FROM BIG SCREEN TO SMALL SCREEN: CONSIDERATIONS ABOUT THE RECEPTION THE MASTERCHEF 2019 FINAL ON TWITTER
ESTUDOS DE RECEPÇÃO
Para compreender a esfera da recepção, cabe lembrar, de forma concisa, algumas teorias e suas perspectivas, para entender o comportamento da audiência e da recepção.
Silva (2006) organiza o compilado, iniciando pela Teoria da Bala Mágica (Teoria Hipodérmica ou Teoria da Agulha Hipodérmica), que surge durante Primeira Guerra Mundial, nos Estados Unidos, com ideia principal de que o receptor é passivo e aceita as mensagens como são enviadas, sem questionamentos. Entende INTRODUÇÃO
A
televisão é um marco dos estudos de recepção. Diversas correntes teóricas surgiram com o objetivo de compreender o comportamento do telespectador durante o momento no qual ele assiste a um programa, sendo ele jornalístico ou de entretenimento.Diferentes autores dedicaram os seus esforços a analisar o impacto e os perfis de público do que era veiculado na TV aberta, principalmente.
Um pouco mais adiante, com o advento da internet, mais recentemente com a popularização dos smartphones e suas facilidades, o modo de consumir o conteúdo televisivo está mudando consideravelmente.
Outrora os canais disputavam espaço com tarefas domésticas, jantares em família, cuidado com os filhos, porém hoje, têm como importante concorrente uma ferramenta capaz de fazer com que a audiência se perca em meio às conexões virtuais ou façam dessas, uma forma de interação real com o que está sendo assistido: a internet e as redes sociais digitais.
Um exemplo foi a final da sexta temporada do programa MasterChef Brasil, atração que reúne chefes de cozinha amadores para uma competição, onde os jurados decidem quem é o melhor, veiculada em 25 de agosto de 2019, na Band TV. Neste e também nos outros episódios, foi perceptível a interação do público através de hashtags (#), ferramenta que indexa os posts com assunto em comum, que aparecem nos Trending Topics, aba que torna público os temas mais discutidos, do Twitter.
O Twitter se tornou uma das principais plataformas que permite a utilização da segunda tela, situação em que o receptor interage em tempo real, com o que está assistindo. Geralmente, a hashtag da busca por essa integração é lançada pelos próprios apresentadores ou aparecem no vídeo durante a veiculação do programa. Neste artigo, em especial, escolheu-se o uso da #MasterChefBR para analisar os tweets de antes, durante e depois da transmissão do último episódio, que elegeu Rodrigo Massoni como melhor chefe do Brasil.
Busca-se analisar a recepção do último episódio do Masterchef 2019, através dos twetts
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que a mensagem é enviada e recebida, assim como uma bala disparada.
Menciona a Teoria da Influência Seletiva, onde o paradigma das diferenças individuais passa pela individualidade de cada ser, ou seja, cada receptor começa a ser considerado ativo, e não mais um indivíduo que simplesmente aceita a mensagem. Começa a preocupação com os efeitos que as mensagens causam nas pessoas, e partindo-se do pressuposto que os efeitos dependem das características individuais de cada um. Assim, destaca a Teoria da Dissonância Cognitiva, onde a dissonância é um estado de aversão e a dissonância cognitiva pode ser considerada uma condição antecedente que leva à atividade orientada para a redução de dissonância.
Silva (2006) também recupera as Teorias Sociológicas de Audiência. Estas se baseiam nos grupos de referência que um indivíduo tem (família, amigos, vizinhos, etc) e na presença do ‘líder de opinião’ presente em uma comunidade. Avalia como estes influenciam a audiência nas suas relações com os meios de comunicação.
Outra corrente de pensamento que recebe atenção da autora é a Teoria dos Usos e Gratificações. Esta linha se preocupa com as motivações que levam uma pessoa a optar por um meio de comunicação. Considera, a possibilidade de o indivíduo escolher não se expor a nenhum meio visto que o receptor é ativo e os meios competem com outras gratificações (viagens, praia, namoro, trabalho, etc.). Os usos que o indivíduo faz dos meios e seus conteúdos e os benefícios que eles acreditam estar adquirindo ao se exporem a eles são os norteadores dessa teoria.
Dá destaque também para as Perspectivas Culturais de Audiência. Lembra que a cultura é um conjunto de crenças e normas que norteiam indivíduos. Salienta o pensamento de Moles, McLuhan e Edgar Morin como sendo os principais estudiosos que se interessaram em perceber como a cultura interfere no ato comunicacional e pondera que os britânicos foram os estudiosos que mais contribuíram com referências para esses
estudos, com os Estudos Culturais. Foi a partir destas perspectivas que os latino-americanos conduziram suas pesquisas até as perspectivas das mediações.
Para compreender a visão latino-americana de comunicação e recepção é preciso conhecer sobre as contribuições de Jesús Martín Barbero, Guillermo Orozco e Nestor García Canclini.
Tais linhas de pensamento são voltadas para a realidade na América Latina, superando a noção de dependência teórica (além dos outros tipos de dependência – econômica e política, por exemplo) dos países desenvolvidos e considerando o contexto de globalização, industrialização tardia e modernização acelerada.
Ao definir o que seja recepção e por consequência, os receptores, Martín-Barbero, em sua obra, apresenta dois enfoques para as pesquisas de recepção na América Latina.
Em uma primeira linha, surge a necessidade de compreender a transformação das várias identidades para entender como se dá o processo de recepção. Julga pertinente, ainda, estudar a recepção e o consumo para entender as identidades. Assim, divide as práticas de recepção entre significativas, que seriam a minoria, e as sem significado. Por sua vez, Canclini explica que o público pode ser entendido como um conjunto de setores que pertencem a diferentes camadas econômicas e educativas, com hábitos de consumo cultural e com infinitas possibilidade de se relacionar com os bens oferecidos, tendo por pano de fundo as sociedades complexas, onde pode-se identificar diversos modos de recepção, fundamentados em bens de tradições cultas, populares e massivas.
Orozco, para apresentar os conceitos de recepção e receptores, cunha o termo televidência para indicar a interação dos telespectadores com a televisão. Ele o considera um conceito complexo de recepção, mas em relação somente à televisão. A televidência, explica ele, é um processo culturalizado, onde os indivíduos pertencem a uma audiência com características próprias, mas que são capazes de se conectarem com outros indivíduos, dando origem a uma comunidade de apropriação,
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junto aos receptores para que estes pudessem melhorar seus processos de recepção, embora reconheça que esse objetivo ainda não foi alcançado.
RECEPÇÃO E TV
Martín-Barbero toma como ponto de partida a recepção enquanto um leitor participativo. Define esta recepção como um espaço de interação e um processo de negociação do sentido. Ou seja, para ele, os receptores são aqueles que adotam um papel ativo e com capacidade de ler/interpretar as mensagens e discursos recebidos. A recepção é afetada e afeta também o papel da mídia, indo além de ser apenas uma produtora ou reprodutora de mensagens.
Nesta linha, cabe citar que a comunicação, segundo Baccega (2001), constitui-se do encontro de dois polos básicos, que estabelecem uma relação: de um lado, a emissão; e de outro, a recepção. Na sua visão, elas interagem entre si a partir de referências culturais e emocionais. Cézar (2016) defende que a forma de significar é importante para entender a relação que se estabelece entre emissor e receptor e questiona:
Receptores podem ser vistos como receptáculos, onde a mensagem deve ser depositada? Emissores podem ser vistos como detentores de poder que impõem conteúdos sem negociações?
Estas duas visões povoam o imaginário da maioria da população bem como de alguns pesquisadores e dificultam o entendimento da relação entre emissor e receptor. (CÉZAR, 2016, s.p.) Silva (2006), em complemento, julga que é importante ressaltar que, no início do século XX, a comunicação social não era uma ciência. Por isso, os estudos dessa natureza partiam de profissionais ligados às Ciências Sociais básicas, como Sociologia, Psicologia, Antropologia, entre outros. Assim, a evolução teórica da Comunicação chegou a ficar fragmentada pela não continuação destes estudos, já que, quando finalizados, seus pesquisadores retornavam às áreas de origem.
gerando interpretação dos sentidos produzidos pela televisão. O autor nomeia então, os sujeitos-audiência. Eles definem os sentidos dos programas televisivos, ainda que estes sejam contrários aos estabelecidos pelos produtores e emissores.
Assim, os três autores consideram os receptores como não passivos, ao contrário de alienados ou sem reação. Martín-Barbero percebe o receptor não apenas como um simples decodificador da mensagem, mas um produtor de sentidos. Neste sentido, Canclini considera a comunicação como sendo um processo eficaz, caso inclua relações de colaboração e troca entre emissores e receptores, que vão além da mera dominação.
Outra tentativa de situar os estudos culturais na América Latina tem expressão na categorização das frentes culturais, proposta por Jorge González. Elas estabelecem a relação entre público e a cultura popular e a de massa. O pesquisador aborda a indústria cultural e pondera que a cultura é o espaço de confronto para as mais diversas frentes culturais. Seus estudos são caracterizados pela polifonia metodológica, que vai da etnografia à estatística, em torno do núcleo de estudos, a família.
todo texto ou discurso especializado que emana dos campos nunca é recebido por indivíduos isolados, porque estes sempre estão inseridos nas diversas redes ideológicas que constituem as formas elementares de convivência social, em cujo seio se gera, se digere, se desconstrói, se recicla e se reconstrói o discurso dos campos, todos os dias, dia após dia. (GONZÁLEZ, 1994, p. 265)
Uma das divergências percebidas entre os autores é que, enquanto Orozco defende a educação das audiências, Martín-Barbero (2004, p. 405) a crítica: “Muitos estudos de recepção sobre televisão foram feitos com o objetivo de ‘corrigir o ver’ dos telespectadores.
Visão imersa em preconceitos quanto a esse meio, que busca não a compreensão da televisão, mas a educação dos públicos”. Por sua vez, Orozco considera que seria produtivo que o trabalho de investigação qualitativa das audiências devolvesse o conhecimento obtido
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Retomando, Wolton (2003) observa que a recepção é uma palavra extremamente polissêmica, que inclui processos conscientes e lógicos de atenção, leitura, inferência, interpretação, compreensão/
não compreensão e exposição. Para ele, são processos inconscientes da ordem da adesão ou do desejo e processos valorativos, como aceitação/rejeição, acordo/discordância, gosto/desgosto, dentre muitos outros. O autor entende que todas as combinações entre esses termos são possíveis. Herdeira da tradição empirista e tecnicista da Comunicação, a palavra recepção carrega em si o peso de uma história da comunicação sem sujeitos, de acordo com ele.
Sejam os trabalhos de recepção, uso ou consumo, os termos mais utilizados para referir-se aos sujeitos dessas interações são públicos, audiências e/ou receptores, quando se trata das mídias tradicionais. Mais vinculada a estudos quantitativos sobre a televisão, o termo ‘audiência’ ficou completamente associado a tal mídia, enquanto que a palavra
‘público’ diz respeito a questões teóricas e políticas vinculadas à democracia de massas e às mídias generalistas. (WOLTON, 2003)
Assim, é possível entender que os estudo referentes à audiência e à recepção trazem uma evolução de pesquisas e levantamentos realizados por diversas áreas, como por exemplo, a Psicologia. Esta, quando define e divulga a Teoria da Diferenças Individuais, encabeçada por DeFluer e Ball-Roceach (1993), considera que cada indivíduo é único e diferente entre si, mesmo que mantenham padrões e comportamentos de cada cultura.
Na visão dos autores, além de fatores biológicos, as influências que estes indivíduos recebiam de seu ambiente social passam a ser consideradas. Então, a perspectiva de que todo ser humano é praticamente um igual ao outro, passa a ser refutada. Neste novo entendimento, o receptor não mais é considerado passivo, como pressupunha a Teoria da Bala Mágica. Agora, ele passa a ser um receptor ativo, “capaz de responder de formas distintas a estímulos recebidos dos veículos de comunicação de massa; essas respostas
podem variar de acordo com as características psicológicas e sociais de cada sujeito”
(DEFLEUR; BALL-ROCEACH, 1993, p. 183).
Considerando tal pensamento e retomando a opinião de Silva (2006), no processo de comunicação, representado pelo esquema fonte (emisor) – canal – mensagem - receptor, os estudos de audiência e recepção têm o foco centrado no receptor. Para ela, somente é possível compreender um processo de comunicação efetivo quando neste há um receptor para receber a mensagem emitida. Ou seja, o receptor é o elo mais importante do processo de comunicação (SILVA, 2006). Outro autor que corrobora com esta linha de pensamento é Berlo (1997), quando defende que “se a mensagem não atingir o receptor, de nada adiantou enviá-la”. Conforme ele, um dos aspectos mais importantes na comunicação é a preocupação com a pessoa que está na outra ponta da cadeia de comunicação (BERLO, 1999, p. 53).
Portanto, por estes vieses, o receptor é o sujeito principal. Assim, é necessário que se perceba que “o foco de análise dos estudos de audiência e recepção não é pura composição ou o tamanho da audiência, mas sim as respostas que os indivíduos dão aos conteúdos da comunicação” (RUÓTOLO, 1998, p. 159).
Ainda segundo o referido autor, as respostas dos receptores aos meios de comunicação podem ser classificadas em grupos. Sendo eles: respostas de exposição, respostas de recepção, respostas atitudinais e respostas comportamentais. Segundo ele, “todas as análises tendem a ser perspectivas teóricas de médio alcance, enfatizando apenas um grupo de respostas” (RUÓTOLO, 1994, p. 160). Portanto, conforme o autor, não há uma só teoria geral que explique o receptor desde o momento que decide expor-se a um conteúdo até suas últimas consequências comportamentais.