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5 DIREITO A HONRA – BANALIZAÇÃO BILATERAL

5.1 DEMANDAS JUDICIAIS PLEITEANDO DANOS MORAIS

5.1.1 A honra individual nos acontecimentos cotidianos

Os acontecimentos cotidianos muitas vezes proporcionam situações desagradáveis aos indivíduos não apenas fisicamente como também verbalmente. O excesso de demandas do dia a dia fruto da facilidade de informações em um mundo globalizado e que avança em tecnologias constantemente contribui para o acentuado aumento de estresse bem como uma luta constante contra o tempo.

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“CCB – 2002 - Art. 953 – A indenização por injúria, difamação ou calúnia consistirá na reparação do dano que delas resulte o ofendido.

Parágrafo único. Se o ofendido não puder provar prejuízo material, caberá ao juiz fixar, equitativamente, o valor da indenização, na conformidade das circunstâncias do caso”.

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CASTRO, Mônica Neves Aguiar da Silva. Honra, Imagem, Vida Privada e Intimidade, em Colisão

A velocidade de informações, a facilidade de comunicações proporcionando mais reuniões de trabalho, o trânsito congestionado, a exigência crescente de capacitação intelectual para galgar melhores postos profissionais, todos esse acontecimentos colaboram para criar um ser humano mais tenso e propenso a desaguar sua ansiedade com o mínimo aborrecimento.

Na visão de Moraes132, os danos a terceiros podem ser provenientes do desenvolvimento das atividades cotidianas. Em muito casos, as pessoas são vítimas de pisadas nos pés, a exemplo de quem transita em transportes coletivos, ou mesmo empurrões.

Não somente na esfera física, mas as pessoas também sofrem determinadas agressões verbais fruto do estresse cotidiano ou mesmo interpreta determinadas palavras de outrem equivocadamente de maneira a se sentir ofendido, e é nesse contexto que surgem as demandas por danos morais, cabendo ao magistrado diferenciar o que é um direito à honra ferida ou um mero acontecimento cotidiano.

De acordo com Passos133, o homem é uma criatura incompleta que necessita de aceitação social para ter sua realização pessoal, necessitando assim da aprovação dos outros para se sentir inédito ou irrepetível.

De acordo com Moraes134, é preciso saber identificar o que realmente vem a ser um dano moral, situações essas que venham a extremar os atributos intrínsecos da pessoa humana que devem ser protegidos pelo direito.

Ou seja, não é qualquer acontecimento desagradável da vida que pode ser tipificado como um dano moral. Faz-se necessário que a integridade moral do individuo seja maculada de forma a trazer-lhe um transtorno de ordem psíquica ou material que seja representativo para o indivíduo em seu âmbito introspectivo ou na coletividade na qual o mesmo está inserido, conforme elucida Ferreira135.

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MORAES, Maria Celina Bodin de. Danos à Pessoa Humana: Uma Leitura Civil-Constitucional dos

Danos Morais. 1ª ed. Rio de Janeiro: Editora Renovar, 2003, p.175.

133

PASSOS, José Joaquim Calmon de. Direito, Poder, Justiça e Processo. Rio e Janeiro: Forense, 2000, p.41.

134

MORAES, Maria Celina Bodin de. Danos à Pessoa Humana: Uma Leitura Civil-Constitucional dos

Danos Morais. 1ª ed. Rio de Janeiro: Editora Renovar, 2003, p.72.

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Pode-se perceber que como o instituto do dano moral tornou – se algo tão conhecido da população e está tão ligado ao cotidiano das pessoas que acaba se confundindo com um mero dissabor, um aborrecimento.

Um mero dissabor não tem condão de gerar uma indenização por danos morais, pois se trata de situações que o cidadão esta sujeito a passar em seu dia a dia. Para ensejar uma indenização por

Ocorre que no seu dia a dia, devido à quantidade de responsabilidades as quais o indivíduo está sujeito, o mesmo não se predispõe a sofrer qualquer tipo de dissabor, de forma que, ser atingido pelo mínimo aborrecimento, mesmo que seja uma situação mais simples possível que cause um mero dissabor, faz com que ele se sinta vítima de um dano moral, como bem deixa claro Ferreira136.

Nesse sentido, buscou-se inserir a possibilidade de demanda por ressarcimento por danos morais com base no conceito de piunitive damages oriundo das experiências norte-americanas, de acordo com Frota137, objetivando fugir da impossibilidade de ressarcir o dano não material, todavia, esclarecendo que os danos morais fogem aos acontecimentos de menor potencial ofensivo.

Assim, tem-se que o dano de ordem moral deve ser reparado, mas com uma finalidade não de vingança, como era a lei do talião: “olho por olho dente por dente”, mas visando aplacar o sentimento de vingança do indivíduo e trazer-lhe um lenitivo capaz de traduzir a ele que atos que ofendem a honra são punidos com a finalidade de manter a ordem no convívio social e preservar a dignidade humana. Conforme elucida Reis138.

Nesse prisma, tem-se que a tarefa de identificar se no caso concreto existe ou não uma situação que enseje reparação por dano moral não é fácil; o julgador não só tem que se ater ao caso concreto, como também buscar fundamentação legal e

danos morais é necessário uma dor intensa, um vexame, um sofrimento ou uma humilhação que foge à normalidade, interferindo no comportamento psicológico do indivíduo. Logo, não é qualquer caso que se enquadra como dano moral”. Aprofundar em FERREIRA, Thiago Soares. A Banalização do

Dano Moral. Monografia apresentada à Universidade Católica de Brasília. Brasília: Universidade

Católica de Brasília, 2012.ps. 45-47”.

136 “Para que possamos entender, um mero dissabor, um aborrecimento são situações que qualquer

indivíduo está sujeito a passar em seu dia a dia e que acaba sendo confundindo com uma dor, (raiva, decepção e etc..) e que acaba se parecendo com o conceito de dano moral”. Aprofundar em FERREIRA, Thiago Soares. A Banalização do Dano Moral. Monografia apresentada à Universidade Católica de Brasília. Brasília: Universidade Católica de Brasília, 2012.p. 48”.

137 “A grande preocupação em inserir legalmente o caráter punitivo aos danos extrapatrimoniais

advém da experiência norte-americana, pois a ausência de critérios definidos para o arbitramento do dano, bem como o profundo conhecimento de suas consequências para sociedade, causam perplexidade, tendo em vista o conceito de dano punitivo (punitive damages)”. Avançar os estudos em FROTA, Pablo Malheiros daCunha. Danos Morais e a Pessoa Jurídica. 1ª ed. São Paulo: Editora Método, 2008. p. 216.

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A função da indenização deve, no nosso modo de entender, constituir não um procedimento de vingança privada e voluntária, mas uma forma de reparar e aplacar o sentimento de vingança nas pessoas lesionadas” para maior aprofundamento ver REIS, Clayton. Os Novos Rumos da

verificar se existem empecilhos capazes de trazer confusão. Na visão de Passos139 contratempos que ocorrem e tiram o direcionamento de nossas vidas acabam sendo uma espécie de dano que precisa ser reparado140.

Desta forma, observa-se que na esfera individual, por exemplo, é difícil identificar se o indivíduo foi ofendido na sua honra subjetiva, pois em determinados contextos algo que para algumas culturas ou países pode ser tido como ofensivo para outros pode não ser.

Na esfera legal, tem-se o exemplo trazido por Schreiber, explícito no Código Civil, que e o caso da ingratidão traduzida pela injúria grave ou calúnia, que são capazes de revogar a sucessão hereditária141.

Outra peculiaridade que deve ser considerada é se o dano sofrido pelo indivíduo foi capaz de causar alterações na vida do mesmo, bem como se houve algum tipo de sofrimento, pois se assim não ocorreu, haverá ali a identificação de um dissabor cotidiano ao qual todos são vitimas no seu dia a dia.

Como diz Ferreira142, os meios de comunicação acabam por influenciar as pessoas de que qualquer probleminha pode ser objeto de uma ação por danos morais, o que acaba por desvalorizar esse instituto que não deve ser utilizado dessa maneira, percebendo-se se de fato houve o dano, qual alteração aquele dano trouxe a vida do indivíduo, o nível de sofrimento entre outras características.

Outro ponto importante é o que diz respeito a inscrição irregular no cadastro de proteção ao crédito, se o indivíduo já tiver sido cadastrado em outra situação, novo

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PASSOS, José Joaquim Calmon de. Direito, Poder, Justiça e Processo. Rio e Janeiro: Forense, 2000, p.11.

140 “Os contratempos derivados do conserto do carro objeto de colisão, por exemplo, mesmo que

sejam pagas as despesas com a utilização de outro veículo, nosso quotidiano foi perturbado e algum desconforto ocorreu que jamais teria ocorrido não fosse aquele ato causador do dano.”

141 “O Código Civil cuida ainda, com especial atenção, de algumas repercussões patrimoniais da

violação à honra. Como já se adiantou, a codificação autoriza a revogação por ingratidão da doação por parte do doador se o donatário “o injuriou gravemente ou o caluniou” (art. 557, III), ou, ainda, se praticou tal ofensa em face do “cônjuge, ascendente, descendente, ainda que adotivo, ou irmão do doador” (art. 558). Na mesma direção, o art. 1.814 chega ao ponto de eleger a violação à honra como causa de exclusão da sucessão hereditária, nos seguintes termos:

“Art. 1.814. São excluídos da sucessão os herdeiros ou legatários:

[...] II - que houverem acusado caluniosamente em juízo o autor da herança ou incorrerem em crime contra a sua honra, ou de seu cônjuge ou companheiro [...]”. Para saber mais ler SCHEREIBER, Anderson. Direitos da Personalidade. 2ª ed. São Paulo: Atlas, 2013. p.77.

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FERREIRA, Thiago Soares. A Banalização do Dano Moral. Monografia apresentada à Universidade Católica de Brasília. Brasília: Universidade Católica de Brasília, 2012, p.51.

cadastro não cria a possibilidade de reparação por dano moral, é o que elucida a súmula 385 do STJ, todavia, ressalva-se o direito de busca por cancelamento justo.

Mais um exemplo sobre o tema é o que reza a súmula 370 do STJ que deixa claro que a apresentação de cheque pré-datado antecipadamente caracteriza sim um dano moral.

Nessa tarefa de identificação da existência ou não de um dano moral a ser reparado, o magistrado defronta-se com necessidade de identificação da existência ou não de oportunistas que objetivam na ação judicial, ter uma satisfação financeira, tirando uma quantia que não deveria ser objeto da ação para aumentar seus ganhos financeiros com aquela ação que busca um ressarcimento por um dano moral, conforme será explicitado a seguir.