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The State of Working Conditions: “We”, Portugal and Europe Comparative Analysis

Costa, Cláudiaa , Silva, Catarinab, Saraiva, Davidc

a Serviços Municipalizados de Água e Saneamento de Oeiras e Amadora, Oeiras-Portugal, e-mail: cfcosta@smas-oeiras-

amadora.pt; b Faculdade de Motricidade Humana, Cruz Quebrada - Portugal, email: [email protected]; cFaculdade de Motricidade Humana, Cruz Quebrada-Portugal, e-mail: [email protected]

1. INTRODUÇÃO

Os resultados do European Working Conditions Survey (EWCS) desenvolvido e aplicado pela Eurofound (Fundação Europeia para a Melhoria das Condições de Vida e de Trabalho - http://www.eurofound.europa.eu/surveys/index.htm) têm vindo a demonstrar a relevância de se analisar um conjunto mais vasto de variáveis, para além daquelas que tradicionalmente são utilizadas para identificar as doenças profissionais oficialmente reconhecidas, permitindo uma visão mais completa do conjunto de fatores que interferem na saúde e na qualidade de vida no trabalho.

Em Portugal, foram desenvolvidos instrumentos, com esse objetivo, datados de 2001, altura em que foi concebido o inquérito SIT (Barros-Duarte, Ramos, Cunha, & Lacomblez, 2002) e 2007, momento em que foi concluída a primeira versão do INSAT- Inquérito Saúde e Trabalho (Barros-Duarte, Cunha, Lacomblez, 2007) e iniciada a sua aplicação em diferentes sectores de atividade. Os Serviços Municipalizados de Água e Saneamento (SMAS) de Oeiras e Amadora, em parceria com a Faculdade de Motricidade Humana (FMH), procederam à aplicação do INSAT – Inquérito Saúde e Trabalho (Barros-Duarte, Cunha, 2010). Com a aplicação deste instrumento pretendeu-se simultaneamente refletir sobre os constrangimentos de trabalho e o grau de incómodo que lhes está associado e aferir à autoapreciação do estado de saúde.

O objetivo deste artigo é em posicionar os resultados dos Serviços Municipalizados, comparando-os com os dados obtidos no 5º Inquérito Europeu (2010) da European Foundation for the Improvement of Living and Working Conditions no que concerne à média europeia eportuguesa.

2. METODOLOGIA

O INSAT foi aplicado nos SMAS, em sessões coletivas, em sala, de no máximo 10 trabalhadores. Num universo de 404 trabalhadores participaram neste estudo 351, maioritariamente do sexo masculino (67%), tendo a totalidade da amostra uma idade média de 46±9,5 (x±sd) anos.

Pela análise dos dados disponíveis no sítio do Inquérito da Eurofound de 2010, não foi possível a caracterização da idade e género na dimensão da amostra-alvo na Europa (27 países).

A dimensão da amostra-alvo em Portugal foi de 999 pessoas, sendo 52,4% do sexo feminino. O grupo de idades mais representativo situa-se entre os 30 e os 50 anos com 51,8%.

Procedeu-se a uma análise estatística descritiva das questões do INSAT e à comparação de alguns destes dados com os disponibilizados no sítio do European Working Conditions Survey de 2010 (http://www.eurofound.europa.eu/surveys/smt/ewcs/results.htm)

Os resultados serão apresentados de acordo com os grupos de constrangimentos organizados no INSAT: ambientais, físicos, ritmo de trabalho, autonomia e iniciativa, contacto com o público e características do trabalho.

3. RESULTADOS

3.1.Constrangimentos ambientais e físicos

No que diz respeito aos constrangimentos ambientais, a percentagem de trabalhadores dos SMAS expostos a vibrações (13,9%) encontra-se ligeiramente acima da média europeia (12%) mas abaixo da média nacional (16,4%). A exposição a ruído elevado, tanto os valores para Portugal (16,8%) como para os SMAS (18,1%) encontram-se abaixo da média europeia (20,4%). Considerando a exposição a agentes ou substâncias químicas e materiais infeciosos, constata-se que a percentagem de trabalhadores expostos a estes dois constrangimentos é superior nos SMAS (respetivamente 17,2% e 22,1%), sendo que para a exposição a materiais infeciosos esteja muito acima dos resultados obtidos para a Europa (12%) e para Portugal (6,3%). Esta situação pode estar relacionada com a existência de trabalhadores em constante presença destes constrangimentos, nomeadamente, os técnicos de laboratório e os varejadores.

Relativamente aos constrangimentos físicos a perceção da exposição a posições cansativas ou dolorosas é superior nos SMAS (32,7%) face à média europeia (13,2%) e nacional (20,6%). Para a exposição a carregar ou mover cargas pesadas verifica-se que os resultados obtidos nos SMAS (24,8%) se encontram acima dos resultados nacionais (21,3%), mas abaixo dos resultados europeus (26,8%). No que diz respeito à exposição a gestos repetitivos, à semelhança do que acontece para as posições cansativas ou dolorosas, os valores obtidos nos SMAS (40,5%) é superior tanto à média europeia (29,8%) como à média nacional (38%). As exposições a posições cansativas ou dolorosas e os gestos

repetitivos, com resultados superiores à média europeia e nacional, podem estar relacionados, com o facto de existirem três áreas funcionais cuja atividade envolve o trabalho com computador (Administrativos e de Apoio técnico, Dirigentes e Técnicos superiores), e onde é frequente a manutenção prolongada da postura de sentado e a realização de gestos repetitivos. Outras atividades como as do pessoal do laboratório, canalizadores, varejadores, motoristas, obrigam igualmente à adoção prolongada de posturas, à adoção de posturas penosas e à repetitividade dos movimentos.

3.3.Constrangimentos de ritmo e de autonomia e iniciativa

Verifica-se que a dependência face aos colegas para realizar o trabalho nos SMAS (27,5%) é menor face aos resultados europeus (35,9%), e portugueses (37,5%). O mesmo se verifica para o constrangimento depender de exigências de clientes, utentes, com 33,7%, menos de metade, comparativamente aos resultados europeus (73,9%) e nacionais (69,4%). No constrangimento resolver problemas imprevistos sem ajuda, a diferença não é tão acentuada como no caso anterior, mas ainda assim, os trabalhadores dos SMAS (64,7%), revelam estar menos expostos a este constrangimento, ao contrário da média europeia com 83,3% e nacional com 84%.

Para o constrangimento depender de objetivos de produção, de desempenho, a diferença não é muito acentuada, com 38,0% dos trabalhadores dos SMAS a referirem estar expostos a esse constrangimento face a 33,9% para a Europa e 28,5% para Portugal. No caso do constrangimento depender da velocidade de uma máquina ou movimento de um produto, 18,2% dos trabalhadores dos SMAS referem estar expostos a esse constrangimento, sendo que a nível europeu a percentagem de trabalhadores expostos é de 11,8% e a nível nacional 9,7%.

Por último, relativamente ao constrangimento trabalhar com o computador, registamos uma percentagem de trabalhadores expostos a esse constrangimento de 52,3%, enquanto na Europa a percentagem de trabalhadores expostos é de 33,3% e em Portugal 26,8%. Este constrangimento destaca-se, deste modo, significativamente dos resultados europeus e nacionais. Este resultado deve-se, como referido anteriormente, ao facto de três áreas funcionais dos SMAS (Administrativos e de Apoio técnico, Dirigentes e Técnicos superiores) abrangerem mais de metade da população que responderam ao inquérito, e nessas mesmas áreas a atividade ser realizada com recurso permanente ao computador. Em todos os constrangimentos de autonomia e iniciativa os SMAS apresentam uma percentagem de trabalhadores expostos, superior aos restantes dois grupos (Europa e Portugal). Dos quatro constrangimentos, aqueles onde a diferença é mais significativa são, posso escolher ou mudar a ordem das tarefas (78%) face a 68,2% da média europeia e 67,3% da média portuguesa, e posso realizar uma pausa quando quiser (76,7%), face a 46,7% da Europa e 49,6% de Portugal. Este é um aspeto extremamente positivo porque revela que possuem mais autonomia, podendo assim gerir a sua atividade de acordo com as suas capacidades.

3.4.Características do trabalho e constrangimentos de contacto com o público

Relativamente às características do trabalho, observa-se que nas tarefas monótonas, as percentagens de trabalhadores expostos a este constrangimento é elevada na Europa (55,8%) e em Portugal (49,9%), no entanto, os apenas 15,7% dos trabalhadores dos SMAS referem estar expostos a este constrangimento. No caso do constrangimento tarefas complexas, podemos aferir que nos SMAS a percentagem de trabalhadores é muito elevada (41,3%), ao contrário do que acontece na Europa (7,9%) e em Portugal (7,8%). 84,6% dos trabalhadores dos SMAS referem estar expostos a trabalho onde existe aprendizagem de coisas novas. Para este constrangimento os outros dois grupos apresentam valores mais baixos, 69% para a Europa e 63,8% para Portugal. Ao contrário do caso anterior, para a rotação de tarefas que requerem habilidades diferentes, a percentagem de trabalhadores dos SMAS é extremamente elevada (78,4%), comparativamente à Europa (33,4%) e a Portugal (17,6%).

Relativamente ao contacto direto com o público, os SMAS apresentam uma percentagem elevada de trabalhadores expostos a esse constrangimento (65,8%), superior à Europa (55,8%) e à média portuguesa (49,9%). No que diz respeito ao contacto com clientes zangados, os SMAS apresentam uma percentagem muito superior de trabalhadores expostos a esse constrangimento (48,6%), face aos valores apresentados no inquérito europeu para a Europa e especificamente para Portugal (7,9% e 7,8%, respetivamente).

4. CONCLUSÕES

A análise comparativa dos resultados entre as médias europeias, nacionais e dos SMAS, demonstra que esta instituição apresenta resultados que traduzem tanto aspetos negativos, como aspetos positivos na saúde e bem-estar dos trabalhadores. Considera-se negativo, o facto de existirem valores superiores aos níveis europeus e nacionais em constrangimentos com características penosas para o trabalhador, por outro lado é um facto positivo, alguns valores inferiores a estes mesmos constrangimentos e valores superiores em constrangimentos que se apresentam benefícios para atividade diária.

Se por um lado estes resultados sugerem que os trabalhadores se encontram expostos a constrangimentos ambientais, físicos e de ritmo de trabalho (intensidade de trabalho) que acarretam um impacto negativo na saúde e no bem-estar. Por outro lado os constrangimentos de autonomia e as características da organização do trabalho que são identificados pelos trabalhadores são benéficos para a promoção do bem-estar no local de trabalho.

Para o grupo dos constrangimentos das características do trabalho regista-se percentagens elevadas na exposição às tarefas complexas, na aprendizagem de coisas novas, na rotação de tarefas que requerem habilidades diferentes. A

existência de tarefas complexas pode ser vantajoso quando o trabalhador tem competências para as realizar, liberdade para decidir como as realizar e apoio, tanto da parte dos colegas como da chefia, para lidar com problemas imprevistos. É ainda uma característica motivante para os trabalhadores, permitindo-lhes aumentarem as suas capacidades/competências. Também a aprendizagem de coisas novas é um aspeto importante pois significa que permite a evolução de competências por parte dos trabalhadores. No entanto, para que essa aprendizagem e evolução de competência seja positiva, os trabalhadores devem ter formação e autonomia para poderem aprender da melhor forma, caso contrário pode tornar-se um constrangimento (Eurofound, 2011).

O potenciar a autonomia dos trabalhadores na resposta aos obstáculos do dia-a-dia, demonstrando a responsabilidade que cada um tem na sua segurança e na dos outros, e a promoção da participação ativa nas questões de segurança, higiene e saúde no trabalho tem sido elemento fundamental na política de prevenção dos riscos ocupacionais.

Estes resultados demonstram que os trabalhadores encontram-se consciencializados e sensibilizados sobre os riscos inerentes à sua atividade diária fruto da aposta feita pelos SMAS na formação dos seus trabalhadores não só na temática da segurança, higiene e saúde no trabalho, mas também em formações de âmbito organizacional, como gestão do tempo e gestão de equipas.

5. REFERÊNCIAS

Barros-Duarte, C., Ramos, S., Cunha, L. et Lacomblez, M. (2002). Da organização do trabalho à saúde ocupacional: análise das

condições da actividade profissional na indústria têxtil e do vestuário – a especificidade do trabalho feminino. Porto : IDICT.

Barros-Duarte, C., Cunha, L. & Lacomblez, M. (2007), INSAT: uma proposta metodológica para análise dos efeitos das condições de trabalho sobre a saúde. Laboreal, 3, (2), 54-62, from: http://laboreal.up.pt/revista/artigo.php?id=37t45nSU547112311:499682571>. Barros-Duarte, C. & Cunha, L. (2010), INSAT2010 – Inquérito Saúde e Trabalho: outras questões, novas relações. Laboreal, 6, (2), 19-26, from http://laboreal.up.pt/revista/artigo.php?id=48u56oTV6582234;5252:5:5292>.

Eurofound (2011). Evolução ao longo do tempo – Primeiras conclusões do inquérito Europeu sobre as condições de trabalho. Síntese, from: http://www.eurofound.europa.eu/surveys/smt/ewcs/results.htm>.

Avaliação da Metodologia Utilizada nos Estudos Sobre a Relação Entre a Lesão

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