ARCANOS MAIORES
1.3 A REDESCOBERTA DOS ARCANOS
Cada autor utilizou, na exposição dos temas, os signos que dão valor aplicativo aos arcanos, e do Livro dos Mortos, fonogramas, que representam sons e se combinam em palavras; finalmente da Cabala, números que representam a idéia em sua raiz.
LIVRO DOS MORTOS Resumem tudo acerca da alma e do E CABALA mundo invisível.
GRAFIAS (emanações Resumem o conhecimento do mundo primárias) visível e as forças que influem nas con dições da vida do homem que o povoa.
Cerca de 300 anos atrás, um abade de nome Anastácio Kircher (Sábio Jesuíta Alemão, nascido em 1602, autor de vários inventos e versado na chamada “palingenesia das plantas”, isto é, fazia reviver plantas secas, mortas, queimadas e reduzidas às cinzas. Decifrava com extrema facilidade os hieróglifos egípcios), numa viagem que fez ao Egito, parece que teve acesso a uma das lâminas do Livro de Thot, que pertenceu depois ao Cardeal Bembo (daí a chamada Tábua Bembina que foi originalmente trazida do egito, e que Antoine Court de Gebelin completou posteriormente com os arcanos que faltavam, tomando por base um dos originais). Publicando-a Kircher em seu livro “A Língua Egípcia Restituída”, e servindo-se dos signos que contém como chave para interpretar numerosos hieróglifos, entre outros, alguns murais de antiquíssimos tempos, que resultaram corresponder a várias das demais lâminas do Livro de Thot. Comparadas às idéias expostas nos hieróglifos conhecidos e anotados os números de ordem dos de cada lâmina, pelas que se possuíam, pôde-se restabelecer as que faltavam (trabalho de Gebelin, como vimos), e novamente reunidas e estudada toda a coleção, os investigadores de distintas escolas adaptaram as conclusões às suas respectivas doutrinas .
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RAMIFICAÇÃO
Estudo da alma - Símbolos que possuem equivalência nos elementos primários que formam a inteligência humana.
OS ESTUDOS DE GEBELIN
Entre os estudiosos destacamos o escritor francês do séc.XVIII Antoine Court de Gebelin (1725-1784). Este ocultista foi o coordenador da famosa reunião entre o Conde de Cagliostro, como Grão Mestre da Maçonaria Egípcia e os Franco-Maçons, reunião esta em que Cagliostro deu a conhecer o que iria se suceder com a França e seu Rei.
Apaixonado pela mitologia antiga, Gebelin incluiu o taro em seus estudos e expôs o resultado de muitos anos de trabalho em sua obra “O Mundo Primitivo (1781), Analisado e Comparado ao Mundo Moderno”, onde ao longo de 9 volumes, apresentou suas idéias.
Em seu 8º livro, afirmou que “o taro é o único livro remanescente das dispersas bibliotecas egípcias”.
Assim, Gebelin considerava o taro um livro que conserva a sabedoria do povo egípcio. Buscou explicação para a alegoria das cartas. Para ele, os arcanos maiores representam os líderes da sociedade, as forças da agricultura, as virtudes cardeais, o casamento, a morte, a ressurreição etc. Os 4 naipes por sua vez, estariam ligados às 4 classes da sociedade egípcia:
Taça (copas) - Sacerdotes
Espada (espadas) - Soberanos e Nobreza Moeda (ouros) - Comerciantes
Clava (paus) – Agricultores
Não poderiam ser mais corretas as afirmações de Gebelin pois, seguindo o mesmo padrão quaternário (portanto, dizendo respeito à própria humanidade) temos as 4 castas da sociedade indiana.
Brahmanes - Sacerdotes Kshatrias - Reis e Guerreiros Vaishias - Negociantes
Sudras – Operários
Cada um destes 4 naipes contém 14 aspectos, sendo que 4 compõe a realeza e 10 os serviçais. Ilustremos o que foi dito com os ensinamentos de nosso Augusto Mestre JHS : “O fato de o baralho vulgar ter 52 cartas, ou 13 para cada naipe, nada significa. Verdadeiramente cada naipe deveria ser constituído de 14 cartas; Rei, Dama, Valete (Conde ou Príncipe), curinga e mais 10 cartas brancas, representando o povo, ou mesmo, o exército. Os 4 curingas ou “bobos
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da corte” deveriam, pois, existir no baralho, um para cada naipe ... Quando a primeira leva de ciganos chegou a Paris, em 1427, o seu chefe, interpelado sobre quem eles eram, e qual sua procedência, respondeu: “Eu sou o Rei, ela é a Dama, este é o Conde e aquele o que nos faz rir. Quanto aos outros 10 são os nossos servidores” ...
Após este longo parênteses, necessário para completar nossos estudos, voltaremos às constatações de Gebelin, que ainda demonstrou que o taro baseava-se no nº 7, considerado sagrado para os egípcios, que sobre eles fundamentaram várias ciências. Os naipes são formados de 2x7 cartas (catorze cartas, que multiplicadas pelos 4 naipes, perfazem os 56 arcanos menores, como já vimos); e os arcanos maiores são formados por 3x7=21 cartas, perfazendo um total de 77 cartas. O número zero seria representado pelo bobo, por ser sem numeração (78 lâminas ao todo).
Assim, vemos que Court de Gebelin conseguiu levantar uma ponta do véu que encobre os arcanos e sua verdade cósmica e humana, representada pelas suas lâminas maiores e menores.
ETEILLA
As idéias de Gebelin causaram admiração e ganharam muitos adeptos. Entre eles, um francês conhecido como Alliete, cujas letras lidas de forma anagramática transformam-se em Eteilla, no seu entender mais atraente para o exercício das práticas divinatórias. Fez fama e dinheiro, escreveu e publicou um livro sobre a origem dos arcanos e os relacionou à Cabala. Transformou-se numa espécie de sumo- sacerdote e fez fama e fortuna lendo o destino dos franceses em plena Revolução Francesa. À carta número 1 de seu jogo deu o nome de “Eteilla consultando” e à última de “A loucura”.
ELIPHAS LEVI RELACIONA A CABALA AO ESTUDO DAS LÂMINAS
A Cabala, como vimos anteriormente, teve seus fundamentos originados do Livro de Thot. Foi criada pelo esforço dos sacerdotes hebreus mais próximos ao grande Legislador Moisés.
Um padre católico, filósofo e simbolista, de nome Alphonse Louis Constant, mais conhecido como Eliphas Levi, foi quem relacionou efetivamente os estudos do taro com a cabala, relacionando as cartas do taro aos 32 caminhos da sabedoria (ou seja, as 22 letras do alfabeto hebraico mais as 10 sephirot).
Levi defendeu a origem hebráica do taro, considerando-o uma espécie de alfabeto oculto. Encontrou no jogo de cartas uma síntese da ciência, a chave da cabala. É um “Livro miraculoso, fonte de inspiração para todos os livros sagrados dos povos da antigüidade (...) o mais perfeito instrumento de adivinhação que pode ser usado com total segurança por causa da precisão analógica das figuras e de seus números”, escreveu ele em seu livro “Dogma e Ritual da Alta Magia”.
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A CONTRIBUIÇÃO DE PAPUS
O simbolismo do taro e suas relações com o ocultismo começaram a se tornar difíceis de serem entendidos. Gerard Encausse (1865-1917), por exemplo, contribuiu com explicações esotéricas de mundo, restritas a sociedades secretas e dotadas de esquemas conceituais próprios, que exigiam muita reflexão para serem apenas superficialmente compreendidas. Papus, seu nome de ocultista, pertenceu à Ordem Cabalista Rosacruz e foi fundador e líder da Ordem Espiritual e Maçônica dos Martinistas. Ele aprofundou muito os estudos sobre a ligação das 22 cartas maiores do taro com as 22 letras do alfabeto hebraico e sem dúvida alguma, contribuiu para ampliar o significado esotérico das lâminas.
WAITE
As cartas continuaram sendo objeto de profundos estudos ocultistas e sofreram várias transformações, que artistas e estudiosos fizeram de suas interpretações. Um deles foi Arthur Edward Waite (1857-1942), que escreveu vários livros e traduziu as obras de Papus. Waite supervisionou o trabalho de Miss Pamela Smith, uma norte-americana pertencente à Ordem do Áureo Amanhecer, que desenhou um baralho clássico de taro com 78 cartas. Ficou conhecido como Baralho Rider e tem o bobo como número zero. O baralho de Waite foi publicado em 1919, em Londres, juntamente com o seu livro “The Key to the Tarot”.
WIRTH
Ainda no rastro das idéias de Levi e Papus, outro ocultista, Oswald Wirth, lançou um exemplar do taro em que as 22 cartas dos arcanos maiores possuem letras hebraicas. Mas, ao contrário de Waite, Oswald atribuiu o aleph ao Mago. Todas elas são também numeradas.
O interesse despertado pelas lâminas, desde seu aparecimento na Europa, no final da Idade Média, foi crescendo e ganhou uma intensidade nunca vista na sociedade atual. Se considerarmos os baralhos de taro desde o século XV, veremos que cada conjunto de cartas mostrava alguma modificação, mesmo mínima, em relação aos outros. Dessa forma, o taro sofreu, através dos séculos, um processo de adaptação e transformação segundo as mãos que o tocaram, os artistas, artesãos e trabalhadores industriais que se encarregaram de sua produção e os estudiosos que se debruçaram para desvendar seu significado oculto e milenar.
Parece-nos mais correto, nessa altura de nossa abordagem, admitir duas faces principais, que contribuiram para que as lâminas nos fossem apresentadas:
1ª) A sua face sacerdotal, legada pelo Grande Hermés, dando origem aos mistérios egípcios, à Cabala Hebráica e às antigas iniciações, baseadas no modelo das sete cidades atlantes e os seus 22 templos, como reflexos da divindade na Face da Terra;
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2ª) A sua face temporal ou humana, através dos “Adeptos da letra C”, que expulsos da Quarta Cidade Agarthina, introduziram o jogo de cartas na Europa, popularizando-as como jogo de azar.
A Primeira face percorre os sete estados de consciência, enquanto que a Segunda se fixa no quarto, por ser justamente aquele que está evidenciado na humanidade, razão esta dos baralhos causarem tanto facínio nos homens.
Mas o mistério não para por aí; Recomendo àqueles que possuem um espirito investigativo, lerem o intrigante artigo do nosso mestre “O mistério dos ciganos”, na revista Dhãranã, para constatar que os ciganos tem muita relação com os termos Cários, Caracas, Fenícia, etc...
Assim, os amantes da Verdade sempre buscaram nas lâminas, em primeiro lugar, sua ligação com a evolução do cosmos e do homem, seu sentido divino e iniciático, tornando-se assim senhores de seus símbolos, ou seja, tornando estes simbolos dinâmicos, enquanto que outros preferiram buscar nas lâminas o sentido superficial, como “ciência da adivinhação” ou predição da fortuna humana, que buscam soluções parciais, justamente por dizer respeito ou falar à alma, enquanto que o seu sentido mais profundo fala ao próprio espirito, pois torna-se o perfeito estado de meditação sobre nossa natureza...
1.4 A VULGARIZAÇÃO DAS LÂMINAS