público
Agravada pela política liberaliza-dora de PSD e CDS, assistimos nos últimos anos a uma aguda crise no setor. Continua o estímulo à aquisição de casa própria - 75%
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do total - que atira o arrendamen-to para níveis muiarrendamen-to baixos (19%) quando comparado com outros países europeus. O parque habita-cional destinado ao arrendamento encontra-se sob enorme pres-são do turismo e da especulação imobiliária. Já a aquisição de casa através do crédito levou a inúme-ros incumprimentos, um drama para muitas famílias, para quem as dívidas se mantêm mesmo após a entrega de casa ao banco.
Em 2017 o governo apresentou um documento diretriz intitulado
“Nova Geração de Políticas de Habitação”, que visa, entre outros objetivos, “aumentar o peso da
habitação com apoio público na globalidade do parque habitacio-nal de 2% para 5%, o que repre-senta um acréscimo de cerca de 170.000 fogos” no prazo de oito anos (até 2026). Com este en-quadramento foram desenhados programas públicos que visa-rim responder a algumas destas necessidades, como o “Primeiro Direito” ou o “Programa de Arren-damento Acessível” e tem vindo a ser anunciada a construção de um parque público de habitação (bastante mais modesto que os valores inicialmente previstos).
Estes programas encontram-se atrasados e fragmentados, ba-seados em levantamentos desfa-sados e sem financiamento para além do previstos no Plano de Recuperação e Resiliência.
A aprovação da Lei de Bases da Habitação foi um passo impor-tante, que resultou da negociação entre a esquerda e o PS, mas, passados dois anos, ainda pouco saiu do papel por manifesta falta de vontade política. Por outro lado, o PS tem-se recusado a aprovar propostas que ainda há poucos anos defendia, como o regresso do prazo mínimo dos contratos de arrendamento a 5 anos (atualmente é de um ano) e a eliminação da lei dos contra-tos transitórios inferiores a 1 ano, indevidamente utilizados pelos senhorios.
A pandemia deu uma nova cen-tralidade ao direito a uma casa condigna e a preços dignos. Os estudos comprovaram o que já se
sabia: a qualidade da habitação foi um dos principais fatores para se evitar o contágio.Por outro lado, enquanto o rendimento do trabalho pôde ser cortado, as rendas e as prestações bancá-rias mantiveram-se inalteradas, apenas sujeitas a um adiamento cujos efeitos ainda desconhece-mos.
No entanto, também aqui as limitações da intervenção do governo do PS foram evidentes.
Ao manter inalterado o valor das rendas e das prestações ban-cárias, ao aprovar um pacote de apoios, através do IHRU, que em inúmeros casos nem sequer deu resposta aos contactos feitos pelas pessoas em desespero, ficou claro que não estávamos todas no mesmo barco. Estas limitações ficaram ainda mais ex-postas quando o próprio Tribunal de Contas concluiu que dos 63,5 milhões de euros previstos no PEES o governo apenas gastou 10 milhões.
O governo manteve, ainda, as ferramentas que têm agravado a especulação imobiliária e a inter-venção financeirizada na habita-ção como as SIGI, os Vistos Gold ou ainda o Regime de Residentes Não Habituais.
Neste quadro o Bloco foi a garan-tia da existência de uma lei contra o assédio imobiliário que sai agora do papel e da dedicação de edificado do Estado (nomea-damente da Defesa) em cidades como Lisboa e Porto ou Aveiro para respostas habitacionais.
Foto / Ana Mendes
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UMA ECONOMIA PELA IGUALDADEPROGRAMA ELEITORAL BLOCO DE ESQUERDA
As propostas do Bloco
Concretizar a Lei de Bases da Habitação:
▶ Proteção contra os despejos, garantindo alternativa habitacional e que todos os processos de des-pejo são acompanhados de relató-rio social, havendo suspensão do despejo até estas duas condicio-nantes serem cumpridas;
▶ Consagração da “dação em cumprimento”, garantindo que a entrega da casa ao banco extin-gue a dívida associada;
▶ Consagração da impenhorabili-dade de casa própria e permanen-te/morada de família, respondendo às pessoas que têm hoje a sua casa penhorada por dívidas infi-nitamente inferiores ao valor da casa;
▶ Concretizar a função social da propriedade e diferenciar valor de propriedade de valor de uso, regu-lando o valor das rendas;
Construir um parque público de habitação:
▶ Priorização da reabilitação urba-na para habitação permanente ou arrendamento por tempo indeter-minado, incluindo um programa que envolva a assunção pelo Estado dos custos da reabilita-ção dos alojamentos quando os proprietários não queiram ou não possam fazê-lo, seguida de co-locação no mercado de arrenda-mento até o valor ser ressarcido;
▶ Uso de instrumentos da política de solos - posse administrativa - para conversão de edifícios habitacionais abandonados em habitação pública;
▶ Onde necessário, construção pú-blica de novos alojamentos integra-dos na malha urbana e evitando a reprodução de guetos;
▶ Uma Lei do Arrendamento Público que não permita edificado público devoluto e rendas especulativas ou alojamento local em edificado público;
▶ Aquisição, a preço de auditoria com interesse público, de edificado público entretanto alienado e que tenha vocação habitacional.
Impedir o abandono do edificado:
▶ Criação de estímulos adicionais à colocação dos alojamentos existen-tes no mercado de arrendamento a preços acessíveis;
▶ Adequar a manutenção dos alo-jamentos em situação devoluta por motivos especulativos.
▶ Limitação do Alojamento Local, com imposição do licenciamento como empreendimento turístico a todos os fogos habitacionais dedica-dos exclusivamente a esta atividade;
imposição de quotas máximas de alojamento local por zona urbana, impedindo novos licenciamentos em zonas sobrecarregadas ou limitan-do-os à substituição de licenciamen-tos anteriores.
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8.1.1. 100 mil novos fogos de habitação pública
Propomos um programa desti-nado à provisão para arrenda-mento de 100 mil alojaarrenda-mentos adicionais a preços acessíveis (entre 150 e 500 euros por mês, em função das características e necessidades dos agregados familiares). Este plano de investi-mento consolidará os programas e iniciativas existentes, privile-giando a solução do arrenda-mento de longa duração, ado-tando uma definição consistente do que são “preços acessíveis” e combinando reabilitação públi-ca de alojamentos existentes, construção de novos alojamen-tos e, se necessário, subsídio ao arrendamento de alojamentos privados.
Ao incidir prioritariamente sobre a reabilitação urbana de prédios degradados do Estado ou de outras entidades públicas (atra-vés de protocolos com as Mise-ricórdias ou outras associações) este programa proporciona uma renda baixa que torna possível o regresso de famílias com rendi-mentos baixos e de jovens aos centros das cidades, onde se concentram as reabilitações de habitação.
Para estimar o custo deste pro-grama, utilizamos como referência os custos estimados pelo IHRU para a provisão de soluções de realojamento para as 25.762 famílias identificadas no contexto do Levantamento Nacional das Necessidades de Realojamento Habitacional realizado em Feverei-ro de 2018 (ver Tabelas em baixo).