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1. O envolvimento dos atores

2.2 Critérios de implementação

2.2.4 Acompanhamento

A necessidade de acompanhamento ao processo de participação através de um apoio técnico que assegura o correto andamento dos trabalhos é mais premente quando se recorre a métodos deliberativos de envolvimento. Assim, o aumento do nível de envolvimento promovido (de informar, a consultar, a envolver, a colaborar e até de capacitar) corresponde ao aumento da complexidade do processo de participação, decorrente de novas formas de distribuição de poder e de combinação de interesses.

A complexidade acrescida dos processos de participação resulta igualmente do alargamento dos interesses envolvidos, pela combinação de múltiplos atores. Bryson et al. (2013) defendem que, no sentido de gerir o conflito originado pelo aumento da diversidade dos interesses envolvidos, é necessário estabelecer uma agenda clara e um conjunto de regras que organizem o trabalho conjunto. A resolução dos conflitos originados pelas diferentes perspetivas / interesses implica o recurso a metodologias próprias já abordadas - facilitador, moderador ou mediador.

“A conceção e implementação da participação pública requerem uma liderança eficaz - e cada vez mais à medida que o nível de participação pública aumenta” (Bryson et al., 2013, p.28). Assim, o aprofundamento da participação implica a complexidade acrescida do processo, gerando problemas cada vez mais difíceis. Com a transferência de poder inerente

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aos níveis superiores de participação, o apoio deriva da liderança da discussão para o acompanhamento, ajudando os participantes a que a discussão seja produtiva.

Bryson et al. (2013) propõem que a liderança da participação resulta da combinação de três papéis: os patrocinadores, os dinamizadores e os facilitadores. Os patrocinadores legitimam e garantem a participação, atribuindo-lhe recursos (humanos e financeiros), o que no contexto português corresponde às entidades públicas. Os dinamizadores não possuem poder efetivo, baseiam a sua autoridade nas interações diárias e no acompanhamento próximo da participação, gerando laços de confiança, sendo eles que garantem o andamento do processo, envolvendo e mobilizando. Por fim, aos facilitadores cabe o papel de acompanhar as interações, assegurando a neutralidade do processo de participação, o equilíbrio entre os atores e evitando conflitos improdutivos.

Por outro lado, as disparidades de poder implicam igualmente uma avaliação da sua premência no grupo de atores envolvido, no sentido de proceder à sua compensação.

Ao desenvolver processos participativos a questão não se coloca apenas sobre quem participa, é igualmente pertinente discutir de que forma participa, sendo que existem sempre disparidades de poder entre os participantes, que podem pôr em causa a qualidade das soluções obtidas. Fung & Wright num artigo de 2001, sintetizam a desigualdade de poder em três grandes grupos:

(i) diferenças económicas, decorrentes do perfil social de cada indivíduo,

(ii) diferenças de conhecimento e informação, genericamente sintetizadas na dicotomia peritos vs leigos, e

(iii) diferenças de competências, que ao nível da capacidade discursiva e argumentativa, decorrentes das experiências de vida e contexto profissional, condicionam performances distintas.

O facilitador surge neste contexto como um amenizador das diferenças que garante que todos têm igual possibilidade de se pronunciar, compatibiliza os diferentes níveis de discurso e desenvolve formas de incorporar a opinião dos menos aptos à discussão verbal. Se o facilitador falhar na amenização destas diferenças os resultados podem ser condicionados pela manipulação da informação (quem tem mais poder pode fazer prevalecer os seus interesses, investindo numa informação mais pormenorizada e desigual face às restantes) e da discussão (caso possam direcionar a sessão, os grupos mais poderosos evitarão as questões que não lhe interessam, focando por exclusão, apenas os assuntos que podem dominar/controlar). Para Fung & Wright (2001) o recurso à deliberação depende da existência de um equilíbrio de poder, ainda que grosseiro.

O equilíbrio de poder entre os participantes e o desenvolvimento de uma liderança participada constitui, segundo Bryson et al. (2013), uma oportunidade para reforçar os laços entre os participantes, aumentar o seu envolvimento e a sua capacidade de assumirem o processo posteriormente.

“Os responsáveis pela convocação e gestão o processo precisam de ser hábeis em identificar desequilíbrios de poder potenciais e existentes e em alcançar diversos públicos, para garantir que todos os pontos de vista da comunidade têm igual oportunidade de serem ouvidos e de participar na partilha de informação” (Hibbard & Lurie, 2000, p. 194). Desta forma, o acompanhamento da participação é fundamental para assegurar as condições para um diálogo equilibrado, garantindo a qualidade dos resultados.

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“Códigos de poder subtis - como o tipo de informações e estilos de expressão que são considerados relevantes e adequados - condicionam quem participa no processo e como os seus contributos são recebidos” (Bryson et al., 2013, p. 29). Apenas um acompanhamento técnico adequado pode minimizar o impacto das diferenças de poder entre os participantes.

Retomando a tipificação da participação em termos dos objetivos propõe-se diferentes formas de acompanhamento (preparação prévia; assegurar que a discussão é acessível; fornecer e validar informação técnica; facilitar a participação de todos; e moderar a discussão evitando conflitos).

Genericamente o apoio técnico à participação justifica-se quando o envolvimento é deliberativo, no entanto, também se justifica noutras situações e por diferentes motivos.

Assim, tanto na discussão das opções como na coprodução da decisão, o apoio técnico procura evitar a manipulação da discussão e/ou da informação, assegurando que todos têm oportunidade de participar, para além de moderar a discussão (evitando o conflito), equilibrando as disparidades de poder e/ou informação.

Quando se pretende capacitar os cidadãos, embora se preconize o recurso a métodos deliberativos, o foco é sobre o processo, pelo que o apoio técnico procura moderar a discussão, mantendo o equilíbrio entre os atores, criando as condições para que se desenvolvam laços de confiança.

Caso o objetivo seja assegurar apoios, o apoio técnico deve permitir que todos sejam ouvidos, para que os participantes confiem nos resultados da participação. Segundo Bryson et al. (2013), deve-se apostar na justeza dos procedimentos para assegurar o apoio nos resultados, ainda que estes não sejam consensuais.

Nas situações em que se pretende educar para a participação o apoio técnico (embora neste caso possa não ser profissional) é importante para explicar as escolhas técnicas, constituindo uma boa oportunidade para mudar comportamentos, numa abordagem pedagógica.

Se o objetivo passa por dar voz aos excluídos, o apoio técnico é fundamental antes do início da participação criando as condições para que a mesma ocorra. Da mesma forma, ao longo do processo de participação, quando se pretende dar voz aos excluídos, é necessário acautelar o tipo de linguagem e a dinâmica da discussão, para que todos (particularmente os atores menos habituados a manifestar a sua opinião) tenham oportunidade de participar.

Para aumentar a equidade é necessário garantir que o processo de participação, para além da escolha criteriosa dos atores envolvidos, é equilibrado ao nível das participações, ou seja, que não é manipulado por um grupo de atores, anulando as diferenças prévias.

Quando se pretende acolher as dinâmicas, o apoio técnico assume outras componentes (considerando que as entidades públicas acolhem este processo e lhe prestam apoio) para além de equilibrarem os atores, e porque se recorre a métodos ativos, é necessário moderar a discussão, evitando conflitos e validar a informação (fundamentando os resultados).

A Figura 10 procura relacionar os objetivos da participação com o apoio técnico considerado adequado.

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