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DA SILVA, Aline Oliveira1 SODER, Angela Barbieri2 HAUSEN, Camila Freitas3 FERREIRA, Bianca Balbueno41 Introdução: A gravidez é um período de adaptações e que apresenta mudanças fisiológicas, anatômicas, metabólicas, emocionais e sociais na vida de uma mulher. Devido a isso, a gestante pode estar mais exposta a determinadas situações, apresentar complicações e necessitar ser encaminhada para acompanhamento em um pré-natal de alto risco, quando morbidades maternas evidenciam agravos de saúde tanto para a mãe quanto para o feto durante a evolução da gravidez1. Os fatores de riscos gestacionais podem estar presentes na vida da mulher anteriormente à gravidez, ou podem ser diagnosticados no decorrer do pré-natal. Entre os fatores de risco prévios à gestação, podem-se destacar a idade superior a 35 anos e a inferior a 15 anos, os relacionamentos inseguros e conflitos familiares, a baixa escolaridade, a dependência de drogas lícitas e ilícitas, a exposição a locais insalubres laborais, entre outros. Em relação às gestações antecedentes, destacam-se o abortamento, as malformações, a diabetes gestacional, os número de cesáreas, a hipertensão, as doenças infecciosas e autoimunes, as neoplasias, entre outros. Dentre os que podem surgir no decorrer da gestação atual, observam-se o trabalho de parto prematuro, a pré-eclâmpsia e eclâmpsia, o óbito fetal, as doenças clínicas e infectocontagiosas, entre outras1. Diante desses fatores, destaca- se a importância de um atendimento voltado a integralidade do cuidado a essas gestantes, o qual é preconizado pela Rede Cegonha, no âmbito do Sistema Único de Saúde. Essa política, prevê um conjunto de iniciativas que englobam mudanças no cuidado à gravidez, ao parto e ao nascimento, na qualificação técnica das equipes da rede primária de saúde, bem como das maternidades, na melhoria da ambiência dos serviços que atendem esta demanda e na humanização do parto e nascimento. Ainda, a Rede Cegonha se organiza em quatro componentes que consiste no pré-natal, no parto e no nascimento, no puerpério e na atenção integral à saúde da criança e no sistema logístico, que compreende o transporte sanitário e a regulação dos leitos. Ademais, os objetivos da Rede Cegonha abrangem a redução da mortalidade materna e infantil, a garantia de um acolhimento com avaliação e classificação de risco e vulnerabilidade, a garantia para a gestante da vinculação a uma unidade de saúde de referência e a ações que incluam ao planejamento reprodutivo com orientação e disponibilidade dos métodos contraceptivos disponíveis no Sistema Único de Saúde. Além de contribuir para um atendimento de qualidade à gestante, à puérpera e ao recém-nascido, as ações da Rede Cegonha promovem o aleitamento materno e a alimentação complementar saudável, o acompanhamento da puérpera e da criança na atenção primária de saúde, a busca ativa de crianças vulneráveis, a prevenção e ao tratamento de Infecções sexualmente transmissíveis, dentre outros2. Neste sentido, considerando todos os fatores biopsicossociais que envolvem a gestação e pensando na melhor qualidade de vida e saúde da mãe e do feto, o objetivo deste relato é destacar a importância da intervenção multidisciplinar na assistência ao pré-natal de Alto Risco, considerando a integralidade do cuidado como fator fundamental para o desenvolvimento saudável da gestação. Tal relato possibilita a reflexão dos atendimentos ofertados, por meio de um cuidado multiprofissional, que envolve a participação de todos os profissionais da linha de cuidado materno infantil. Objetivo: Descrever como ocorreram as primeiras consultas das gestantes que foram

1 Serviço Social, graduação, UFSM; 2 Psicologia, mestra, HUSM;

3 Enfermagem, graduação, UFSM, [email protected]; 4 Serviço Social, graduação, HUSM.

encaminhadas ao pré-natal de alto risco e as principais demandas atendidas, salientando a importância de um cuidado integral nesta etapa da vida da mulher. Método: O presente trabalho trata-se de um estudo descritivo qualitativo, desenvolvido a partir do relato de experiência referente a realização de atendimentos multiprofissionais nas primeiras consultas de usuárias gestantes dos serviços de pré-natal de alto risco de um hospital público no sul do país. Esses atendimentos foram realizados durante todo o ano de 2018, nas segundas-feiras, no ambulatório de gestação de alto risco do hospital. Ocorreram de forma individualizada, em que cada usuária passou por atendimento multiprofissional pelos seguintes núcleos profissionais que compõem a equipe: enfermagem, serviço social, psicologia, nutrição e fisioterapia. Durante a consulta, foram abordadas perguntas de situações que poderiam influenciar no decorrer da gestação, do parto e do puerpério. O roteiro de consulta utilizado pelas profissionais abordou questões sobre o planejamento da gestação, os tipos de parto, o acompanhamento da rede primária de saúde, da socioassistencial e da psicossocial, a ocupação laboral das usuárias, a rede de apoio familiar que elas poderiam contar, os aspectos emocionais da gestação, do parto e do puerpério, a orientação sobre os direitos relacionados ao momento do parto e a mulher e ao homem com vínculos de trabalho formal, aos encaminhamentos a serviços e benefícios sociais, previdenciários e trabalhistas, aos riscos psíquicos e sociais, as patologias, a amamentação, o uso de medicamentos e demais demandas relacionadas com o encaminhamento ao pré-natal de alto risco. Resultados: Destaca-se que todas as informações pertinentes ao acompanhamento das pacientes foram anexadas junto com a sua carteira de pré-natal, bem como os encaminhamentos realizados à rede de serviços do município e as orientações sugeridas pelos profissionais. Estas informações contribuíram para a comunicação entre o pré-natal de alto risco e a rede de atenção primária, a qual continuou dando seguimento no atendimento a essas usuárias. Esses atendimentos realizados por equipe multiprofissional e de forma integralizada, possibilitaram o conhecimento prévio das usuárias com os profissionais de referência dos setores que elas iriam percorrer durante o período de internação, o parto e o puerpério dentro do hospital, e contribuíram na vinculação da gestante com os respectivos profissionais, o que facilitou o diálogo e a aproximação. Conclusões: A realização do pré-natal é um fator importante durante a gestação para a prevenção de agravos, para o diagnóstico precoce de morbidades e para a realização dos seus devidos tratamentos. No entanto, quando não é realizado de forma sistêmica, pode ocasionar agravos de saúde que levam, muitas vezes, a mortalidades maternas e neonatais. Destaca-se ainda, que as gestantes que apresentarem riscos de saúde, sejam acompanhadas pelos serviços de referência precocemente, sendo monitoradas as frequências das consultas ao pré-natal3. Diante do exposto, salienta-se a importância da realização de um pré-natal de qualidade e que considere o atendimento por equipe multiprofissional um fator determinante, visto que a atenção ao cuidado materno infantil está voltada para a integralidade deste cuidado e a qualidade desta assistência. Evidencia-se que todas as informações que são prestadas às gestantes e a seus familiares sobre os diagnósticos de doenças, encaminhamentos a serviços e benefícios e as orientações relacionadas às gestações de alto risco também são de fundamental relevância, seja para a adesão a tratamentos ou para a mudança de hábitos mais saudáveis4, os quais contribuirão para promoção da saúde do binômio mãe-bebê.

Eixo temático: Saúde do Neonato

Descritores: Acolhimento; Cuidado Pré-natal; Integralidade em Saúde. Keywords: User Embracement; Prenatal Care; Integrality in Health. Referências:

1. Brasil. Ministério da saúde. Secretaria de atenção à saúde. Departamento de Ações Programáticas Estratégicas. Gestação de alto risco: manual técnico. 5 ed. Brasília: Editora do Ministério da Saúde, 2010. Disponível em: <http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/gestacao_alto_risco.pdf>. Acesso em: 10 nov. 2018.

2. BRASIL. Portaria N° 1.459, de 24 de Junho de 2011. Institui, no âmbito do Sistema Único de

<http://bvsms.saude.gov.br/bvs/saudelegis/gm/2011/prt1459_24_06_2011.html>. Acesso em: 25 nov. 2018.

3. Coimbra LC, Silva AAM, Mochel EG, Alves MTSSB, Ribeiro VS, Aragão VMF, et al. Fatores associados à inadequação do uso da assistência ao pré- natal. Revista de Saúde Pública. 2003; 37 (4): 456-462. Disponível em: <http://www.scielo.br/pdf/rsp/v37n4/16780.pdf>. Acesso em: 24 nov. 2018. 4. Oliveira VJ, Madeira, AMF. Interagindo com a equipe multiprofissional: as interfaces da assistência na gestação de alto risco. Escola Anna Nery Revista de Enfermagem. Rio de Janeiro.

2011; 15 (1): 103-109. Disponível em:

<http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1414-81452011000100015>. Acesso em: 22 nov. 2018.

INCENTIVO À PROMOÇÃO DO ALEITAMENTO MATERNO: UMA AÇÃO EM SAÚDE

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