4.2 APARATO NACIONAL DA REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL
4.2.6 A Lista Suja do Ministério do Trabalho e Emprego
A lista suja foi criada em 2003 com o intuito de anunciar os nomes das empresas que reduzem trabalhadores a condições análogas a escravidão no Brasil a partir da fiscalização do Ministério do Trabalho. Essa divulgação se da apenas após um processo administrativo comprovatório, onde geralmente os auditores fiscais do trabalho procedem a uma vistoria regular em que verificam essas condições degradantes dos trabalhadores em obras, fábricas e fazendas e que afrontam a CLT, a CRFB/88 e demais acordos ou convenções. A lista é por base um mecanismo de transparência que visa fiscalizar e garantir os direitos trabalhistas e os direitos humanos fundamentais dos trabalhadores (COSTA, C., 2015).
A lista suja é um mecanismo de combate ao trabalho escravo que gerou uma grande repercussão e divulgação perante a sociedade mundial, pois ela vem sendo utilizada por bancos públicos, bancos privados e até por empresas internacionais que possuem negócios no país e por importadoras de mercadorias brasileiras que controlam de fato a origem dos produtos (COSTA, C., 2015).
Todavia, no final de 2014 o Supremo Tribunal Federal (STF) suspendeu provisoriamente a divulgação da lista suja mediante liminar, até o julgamento da
ação de constitucionalidade que foi impetrado pela Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias que alega que a lista deveria ser criada por projeto de lei e não por uma portaria ministerial, como sucedeu. O Ministério Público se mostrou a favor da divulgação da lista suja e até o momento a decisão não entrou em pauta no STF (CAVALCANTI, 2015).
Em 2015, alguns meses após a revogação, a lista suja volta a sua efetividade através da edição de uma nova portaria interministerial que refez o cadastro de empregadores que submetem seus empregados a condições análogas a de escravo, com base na Lei de Acesso à Informação. A nova portaria instaurada alterou o contexto no recebimento da denúncia pelos empregadores visando não restar dúvidas no direito à ampla defesa e agiliza todo o processo (GOMES, 2015).
A volta da lista suja fortalece o comprometimento do governo brasileiro na erradicação do trabalho escravo no Brasil, é mais um mecanismo que vem a contribuir com ―ações de responsabilidade social e empresarial, garantindo sustentabilidade em cadeias globais de fornecimento e produção‖ (GOMES, 2015).
―A lista suja combate o trabalho escravo, mas, mais do que isso, é um instrumento de gerenciamento de risco para a atividade econômica brasileira‖, afinal muda toda visão dos investidores que buscam se relacionar com empresas que não submetem os trabalhadores a condições análogas a de escravo, não por pura humanidade e sim muitas vezes por ter ciência do processo grande que a empresa pode estar respondendo e então não possuir fundos no futuro para saldar dívidas ou empréstimos se condenada (COSTA, C., 2015).
Destarte, pode-se afirmar que através da verificação de tais medidas de combate ao trabalho escravo de imigrantes no Brasil, se faz imprescindível assimilarmos o contexto ao qual elas se perfazem para garantirmos sua melhor eficácia.
É tarefa da sociedade em geral, debater e tomar ciência de tal assunto e obrigação do governo promulgar novas leis que atendam e erradiquem esse problema, amparando os imigrantes no Brasil.
5 CONCLUSÃO
No decorrer da história da humanidade com as diversas mudanças reproduzidas, constata-se uma propagação cada vez maior na procura por mão de obra barata no Brasil, efeito esse resultante do desenvolvimento econômico das últimas décadas que tem submetido milhões de trabalhadores imigrantes a condições análogas a de escravo com jornadas exaustivas e condições degradantes de trabalho.
O presente trabalho chega ao seu fim, acreditando-se que seus objetivos pretendidos foram alcançados, quais sejam: verificar as principais medidas adotadas para erradicar o trabalho de imigrantes em condições análogas à escravidão no Brasil e garantir seus direitos humanos fundamentais, com fundamento na legislação brasileira e internacional referente à temática.
Contudo, antes de adentrar a tal discussão, iniciou-se no primeiro capítulo de desenvolvimento a apresentação dos aspectos gerais do fenômeno da globalização, seus reflexos que atingem desde a economia mundial, como no trabalho, na imigração e no meio jurídico.
Isto porque, tal fenômeno alimenta hoje várias proporções em nossa sociedade global, estimulando principalmente o objeto de estudo em questão, que através do incentivo a competividade, culmina na procura desacelerada por menores custos de produção, levando a péssimas condições de trabalho principalmente a imigrantes que se tornam alvos totalmente vulneráveis pelo fato da maioria se encontrar em situações irregulares no país receptor e desconhecer seus direitos. De modo que é constatado no Brasil, diversos casos de imigrantes ilegais bolivianos e haitianos que são submetidos a condições análogas a de escravo em fábricas no estado de São Paulo.
Afinal, o trabalho análogo ao de escravo de imigrantes e o tráfico de pessoas, estão diretamente ligados ao modelo de globalização e de capitalismo que a sociedade mundial patrocina, pois a competividade cada vez é maior e os empregadores e empresários procuram adaptar ao máximo as leis trabalhistas para obter maiores lucros e rendimentos para usufruto próprio.
Logo, para compreender e erradicar esse problema hoje, necessitamos entender todos esses aspectos gerais que o fenômeno da globalização gera em escala global, uma vez que ele se encontra diretamente ligado a essas questões.
No segundo capítulo são abordadas as consequências desse fenômeno diretamente na imigração e no trabalho escravo, trazendo seus aspectos históricos e sua fundamentação com base na perspectiva dos Direitos Humanos e dos Direitos Fundamentais, que se encontram sempre em constante complementação para garantir sua efetivação nesse meio.
Por outro prisma, denota-se que o trabalho escravo é um regime forçado extremamente antigo na história, sendo presente até hoje através da escravidão moderna, cujas condições degradantes de trabalho se obtém uma grave violação aos direitos humanos e fundamentais, que deveriam ser sempre respeitados e observado o princípio da dignidade da pessoa humana que costuma ser esquecido no amparo aos imigrantes no Brasil.
No terceiro capítulo, chegou-se ao enfrentamento do problema, propriamente dito, proposto no presente estudo, verificando-se as principais medidas adotadas para acabar com o trabalho escravo de imigrantes no Brasil, com o intuito de garantir seus direitos humanos.
No âmbito internacional, a ONU e a OIT tem somado esforços para instituir um trabalho descente com o objetivo geral de várias declarações e convenções. Apesar disso, é necessário que o Brasil tome consciência de sua importância e principalmente ponha em prática e torne efetivas suas normas que já foram ratificadas.
Não obstante, é primordial também que o Brasil ratifique a Convenção Internacional sobre os Direitos Humanos dos trabalhadores migrantes e suas famílias que defende principalmente os direitos humanos dos imigrantes. Hoje o Brasil é o único país do MERCOSUL que ainda não ratificou essa convenção, sendo indispensável um maior incentivo e essa iniciativa por parte do governo brasileiro para amparar e erradicar o trabalho escravo de imigrantes no país.
O amparo nacional do Brasil para o combate ao trabalho escravo de imigrantes se baseia principalmente no Estatuto do Estrangeiro, na Lista Suja, no Grupo de Fiscalização Móvel, nas ações do Ministério Público do Trabalho e no Plano Nacional de Erradicação do Trabalho Escravo. No entanto, apesar da boa
iniciativa do Brasil, são necessárias medidas mais rígidas de combate e acrescentar mais esforços para prevenir e julgar esses casos de desrespeito à humanidade.
Hoje os imigrantes no Brasil não possuem uma medida que sirva efetivamente para garantir-lhes direito, uma vez que a Lei 6.815/80, que trata sobre o estrangeiro, resiste às rígidas estruturas burocráticas, herdeiras do passado repressivo militar. É preciso uma nova lei que atenda a questão migratória no país e que garanta os direitos humanos fundamentais do trabalhador imigrante para que se diminua o seu estado de vulnerabilidade social.
Nesse sentido, roga-se que haja celeridade na tramitação do Projeto de Lei 2516/2015 para melhor regular a entrada de imigrantes no Brasil, bem como assegurar melhor proteção aos emigrantes brasileiros dispersos no mundo, e que com isto contribua-se para que a globalização não se restrinja exclusivamente aos interesses do capital, mas que se projete alicerçando a defesa da dignidade da pessoa humana, elemento fundamental na persecução dos direitos humanos mais amplos, inclusive ao da dignidade laboral.
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