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o que Queremos Cá Dentro

No documento Programa eleitoral (páginas 197-200)

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BLOCO DE ESQUERDA

O problema

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Por demasiado tempo, os diversos governos aceita-ram um princípio implacá-vel: as regras da Comissão Euro-peia, da tecnocracia euroEuro-peia, ou das principais potências como o da Alemanha, são indiscutíveis e imperativas em Portugal. Assim, apesar de promessas sucessivas e sempre violadas, nunca houve um referendo sobre a adesão à UE, ao euro ou aos tratados que têm transformado a relação de soberania com as instituições europeias. A decisão parlamentar sobre matérias essenciais da vida nacional, como os Orçamentos de Estado, normas fiscais ou de gestão de empresas e programas públicos, é submetida a vigilância ou até a autorização prévia por parte de autoridades de Bruxe-las e Estrasburgo. O Banco de Portugal tornou-se uma agência do BCE e o governo português perdeu a capacidade de decidir sobre os principais bancos que

operam no país.

Outros compromissos interna-cionais agravam estas depen-dências, como a participação na NATO que, malgrado o seu fra-casso no Afeganistão, continua a prolongar os interesses imperiais da Casa Branca e dos seus po-deres satelizados, e até promove estratégias de tensão em todo o mundo.

A solução

O Bloco de Esquerda defende como prioridade a desvinculação do Tratado Orçamental e a recu-sa da União Bancária, de modo a retomar a capacidade de decisão autónoma sobre investimento e sobre a gestão do sistema ban-cário e financeiro, manifestando a sua insubmissão em relação às regras do euro.

Uma política externa assente nos direitos humanos e na solidarie-dade implica igualmente a rejei-ção da participarejei-ção na NATO e nas suas operações militares.

Uma Sociedade Justa,

Progressista e Inclusiva

PROGRAMA ELEITORAL

BLOCO DE ESQUERDA

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GARANTIR LÁ FORA O QUE QUEREMOS CÁ DENTRO

PROGRAMA ELEITORAL BLOCO DE ESQUERDA

A capacidade de concretizar as propostas que aqui apresentamos joga-se na robustez do movimento popular, na relação de forças re-sultante das eleições e no enfren-tamento determinado dos cons-trangimentos externos resultantes de alinhamentos que têm roubado ao país a possibilidade de fazer escolhas em favor dos e das de-baixo. Uma esquerda de confiança é também aquela que desafia os cânones da política externa para garantir lá fora o que queremos cá dentro. Isso faz-se em dois planos:

na política europeia e na política externa mais vasta.

26. UMA POLÍTICA EUROPEIA PARA DEFENDER O PAÍS A entrada na União Económica e Monetária alterou por completo as regras e os instrumentos das políticas económicas nacionais.

Com o desaparecimento das políticas monetária e cambial, os desequilíbrios entre Estados--membros dispararam com exce-dentes correntes crescentes nas economias do centro e défices também crescentes na periferia.

O endividamento externo de Por-tugal, medido pela sua Posição de Investimento Internacional Líquida (PIIL) começou a aumentar ainda durante o processo de conver-gência nominal e não parou de crescer até 2014. Entre 1996 e 2014, a PIIL em percentagem do PIB aumentou de 13% para 119%

do PIB, nove vezes mais.

A crise financeira provocou a nacionalização de uma parte

desta dívida. A dívida pública portuguesa, que estava contro-lada em 50% do PIB antes da entrada no Euro e começou a crescer paulatinamente devido à estagnação económica dos anos que se seguiram, disparou para 130% graças à recessão provoca-da pela crise financeira e, subse-quentemente, pelo programa de ajustamento da troika. A redução dos últimos anos ficou a dever-se à criação de emprego resultante da reversão de uma parte das políticas da troika. A expressão

“Crise das dívidas soberanas” ou

“dívidas públicas” é por isso um equívoco.

A resposta da direita é simples e foi cristalizada na formulação de Passos Coelho: “Só saímos da crise empobrecendo.” A resposta ao endividamento externo seria a compressão dos salários impos-ta através da desregulação das relações de trabalho. A resposta ao endividamento público seria a compressão da despesa com os

serviços públicos e o investimen-to. O problema destas respostas é que amarram o país a um per-curso de subdesenvolvimento e divergência. A estagnação eco-nómica agrava os problemas de endividamento público. O colapso do investimento agrava a depen-dência externa.

A alternativa da esquerda parte do problema do fundo da nossa inserção na União Económica e Monetária. A única estratégia sustentável é uma política que investe nos setores determinantes para a nossa dependência exter-na, retendo os as trabalhadoras e trabalhadores qualificados que estão a abandonar o país. A tran-sição energética, os transportes coletivos, a reabilitação urbana e eficiência energética, a política para a agricultura e distribuição juntam-se à libertação do Estado Social dos setores rentistas para responder ao problema da dívida na sua raiz: o atraso económico e o ciclo da dependência.

2022 2026

Na resposta à pandemia, a União Europeia chegou com atraso aos apoios necessários para defesa da economia e do emprego e com valores muito mais baixos quan-do comparaquan-dos com os pacotes financeiros de outros blocos eco-nómicos. As regras de défice e da dívida, coletes de forças que os Tratados impõem aos países, re-gressarão rapidamente a vigorar, atrasando a retoma económica que se deseja. E foi com o receio desta ameaça que o Governo de António Costa, sempre procuran-do ser um bom aluno europeu, colocou Portugal como um dos países com menor investimento público para enfrentar os efeitos nefastos da pandemia. É preciso libertar o investimento público destas amarras que nos atrasam.

Mantemos o projeto de uma Europa de democracia, liberdade e solidariedade. É esse compro-misso que impõe a insubmissão à União Europeia dos tratados e das regras do euro.

As propostas do Bloco

▶ Autonomia total do país na tomada de decisões sobre o sis-tema financeiro, incluindo proces-sos de nacionalização, recapitaliza-ção, resgate, resolução ou venda;

▶ Eliminação das regras do mercado interno que condicio-nam a possibilidade de decisões soberanas sobre política in-dustrial dos Estados-membros, nomeadamente no que diz respeito a políticas de compras públicas, motivadas pelo desenvolvimento de setores estratégicos ou imple-mentação de circuitos curtos;

▶ Definição de um limiar mínimo para a tributação dos rendimen-tos de capital em todos os Esta-dos-membros e territórios da União Europeia;

▶ Exclusão da comparticipação nacional associada aos fun-dos comunitários do cálculo do défice, bem como do investimento público associado a serviços públi-cos essenciais e cumprimento das metas ambientais;

▶ Desvinculação do país do Tra-tado Orçamental, na sequência do chumbo recente da sua trans-posição para direito comunitário;

▶ Inversão das prioridades da política monetária, na medida em que se mantenha o atual quadro institucional, colocando a promo-ção do pleno emprego como obje- ▶

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