biodiversidade marinha A pesca sustentável é uma com-ponente importante da renovação do setor dos recursos do mar e a garantia da proteção dos ecossiste-mas marinhos. Porém, as pescas no país sofrem de décadas de desin-vestimento que colocam em causa a sua sustentabilidade e que agra-vam a crise ecológica e a seguran-ça dos trabalhadores do mar. Rever-ter a situação passa por apoiar políticas para a sustentabilidade das pescas e para a proteção da biodiversidade, capazes de garantir rendimentos justos e estabilidade aos profissionais da pesca.
7.6.1. Defender a biodiversidade marinha
Os oceanos enfrentam uma crise ecológica provocada pelas altera-ções climáticas e por atividades extrativas insustentáveis. Alterar a situação requer a proteção da bio-diversidade, criando áreas marinhas protegidas e erradicando atividades lesivas dos ecossistemas. Mas os sucessivos governos nunca
assu-miram essa responsabilidade: não existe uma rede de áreas marinhas protegidas abrangente e eficaz, e nunca foram eliminados apoios a um vasto conjunto de atividades que provocam graves efeitos na biodiversidade. A recusa do go-verno em aplicar uma moratória à mineração no mar confirma a tendência de desproteção do meio marinho no país.
O desinvestimento no setor da pesca
agrava a segurança dos
trabalhadores.
2022 2026
As propostas do Bloco
▶ Criação de uma rede de áreas marinhas protegidas que garanta a preservação da biodiversidade em pelo menos 30 por cento do mar nacional, dotada de meios humanos, financeiros e técnicos suficientes para a sua gestão, moni-torização e fiscalização;
▶ Aplicação de uma moratória à mineração no mar, protegendo os ecossistemas marinhos;
▶ Criação de incentivos à utiliza-ção de artes de pesca seletivas e, sempre que possível, compostas por materiais biodegradáveis;
▶ Eliminação de apoios públicos a atividades de pesca lesivas para o meio marinho;
▶ Restrições à pesca de arrasto, a defender pelo governo português no plano europeu e internacional;
▶ Minimização das capturas acidentais de cetáceos (baleias e golfinhos), elasmobrânquios (tuba-rões, raias e quimeras) e espécies protegidas ou ameaçadas, através da melhoria da seletividade de artes de pesca e de restrições à atividade piscatória em locais ou épocas do ano mais suscetíveis de provocar capturas acidentais;
▶ Aplicação de planos de ação para a recuperação e conserva-ção de espécies marinhas protegi-das ou ameaçaprotegi-das.
7.6.2. Garantir a
sustentabilidade das pescas A pesca sustentável requer conhecimento científico e mo-nitorização dos ecossistemas que a sustenta. Mas há muito que os governos se demitiram da responsabilidade de garantir meios adequados e suficientes às entidades públicas que têm por missão investigar, monitorizar e gerir matérias do domínio do mar.
A renovação do setor não regis-ta investimentos subsregis-tanciais há décadas. Além disso, a gestão dos recursos marinhos e a inves-tigação científica estão direcio-nadas sobretudo para a pesca industrial, apesar de cerca de 80% da frota de pesca nacional ser de pequena escala. Este viés resulta num grande desconheci-mento da atividade da maioria da frota de pesca. Melhorar a gestão passa por aumentar o orçamento e os meios dos Laboratórios do Estado, aprofundar o conheci-mento científico, reforçar a moni-torização da atividade de toda a frota, bem como criar comissões de cogestão que possibilitem a gestão partilhada da pesca, ao invés da imposição de medidas às comunidades piscatórias sem que os pescadores tenham uma palavra a dizer sobre os recursos dos quais dependem. Só adap-tando as possibilidades de pesca aos recursos disponíveis é possí-vel garantir a sustentabilidade das pescarias, a proteção da biodiver-sidade e rendimentos justos aos pescadores.
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B/
UM PROGRAMA DE INVESTIMENTOS PARA RESPONDER À CRISE CLIMÁTICAPROGRAMA ELEITORAL BLOCO DE ESQUERDA
7.6.3. Combater a precariedade e proteger os trabalhadores do mar
O universo das pescas no país é heterogéneo, mas a precariedade das relações laborais é uma ca-racterística comum no setor. Os vínculos laborais entre armadores e pescadores são frequentemente desprovidos de contrato ou
assen-tes em acordos informais, como a divisão em partes, ou quinhões, dos proveitos das capturas. A informalidade e precariedade do trabalho nas pescas prejudicam os pescadores, deixando-os despro-tegidos e suscetíveis ao abuso patronal. Para contrariar a situação, os apoios públicos ao setor devem beneficiar o trabalho estável e com
direitos. Além da precariedade, o trabalho nas pescas muitas ve-zes não gera rendimentos justos aos pescadores. Não é incomum o preço de venda ao consumidor ser mais de dez vezes superior ao preço de primeira venda. A fixação de preços mínimos e a definição de margens máximas de intermedia-ção responde a estes problemas.
As propostas do Bloco
▶ Apoio à investigação e pre-servação dos recursos mari-nhos, envolvendo administração central, universidades, institutos científicos, e associações de pes-cadores e de defesa do ambiente;
▶ Reforço do orçamento e meios dos Laboratórios do Estado que atuam no domínio do mar;
▶ Apoio à modernização e des-carbonização da frota pesquei-ra nacional;
▶ Atribuição de financiamen-to nacional às campanhas de monitorização dos recursos pesqueiros;
▶ Monitorização em tempo real da atividade piscatória, adaptan-do os meios ao tipo e dimensão das embarcações, e garantido a proteção da informação recolhida;
▶ Aplicação de sistemas de marcação de artes de pesca, contribuindo para a identificação,
recuperação e redução de artes de pesca abandonadas, perdidas ou rejeitadas;
▶ Promoção do consumo de pescado de espécies menos procuradas e mais abundantes, contribuindo para a sustentabilida-de dos recursos marinhos;
▶ Promoção da criação de co-missões de cogestão compostas por associações de pescadores, organizações sindicais, comuni-dade científica, governo e outras entidades ligadas à pesca e à con-servação da biodiversidade, para a gestão partilhada dos recursos marinhos;
▶ Revisão da Lei das Bases da Política de Ordenamento e Gestão do Espaço Marítimo Nacional: substituição das con-cessões por 50 anos por licenças renováveis atribuídas condicional-mente; introdução da coexistência de critérios de ponderação de usos, considerando a importância climática do mar.
2022 2026
As propostas do Bloco
▶ Atribuição de apoios comu-nitários e nacionais apenas a beneficiários que garantem que a mão de obra assalariada é assegurada através de contra-tos de trabalho e sem recurso à subcontratação;
▶ Atribuição a sindicatos e comissões de trabalhadores o direito a elaboração de parecer prévio, a remeter à Autoridade para as Condições do Trabalho, que, com base nesse parecer, de-cide sobre medida de majoração extraordinária de apoios comu-nitários e nacionais, a atribuir em função de indicadores concretos que comprovem o respeito pela legislação laboral;
▶ Criação de um plano nacional de formação profissional para o setor da pesca, em articulação com os profissionais do setor e
que inclua os princípios da pesca responsável, da conservação dos recursos, do bom estado ambien-tal do meio marinho, e da ação climática;
▶ Promoção da segurança no trabalho marítimo, enfrentando de forma sustentável o problema do assoreamento nos portos de pesca onde este ocorre;
▶ Redução das taxas e emolumen-tos do setor das pescas, em parti-cular das pequenas embarcações;
▶ Fixação de preços mínimos de primeira venda do pescado de valor superior aos custos de produção;
▶ Definição de margens máxi-mas de intermediação de pes-cado, de forma a garantir preços justos ao consumidor.
PROGRAMA ELEITORAL