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A GRANDE FINAL DO MASTERCHEF 2019: A TELINHA E A TELONA

No documento EDITORIAL EXPEDIENTE. Editoras (páginas 40-45)

FROM BIG SCREEN TO SMALL SCREEN: CONSIDERATIONS ABOUT THE RECEPTION THE MASTERCHEF 2019 FINAL ON TWITTER

A GRANDE FINAL DO MASTERCHEF 2019: A TELINHA E A TELONA

Busca-se, nesta análise, entender como é a recepção do público a partir da segunda tela, no caso a rede social Twitter, onde é possível que o espectador dê sua opinião sobre qualquer assunto instantaneamente. Para Canatta (2016), essas mensagens postadas na plataforma relacionadas à televisão, podem determinar a relação do público com a TV. Este processo auxilia na compreensão da opinião do receptor na comunicação. Exatamente o que se

27 Disponível em: <https://www.promoview.com.br/

live-marketing/em-parceria-com-a-oi-masterchef-sera-transmitido-no-twitter-e-na-tv.html> Acesso em 21 de out. 2019

28 Disponível em: <https://www.meioemensagem.

com.br/home/midia/2019/08/23/oi-transmite-final-de-masterchef-no-twitter.html> Acesso em 21 de out. 2019 29 Disponível em: <https://canaltech.com.br/tv/Band- adota-conceito-de-segunda-tela-e-lanca-aplicativo-exclusivo/> Acesso em 21 de out. 2019

30 Disponível em: <https://www.band.uol.com.br/

segundatela/> Acesso em 21 de out. 2019

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Ribeiro e Rios (2016) acreditam que o Twitter foi a primeira rede social a realmente ter sucesso enquanto segunda tela. Cabe apontar que uma recente pesquisa revela que 95% dos brasileiros diz utilizar a internet enquanto usa seus smartphones. Dessa forma, é possível afirmar que na sociedade online existe um novo formato de recepção, em que o espectador não é mais passivo - não na sua forma de receber a informação, mas na sua capacidade de opinião em relação ao fato. Agora, o receptor pode até mesmo aparecer na primeira tela ao expressar sua opinião. O diálogo entre mídia e público se revolucionou através dessa nova estrutura, conforme afirmam Ribeiro e Rios (2016). Isto pode ser percebido nas Figuras 1 e 2, onde os internautas opinam sobre a condução do programa a partir dos comentários postados no Twitter.

pretende com este artigo ao analisar dez tweets que foram postados durante a transmissão da final do programa Masterchef Brasil 2019.

Observando os tweets selecionados é possível destacar como o programa e a segunda tela parecem levar quem está assistindo para dentro da televisão, apesar do reality não ter a participação do público na decisão (por votação) ou do fato que os receptores não tenham nenhum contato com a comida, se não o visual.

Ainda conforme Canatta (2016), o Twitter pode ser visto como um híbrido entre uma ferramenta de informação e uma ferramenta de interação social. No programa Masterchef, a informação não seria jornalística, mas como uma forma a interação do público através da segunda tela. É possível entender esse formato, por exemplo, quando é anunciado o vencedor da disputa primeiramente no Twitter e depois na televisão. Pode-se até inverter os lugares, onde a segunda tela passa ser a televisão.

Figura

1Figura 2

-41

Observa-se a interação do público com a emissora em, inclusive, reclamando do formato da programação. Apesar de continuar assistindo ao programa, sua opinião e até insatisfação estão sendo compartilhadas, apresentando-se como uma audiência ativa. Martín-Barbero (2009) indica seu entendimento quanto ao receptor como participativo. Para ele, receptores são aqueles que adotam um papel ativo e com capacidade de ler/interpretar as mensagens e discursos recebidos. A recepção é afetada e afeta também o papel da mídia, indo além de ser apenas uma produtora ou reprodutora de mensagens.

Nesta linha, Baccega (2001) ressalta que a recepção e a emissão, interagem entre si a partir de referências culturais e emocionais.

Ao analisar os tweets ficam evidentes essas referências, principalmente as emocionais.

O receptor se sente parte da programação, como mostram as Figuras 3, 4 e 5. Vê-se que os internautas fazem observações referentes aos pratos apresentados como se pudessem absorver algo dali, mesmo sem prová-los.

Também é assim a respeito dos participantes, com uma final bastante apelativa, as histórias e o show do último episódio envolvem ainda mais o receptor, que durante toda a trajetória do programa já está completamente envolvido com sua narrativa.

Figura 3

Figura 4

Figura 5

-Esta sequência de figuras evidencia o envolvimento do público com o participante vencedor. Também é possível observar o

quanto é curioso o fato da audiência narrar os acontecimentos como se estivesse presentes no momento, embora tenha ciência de onde

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ganham sua própria conta no Twitter que serve para uma interação entre eles e o público. Conforme destacado por Ribeiro e Rios (2016), ao cita Recuero (2009), a rede social colabora com a televisão, pois os usuários comentam o que assistem em tempo real, utilizando hashtags para marcar assuntos. E de acordo com Proulx e Shepatin (2012 apud MENDONÇA; COCA, 2013), a mídia social começou a ser mais utilizada com o aumento no uso de smartphones e tablets, possibilitando que os usuários consigam estar conectados ao mesmo tempo em que assistem a televisão, fazendo com que isso seja uma parte muito natural e confortável da experiência televisiva.

Os tweets que seguem estão relacionados a cada entrega dos pratos da final da sexta temporada do MasterChef Brasil.

Foram separados momentos em que os telespectadores utilizaram a segunda tela, para opinarem em relação ao trabalho dos participantes. Na final, os participantes tiveram que fazer um menu com entrada, prato principal e sobremesa, com isso foram analisados momentos que a recepção julgou cada prato dos finalistas Lorena e Rodrigo.

Mesmo que não possam provar o que foi servido, a aparência do prato se tornou fundamental para esse julgamento. A visão do prato faz com que as pessoas tenham vontade de comer ou não.

realmente está. Todavia, os receptores falam dos pratos quase como se pudessem prová-los.

Assim, cabe citar Canclini (1993). Ele acredita que a prática do consumo não é feita de forma individual ou apenas movida por gostos, mas que é fruto da cultura e sofre influências externas e até mesmo da lógica de mercado.

Através desse pensamento, pode-se entender a relevância de um programa, como o Masterchef, com sua audiência massificada na primeira e na segunda tela. O receptor participa também para estar incluído na discussão, a partir do assunto número um nos trend topics - assunto mais relevantes na plataforma Twitter.

Por sua vez, Martín Barbero (2009) pondera que é preciso entender quem é o consumidor através da cultura onde está imerso para daí então, compreender de forma precisa o porquê das suas escolhas enquanto receptor, afinal, como aponta Canclini (1993) estas escolhas possuem fatores externos de influência, onde a recepção não é uma massa cega, mas pelo contrário. Essa audiência não é passiva, alienada ou sem reação, visto que os “sujeitos-audiência”

vão definindo, a seu modo, os sentidos dos programas televisivos, ainda que estes sejam contrários aos estabelecidos pelos produtores e emissores.

O MasterChef utiliza o Twitter como uma grande ferramenta de interação com o público.

Desde o início do programa, eles utilizam a

#MasterChefBR. Além disso, os participantes

Figura 6

Figura 7

-43

Na Teoria da Influência Seletiva citada por Silva (2006), as diferenças individuais passam pela individualidade de cada ser. A partir deste momento, nos estudos de recepção, cada receptor começa a ser considerado ativo e não mais um indivíduo que simplesmente aceita a mensagem. Começa a preocupação com os efeitos que as mensagens causam nas pessoas, partindo-se do pressuposto que os efeitos dependem das características individuais de cada um. Dessa maneira, nas Figuras 6, 7 e 8, consegue-se perceber as opiniões diferentes de cada receptor, uns gostando e outros não do que julgam sobre

os pratos dos participantes. Por exemplo, como observado nas Figuras 9 e 10, na avaliação de como ficou a sobremesa do Rodrigo, um telespectador destacou que gostaria muito de comê-la, já o outro salientou que a sobremesa parece um isopor num prato de sopa, mostrando não ter gostado do trabalho do vencedor do MasterChef.

Isso vem ao encontro com o conceito de consumo trazido por Canclini (1993) que é tratado não como uma prática individual, irracional e movido por desejos e gostos, mas como uma ação cultural em que o valor simbólico se sobrepõe aos demais.

Figura 8

-Figura 9 -

Figura 10

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mercadológico, visto que duas das maiores operadoras de celular e internet do país já patrocinaram o programa. Nesta última temporada do Masterchef, inclusive, estendeu sua relação com os consumidores oferecendo conteúdos complementares e provocando um engajamento mais intenso na semana que antecedeu a final, com informações e produtos específicos.

Os pesquisadores, autores deste artigo, depararam-se com algumas dificuldades para a realização do estudo, como a delimitação do material a ser analisado e a escolha dos tweets que representavam momentos específicos do programa. O maior obstáculo, porém, foi encontrar referências da utilização da segunda tela nos estudos de recepção.

Todavia, destaca-se a relevância do tema, visto que a segunda tela se mostrou como um modo objetivo de mensurar/compreender a audiência ativa.

Por fim, essa pesquisa abre caminhos para estudos futuros sobre recepção e segunda tela. Nesse sentido, sugere-se pesquisas que abordem o uso da segunda tela como uma forma de entender a recepção, além de estudos que analisem e considerem a participação ativa da audiência, tendo por base outros produtos televisivos, como as telenovelas e os telejornais, contemplando produtos do entretenimento e do jornalismo.

REFERÊNCIAS

ALMEIDA, Melissa Ribeiro de. Contribuições e limitações dos estudos culturais em pesquisas sobre recepção televisiva em

“segunda tela”. Revista Fronteiras. Unisinos, 2016. Disponível em: http://www.revistas.

unisinos.br/index.php/fronteiras/article/

view/fem.2016.181.08. Acesso em 17. nov. 2019.

ÁVILA, Flávia. Final do MasterChef será transmitida na TV e no Twitter. O Fuxico.

2019. Disponível em: <https://www.ofuxico.

com.br/noticias-sobre-famosos/final-do- masterchef-sera-transmitida-na-tv-e-no-twitter/2019/08/23-356862.html> Acesso em 19 de out. 2019

No documento EDITORIAL EXPEDIENTE. Editoras (páginas 40-45)