Stop). Aqui, vamos diretamente ao ponto – se você quer produzir imagens com controle
apurado de profundidade de campo (tópico também já abordado anteriormente) é essencial que sua lente possua uma grande abertura de diafragma, isso significa um número próximo (ou mais próximo possível) ao F1.0 (lembrando que, quanto menor o número, maior a abertura). Lentes mais “escuras”, ou seja, com o número de F-Stop mais elevado (F4, por exemplo), não permitirão um controle preciso de profundidade de campo. O problema que os cineastas independentes enfrentam nesse quesito é que as lentes mais claras, ou seja, com grande abertura de diafragma são justamente as mais caras! Portanto, pesquise bastante pois hoje em dia é possível encontrar opções de lentes relativamente claras a preços acessíveis. Mais uma vez, lentes do tipo “zoom” geralmente também irão conter duas indicações distintas de abertura. Isso acontece pois a abertura máxima da íris varia de acordo com o ângulo de visão.
4) ENCAIXES ou “MOUNTS”: Lembre-se que cada modelo de câmera possui também um modelo específico de “encaixe” ou “Bocal” para lentes, portanto, antes de sair comprando lentes, verifique quais são as indicadas para a sua câmera! Caso você deseje lentes específicas não comportadas por sua câmera, é também possível adquirir adaptadores de encaixes. Os mounts mais comuns e populares hoje em dia são os chamados PL, Canon EF ou EF-S, Nikon F, Sony Alpha e Sony E.
5) CONCLUSÃO: Embora seja um assunto complexo e digno por si só de todo um livro, agora o leitor já deve saber ao menos decifrar os números contidos em uma lente bem como avaliar quais os tipos necessários de lentes para seu projeto de acordo com os
enquadramentos, ângulos de visão e profundidade de campo. Já sabe, por exemplo, que uma lente 85mm F1.4 significa uma teleobjetiva clara, ou seja, uma lente que realiza enquadramentos com ângulos de visão mais reduzidos e que necessitam de uma boa distância com relação aos objetos para efetivar o “foco” e que, por natureza, possui um controle bastante apurado de profundidade de campo! Um Diretor de Fotografia seguro deverá, aos poucos, ir juntando um “jogo” de lentes com opções variadas. Com base nas informações acima (e também para chegar a conclusões práticas objetivas), seria ainda coerente afirmar que um cineasta que priorize “qualidade” em suas imagens ou ainda que busque um “film look” deve dar preferencia à lentes fixas e claras. Para seus primeiros projetos cinematográficos, procure adquirir pelo menos uma lente grande angular, uma normal e uma teleobjetiva. Essa “tríade” deverá oferecer bastante variedade de composições e quadros por um bom tempo!
ACESSÓRIOS E SUPORTES
1) TRIPÉ: o “pai” dos acessórios, é o mais básico, popular e fundamental suporte para sua câmera. Porém, justamente por ser tão popular, é amplamente incompreendido (coitado!). Embora seja comum, o tripé é um equipamento complexo que pode ser um grande aliado (se bem escolhido e utilizado) ou apenas mais uma tranqueira dando dor de cabeça! Portanto, não subestime o tripé! Ao escolher um tripé, avalie a “carga” ou “peso” que ele pode suportar com segurança (lembre-se de nunca levar em consideração somente o peso bruto de sua câmera, já que lentes , cabos, monitores e afins podem acrescentar vários quilogramas), considere ainda a praticidade,
90 possibilidades de variação de altura, material constituinte, capacidade de nivelamento e,
fundamentalmente, a “cabeça” do tripé – ou seja, a base onde a câmera será encaixada. A cabeça deve permitir movimentos suaves e constantes, e, para tanto, há uma infinidade de opções no mercado. Lembre-se, portanto, de levar tudo isso em consideração ao adquirir o seu. O preço também pode ser um fator determinante, já que é possível encontrar tripés razoáveis por algumas centenas de dólares ou ainda modelos arrasadores que custam o mesmo que um carro popular! Caso você deseje “mover” ou deslocar o tripé sobre um solo que seja plano e regular, como no interior de um apartamento ou estúdio, uma solução razoável é fixa-lo sobre uma base com rodas ou “rolamentos”, popularmente conhecida como “Estrela”. Caso o solo não seja regular (uma calçada ou um bosque, por exemplo), será necessário preparar um “trilho” sobre o qual o tripé ou câmera poderão deslizar, o que nos leva ao próximo acessório:
2) Dolly, Travelling, Ligeirinho, Trilhos e Slider: Todos esses nomes servem para um mesmo propósito – possibilitar movimento estável para sua câmera (ou tripé) em solo não
necessariamente regular. A mecânica geralmente é a mesma: trilhos retos ou curvos, similares à pequenos trilhos de trem, montados e nivelados. Sobre os trilhos, encaixa-se uma base (que pode ser um “carrinho” ou o próprio tripé) que irá suportar a câmera ou ainda, em casos extremos, o próprio operador de câmera. Antes de comprar um trilho ou slider, leve em consideração o peso suportado por eles bem como a extensão do movimento desejado. Finalmente, teste antes de comprar!
3) GRUAS ou JIBS: Quando se deseja movimentar a câmera em sentido vertical de maneira estável por um percurso de vários metros (como, por exemplo, naquelas tomadas clássicas de final de filme em que o carro vai embora numa estrada e a câmera lentamente vai subindo, subindo....), é necessário ter um suporte de grande porte e mecânica similar à de um guindaste para que a câmera seja fixada na ponta de um “braço”. Esse “braço”, por sua vez, estará fixado à uma base ou tripé. Assim como nos casos anteriores, há uma grande variedade de gruas no mercado, e é sempre crucial saber não apenas qual seu tamanho ou extensão do braço, mas também quanto peso aguentam e como funciona o controle da câmera através do mecanismo de controle da “cabeça remota” da grua. É também aconselhável avaliar a praticidade de montagem e desmontagem da grua (algumas são tão complexas que podem literalmente consumir horas da equipe somente no processo de montagem e ajustes!).
4) ESTABILIZADORES, RIGS, SHOULDER MOUNTS E FOLLOW FOCUS:
Quando se deseja mais liberdade de movimento para a câmera, é comum fazer uso de equipamentos estabilizadores portáteis que permitam ao operador de câmera se deslocar,
caminhar ou até mesmo correr sem, no entanto, provocar uma quantidade indesejável de “tremor” na imagem. É possível encontrar desde coletes equipados com braços hidráulicos e sistema de suspensão nos quais se encaixa a câmera até suportes simples para o ombro sem qualquer tipo de suspensão ou compensação hidráulica. Todos podem ser bastante úteis, especialmente quando a escolha for uma câmera DSLR, que, justamente por seu tamanho reduzido e pouco peso, apresenta um verdadeiro desafio quando o objetivo for uma movimentação estável. Além dos suportes,
91 muitas vezes pode ser interessante (ou até mesmo necessário, para evitar movimentos
involuntários), controlar o foco da lente à uma certa distância (sem precisar tocar na própria lente). Para isso, o acessório mais adequado é o que chamamos de Follow Focus: um aparato em forma de anel de se encaixa na lente e permite manipular o anel de foco através de um sistema de roldanas manual ou eletrônico. Assim como nos casos anteriores, há uma variedade interminável de rigs e follow focus no mercado! Pesquise e teste o equipamento SEMPRE antes de comprar!
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CAPÍTULO 13: COMPOSIÇÃO DE IMAGENS,
ENQUADRAMENTOS, DECUPAGEM E SHOTLIST
DESENVOLVENDO A SENSIBILIDADE VISUAL E CRIANDO UM VOCABULÁRIO FOTOGRÁFICO
Como um artista visual, é essencial que o fotógrafo conheça, estude e aprecie as artes visuais, certo? Para que um guitarrista possa transformar-se em um grande jazzista, não basta conhecer as notas e decorar as escalas, é preciso ouvir muito jazz! O mesmo processo,
evidentemente, é essencial para um Diretor de Fotografia. Estude os grandes mestres da pintura! Saiba diferenciar um Vermeer de um Caravaggio, um Monet de um Van Gogh, um Picasso de um Kandisky! Aprecie as pinturas e imagens com calma, procure descobrir o que provocam e despertam em você, e, finalmente, descubra de quais você mais gosta e que características o atraem – será o enquadramento? O contraste entre claros e escuros? As cores saturadas? Os ornamentos? Hoje, na era da informação, todo este “tesouro” visual está à distância de um click em seu mouse! Só não enriquece culturalmente quem não quer. Museus também estão cada vez mais acessíveis e carentes de público. Faça um enorme favor a si mesmo e visite museus e galerias de arte! Crie o hábito de olhar o mundo como um fotógrafo e desenvolva a sensibilidade para as qualidades que o agradam ou desagradam em determinada imagem. Não é preciso ser um especialista ou curador: basta observar um quadro atentamente por alguns minutos e responder honestamente às perguntas: gosto desta imagem ou não? Por quê? Que sensações ela provoca em mim? Logicamente, o passo seguinte seria a transição para a fotografia e para os grandes filmes! Aqui, eu poderia criar uma lista com centenas de títulos e recomendações atendendo a critérios históricos e acadêmicos, mas prefiro citar apenas alguns nomes atuais que podem ser facilmente encontrados: procure os filmes do diretor Wong Kar Wai, Amor à flor da Pele e Beijo Roubado, ambos famosos pela fotografia refinada e que contam com a assinatura do fotógrafo Pung-Leung Kwan. Perceba como o uso da câmera fortaleceu a narrativa do filme. Na sequência, assista a outros filmes “visualmente” marcantes e fotografados por Anthony Dod Mantle: Quem Quer Ser
um Milionário? (que levou o Oscar de
Fotografia) e Extermínio (cuidado! Embora “fotograficamente” fascinante, este título só deve ser assistido por fãs de filmes de suspense e horror!). Outras sugestões são os filmes A Passagem, dirigido por Marc Forster e fotografado por Roberto Schaefer, e Bagdad Café, dirigido por Percy Adlon e fotografado magnificamente por Bernd Heinl (ambos provam que um bom uso dos enquadramentos e movimentos de câmera pode enriquecer as tramas). Para não deixar nossos conterrâneos e vizinhos sulamericanos de lado – e, também, insuflar nosso ego latino –, não deixe de conferir os filmes fotografados pelo brilhante César Charlone (Cidade de Deus, Ensaio Sobre a
Cegueira, O Jardineiro Fiel e O Banheiro do Papa), Ricardo Della Rosa (À Deriva e Casa de Areia) e
Walter Carvalho (Abril Despedaçado e Central do Brasil). Para os fãs de ume estética radical e ousada, recomendo a fotografia de Brian Tufano (especificamente o filme Trainspotting) ou Tim Maurice-Jones (Snatch, Porcos e Diamantes e Revolver).
Esta lista poderia se estender por páginas e páginas – e ainda assim estar incompleta e não fazer justiça a alguns grandes nomes de nossa arte. No entanto, creio que, com estas dicas, os fotógrafos iniciantes podem criar uma base sólida e eclética acerca de como as decisões de