CAN I ONLY GIVE WHAT I HAD? PARADIGMS OF POSITIVE PARENTAL EDUCATION
INTERDISCIPLINARY WORK BETWEEN PSYCHOLOGY AND DENTISTRY IN CHILD CARE: EXPERIENCE REPORT
SACCOL, Júlia Pauli1 ERTHAL, Bruna Winck2 BATISTA, Aline Kruger3 JAEGER, Fernanda Pires41 Introdução: Tratamentos odontológicos podem ser fatores geradores de estresse e ansiedade para o sujeito, devido a traumas de experiências passadas, expectativas com o resultado ou fantasias do paciente em relação ao ambiente do consultório odontológico. Nesse sentido, a Psicologia pode contribuir no processo de cuidados e aos tratamentos odontológicos e suas consequências, utilizando técnicas de manejo que auxiliam na superação frente ao “medo do dentista”1. Além disso, o dentista preocupa-se com a concretização do vínculo dentista-paciente, vital para a qualidade do atendimento odontológico. Para reduzir possíveis situações que comprometam o atendimento podem ser utilizados conhecimentos do desenvolvimento humano, especialmente de psicologia infantil para o atendimento de crianças em odontologia2. O êxito do atendimento pediátrico em odontologia se caracteriza, muitas vezes, pelo manejo que o dentista possui com o paciente. Algumas técnicas utilizadas auxiliam a manter a criança tranquila e cooperativa ao tratamento. É possível notar que o conhecimento que o profissional adquire, principalmente durante a graduação, sobre comportamento e manejo infantil é imprescindível neste momento. Desta forma, percebe-se que a forma de aprendizagem interprofissional é um fator de grande relevância para agregar na prática do futuro profissional em saúde. Objetivos: Relatar a experiência interprofissional entre acadêmicas de Psicologia e Odontologia no atendimento a crianças. Metodologia: O presente trabalho é de caráter descritivo, do tipo relato de experiência, expondo a experiência de trabalho interprofissional entre a Psicologia e Odontologia. O relato de experiência é definido como a descrição da vivência profissional, podendo ser de um ou mais autores, sendo importante para o ambiente estudantil, auxiliando na discussão, análise e proposição de recursos que visam a melhoria da assistência e cuidado em saúde3. Através da disciplina não-obrigatória de Ações Extensionistas do curso de Odontologia foram realizados6encontros, sendo cinco encontros em uma instituição voltada ao atendimento de crianças em situação de vulnerabilidade e um encontro no Serviço de Atendimento Odontológico de uma instituição universitária, tendo seu início em agosto e finalizado em outubro de 2019. As crianças realizaram atividades com os estudantes de Odontologia e Psicologia, onde os encontros possuíram a duração de três horas, sendo realizados levantamentos epidemiológicos, vivências em grupo e atividades lúdicas com as crianças. A inserção do curso de Psicologia ocorreu como trabalho desenvolvido com o programa PET-Saúde Interprofissionalidade, visando a vivência de práticas multi e interprofissionais em saúde. Resultados: Através da experiência interprofissional na graduação tornou-se possível agregar vários conhecimentos na área
1 Acadêmica de Psicologia da Universidade Franciscana (UFN), e-mail: [email protected];
²Acadêmica de Odontologia da Universidade Franciscana (UFN), e-mail: [email protected];
³Mestre em Ciências Odontológicas com ênfase em Saúde Coletiva (UFSM), docente do curso de Odontologia da Universidade Franciscana (UFN), email: [email protected];
4Psicóloga, Mestre em Psicologia (PUCRS), docente do curso de Psicologia da Universidade Franciscana (UFN), email: [email protected].
da Psicologia, devido a oportunidade de observar a relação dentista-paciente e trabalhar o processo e a dinâmica de comunicação advinda desta relação. A vivência também permitiu que os estudantes pudessem desenvolver e refletir sobre uma atuaçãovoltada para o trabalhoem equipe com estudantes da área da saúde que possuem formações acadêmicas e atuações profissionaisbastante distintas. O trabalho em equipe, a comunicação e as práticas colaborativas são elementos imprescindíveis ao trabalho interprofissional. Esta abordagem possibilita, além de uma maior integração entre os profissionais, uma atenção em saúde mais qualificada, humanizada e focada nas necessidades das pessoas que estão sendo cuidadas4. Os alunos de Odontologia possuem várias dúvidas sobre como se relacionar com o paciente, fato ainda mais sensível ao falarmos da saúde da criança. Em relação a isso, a Psicologia pode contribuir com seus conhecimentos para diminuir a ansiedade dos estudantes de Odontologia acolhendo suas angústias, o que pode vir a facilitar a relação dentista- paciente, visto que os mesmos tendem a se sentir mais seguros no momento da realização de procedimentos e na construção do vínculo com o paciente. Nesta experiência, a cada encontro de prática no local com as crianças é feito outro encontro na semana seguinte em sala de aula um outro encontro de avaliação das atividades desenvolvidas, onde as visões das experiências podem ser compartilhadas, discutidas e acolhidas. Com as discussões, os estudantes de Odontologia podem esclarecer certos comportamentos realizados pelas crianças e questionar se sua postura profissional é efetiva na relação com o paciente. Para a Psicologia, torna-se um campo riquíssimo de observação e prática, onde pode ser dado o feedback para os estudantes de Odontologia, ao analisar as variáveis do atendimento em saúde, agregando conhecimento para a formação de psicólogo. Para a Odontologia, ter presente profissionais que entendam a dinâmica infantil, as diferentes manifestações e características típicas de cada etapa evolutiva da infância torna-se imprescindível, visto que auxilia no manejo do atendimento. Além disso, a compreensão da criança enquanto um ser biopsicossocial5 em que elementos e transformações físicas, psicológicas e sociais interatuam no processo de desenvolvimento é uma referência para a compreensão da infância, do seu mundo e modo de enxergá-lo, temores, fantasias, bem como a forma como a mesma compreende o processo de cuidado em odontologia. Assim, a troca realizada entre os acadêmicos possibilita uma ampliação da visão acerca do cuidado odontológico, bem como elucida ao dentista como se dá o contexto o qual a criança está inserida e seu comportamento. O trabalho interprofissional se torna mais eficaz e completo devido ao conhecimento agregado e auxilia os profissionais dentistas a trabalhar com mais segurança e empatia quando se possui uma visão psicológica sobre o caso. Conclusões: Considerar os aspectos psicológicos que envolvem o dentista e seu paciente e a relação estabelecida entre eles, além de grande acréscimo de humanismo na formação profissional, se mostra uma grande contribuição para melhores condições de vida e trabalho, sendo um diferencial que irá permitir um atendimento mais completo para o paciente. O trabalho entre Psicologia e Odontologia se mostrou enriquecedor para ambas as acadêmicas, visto que são duas áreas de trabalho com pouco histórico de trabalho interprofissional e que podem contribuir e enriquecer em diversos aspectos para o estudante em formação na área da saúde. Além disso, constatou-se o pioneirismo da inserção da Psicologia em trabalho conjunto com a Odontologia, agregando conhecimentos tanto para os discentes quanto para os docentes, além de aperfeiçoar o trabalho realizado com as crianças assistidas. Durante pesquisas para referencial teórico, percebe-se a necessidade de mais publicações sobre práticas interprofissionais entre Odontologia e Psicologia, visto a falta de relatos atuais sobre as mesmas. Deixa-se aqui registrado o agradecimento ao PET-Saúde Interprofissionalidade, programa que permitiu a vivência desta experiência.
Descritores: Odontologia, Psicologia da Criança, Saúde da Criança. Referências
1. Figueiredo MC, Lima GL, Orso VA, Potrich ARV, Scariot D. A interface da Odontologia com a Psicologia. Entrelinhas [periódicos na Internet]. 2019 [acesso em 11 nov 2019]; 81(1) Disponível em: http://crprs.org.br/entrelinhas/35/dia-a-dia-psi-a-interface-da-odontologia- com-a-psicologia
2. Lima ATC. Influência da Psicologia no atendimento odontopediático: Uma revisão de literatura. Aracaju. Trabalho de Conclusão de Curso [Bacharel em Odontologia] – Universidade Tiradentes; 2013. [acesso em 11 nov 2019] Disponível em: https://openrit.grupotiradentes.com/xmlui/bitstream/handle/set/2149/INFLU%c3%8aNCIA %20DA%20PSICOLOGIA%20NO%20ATENDIMENTO%20ODONTOPEDI%c3%81TRI CO-%20UMA%20REVIS%c3%83O%20DE%20LITERATURA%20%28UNIT-
SE%29.pdf?sequence=1
3. Flink U. Uma introdução à pesquisa qualitativa. Porto Alegre: Bookman; 2004.
4. Barr H, Low H. Introdução à Educação Interprofissional. 2013 [acesso em 11 nov 2019]
Disponível em:
https://www.observatoriorh.org/sites/default/files/webfiles/fulltext/2018/pub_caipe_intro_ei p_po.pdf
5. Papalia DE, Feldman RD, Martorell G. Desenvolvimento Humano. 12. ed. São Paulo: Artmed; 2013.
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