MACHADO, Anahy da Silva¹ SEHNEM, Graciela Dutra² ROSA, Mariane Daronc³ MONTEIRO, Amanda Suélen4
GONÇALVES, Cibele Aires 5 BARROS, Amanda P. Zubiaurre61
Introdução: Com a implementação do Sistema Único de Saúde (SUS), as ações de saúde têm sido baseadas nas diretrizes estabelecidas, de forma que principalmente a atenção primária à saúde (APS) tenha a capacidade de analisar e propor modificações no perfil populacional de abrangência, com o objetivo de melhorar a qualidade de vida¹. Com isso, criou-se as Estratégias Saúde da Família (ESF) que orientam e normatizam as ações da APS, a partir de equipes de referência, população adstrita e sistematização do processo de trabalho. Também, o Ministério da Saúde estabeleceu a Portaria GM/MS 221 de 17 de abril de 2018², a qual refere-se à lista brasileira das condições sensíveis à atenção primária, no intento de contribuir para a diminuição dos índices de hospitalizações por causas evitáveis na APS. O apoio técnico dessa lista possibilita analisar por meio de indicadores a qualidade, resolutividade e a necessidade de propor melhorias na assistência das APS. Um público que vem se destacando pelas internações por condições sensíveis à atenção primária refere-se aos adolescentes, fato esse que pode estar relacionado ao período de descobertas, incertezas e mudanças vivenciadas. A adolescência é marcada por uma fase transitória ao deixar a condição de criança e ter de se preparar para a vida adulta. Assim, percebe-se a importância de acompanhamento da APS a esse público, pois além de todas as novas vivências não possuem o hábito de procurar o serviço de saúde da atenção básica. As estratégias que promovam a aproximação, a criação de vínculo e a confortabilidade para o diálogo são fundamentais para a prevenção de internação hospitalar ou surgimento de agravos às patologias crônicas. Para isso, verifica-se a necessidade de a enfermagem conhecer o contexto de sua comunidade, bem como os fatores de riscos que esses adolescentes estão expostos, realizando ações preventivas para evitar o surgimento de novas doenças e agravamentos de quadros clínicos já estabelecidos. Objetivo: Descrever a experiência em coleta de dados com adolescentes internados por condições sensíveis. Metodologia: Trata-se de um estudo descritivo e exploratório, do tipo relato de experiência, oriundo da primeira fase de coleta de dados de um projeto matricial. Este projeto objetiva analisar a saúde do adolescente a partir das internações por condições sensíveis à atenção primária na rede pública de Santa Maria/RS. Tal proposta é constituída por duas etapas, sendo a primeira a coleta de dados com abordagem quantitativa, realizada em um hospital público de médio porte e alta complexidade. Nesta etapa, foram incluídos o Pronto-Socorro Pediátrico (PS Ped), a Unidade de Internação Pediátrica (UIP), o Pronto Socorro Adulto (PS Adulto) e a Unidade de Internação de
1 Acadêmica de Enfermagem do 5º semestre da Universidade Federal de Santa Maria, Bolsista FIEN 2019. Email: [email protected];
²Professora do Departamento de Enfermagem. Doutora em Enfermagem. Universidade Federal de Santa Maria (UFSM);
³Acadêmica de Enfermagem do 6º semestre da Universidade Federal de Santa Maria, Bolsista FIPE 2019;
4 Acadêmica de Enfermagem do 5° semestre da Universidade Federal de Santa Maria, Bolsista PROIC-HUSM 2019; 5 Acadêmica de Enfermagem do 8° semestre da Universidade Federal de Santa Maria;
6 Enfermeira, Mestranda em enfermagem pelo Programa de Pós Graduação em Enfermagem da Universidade Federal de Santa Maria (PPGEnf/UFSM).
Clínica Médica para a seleção dos participantes. Na segunda etapa de cunho qualitativo, os dados serão coletados no contexto domiciliar, escolar e nos serviços de atenção primária. Os participantes selecionados para o estudo correspondem aos adolescentes com idade entre dez anos e 19 anos completos, de acordo com o critério de classificação do Ministério da Saúde³ e da Organização Mundial de Saúde, e internados por condições sensíveis à atenção primária, conforme os dezenove grupos de diagnósticos que compõem a lista da Décima Classificação Internacional de Doenças (CID-10)4. Optou-se por excluir do estudo adolescentes que apresentavam situação de gravidade de sua saúde. Nesse sentido, serão apresentadas questões relacionadas às dificuldades e facilidades encontradas durante a realização da coleta de dados por acadêmicos, no período de julho à novembro de 2019. Resultados: A pesquisa com adolescentes proporciona diversos desafios ao coletador, pois a adolescência se constitui em um período de novas experiências e descobertas onde o adolescente normalmente se fecha socialmente, principalmente, quando se trata de estabelecer um diálogo com adultos. Desta forma, esse processo de entrevistar adolescentes se torna muito desafiador devido à necessidade de realizar grande esforço por parte do coletador, tendo que aplicar diferentes abordagens durante a coleta com o objetivo de que o adolescente se sinta à vontade para se abrir sobre seus sentimentos e que consiga ficar confortável para responder às perguntas. Para desenvolver uma abordagem adequada, precisa-se deixar o adolescente ciente dos processos que irão ser realizados com o mesmo, e isso é possível quando se realiza uma boa conversa anteriormente à coleta, em que o coletador se apresenta, explica o intuito do estudo e pede o consentimento escrito para a realização da entrevista. Já durante a entrevista quantitativa é realizado um segundo contato, na qual preza-se por deixar o adolescente à vontade, estabelecendo uma abertura para que este se sinta confortável e, de preferência, desenvolver a entrevista em um local reservado que garanta segurança ao adolescente ao fornecer suas informações pessoais. No decorrer da entrevista qualitativa é necessário prezar pela escuta ativa das respostas do entrevistado, dando- lhe espaço para refletir sobre suas colocações. Ademais, o coletador deve sempre estimular o compartilhamento de informações em relação ao entrevistado ao fazer perguntas estratégicas, com o discernimento de que se deve usar um linguajar adequado à faixa etária do adolescente, em que possa entender com clareza o que lhe é perguntado. Conclusões: A possibilidade de entrevistar adolescentes se torna uma experiência muito rica para que o coletador crie estratégias de coleta por se tratar de um público de maior complexidade quando se trata de dialogar sobre suas características pessoais. Os adolescentes se constituem em um público desafiador de se trabalhar devido às especificidades anteriormente citadas, onde é exigido do coletador o manejo adequado durante a entrevista. Percebeu-se a necessidade de valorizar a fala do sujeito e as condições compreendidas e elaboradas por eles, de modo a dar continuidade e coletar as informações necessárias. A partir das informações coletadas, pode-se verificar que este grupo é muito desprovido de assistência em saúde e quando ganha visibilidade normalmente são para assuntos relacionados a saúde sexual, sendo, muitas vezes, desconsiderado que estes possam ser portadores de doenças crônicas ou que possam ser acometidos por outras patologias. Estes encontram-se em situação de vulnerabilidade por não possuírem boa abertura com seus responsáveis, a fim de dialogar sobre sua saúde. Para isso, o enfermeiro precisa criar meios que possam trazer estes adolescentes para as unidades de atenção primária à saúde. Com isso, torna-se viável catalogar os adolescentes de risco do território tanto por meio da atuação no território pelos agentes comunitários de saúde quanto por meio de convite aberto à comunidade para participarem de grupos e/ou oficinas para adolescentes. Tais ações permitem estabelecer e, consequentemente, fortalecer o vínculo dos adolescentes na assistência à saúde.
Eixo temático: Saúde do Adolescente
Descritores: Adolescente; Hospitalização; Atenção primária à saúde; Enfermagem. Keywords: adolescent; hospitalization; primary health care; nursing.
Referências:
1. Maia Ludmila Grego, Silva Luiz Almeida da, Guimarães Rafael Alves, Pelazza Bruno Bordin, Pereira Ana Cláudia Souza, Rezende Wender Lopes et al . Internações por
condições sensíveis à atenção primária: um estudo ecológico. Rev. Saúde Pública [Internet]. 2019. Disponível em: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0034-
89102019000100201&lng=pt.
2. BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Portaria n° 221, de 17 de abril de 2008. Define a lista brasileira de Internações por Condições Sensíveis à Atenção Primária. Brasília (DF); 2008. Disponível em:
http://bvsms.saude.gov.br/bvs/saudelegis/sas/2008/prt0221_17_04_2008.htm
3. BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Ações Programáticas e Estratégicas. Proteger e cuidar da saúde de adolescentes na atenção básica/ Ministério da Saúde, Secretaria de Atenção à Saúde. Brasília, 2017. Disponível em:
<http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/proteger_cuidar_adolescentes_atencao_basica.p df> Acesso em: 09 nov. 2019.
4. BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde. Programa Nacional de DST e Aids. Diretrizes para implantação do Projeto Saúde e Prevenção nas Escolas / Ministério da Saúde, Secretaria de Vigilância em Saúde. Brasília, 2008. Disponível em: <http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/diretrizes_implantacao_projeto_saude_prevenca o_escolas.pdf> Acesso em: 09 nov. 2019.
ATUAÇÃO DE DISCENTES DO CURSO TÉCNICO EM ENFERMAGEM EM UMA