CAPÍTULO 17: CAPTAÇÃO DE SOM DIRETO PARA
CINEMA INDEPENDENTE
Antes de abordar técnicas contemporâneas de captação de som, vamos compreender certos elementos básicos essenciais:
1) O que significa Som Direto ou ADR? “Som Direto” é o nome que damos ao áudio gravado no próprio SET através dos microfonistas ou operadores de “boom”, enquanto ADR é a sigla para “Additional Dialogue Recording” ou “Additional Dialogue Replacement” e é o nome empregado para o áudio “dublado”, ou seja, os diálogos que são regravados em estúdio. Para se obter um som cristalino e completamente profissional em seu filme, não tenha dúvidas de que grande parte dos diálogos (se não todos!) deverão ser regravados e dublados em um ambiente controlado. Para os iniciantes, muitas vezes essa informação parece chocante, mas acalme-se: a maioria dos filmes que você assiste por aí possui o som inteiramente refeito – o que significa diálogos regravados através de dublagem. Isso ocorre porque no SET de gravação é comum enfrentar problemas que danificam a qualidade do som captado (interferências externas, som de carros, buzinas, vento etc.), dessa forma, o “Som Direto” serve apenas como referência para a montagem e edição da cena, quando então os arquivos serão enviados para o engenheiro de som que deverá coordenar com os atores o processo de dublagem ou ADR. Já vi muitos diretores (especialmente no Brasil onde a prática de ADR não é muito comum – o que resulta em filmes com qualidade de som duvidosa) torcerem o nariz para o processo de dublagem, alegando que os atores não
conseguiriam reproduzir suas falas exatamente da forma que o fizeram no SET de gravação. Ora, isso faz parte do trabalho e das responsabilidades profissionais do ator bem treinado: uma vez que ele assista a cena editada com o áudio provisório de referência, o ator deverá ser capaz de
reproduzir tecnicamente todas as escolhas feitas durante a gravação. O consagrado ator “Marlon Brando” era famoso por gostar particularmente das sessões de dublagem, já que era sua chance e oportunidade de melhorar ainda mais certas escolhas vocais para suas personagens! Mas
abordaremos mais a questão da dublagem ou ADR quando entrarmos na etapa de Pós-produção. Por enquanto, vamos depositar nosso foco no SET de gravação e na captação do Som Direto: nem todos os filmes (ou todas as cenas) exigem dublagem. Pode ser possível obter Som Direto de grande qualidade durante uma produção (especialmente se as cenas forem gravadas em
ambientes silenciosos ou controlados como estúdios), o que descartaria o processo de ADR. Além disso, é também comum que cineastas independentes possuam pouco tempo e dinheiro para as longas e intrincadas sessões de dublagem, o que os forçará a utilizar o Som Direto na edição final de seus projetos. Nesse caso, todo cuidado é pouco e a gravação de áudio no SET deve ser minuciosamente planejada e realizada com rigor para garantir a melhor qualidade possível.
2) Tradicionalmente, para o cinema registrado em película, todo o áudio é captado em gravadores externos e posteriormente sincronizado durante a montagem/edição. Isso ocorre pois utilizando- se bons gravadores externos é possível utilizar mais canais (ou seja, mais microfones espalhados pelo SET), bem como realizar ajustes de volume e equalização que geralmente as câmeras não permitem. Evidentemente, também é possível registrar o som na própria câmera (determinados
121 tipos de filme/película possibilitam a gravação de áudio, assim como nas câmeras de vídeo), mas,
conforme já citado anteriormente, os controles e ajustes de áudio da câmera sempre serão inferiores
aos controles disponíveis em gravadores externos criados especificamente para esta tarefa. Além disso, ao conectar mais cabos e unir os microfonistas aos operadores de câmera, toda a
movimentação no SET pode ficar menos livre e mais arriscada, correto? Finalmente, após o
processo de captação de som de maneira independente, os arquivos de áudio são transferidos para a “ilha de edição” e sincronizados com os arquivos de vídeo. Para realizar o processo de
sincronização, dois elementos são fundamentais: as planilhas do “Logger” ou do “Assistente de Direção”, onde será possível verificar quais são os arquivos de áudio e imagem correspondentes (conforme já vimos anteriormente nas sessões dedicadas aos AD´s e Loggers), e a imagem e som da claquete, que servirá como referência fácil para sincronia (o movimento da claquete e o som produzido pela “claquetada” são fortes e claros, assim, basta localizar na imagem – seja película ou vídeo – o momento preciso da “batida” da claquete e “arrastar” a onda sonora correspondente no arquivo de áudio para o mesmo lugar e voila! – a cena estará sincronizada!). Ainda no quesito sincronia, hoje em dia existem softwares e plug-ins que realizam a sincronia automaticamente, no entanto, por segurança, não descarte a claquete!
Após esclarecer esses dois conceitos básicos, o cineasta independente deverá fazer uma escolha importante: o “Som Direto” será registrado na própria câmera ou através de gravadores externos? Assim como no Cinema tradicional registrado em película, no Cinema Digital as duas opções são possíveis, porém apresentam vantagens e desvantagens: registrar o áudio diretamente na câmera será mais simples, prático e barato, além do fato de que vídeo e som já estarão
sincronizados. Por outro lado, as câmeras possuem recursos bastante limitados de controle de áudio e os cabos de conexão entre câmera e microfone podem representar um grande entrave de movimentação em seu SET! Portanto, se for possível, opte pela gravação externa independente. Hoje em dia é possível encontrar gravadores portáteis e robustos a preços acessíveis (em seguida você verá as especificações técnicas mínimas necessárias para um bom gravador). Finalmente, há uma terceira opção de gravação externa e independente de Som Direto: o áudio pode ser
registrado diretamente num Laptop, para tanto, basta obter uma placa externa de áudio (que possibilite conectar microfones profissionais à seu computador) e instalar um software de gravação como ProTools, Adobe Audition, SoundBooth, Cubase ou outro equivalente de sua preferência.
IMPORTANTE: Caso você opte por gravar o Som Direto separadamente (o que provavelmente seria mais indicado), lembre-se de registrar ou “logar” CADA arquivo de áudio gravado com o nome ou número do arquivo e sua correspondência em arquivo de vídeo! Assim, ao capturar ou
“descarregar” seus arquivos de vídeo e áudio em seu computador, basta consultar sua planilha para verificar qual arquivo de som corresponde a cada arquivo de vídeo. Todo cuidado é pouco! Falhas ao anotar essas correspondências e equivalências podem representar dores de cabeça e atrasos enormes durante a edição! Por outro lado, caso você opte por gravar o som diretamente em sua câmera, verifique antes que ela possua “entradas” para canais de áudio com plugues XLR ou ainda, no jargão popular, entrada “canon”. Explicando: todo cabo de áudio possui plugues de conexão, certo? Há uma grande variedade de plugues no mercado, sendo os mais comuns os chamados P10
122 ou “banana” (encontrados, por exemplo, em cabos de guitarra), os P2, P1 ou “mini” (encontrados
nos cabos de headphones, por exemplo) e finalmente os plugues XLR ou “canon” (encontrados em cabos de microfones profissionais, esses plugues são característicos por possuírem três “pininhos” de um lado e três “buraquinhos” do outro”). Indiscutivelmente, as conexões XLR são superiores por diversas razões e a transmissão dos sinais de áudio é mais confiável, robusta e balanceada (a título de curiosidade, a sigla XLR representa os canais “direito” ou R – right, esquerdo ou L-left, e o “Terra” ou X). Portanto, fica aqui a dica: se a sua câmera NÃO possui entradas de áudio XLR, NÃO grave o som de seu filme diretamente na câmera! Invista um pouquinho e compre um gravador externo com entradas XLR, pois o resultado será certamente incomparável. Caso sua câmera possua entradas para microfone utilizando conexões P2 ou “Mini” (o que é bastante comum nas populares câmeras DSLR), não adianta comprar um adaptador P2 - XLR! Não gaste seu dinheiro à toa, afinal de contas, o áudio será eventualmente transmitido à câmera através do sinal das entradas P2. No lugar de um adaptador, compre um gravador externo.
Finalmente, independente de gravar o Som Direto na câmera ou em um gravador externo (cujas especificações técnicas serão abordadas a seguir), vai aqui uma lista essencial que deve ser rigorosamente observada para garantir a melhor qualidade possível na captação do som em seu projeto:
• Utilize um bom microfone! Lembre-se, o barato sai caro. Jamais procure economizar ao comprar um microfone, isso será um investimento
necessário e duradouro. Descarte também os microfones que já vem com as câmeras. Embora alguns possam ser razoáveis, jamais podem ser comparados à microfones profissionais específicos comprados
separadamente. Dê preferência à microfones direcionais condensadores (também conhecidos como “shotgun”). Algumas marcas conhecidas e confiáveis incluem Sennheiser, AKG, Rode, Shure, Audio Technica e Superlux. Não são microfones baratos (os preços geralmente começam ao redor de algumas centenas de dólares), mas valem cada centavo. Garanta que a conexão do microfone é XLR e verifique se ele precisa de
alimentação de energia. Caso energia seja necessária (o que acontecerá na maioria dos casos), garanta que sua câmera ou gravador externo possua o recurso de “enviar” energia para o microfone (recurso geralmente conhecido como “Phantom Power”).
• Compre bons cabos e bons Headphones para monitoração. Lembre-se que o sinal de áudio será transmitido através dos cabos, portanto não faz sentido comprar microfones maravilhosos e cabos ruins! Além disso, cabos quebram com facilidade, portanto, aproveite que aqui o investimento não será tão salgado e compre cabos de reserva (sugiro também que você sempre tenha em mão ferramentas adequadas para reparar cabos no SET de gravação!).
123 • Compre uma “vara de boom” leve e comprida. A vara de boom é
literalmente a “vara” em cuja extremidade você deverá encaixar seu microfone. É essencial que ela seja comprida assim o microfonista pode ficar fora do plano enquadrado pela câmera e ainda assim aproximar bastante o microfone dos atores. É ainda essencial que ela seja feita de material muito leve (cabos de vassoura estão portanto descartados) já que o microfonista provavelmente ficará segurando essa vara em posições nem sempre agradáveis por horas e horas!
• Garanta que o microfone esteja o mais próximo possível dos atores (sem invadir o “quadro”) e aponte sempre o microfone diretamente para a boca dos atores! Pode parecer uma informação óbvia, mas ao longo das horas de gravação é possível que o microfonista se distraia e deixe de apontar o microfone para a direção ideal. Em situações de diálogos, o microfonista deve praticar movimentar a vara de boom sem produzir ruídos de modo a acompanhar sempre o ator que estiver falando. Dependendo da movimentação da cena e das personagens, isso pode exigir bastante prática e até mesmo ensaios!
• Caso seja necessário (especialmente em caso de gravações externas), adquira acessórios para reduzir o impacto e o som do vento em sua gravação. É fácil encontrar “protetores” de microfones também
conhecidos como “zeppelin”, “windshield”, windscreen ou “Wind muffs”. Geralmente são capas leves (algumas com feltro sintético) que envolvem o microfone e podem auxiliar bastante em caso de vento!
• Garanta que todos os membros da equipe estão com seus celulares desligados e, se necessário, peça para que todos (exceto os atores, obviamente) removam seus sapatos e utilizem meias para andar pelo SET. Isso minimiza bastante os ruídos e chiados indesejados. Verifique também objetos de cena como cadeiras de palha ou outros móveis que possam fazer muito barulho. Se possível, livre-se deles ou os substitua! Lembre-se de fazer essa verificação ANTES do dia da gravação.
• Realize testes de gravação de áudio nos cenários e locações escolhidas, assim você saberá de antemão se há problemas específicos de barulho que precisam ser abordados (som de geladeira, interferência de rádio etc.).
• Sempre grave pelo menos um minuto de SOM AMBIENTE em cada locação utilizada (som ambiente consiste no som natural de cada lugar, sem que ninguém esteja falando ou produzindo barulho). O som
124 ambiente pode ser necessário no momento de montar/editar o filme e
preencher lacunas (por exemplo, ao apagar o som de uma buzina ao fundo, você precisará “enxertar” o buraco de som com um “pedaço” de som ambiente daquela locação).
• Caso você precise comprar um gravador externo de áudio, dê preferência à um gravador que possua entradas XLR, recurso de Phantom Power para alimentar microfones e capacidade de gravação em 24bits/96kHz (as mesmas preferências podem ser verificadas numa placa de áudio caso você prefira gravar o som diretamente em seu laptop).
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CAPÍTULO 18: A SEGUNDA UNIDADE
Após explorar detalhadamente todas as funções e responsabilidades essenciais de uma equipe de cinema bem como os passos que cada profissional deve percorrer para garantir que seu filme seja realizado, é chegado o momento de explorarmos uma espécie de “equipe paralela” comumente empregada na realização de grandes projetos: a equipe de “Segunda Unidade”. Tradicionalmente, uma equipe de Segunda Unidade possui duas funções principais:
* Gravar material adicional que não exija a presença do elenco – há uma enorme diversidade de “cenas” que podem ser inseridas num filme e que não precisam contar necessariamente com os atores principais. Por exemplo: planos de ambientação ou paisagem (basta lembrar dos momentos tão comuns nos filmes em que somente imagens de uma determinada cidade aparece, ou ainda, imagens de um campo, estrada ou área rural que visam unicamente “ambientar” a audiência com relação ao lugar onde a história acontece, sem que haja personagens presentes ou ações específicas. Os famosos e populares “planos” ou “filmagens” aéreas também podem se enquadrar facilmente nessa categoria), “inserts” (detalhes que devem aparecer nos filmes para garantir que a história faça sentido e fique coesa ou “amarrada”. Por exemplo, suponha que um “serial killer” dirija sempre um carro preto com a placa “KILL999”, pode ser necessário gravar várias tomadas somente da placa do carro arrancando ou estacionando para utilização na edição do filme. Evidentemente, não é necessário que o elenco esteja presente para essas gravações), e qualquer outro tipo de sequência que não exija a presença física dos atores. Delegar uma equipe exclusiva para cobrir e gravar esse tipo de
material pode economizar bastante tempo e dinheiro, já que o Diretor pode estar com seu elenco e toda sua equipe de primeira unidade gravando as cenas com as personagens ao mesmo tempo em que outra equipe grava todo o material adicional.
* Filmes com sequências particularmente perigosas ou arriscadas também exigem os esforços dessa equipe exclusiva: perseguições de carros ou motos, tiroteios, lutas ou brigas físicas extenuantes, explosões etc. na maioria das vezes não precisam e nem devem ser gravadas com o elenco principal, a fim de zelar pela segurança de todos. Manusear armamentos (ainda que especialmente preparados para cinema), preparar explosivos ou automóveis em rota de colisão são habilidades delicadas que exigem conhecimento específico e atenção de profissionais que se dediquem exclusivamente ao planejamento e execução de tais sequências. Equipes de dublês, “armeiros” (ou responsáveis táticos, oficiais e legais por armas de fogo), peritos em explosões e pilotos especializados também integram a equipe de Segunda Unidade e somente eles podem garantir que sequências arriscadas resultem em gravações de êxito, aliando segurança ao visual desejado pelo Diretor. Vale ressaltar aos cineastas independentes que, além de arriscado e perigoso, a manipulação de explosivos ou armas de fogo (bem como réplicas ou simulacros) por parte de civis é ilegal! Ao planejar ou gravar cenas que envolvam tais artifícios, não pensem duas vezes antes de entrar em contato com
profissionais da área. Mesmo sequências aparentemente inofensivas utilizando armas brancas (como facas ou espadas), bastões ou combate corpo a corpo podem resultar em lesões ou problemas desnecessários. Existe uma técnica específica bastante popular nos Estados Unidos e Europa chamada “STAGE COMBAT” ou “SCREEN COMBAT” (combate para palco ou tela), que consiste especialmente em criar situações de violência com aparência extremamente real SEM no entanto colocar os atores ou dublês em risco. Há mitos bastante difundidos na indústria audiovisual brasileira de que tapas, socos e chutes em cinema ou teatro devem ser reais. Há também o mito de que é possível gravar cenas de luta ou briga com movimentos lentos e depois acelerá-los no processo de edição. Atenção cineastas: são apenas mitos! Os atores são contratados e convidados para atuar, e violência física não faz parte da arte da interpretação! Por outro lado, tentar gravar golpes lentamente para acelerá-los depois também não funciona. A imagem fica falsa e a qualidade dos movimentos fica irreal e mecânica. Isso explica, em parte, por que as cenas de ação da televisão e do cinema nacional (com algumas exceções, é claro!) ainda deixam tanto a desejar para as sequências de ação dos
126 seriados televisivos ou filmes estrangeiros. Para aqueles que se interessam em dominar o assunto, as
técnicas de “Stage Combat” ou “Screen Combat” bem como treinamento tático com armas de fogo e armas brancas para utilização em cinema ou teatro são matérias e disciplinas regulares abordadas nos cursos do Instituto Stanislavsky no Latin American Film Institute (LAFilm).
Como o leitor já deve ter percebido é também essencial que todo o material produzido e gravado pela equipe de Segunda Unidade esteja em harmonia artística com o material gravado pela equipe de Primeira Unidade. Sendo assim, uma equipe completa de Segunda Unidade também deve contar com um Diretor, Diretor de Fotografia, Assistentes de Direção e por aí a fora. Além disso, é fundamental que os Diretores e fotógrafos das duas unidades estejam em constante comunicação para que o material siga a mesma proposta de linguagem artística e possa ser facilmente integrado no processo de montagem e edição. Logo, em grandes produções, é bastante comum verificar que a equipe de Segunda Unidade é tão extensa quanto a equipe de Primeira Unidade. O tamanho e as responsabilidades dessa equipe, porém, serão determinadas pelo escopo particular de cada projeto.
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CAPÍTULO 19: A PÓS-PRODUÇÃO – MONTANDO E
EDITANDO SEU FILME
Chegamos à uma das etapas mais demoradas e tecnicamente complexas da realização
cinematográfica: a Pós Produção. Embora nessa fase aconteça a etapa mais incrível da “magia” do cinema (já que literalmente começamos a ver o filme surgir frente aos nossos olhos!), a Pós também exige uma dose enorme de paciência, conhecimento técnico-matemático em áreas diversas além de grande sensibilidade artística, e é provavelmente essa soma complexa de fatores que faz da Pós o maior “cemitério” de filmes de todos os tempos ( é comum ver projetos que foram planejados, criados, préproduzidos e completamente gravados para depois serem abandonados na etapa de Pós produção devido à falta de domínio técnico, mão de obra especializada – know-how – ou até mesmo falta de paciência para percorrer todos os passos finais da realização
cinematográfica).