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DEFENDER O BEM ESTAR ANIMAL

No documento Programa eleitoral (páginas 193-197)

capacidade de decisão sobre a vida

25. DEFENDER O BEM ESTAR ANIMAL

Nos últimos anos têm-se regis-tado alguns avanços das polí-ticas de bem-estar animal no

Desde 2009 que algumas das pro-postas do Bloco foram alcançadas, nomeadamente a fusão das bases de dados de registos de animais de companhia, a obrigação de microchip em cães e gatos, o fim da exploração de animais selva-gens em circos, a implementação da obrigatoriedade de esterilização de todos os animais adotados nos Centro de Recolha Oficiais e a definição legal dos maus tratos a animais de companhia. Também as mudanças operadas no estatuto

O que já

conseguimos

jurídico dos animais em 2017 – deixando de os considerar como coisas e atribuindo-lhes um esta-tuto jurídico próprio, assim como o reforço da criminalização dos maus tratos a animais domésticos ou ainda a proibição de explo-ração de animais selvagens nos circos, foram lutas ganhas pelos movimentos de defesa do bem--estar animal que se alcançaram só nesta legislatura. O contributo do Bloco de Esquerda para estas vitórias foi decisivo.

Foto / Ana Mendes

plano legal que ainda não resol-veram, no entanto, um grande atraso legislativo e de fiscaliza-ção em relafiscaliza-ção à forma como hoje a sociedade considera os

animais, seja na alimentação, no entretenimento, na investiga-ção, no contexto pedagógico ou como companheiros do quoti-diano.

2022 2026

Apesar de avanços importantes, as soluções consagradas em lei ficaram muito aquém do que o movimento social e o Bloco de Esquerda pretendiam. Algumas medidas, como a mudança do ministério da agricultura para o do ambiente dos animais de companhia, foram jogadas ilusó-rias que ainda não se

concretiza-ram em políticas transformadoras para a garantia do Bem-estar animal. O que ocorreu nos incên-dios de Santo Tirso não garantiu a inclusão dos animais nos pla-nos de prevenção e de combate a incêndios, nem um levantamen-to rigoroso - que ficou prometido - dos centros de recolha oficial e espaços de associações com e

sem condições. Já o episódio da matança na Torre Bela demons-trou a brutal ausência do Estado na autorização e fiscalização das atividades cinegéticas e o de-sajuste destas práticas no que concerne à conservação.

Ainda muito está por fazer e na produção legislativa. A atual representação na Assembleia da

Foto / Roberto Huczek / Unsplash

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E/

UMA SOCIEDADE JUSTA, PROGRESSISTA E INCLUSIVA

PROGRAMA ELEITORAL BLOCO DE ESQUERDA

▶ Aprofundamento da legisla-ção sobre maus tratos a ani-mais, que inclua animais para fins de exploração agrícola, pecuária, agroindustrial ou para fins de es-petáculo comercial;

▶ Criação de uma Rede de Centros de Recolha Oficial que abranja todos os municípios e que atenda às necessidades de esterilização de animais errantes, assilvestrados e de companhia;

▶ Criação de abrigos preparados para receber animais domésti-cos e selvagens, impedindo que, por falta de espaços, seja dada a guarda dos animais a quem os maltratou ou negligenciou;

▶ Inclusão das associações de proteção de animais na lei do mecenato, tal como já acontece com organizações de defesa do ambiente e outras;

▶ Garantia da presença nos matadouros de profissionais de medicina veterinária e número suficiente para a devida fiscali-zação de trabalhadores e traba-lhadoras por volume e tipo de animais;

▶ Substituição do transporte de animais vivos por transporte em frio dentro do espaço europeu e em todas as viagens de longo cur-so superiores a 8 horas, conforme disposições europeias;

As propostas do Bloco

República ainda não acompa-nha os avanços reclamados pela maioria da sociedade. Estes en-traves tomaram expressão mais visível no debate do Orçamen-to do Estado de 2019 sobre os privilégios fiscais concedidos às touradas e aos toureiros, nas dis-cussões sobre a violência e falta de condições médico-veterinárias e de saúde pública do transporte de animais vivos para países fora da União Europeia. Nestas dis-cussões, predomina no Partido Socialista um conservadorismo que oscila entre uma representa-ção agressiva dos lobbies tau-romáquicos e agropecuários e uma reserva de princípio contra o reconhecimento dos avanços científicos e sociais de respeito pelos animais. O Bloco de Es-querda defende medidas que de-vem envolver toda a comunidade na garantia do respeito por todos os animais e na reivindicação de modelos de soberania alimentar e de repúdio de perpetuação de práticas de violência.

O Bloco de Esquerda reforça o seu compromisso para com as políticas de bem-estar animal.

Fazemo-lo integrando a luta pelo respeito do bem-estar animal numa visão anticapitalista mais ampla, isto é, uma construção que combate a exploração e as relações de dominação a todas as escalas, nomeadamente a violência e objetificação com que a indústria e as políticas, na sua grande maioria, encaram os animais.

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▶ Valorização da Comissão Nacional para a proteção de animais utilizados para fins cien-tíficos e implementação de medi-das de redução de utilização de animais para fins científicos;

▶ Preparar a estrutura da proteção civil alargando o seu domínio de atuação ao planea-mento de soluções de emer-gência, visando a busca, o sal-vamento, a prestação de socorro e de assistência, bem como a evacuação, alojamento e abaste-cimento dos animais;

▶ Consagração a figura do ani-mal comunitário e admitir a sua alimentação e permanência em locais próprios e em articulação com os serviços veterinários e de limpeza pública, garantindo igual-mente – para este e outros efeitos – veterinário municipal a tempo inteiro em cada município.

▶ Programa de acesso a cui-dados veterinários dos animais de companhia de tutores com baixos rendimentos, com apoio orçamental específico às faculda-des de veterinária e veterinários municipais para a prestação des-ses cuidados.

Espetáculos com animais:

▶ Interdição do trabalho de meno-res em todas as atividades tauro-máquicas, mesmo que amadoras;

▶ Reconversão de praças de tou-ros fixas com pouca ou nenhuma utilização em espaços culturais;

▶ Antecipação da proibição de espetáculos de circo com ani-mais, promovendo a entrega voluntária;

▶ Eliminação dos apoios públi-cos, diretos e indiretos, a eventos tauromáquicos e a outros espetá-culos que submetam os animais a sofrimento físico ou psíquico;

▶ Proibição da participação de outros cães em corridas competi-tivas de galgos.

Atividades cinegéticas:

▶ Atribuição em exclusividade ao Instituto da Conservação da Natureza e Florestas (ICNF) das competências no âmbito dos pro-cedimentos administrativos que autorizam atividades cinegéticas;

▶ Reforço da proteção de espécies em vias de extinção e suspensão da caça de espécies ameaçadas ou quase ameaçadas ou ainda com estatuto desconhecido;

▶ Proibição da posse, utilização e comercialização de instrumentos usados exclusivamente para cap-tura ilegal de aves selvagens não cinegéticas;

▶ Expansão das áreas de incidên-cia do PACLobo a todo o território

continental e promoção de medi-das que fomentem presas silves-tres do lobo-ibérico;

▶ Reforço do quadro de trabalha-dores no setor da conservação do ICNF;

▶ Restrição e fiscalização dos repovoamentos de exemplares de espécies cinegéticas em territó-rio nacional e promover censos anuais de todas as espécies cine-géticas;

▶ Proibir prática de tiro a animais criados em cativeiro para servirem de alvo em campos de treino de caça e eventos de tiro.

▶ Classificação como terrenos não cinegéticos os terrenos murados ou «cercões»;

▶ Criação de áreas mínimas obri-gatórias de refúgio em todas as zonas de caça.

PROGRAMA ELEITORAL

Garantir

No documento Programa eleitoral (páginas 193-197)