MANASAPUTRAS E MATRA DEVAS
A MAÇONARIA EGIPCIA
Passaram-se os tempos, até que soou a hora cármica dos Bourbons. Das Excelsas Fraternidade de Luxor e Kaleb, situadas no Egito, naquela época a 23 graus de latitude norte, régia residência dos membros do Governo espiritual e temporal do Mundo, teve origem o primeiro movimento político, dirigido por Cagliostro, com o fim de destruir de vez o absolutismo e preparar o advento de novos ciclos: que irromperam nas Américas, no ciclo seguinte, preparando o ambiente para o Advento de nossa Obra, ou seja, a Manifestação do Avatara.
Esse movimento tomou o nome de Maçonaria Egípcia e tinha ramificação na Inglaterra, Alemanha, Rússia, Japão, Itália, etc., mas com sede em França, onde o clericalismo e o absolutismo dominavam coma maior intensidade. Cagliostro, representando Ptah (expressão de Rigdem Jiepo), apresentava-se como Grão-Copta da Maçonaria Egípcia, e trazia como signo do movimento por ele encabeçado, no peito as letras L.P.D. (Lilium Pedibus Destrue), que os franco-maçons transformaram em Liberdade De Passar e que tiveram as seguintes interpretações:
Ladak Prabasha Dharma Lourenço Prabasha Dharma Lorenzo Paolo Domiciani Luta pelo Dever
Liberdade – Poder – Dever Lei – Princípio – Direito
Peregrinando sempre, o conde de Cagliostro acabou sendo condenado à morte pela Santa Inquisição de Roma, que conseguiu prende-lo no Castelo de Santo Ângelo,
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em Roma. Nessa ocasião. Recebeu o príncipe de Montbazon, então chefe da Ordem de Malta, um bilhete do Adepto Veneziano, conde de Morande, membro da mesma ordem, nos seguintes termos:
O prisioneiro do Castelo de Santo Ângelo é seu filho com a marquesa de Tavernay, que abandonaram na sarjeta de certa rua de Gênova, numa noite tempestuosa, à meia noite.
O príncipe foi imediatamente ao papa Pio IV (Jean Ange Broschi), membro da Ordem de Malta, que o recebeu e promoveu a fuga de Cagliostro, embora isso tenha custado a vida de certo abade, que se deu em holocausto a favor da Grande Obra.
Ao deixar o castelo de Santo Ângelo o Conde de Cagliostro escreveu nas paredes do presídio as seguintes palavras:
Nous, Alexandre Magne, Grand Maitre et Fondeteur de l’Ordre Égyptiene, par lê grace de Dieu, ordennouns a ceux qui apatienent a cette Ordre et qui pour foi em lê Verbo Divino qu’ile ne reculent on seul pás, parce que faire um faux pás, nôtre cause est perdue.
(Nós, Alexandre Magno, Grão Mestre e fundador da Ordem Egípcia, pela Graça de Deus, ordenamos aos que tal Ordem pertencerem, e aos que tem fé no Verbo Divino, a que não recuem um só passo, porque, um passo em falso e estará nossa causa perdida).
Cagliostro pôde continuar o seu trabalho, que culminou com a queda da Bastilha.
Transcrevemos abaixo um artigo publicado pela revista Dhâranâ, Ano LXII, Série Superação, nº 4, p. 27-9, 1989, intitulado Testamento de Cagliosto:
Eu não sou de época alguma, nem de lugar algum, fora do tempo e do espaço, meu ser espiritual vive sua eterna existência e, se mergulho em meus pensamentos recuando no curso das idades, se alongo meu espírito para um modo de existência afastado daquele que compreendeis, torno-me aquele que desejo. Participando conscientemente do ser absoluto, regulo minha ação segundo o meio que me circunda.
Meu nome é aquele de minha função, porque sou livre; meu país é aquele onde fixo momentaneamente meus passos. Reportai-vos a ontem, se o quereis, realçando- vos de anos vividos pelos ancestrais que vos foram estranhos; ou ao amanhã, pelo orgulho ilusório de uma grandeza que não será talvez jamais a vossa: eu, eu sou aquele que é. Não tenho senão um pai. Diferentes circunstâncias da minha vida fizeram-me suspeitar, por esse motivo, de grandes e comoventes verdades. Mas os mistérios desta origem e as relações que me unem a este pai desconhecido são e permanecem meus segredos; que aqueles que serão chamados a advinha-los, a entrevê-los como eu faço, me compreendam e me aprovem. Quanto ao lugar, à hora onde meu corpo material, por volta de quarenta anos, se formou sobre a Terra, quanto à família que escolhi para isso, quero ignorar, não quero me lembrar do passado para não aumentar as responsabilidades já pesadas dos que me conheceram, pois está escrito: “ Tu não
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farás cair o cego. Não nasci da carne, nem da vontade do homem, nasci do Espírito. Meu nome, aquele que é para mim e de mim, aquele que escolhi a fim de aparecer no meio de vós, eis aquele que reclamo. Aqueles que me designaram quando do meu nascimento, aqueles que me deram na minha juventude, aqueles sob os quais, em outros tempos e lugares, fui conhecido, eu os deixei, como teria deixado vestimentas fora de moda e doravante inúteis.
Eis-me: sou generoso e viajante; falo e vossa alma estremece reconhecendo antigas palavras; uma voz que está em vós e que estava morta há muito tempo responde ao apelo da minha; ajo e a paz retorna a vossos corações, a saúde à vosso corpo, a esperança e a coragem a vossas almas. Todos os homens são meus irmãos; todos os países me são caros: eu os percorro para que em toda parte, o Espírito possa descer e encontrar um caminho para vós. Não peço aos reis, de quem respeito o poder, senão a hospitalidade em suas terras e, quando ela me é concebida, passo fazendo ao meu redor o maior bem possível, mas não faço senão passar. Sou um generoso viajante?
Como o vento do Sul, como a brilhante luz do Midi, que caracteriza o pleno conhecimento das coisas e a comunhão ativa com Deus, venho para o Norte, para a bruma e o frio, abandonando em toda parte, à minha passagem, algumas parcelas de mim mesmo, me consumindo, me diminuindo a cada parada, mas vos deixando um pouco de claridade, um pouco de calor, um pouco de força, até que eu seja enfim detido e fixado definitivamente ao término de minha carreira, na hora em que a Rosa florescerá sobre a Cruz. Eu sou Cagliostro.
Toda luz vem do Oriente, toda iniciação do Egito. Tive três anos como vós, depois sete, depois a idade do homem e, a partir dessa idade, eu não contei mais. Três setenários fazem vinte e um anos e realizam a plenitude do desenvolvimento humano. Em minha primeira infância, sob a Lei do Rigor e de Justiça, sofri exílio, como Israel entre as nações estrangeiras. Mas como Israel tinha consigo a presença de deus, como um Metraton o guardava em seus caminhos, do mesmo modo um anjo poderoso velava por mim, dirigia meus atos, iluminava minha alma, desenvolvendo as forças latentes em mim. Ele era meu mestre e guia.
Minha razão se formava e se determinava; eu me interrogava, me estudava e tomava consciência de tudo aquilo que me circundava. Tinha feito viagens, muitas viagens, tanto ao redor da câmara de minhas flexões quanto nos templos e nas quatro partes do mundo: mas quando queria penetrar na origem de meu ser e subir a Deus num entusiasmo de minha alma, então, minha razão impotente se calava e me deixava livre para minhas conjecturas.
Um amor que me atrai para toda a criatura de uma maneira impulsiva, uma ambição irresistível, um sentimento profundo de meus direitos a todas as coisas da Terra ao Céu me possuíam e me lançava para a vida, e a experiência progressiva de minhas forças, de sua esfera de ação, de seu jogo e de seus limites foi a luta que tive de sustentar contra os poderes do mundo. Fui abandonado e tentado no deserto;
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lutei com o anjo como Jacob, com os homens e com os demônios, e estes, vencidos, me ensinaram os segredos concernentes ao império das trevas para que não pudesse jamais me extraviar em algum dos caminhos de onde não se volta.
Um dia, após muitas viagens e anos, o Céu acolheu meus esforços; ele se lembrou de seu servidor e, revestido de trajes nupciais, tive a graça de ser admitido, como Moisés, diante do Eterno. Desde então recebi, com um novo nome, uma missão única. Livre e senhor da vida, não sonhava senão emprega-la na Obra de Deus. Sabia que ele confirmaria meus atos e minhas palavras, como eu confirmaria seu nome e seu reino na Terra. Há seres que não Têm senão anjos guardiões; eu fui daqueles.
Eis minha infância, minha juventude, tal como vosso espírito inquieto e desejoso de palavras a reclama; mas que ela tenha durado mais ou menos anos, que ele tenha se extravasado para o país ou para outras regiões, que importa a vós? Não sou um homem livre? Julgai meus costumes, isto é, minhas ações, dizei se elas são boas, dizei se vós ocupai de minha nacionalidade, de minha posição e de minha religião.
Se, prosseguindo o curso feliz de suas viagens, alguém dentre vós atingir um dia aquelas terras do Oriente que me viram nascer, que ele se lembre somente de mim, que pronuncie meu nome e os servidores de meu pai abrirão diante dele as portas da cidade santa. Então, que ele volte para dizer a seus irmãos se tenho me prevalecido, entre vós, de um prestígio mentiroso, se tenho pego em vossas moradas algo que não me pertença!”