempre acontece essa participaomo´, porpm, para a Professora I, a participaomo nmo existe ³porque nmo hi participaomo de toda comunidade escolar nas tomadas de decis}es´.
Perante tais depoimentos deduzimos que a noomo das respondentes acerca de participaomo e da existrncia dessa na escola esti atreladas j produomo e resultados. Os indicadores percebidos smo os que caracterizam uma gestmo gerencial, tipo de gestmo veiculado nos mydulos do Progestmo. Conclutmos tambpm que a participaomo na escola, esta vinculada a prypria compreensmo do sujeito.
Uma informante vinculou participaomo j gestmo democritica na escola, como se observa no depoimento a seguir:
O envolvimento de toda comunidade escolar e externa, valorizando a atividade cultural e fazendo da escola um local de inclusmo, mas isso exige o desenvolvimento de um trabalho coletivo com ao}es bem planejadas e avaliao}es constantes, ou seja, algo em permanente construomo (Vice-Diretora A, 29/7/2011).
Esse depoimento permite inferir que a gestmo democritica seja um processo em permanente construomo. Essa ideia de participaomo na gestmo p compartilhada pelas coordenadoras:
[...] uma forma de gerir uma instituiomo de maneira que possibilite participaomo, transparrncia, democracia e interaomo (Coordenadora C, 10/8/2011).
[...] gestmo democritica deve envolver todos os segmentos da escola na tomada de decismo e na realizaomo das atividades da escola. Sy p gestmo democritica quando hi participaomo dos diferentes atores da escola (Coordenadora D, 10/8/2011).
[...] acontece quando os gestores compartilham decis}es e informao}es coma comunidade escolar, se preocupam coma qualidade da educaomo e [...] com a transparrncia na utilizaomo dos recursos da escola (Coordenadora E, 10/8/2011). [...] uma gestmo democritica precisa do envolvimento de toda comunidade escolar como: famtlia, professores, pessoal de apoio (Coordenadora M, 10/8/2011).
A compreensmo de participaomo circunscrita ao envolvimento na tomada de decis}es, remete-nos a Paro (2008, p. 16), e que ³aceitando-se que a gestmo democritica deve implicar necessariamente a participaomo da comunidade, parece faltar ainda uma maior precismo do conceito de participaomo´. A participaomo nas decis}es ³[...] nmo elimina, obviamente, a participaomo na execuomo; mas tambpm nmo a tem como fim e sim como meio, quando necessirio,
para a participaomo propriamente dita, que p a partilha do poder, a participaomo na tomada de decis}es´ (PARO, 2008, p. 16).
O entendimento da Professora G (29/7/2011) aproxima-se do exposto anteriormente:³[...] a gestmo democritica na escola como a participaomo nas decis}es que afetam a vida e a organizaomo da escola, buscando a melhoria a cada dia, e, permitindo a expressmo de opini}es´.
A ligaomo que as professoras fazem entre gestmo democritica e participaomo possibilita observarmos que prevalece entre elas uma concepomo tpcnica de gestmo consolidada nas tendrncias conservadoras (LIMA, 2003). Reconhecemos nos depoimentos referrncias ao modelo instrumental tanto de participaomo como de gestmo democritica, noo}es disseminadas pelo Progestmo.
O papel do gestor escolar, no contexto de uma gestmo democritica, traduz naturalmente uma intenomo de romper com o cariter conservador da administraomo escolar. Esse rompimento