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Abandonment and accessibility in historic railway buildings: a study of the Railway Stations of Central do Brazil and Leopoldina Juiz de Fora, MG

Castañon, J. A. B.; Brasil, C. C. G.; Costa, A. M.

Universidade Federal de Juiz de Fora, email: [email protected]

1. INTRODUÇÃO

O presente trabalho visa demonstrar a evolução da pesquisa realizada em Juiz de Fora-MG, cujo objetivo é a avaliação de duas áreas de estação ferroviária do município, objetivando fazer as pessoas conhecerem e acessarem o patrimônio histórico e cultural dessa cidade. Fazer uso deste estudo, para viabilizar uma possível solução para o problema do abandono dos edifícios históricos ferroviários do município, em especial as Estações da Estrada de Ferro Leopoldina – E.E.F.L.- e Estação da Estrada de Ferro Central do Brasil – E.F.C.B.-, assim como debater a questão da acessibilidade aos mesmos. Ao final da pesquisa espera-se resguardar a memória da ferrovia e contribuir com pesquisas futuras do entendimento da forma urbana da cidade que estimulem investigações desses espaços, contribuindo para a formação de ambientes construídos que proporcionem acessibilidade universal e qualidade de vida ao usuário da cidade.

Os dois prédios ferroviários são marcos na história da cidade, pois formaram o primeiro núcleo urbano de desenvolvimento (ESTEVES, 1915), localizado na Praça Doutor João Penido, popularmente conhecida como Praça da Estação. Localizam-se na área central, popularmente chamada "parte baixa”, entre as Ruas Halfeld e Marechal Deodoro. A Praça surgiu com a construção da estação da Estrada de Ferro Dom Pedro II (posteriormente Central do Brasil), inaugurada no início do século XIX, era uma das portas de entrada da cidade. Àquela época, início do período industrial, o transporte ferroviário era a principal via de acesso à Juiz de Fora, dessa forma, a praça representa a fase áurea da industrialização da cidade. Nas proximidades da ferrovia se concentrou o desenvolvimento comercial e industrial. O município desenvolveu ao seu redor, os imóveis se mantêm até hoje, criando uma área de grande crescimento econômico e de dinamização (OLIVEIRA, 1953). Atualmente, este espaço abriga o principal núcleo histórico da cidade.

2. MATERIAIS E MÉTODOS

Para elaboração da nossa pesquisa, foram utilizados dados obtidos por meio da documentação direta: pesquisa de campo, com simulação de acessibilidade pelos portadores de deficiências (de locomoção, visual). A simulação possibilitou análises concretas da dificuldade de inserção física dos deficientes nestes prédios históricos, onde existem muitas escadas nas entradas principais e não há rampas e corrimão que sirvam como apoio; a pesquisa de campo identificou que há por parte da maioria da população um estigma em relação ao conjunto que abriga as Estações ferroviárias, em especial a Estação da Estrada de Ferro Central do Brasil, que se encontra subutilizada.

Através dos estudos realizados foi identificada a possibilidade de adaptação dos imóveis para o acesso dos portadores de necessidades especiais, atendendo a legislação especifica, porém ainda existe uma falha cultural em termos de adaptação.

3. RESULTADO E DISCUSSÃO

As pessoas utilizavam a ferrovia como transporte e outras tiveram benefícios com esse serviço, portanto as ferrovias repercutiram fortemente na vida econômica e social, política e militar da sociedade. Atualmente observamos que as edificações da E.F.C.B. e da E.E.F.L. estão sendo subutilizadas. Esse trabalho visa requalificar os edifícios através de estudos sobre acessibilidade e avaliação do espaço, haja vista que, “os conjuntos históricos ou tradicionais (...) constituem a presença viva do passado que lhes deu forma, (...) e, por isso, adquirem um valor e uma dimensão humana suplementares” (CURY, 2004).

Por se tratar de imóveis do inicio do século XIX, estes não foram projetados para atender às pessoas portadoras de deficiências, uma vez que estas eram excluídas pela própria sociedade. Hoje em dia essa visão da sociedade mudou e estas pessoas estão cada vez mais inseridas no contexto da sociedade, inclusive no campo cultural. A acessibilidade em prédios históricos é importante também para resguardar a memória do local, como os prédios ferroviários fazem parte da historia da cidade o acesso a eles é importante, daí a necessidade de adaptar essas edificações.

Na época da construção, não existia preocupação com acessibilidade, porém hoje a tendência é desfazer as barreiras arquitetônicas existentes, criar possibilidades de acesso a pessoas com limitações físicas e sensoriais, adequando as edificações à nova cultura social e com isso, facilitar o resgate da memória da ferrovia. Os imóveis históricos têm que se adequar aos novos usos e atender as legislações em vigor, sem promover discriminações, sem criar exclusão social. A igualdade consta na Declaração Universal dos Direitos do Homem (ONU, 1948), como um princípio fundamental, onde todos tem o direito à acessibilidade a todos os bens e serviços. Quando nos referimos à acessibilidade nos deparamos com numerosos conceitos, portanto, esse estudo será restrito a estudos ergonômicos de acessibilidade nas edificações históricas ferroviárias. Entretanto, “a acessibilidade não esta apenas ligada a fatores físicos-espaciais, mas também as aspectos políticos, sociais e culturais, que influem na realização das atividades desejadas” (OLIVEIRA; BINS ELY, 2006).

Com a mudança cultural mundial, os prédios das estações aqui estudados, prédios públicos, já deveriam permitir acesso a todas as pessoas, eliminando as barreiras físicas existentes sem criar distinção. Para que ocorra uma melhora neste quadro, todos devem se conscientizar principalmente órgãos públicos, gestores atuantes. Esse trabalho objetiva chamar atenção para a necessidade de adaptações de acesso aos prédios históricos ferroviários centrais, incentivar estudos na área do patrimônio histórico e cultural a fim de resguardar a memória e história destes prédios, onde foi estudada a adaptabilidade. Pretende-se através destes objetivos específicos fazer com que ocorra uma valorização do patrimônio ferroviário, da acessibilidade universal, além do resgate de valores culturais, arquitetônicos e ambientais.

O impacto da não adaptação dos espaços, só é percebido pelos próprios afetados, os demais, ditos “normais” não se atentam para esses detalhes cruciais.

O objetivo da acessibilidade é tornar fácil o acesso de todas as pessoas a todos os lugares, de modo que sua locomoção possa ser realizada sozinha, sem a ajuda de outra pessoa. mas, há a dificuldade da inserção de politicas de incentivo, que ocorre devido ao não comprometimento por parte da maioria, dificultando a implantação de novos acessos.

4. CONSIDERAÇÕES FINAIS

Espera-se que este trabalho incentive e conscientize novas pesquisas, envolvendo os profissionais e possibilitando o desenvolvimento de outros trabalhos nos outros imóveis históricos da cidade que sofrem abandono e permanecem inacessíveis para uma parcela da população.

Assim, o objetivo aqui proposto, foi possibilitar a melhoria da vivência urbana por meio da intervenção arquitetônica que possibilite a interação do indivíduo, através de configurações urbanas preocupadas com o espaço publico, para uma melhor qualidade de vida e conforto do usuário; analisar áreas de entorno ferroviário, correlacionando os dados analisados com o contexto local visando uma estratégia de revitalização para essas áreas degradadas de Juiz de Fora, favorecendo a sua dinamização e sua sustentabilidade.

Diante de tais reflexões proporcionando um acesso a todos os públicos e concomitantemente possibilitando melhorias ergonômicas e nos ambientes construídos pode-se gerar uma melhoria na qualidade de vida desses portadores de necessidades especiais e contribuindo com as diversificações dos usos, valorizando o edifício e diminuindo o abando dessas áreas. Além disso, é valido ressaltar que a problemática do uso destes espaços não se restringe somente à acessibilidade física. Os estigmas gerados pelo abandono das edificações reduzem o acesso às Estações. A acessibilidade é uma ferramenta, mas é necessário destacar que os interesses pessoais também contam e podem fazer com que espaços acessíveis tornem-se subutilizados pelo simples fato de não existir uma atribuição de um valor (cultural, histórico ou até mesmo sentimental) por parte deste público.

5. REFERÊNCIAS

ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS ABNT. NBR 9050: Acessibilidade a edificações, mobiliário, espaços e equipamentos urbanos. Rio de Janeiro, 2004.

BINS ELY, V. H. M. et al. Acessibilidade e inclusão em espaços livres públicos. In: Encontro Nacional de Tecnologia no Ambiente Construído, 11. 2006. Florianópolis. Anais. Disponível em: <http://www.arq.ufsc.br/petarq/wp-content/uploads/2008/02/entac-19.pdf>. Acessado em: 12 set 2011.

ESTEVES, Albino. Álbum do Município de Juiz de Fora. Belo Horizonte: Imprensa Oficial do Estado de Minas Gerais, 1915

INSTITUTO DO PATRIMÔNIO ARTÍSTICO E NACIONAL. Instrução Normativa nº1, de 25 de novembro de 2003. Dispõe sobre acessibilidade aos bens culturais imóveis acautelados em nível federal, e outras categorias conforme especifica.

OLIVEIRA, P. História de Juiz de Fora. 2ª edição. Juiz de Fora: Gráfica Comércio e Indústria Ltda. 1966.

OLIVEIRA, A. S. D. A.; ELY, V. H. M. Bins. Avaliação das condições de acessibilidade espacial em Centro Cultural: estudo de caso. In: Encontro Nacional de Tecnologia no Ambiente Construído, 11. 2006. Florianópolis. Anais. Disponível em: <http://www.arq.ufsc.br/petarq/wp-content/uploads/2008/02/entac-20.pdf>. Acessado em: 12 set. 2011.

ONU. Organização das Nações Unidas. Declaração Universal dos Direitos Humanos.1948. Disponível em: <http://www.onu.org.br/conheca-a-onu/documentos/>. Acessado em: 14 set 2011.

UNESCO, 1976. Recomendação relativa à Salvaguarda dos Conjuntos Históricos e sua função na vida contemporânea. Conferência Geral da Unesco, 19a sessão. Nairóbi, 26 de novembro de 1976. In: CURY, Isabelle (org). Cartas Patrimoniais. Rio de Janeiro: IPHAN, Edições do Patrimônio, 2004, p. 217-234.

The Ambient Intelligence for the sake of accessibility in residential projects: a

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