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3. O processo de participação numa rede pedonal

3.2 Contexto e objetivos

3.2.1 Contexto existente

A avaliação do contexto passa pela ponderação das dinâmicas existentes na forma como tornam as instituições, os políticos e os atores mais predispostos para o recurso à participação, bem como a solução de financiamento existente.

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O processo de decisão inicia-se com a encomenda de um estudo para a sinalização da rede pedonal do Cávado, sem qualquer referência à participação.

A CIM do Cávado, responsável pela encomenda, apresenta fruto do seu enquadramento legal maior predisposição para soluções colaborativas em detrimento de respostas impositivas. As Áreas Metropolitanas e as Comunidades Intermunicipais foram constituídas em 2008, na sequência de um longo processo de discussão em torno da necessidade de estabelecer uma escala intermédia e da obrigação legal de criar regiões administrativas (vulgo regionalização). Os estatutos e competências destas entidades encontram-se atualmente estabelecidos pela Lei n.º 75 de 12 de setembro 2013.

Estes órgãos encontram-se debilitados em termos de legitimidade política uma vez que não resultam da eleição direta dos cidadãos, sendo constituídos através da votação dos presidentes dos municípios envolvidos. Assim mantêm a dependência face aos municípios, uma vez que as decisões estão condicionadas ao acordo voluntário destes, e permanece a dificuldade em encetar estratégias globais que não resultem do somatório das vontades de cada autarca. A possibilidade de coordenação, uma das principais metas do nível intermédio, fica condicionada à capacidade de gerar consensos.

Desta forma, apesar da entidade responsável pela elaboração do estudo ser a CIM do Cávado, a decisão de o iniciar dependeu da aprovação de todos os municípios, representados pelos respetivos presidentes, no Conselho Intermunicipal. A jusante, o tema em questão, estando na alçada dos municípios, ao nível da gestão do espaço público e das infraestruturas locais, dependia desde logo do acordo destes para que a solução encontrada pudesse vir a ser implementada.

O estudo da rede pedonal, cujo objetivo passa por enquadrar uma candidatura a financiamento da sinalização dos caminhos identificados, enquadra-se nas competências atribuídas ao seu Secretário Executivo, particularmente face ao exposto na alínea e, do ponto 1, do artigo 96.º, da Lei n.º 75 de 2013:

“Participar na gestão de programas de desenvolvimento regional e apresentar candidaturas a financiamentos através de programas, projetos e demais iniciativas”.

Mas é ao Conselho Intermunicipal que compete, com base no exposto pela alínea e, do ponto 1, do artigo 90.º, da mesma Lei:

“Propor ao Governo os planos, os programas e os projetos de investimento e desenvolvimento de interesse intermunicipal”.

Desta forma, a instituição que encomenda o estudo apresenta um enquadramento legal que a predispõe a recorrer ao envolvimento de atores no processo de decisão uma vez que embora possua autoridade, não possui poder sobre os municípios, esfera administrativa inferior. Por outro lado, a capacidade de gerar consensos, envolvendo outros atores para além dos municípios, em torno das decisões reforça-as e facilita a sua implementação.

A equipa responsável pela elaboração do estudo possui uma ampla experiência em processos negociais e na conjugação de interesses em torno de uma solução consensual. Assim, desde o início do estudo referiu a importância de envolver os atores relevantes no processo de decisão, tanto pelo conhecimento que possuem como pela necessidade de os envolver na gestão posterior de rede. Desta forma, os municípios não são apenas envolvidos politicamente, enquanto decisores, mas tecnicamente, como detentores de um conhecimento profundo do território. Por outro lado, para além dos municípios, que necessariamente

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teriam de validar o desenho da rede, outros atores são desde o início convocados. A valorização da gestão a prazo da infraestrutura, tanto em termos da sua manutenção mas, acima de tudo, em termo da sua divulgação e utilização, recomenda o envolvimento de outros atores, dando início a um trabalho em rede.

Existem inúmeros atores a trabalhar sobre os caminhos, no entanto com um foco temático ou territorial distinto do que foi proposto para o presente estudo. Muitos destes atores agregam conhecimento profundo sobre determinado aspeto a que dificilmente se acederia sem o seu envolvimento direto no processo de decisão. A encomenda pressupunha o domínio do pormenor num território com cerca de 1200 quilómetros quadrados. Nenhum dos atores domina de forma integral o território, mas é especialista em determinada área ou tema, pelo que importava reunir e articular este conhecimento disperso.

A análise dos atores relevantes para o tema em estudo é parte fundamental da avaliação do contexto, no sentido de reconhecer a sua diversidade, as relações entre os atores e os interesses que possuem na questão. No corpo teórico foi desenvolvida a problemática da ação coletiva, em relação à necessidade dos atores possuírem interesses sobre o tema em discussão e de sentirem que podem beneficiar dos resultados, enquanto fator de motivação para participarem. A distribuição de poder e informação, entre os diversos atores, deve igualmente ser acautelada para que a participação seja equilibrada e equitativa.

A maioria destes atores não se conhecia entre si, trabalhando se forma isolada sobre os caminhos. Assim, embora perspetivando os caminhos de diferentes formas os diversos atores apresentavam interesses sobre a questão.

A promoção de um conjunto de caminhos enquanto uma rede, devidamente organizada e articulada, resulta num ganho para cada um dos troços, uma vez que permite ganhar massa crítica e visibilidade, potenciando o seu valor intrínseco. Assim, os vários atores possuíam vantagens em participar na medida em que podiam condicionar a concretização desta rede. Por outro lado, a definição de uma rede de caminhos constituía a oportunidade de capitalizar o investimento individual de cada um dos atores.

Em termos de financiamento, o processo de participação foi incluído no estudo, transferindo parte das verbas destinadas à recolha de informação e levantamentos no terreno. Desta forma, uma vez que a participação substituiria parte do processo de decisão não representava um custo adicional. Para além do acesso a informação, o recurso à participação no processo de decisão permitia aceder a vários benefícios, nomeadamente o reforço da decisão e o estabelecimento de uma rede de atores para apoiar a gestão posterior. Assim, face à avaliação do contexto considera-se que estavam reunidas as condições para iniciar um processo de participação:

 A CIM, pelos seus estatutos, está vocacionada para o envolvimento de atores no processo de decisão e para a negociação das soluções em detrimento de decisões impositivas;

 A equipa responsável pelo estudo apresenta competências, fruto da experiência noutros estudos, na articulação de atores e no desenvolvimento de soluções que resultam do compromisso de interesses diversos;

 Os atores relevantes para a rede de caminhos tendo trabalhado de forma isolada, quer em termos temáticos, quer em termos territoriais, têm a oportunidade de

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capitalizar o investimento individual numa rede que ganha escala e por isso visibilidade;

 Os custos da participação são supridos pela transferência de verbas destinadas à recolha de informação, sendo que a participação poderá resultar em benefícios adicionais.