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AJUDE SEUS ACONSE LHADOS A EXAMINAREM

ajudando os aconselhados a verem a vida pela perspectiva do Salmo

I. AJUDE SEUS ACONSE LHADOS A EXAMINAREM

SEU FOCO. (Salmo 73.1-12)

Com efeito, Deus é bom para com Israel, para com os de cora- ção limpo.

Quanto a mim, porém, quase me resvalaram os pés; pouco fal- tou para que se desviassem os meus passos.

Pois eu invejava os arrogantes, ao ver a prosperidade dos perversos. Para eles não há preocupações, o seu corpo é sadio e nédio.

Não partilham das canseiras dos mortais, nem são afligidos como os outros homens.

Daí a soberba que os cinge como um colar, e a violência que os envolve como manto.

Os olhos saltam-lhes da gordu- ra; do coração brotam-lhe fantasias. Motejam e falam maliciosa- mente; da opressão falam com altivez.

Contra os céus desandam a boca, e a sua língua percorre a terra.

Por isso o seu povo se volta para eles, e os tem por fonte de que bebe a largos sorvos.

E diz: Como sabe Deus? Aca- so, há conhecimento no Altíssimo? Eis que são estes os ímpios; e sempre tranquilos, aumentam suas riquezas.

Muitos dos nossos aconselhados inter- pretam a bondade de Deus com base em seu grau de felicidade temporal, presente e pessoal. Sua visão de felicidade tem a ver com coisas físicas, externas e imediatas. É difícil imaginarem que Deus poderia ser bom e não lhes dar seu tanto de “vida boa”. Seu foco não enxerga o longo prazo nem vê um quadro maior.

No caso de Maria, seus olhos estavam em criaturas, na felicidade pessoal e no mundo físico das realidades observáveis. Mas enquanto ela focalizar estas coisas, Maria continuará a lutar. Ela não enten- derá o que Deus está fazendo. Terá inveja da vida do incrédulo. Ela estará errada em sua motivação para obedecer.

Para ajudá-la, precisamos olhar mais de perto para os três elementos do foco de Maria.

Criaturas. A tendência de definir a vida

com relação às criaturas vai direto ao âma- go da luta contra o pecado. Romanos 1.25 diz: “Pois eles mudaram a verdade de Deus em mentira, adorando e servindo a cria- tura em lugar do Criador, o qual é bendi- to eternamente. Amém!”. A palavra

operante no versículo é mudaram. Nossa tendência é trocar Deus pela Suas criatu- ras. Ao fazê-lo, definimos a vida abundan- te como uma experiência satisfatória com

criaturas no presente. Quer isso signifique

saúde, amizades, família, sucesso financeiro ou um senso de bem-estar emocional, nosso foco tende a se desviar do Criador. Trocamos Seu plano glorioso e Seu pro- pósito pela bênção criada. Trocamos o Criador pela criatura.

Asafe lutou contra isso ao invejar a vida dos perversos: “Para eles não há preocupa- ções, o seu corpo é sadio e nédio. Não par- tilham das canseiras dos mortais, nem são afligidos como os outros homens. Eis que são estes os ímpios; e sempre tranquilos, aumentam suas riquezas” (versos 4,5,12).

Dentre as pessoas que você aconselha, muitas querem pouco mais do que a feli- cidade, ou seja, aproveitar uma vida de relativa tranquilidade no mundo criado. Maria resume isto com precisão quando diz: “Eu estou cansada de ouvir você me dizer que Deus me ama. Eu quero um marido que me ame!”

Se eu focalizar a criatura e medir minha vida pelo quanto de criatura eu possuo e vivencio no presente, a obra de Deus em minha vida simplesmente não fará sentido. O bem-estar do in- crédulo será uma fonte constante de desânimo.

Felicidade pessoal no presente. Em

quê Deus está operando? Qual é o Seu alvo, o Seu plano, o Seu propósito para mim? Seria eu encarar o dia com um sorriso por- que minha vida é tranquila e repleta de experiências felizes com pessoas, lugares e coisas? Qual é o “bem” que Deus está fa- zendo em minha vida? O que é esta “vida abundante” de que a Bíblia fala?

Privatizamos e temporalizamos o Evangelho com muita facilidade. Reduzi- mos seu propósito e suas promessas à ex- periência de felicidade pessoal no presen- te. Perdemos de vista o grande plano do Evangelho que diz respeito mais a Cristo do que à minha felicidade pessoal.

Em quê Deus está operando? Pedro nos diz em sua segunda carta: “Visto como pelo Seu divino poder nos têm sido doa- das todas as coisas que conduzem à vida e à piedade, pelo conhecimento completo daquele que nos chamou para a sua pró- pria glória e virtude, pelas quais nos têm sido doadas as suas preciosas e mui gran- des promessas, para que por elas vos torneis coparticipantes da natureza divina, livran- do-vos da corrupção das paixões que há no mundo” (2Pe 1.3-4). O principal bem que Deus está operando é me livrar da es- cravidão aos meus desejos pecaminosos. Estes atraem-me à corrupção do mundo, mas Deus está me fazendo participante da Sua natureza divina3.

Deus está agindo para mudar radical- mente o meu coração – como vivo e que

3 O Salmo 73 tem muito a dizer sobre desejo. Não

devemos concluir que tudo o que esse salmo diz é que é certo desejar coisas celestes e errado desejar coisas terrenas. Desejar bênçãos de Deus não é errado, muitos desejos terrenos são legítimos e piedosos - no lugar certo. O Salmo 73 (junto a muitas outras discussões sobre desejos celestes e terrenos) chama atenção para questões de ênfase, prioridade, controle e autoridade. O que governa o coração funcionalmente? O desejo tornou-se uma exigência, o bem principal? Aquilo que você exige molda sua maneira de se relacionar com Deus e o homem ou de interpretar a sua situação? Inveja, ira, frustração, desapontamento, medo - e até mesmo felicidade - tudo revela o que governa o coração. O contraste não é simplesmente entre objetos de desejo celestes e terrenos ou entre desejos bons e maus, mas entre um coração governado por Deus e um coração governado por um desejo pela criatura.

frutos dou (2Pe 1.3ss). Este é o bem re- dentor que Ele está operando. Ele me deu tudo aquilo de que preciso para viver uma vida santificada em meio à situação em que Ele me colocou. O foco de Deus é reden- tor, eterno e espiritual. Na medida em que meu foco for individual, temporal e físi- co, não estarei me entendendo com Deus. Maria não está se entendendo com Deus em como compreender sua vida.

Quando Pedro diz que Deus nos deu tudo aquilo de que precisamos, ele não quer dizer tudo quanto precisamos para satisfa- zer nossa definição individual de felicida- de! A Bíblia ensina repetidamente (p. ex., Tg 1; 1Pe 1; Rm 5) que Deus coloca obs- táculos em nossas vidas para produzir em nós o caráter que Ele tem por objetivo.

Quando os nossos aconselhados con- cluem que, por serem cristãos, têm maior razão do que um incrédulo para esperar uma felicidade temporal e pessoal basea- da em possuir criaturas no presente, eles encontram uma dificuldade grande para ver que aquilo que Deus está fazendo é bom.

O mundo visível, externo. Às vezes é

quase como se os aconselhados estivessem fazendo uma comparação entre pilhas de bens materiais com a suposição de que a pilha do cristão deveria ser sempre a maior. Certa vez, Maria chegou contando o quão deprimida ela estivera a semana toda. Sua vizinha a convidara para um churrasco onde ela conheceu o marido dessa mulher. Maria disse que ele era uma pessoa mara- vilhosa. Ela passou a tarde vendo ele se relacionar com seus filhos e ajudar sua es- posa com a refeição. Por dentro, Maria fer- veu de inveja. Para ela, não fazia sentido que essa mulher descrente pudesse ter aquele marido tão bom enquanto ela este-

ve casada com um “monstro”. Por que sua vizinha incrédula gozava de felicidade con- jugal enquanto ela vivia sozinha?

Muitos dos nossos aconselhados são como Maria. Eles fixaram seus olhos no que é visível. Um resultado direto é a sua incapacidade para enfrentar a vida no mundo caído. Paulo tratou deste assunto em 2Coríntios 4.7-18:

Temos, porém, este tesouro em vasos de barro, para que a excelên- cia do poder seja de Deus e não de nós. Em tudo somos atribulados, porém não angustiados; perplexos, porém não desanimados; persegui- dos, porém não desamparados; abatidos, porém não destruídos; levando sempre no corpo o mor- rer de Jesus, para que também a sua vida se manifeste em nosso corpo. Porque nós, que vivemos, somos sempre entregues à morte por causa de Jesus, para que tam- bém a vida de Jesus se manifeste em nossa carne mortal. De modo que, em nós, opera a morte, mas, em vós, a vida.

Tendo, porém, o mesmo espí- rito da fé, como está escrito: Eu cri; por isso, é que falei. Também nós cremos; por isso, também fa- lamos, sabendo que aquele que res- suscitou o Senhor Jesus também nos ressuscitará com Jesus e nos apresentará convosco. Porque to- das as coisas existem por amor de vós, para que a graça, multiplican- do-se, torne abundantes as ações de graças por meio de muitos, para glória de Deus.

Por isso, não desanimamos; pelo contrário, mesmo que o nosso

homem exterior se corrompa, con- tudo, o nosso homem interior se renova de dia em dia. Porque a nossa leve e momentânea tribula- ção produz para nós eterno peso de glória, acima de toda compara- ção, não atentando nós nas coisas que se veem, mas nas que se não veem; porque as que se veem são temporais, e as que se não veem são eternas.

Paulo não fixou seus olhos naquilo que é visível, mas no invisível. A passagem dá três razões fortes pelas quais Paulo foi ca- paz de agir desta forma.

Primeiro, Paulo não fixou seus olhos no que é visível por causa do que Deus está

fazendo (versos 7-15). A fraqueza, as pro-

vas, as perdas e o sofrimento que enfren- tamos não são resultados de alguma omis- são divina ou erro! Eles são partes cruciais do plano de Deus. Se eu tendo a trocar a esperança no Criador pela esperança na criatura, então Deus precisa me afastar da segurança que tenho em outras coisas que não Ele. Como Ele faz isto? Ele me faz um vaso de barro. Não sou nada mais que um vaso fraco, suscetível de ser rachado. No entanto, por meio destas próprias ra- chaduras minha verdadeira fonte de po- der aparece. A fonte de poder revelada na fraqueza é o próprio Deus! Além disso, Deus determinou as provações que enfrento. Elas não são acidentais; são o meio de Deus continuar a obra redentora em mim. É em meio a estas provações que a vida de Jesus é revelada. Conforme eu sou posto à mor- te diariamente, Sua vida é conhecida.

Deus está agindo na produção de mudanças eternas no meu coração, em meus próprios desejos e esperanças. Ele está me levando da esperança no mundo

presente para a esperança somente nEle. Ele está revelando perante mim a verda- deira vida, uma vida que consiste do po- der insuperável de Jesus Cristo dentro de mim. E Ele usará as coisas deste mundo presente – frequentemente a perda delas – para concretizar Seu grande plano re- dentor. Seu alvo não é a abundância das coisas terrestres, mas a abundância da es- perança em Deus.

Segundo, Paulo não fixou seus olhos no que é visível porque o mundo das coisas

físicas está passando (versos 16,18). As coi-

sas físicas, visíveis, são temporárias. O cor- po saudável de um jovem envelhece e se cansa. A casa nova começa ter rachaduras com o tempo. A planta seca. As institui- ções perdem a sua utilidade e se dissol- vem. As roupas ficam gastas. O mundo está passando.

Precisamos ajudar os aconselhados a li- darem com a ilusão de que as coisas deste mundo são permanentes. A esperança em coisas do mundo presente é, na melhor das hipóteses, uma esperança fútil e tem- porária. Precisamos pedir aos nossos acon- selhados que examinem o quanto de suas vidas está fundamentado em coisas que se consomem por sua própria natureza. Esta pode ser uma maneira de examinar tanto a esperança quanto a falta de esperança de nossos aconselhados.

Finalmente, Paulo não fixou seus olhos no que é visível por causa da realidade da

eternidade (versos 17,18). O que Deus está

fazendo agora, determinando as experiên- cias que enfrento, tem um alvo final: a gló- ria eterna revelada em minha vida. A vida vista pela perspectiva da eternidade parece radicalmente diferente. Paulo caracterizou sua vida neste mundo caído como “uma aflição leve e momentânea”. Quantos de

nós olhariam para a vida de Paulo e con- cluiriam que, sim, sua aflição foi mesmo leve? Ouça Paulo relatar algumas de suas experiências.

[...] em trabalhos, muito mais; muito mais em prisões; em açoi- tes, sem medida; em perigos de morte, muitas vezes. Cinco vezes recebi dos judeus uma quarente- na de açoites menos um; fui três vezes fustigado com varas; uma vez, apedrejado; em naufrágio, três vezes; uma noite e um dia passei na voragem do mar; em jornadas, muitas vezes; em perigos de rios, em perigos de salteadores, em pe- rigos entre patrícios, em perigos entre gentios, em perigos na cida- de, em perigos no deserto, em pe- rigos no mar, em perigos entre fal- sos irmãos; em trabalhos e fadigas, em vigílias, muitas vezes; em fome e sede, em jejuns, muitas vezes; em frio e nudez. Além das coisas exte- riores, há o que pesa sobre mim diariamente, a preocupação com todas as igrejas. Quem enfraquece, que também eu não enfraqueça? Quem se escandaliza, que eu não me inflame? (2Co 11.23-29). No entanto, Paulo olhou para este quadro e o chamou de leve e momentâ- nea tribulação. Ele pôde dizer isto por- que colocou todas estas experiências em uma balança e as comparou com outra realidade, uma realidade que pesa muito mais do que todas essas experiências jun- tas: a realidade da glória infindável da eternidade. Quando comparado à eter- nidade e sua glória, o que há de mais di- fícil na vida pode ser visto como leve e momentâneo.

Que contraste significativo existe en- tre a maneira de ver a vida nos primeiros doze versículos de Salmo 73 e a maneira de descrever a vida que encontramos em 2Coríntios 4! Que contraste há entre aqui- lo que são as experiências de Maria atual- mente e o que elas podem vir a ser! A dife- rença é o foco. Onde os seus olhos estão focados?

Um plano prático de aconselha-