PAINES, Luana Pinto1 OLIVEIRA, Maira de2 MONTEIRO, Amanda Suélen3 RIBEIRO, Aline Cammarano4 MOTTA, Maria da Graça Corso da5 SENHEM, Graciela Dutra61 Introdução: A doença crônica tem sido entendida como perturbações de saúde que persistem por longos períodos de tempo, podendo se estender ao longo de toda vida, trazendo alterações orgânicas, emocionais e sociais que exigem constantes cuidados e adaptações. A situação de cronicidade impacta significativamente em muitas áreas do indivíduo, podendo-se destacar a social, que para crianças e adolescentes apresentam uma grande repercussão, principalmente no que diz respeito ao contexto escolar¹. A escola é um componente de relevância para a aquisição de informação sobre si, sobre o mundo, sobre as relações sociais, culturais e históricas, destacando a saúde como direito universal². A escola pode representar um lugar onde o estudante cronicamente doente pode ser visto como uma criança/adolescente e estudante em lugar de um paciente. Dessa forma, a escola tem papel fundamental na obtenção de habilidades educacionais necessárias para a transição bem-sucedida para fase adulta, além de proporcionar relacionamentos sociais que influenciarão fortemente seu desenvolvimento. A literatura aponta que crianças e adolescentes com doenças e/ou condições crônicas são vulneráveis para o absenteísmo escolar, não somente por causa das questões médicas, mas também, por causa dos efeitos secundários, como a falta de informação sobre tratamento, prognóstico, comportamento e aspectos da doença em si¹. Portanto, é necessário assegurar-se de que estas crianças recebam e mantenham uma educação de qualidade, além de um espaço de inclusão e socialização, que podem minimizar os preconceitos sociais na medida em que naturaliza as diversidades(1-2). Para isso, com o decreto de nº 6.286 de 05 de dezembro de 2007 que instituiu o Programa de Saúde na Escola (PSE), há a possibilidade de integrar as ações do Sistema Único de Saúde (SUS) às ações das redes de educação básica pública, com o intuito de promover a saúde e fortalecer a prevenção de agravos à saúde, aumentando significativamente o impacto de suas ações que evitam comprometer o desenvolvimento escolar das crianças e adolescentes³. Objetivo: Descrever a experiência na coleta de dados no que diz respeito ao contexto escolar da criança e adolescente com doença crônica. Metodologia: Trata-se de um estudo descritivo em forma de relato de experiência a partir de um projeto multicêntrico envolvendo instituições dos
1 Acadêmica de Enfermagem. Bolsista FIPE. Universidade Federal de Santa Maria (UFSM). E-mail: [email protected];
² Acadêmica de Enfermagem. Bolsista PROIC-HUSM. Universidade Federal de Santa Maria (UFSM); ³ Acadêmica de Enfermagem. Bolsista PROIC-HUSM. Universidade Federal de Santa Maria (UFSM);
4 Doutora em Enfermagem. Professora do Departamento de Enfermagem. Universidade Federal de Santa Maria (UFSM);
5 Doutora em Enfermagem. Professora da Escola de Enfermagem e Programa de Pós Graduação em Enfermagem. Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS);
6 Doutora em Enfermagem. Professora do Departamento de Enfermagem. Universidade Federal de Santa Maria (UFSM).
municípios de Porto Alegre, Santa Maria, Palmeira das Missões, Pelotas e Chapecó, no estado de Santa Catarina. A abordagem quantitativa é utilizada na primeira etapa do estudo, que ocorreu em unidade de internação pediátrica por meio de um instrumento estruturado aplicado aos familiares cuidadores de crianças e adolescentes com doença crônica. Já a abordagem qualitativa é utilizada na segunda etapa a fim de compreender o contexto em que a criança e o adolescente com doença crônica estão inseridos no domicílio, na Atenção Básica de saúde e na escola, por meio de entrevista semiestruturada aplicada ao familiar cuidador, a criança ou adolescente com doença crônica, ao profissional de saúde e ao professor. A partir dos dados coletados na fase quantitativa é realizada a entrevista no domicílio, no serviço de saúde e com a escola. Nesse momento serão apresentadas questões referentes a coleta de dados nas escolas do município de Santa Maria, que ocorreu no período de setembro de 2019, buscando compreender e as situações de vulnerabilidade e dificuldades vividas pelas crianças e pelos adolescentes com doença crônica no contexto escolar. Resultados: Durante a coleta de dados nas escolas, observou-se que essa parceria entre escola e serviço de saúde se encontra fragilizada, pois há apontamentos de que os profissionais da escola não possuem o conhecimento adequado para auxiliar nas dificuldades observadas por esse grupo de alunos. Por consequência, verifica-se que as redes de apoio que as crianças e adolescentes com doenças crônicas estão inseridas apresentam lacunas na comunicação e na forma como realizam as atividades de interação, tendo em vista que não há um diálogo conjunto, dispondo de ações de cuidado realizadas de maneira isolada em cada espaço vivenciado. Outra dificuldade encontrada refere-se ao afastamento das atividades escolares das crianças e adolescentes com doença crônica quando são hospitalizados, fazendo com que haja um distanciamento do processo de escolarização e socialização, o qual pode ser considerado um fator que pode dificultar a aprendizagem, porém nesses casos a criança ou adolescente devem receber acompanhamento pedagógico no domicílio. As crianças e adolescentes com doença crônica necessitam dos serviços de saúde com maior frequência, sendo que passam sete vezes mais tempo hospitalizadas e possuem, em média, 3,4 vezes mais internações do que outras crianças e adolescentes4. A assistência à saúde da criança e do adolescente com doença crônica deve ser realizada de maneira contínua, coordenada e integral, visando minimizar as demandas consequentes da enfermidade crônica. Percebe-se, assim, a importância da realização de escuta ativa com criança, adolescente e família, uma vez que a partir de estratégias estabelecidas para desenvolver a comunicação, há a possibilidade de direcionar um cuidado que atenda às reais necessidades desse público-alvo. Esse segmento populacional, além de necessitar do acompanhamento dos serviços de saúde, necessita de uma maior atenção no âmbito escolar, visto que a participação em atividades escolares pode ser comprometida em determinados momentos devido a possíveis agravamentos das condições de saúde, tratamentos e hospitalizações5. Nesse sentido, o ambiente escolar deve compreender as situações de saúde de crianças e adolescentes com doença crônica, bem como adaptar as atividades escolares para que possam ser desenvolvidas por eles. Os serviços de saúde, em destaque as unidades básicas, ao integrarem-se ao contexto escolar, desenvolvendo atividades de educação em saúde, permitem a criação de uma parceria, a qual pode ser estruturada pelo compartilhamento de saberes e, principalmente, para a disseminação de informações relativas aos cuidados cabíveis de se realizar à criança e adolescente com doença crônica que frequenta o ambiente escolar. Conclusões: Conclui-se que a realidade das crianças e adolescentes com doença crônica no contexto escolar é permeada por inúmeras dificuldades, podendo ressaltar a insuficiência de informação e preparo dos professores e funcionários para atuarem nessas situações específicas e a precária comunicação entre escola e serviço de saúde. Com isso, tem-se o desafio de desenvolver estratégias que promovam a relação escola e serviço de saúde, uma vez que juntos possam fortalecer práticas de promoção à saúde e cidadania de crianças, adolescentes e suas famílias.
Eixo temático: Saúde da Criança; Saúde do adolescente. Descritores: Criança; Adolescente; Doença crônica; Escola. Keywords: Child; Adolescent; Chronic disease; School
Referências
1. Nonose ERS. Doenças Crônicas na Escola: Um Estudo das Necessidades dos Alunos. Marília: Universidade Estadual Paulista, 2009. Dissertação em Filosofia e Ciências.
2. Zluhan MR, Raitz TR. (2014). A educação em direitos humanos para amenizar os conflitos no cotidiano das escolas. Revista Brasileira de Estudos Pedagógicos [publicação online]; 2014 [acesso em 22 out 2019]; 95:31-54. DOI http://dx.doi.org/10.1590/S2176-66812014000100003. Disponível em: http://www.scielo.br/pdf/rbeped/v95n239/a03v95n239.pdf.
3. BRASIL, Ministério da Educação. Ministério da Saúde. Decreto Presidencial. Portaria Interministerial n° 6.286 de 05 de dezembro de 2007- Programa Saúde na escola, 2007.
4. Moura EC, Moreira MCN, Menezes LA, Ferreira IA, Gomes R. Complex chronic conditions in children and adolescents: hospitalizations in Brazil, 2013. Ciênc Saúde Coletiva 2017; 22:2727-34. 5. SILVA MEA et al. Rede e apoio social na doença crônica infantil: compreendendo a percepção da criança. Texto Contexto Enferm, 2017; 26(1):e6980015. Disponível em: http://www.scielo.br/pdf/tce/v26n1/pt_0104-0707-tce-26-01-e6980015.pdf
COMO A ENFERMAGEM PODE ATUAR NA SAÚDE MENTAL PEDIÁTRICA