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Como posso fazer alguma coisa se não sinto vontade de fazer nada?

Aqui está o problema. Em sua maio- ria, as pessoas fazem alguma coisa porque sentem vontade de fazer. Elas se levantam de manhã porque sentem que devem ir para o trabalho, sentem vontade de evitar as perguntas do seu chefe sobre a razão de estarem atrasadas ou sentem vontade de evitar a pobreza. Somos dirigidos por sen- timentos mais do que imaginamos.

Quando se está com depressão, os sen- timentos parecem ausentes. Ou melhor, seja o que for que você sinta, nunca será algo que o motivará a fazer uma coisa pro- veitosa. Por exemplo, você sente vontade de morrer, gritar, correr, desaparecer, ig- norar. Como as pessoas dirigidas por seus sentimentos podem estabelecer alvos, pro- pósitos, ou serem motivadas, quando elas não sentem?

De início, será necessário aprender uma maneira nova de viver. Precisará ser como aquela mulher cujos músculos con- tinuavam a funcionar, mas haviam parado de transmitir informações sobre os mem- bros. Ela não estava paralisada, mas se fe- chasse seus olhos não poderia dizer se es- tava de pé, segurando algo ou deitada. Por vezes, ela se olhava no espelho e percebia que estava com o seu braço direito estica- do em direção ao teto sem ao menos percebê-lo. Nem andar lhe era possível, porque não conseguia sentir onde estavam suas pernas. Progressivamente, olhando no

espelho para ver seu corpo em lugar de senti-lo, ela passou a andar novamente. Depois de muito treino, caminhar voltou a ser algo natural. Mas ela precisou apren- der uma nova maneira de viver e se movi- mentar.

Quando se está com depressão, a nova maneira de se viver é acreditar e agir de acordo com o que Deus diz, ao invés de sentir o que Deus diz. Isso é viver pela fé. Parafraseando Hebreus 11.1, “fé é a certeza das coisas que não se sentem”. Em outras palavras, quando há uma luta entre o que seus sentimentos dizem e o que as Escrituras dizem, as Escrituras ganham. Qualquer outro resultado se- ria como dizer a Deus que é impossível depositar a confiança nEle. “Deus não está dizendo a verdade. Não posso acre- ditar nEle. Só posso acreditar em mim mesma.” Imagino que isso não é o que você quer dizer. Provavelmente, você queira dizer que não entende o que Deus está fazendo, sem negar que Deus fala a verdade. Negar o que Deus diz seria em si uma mentira. Não acredite nisso. Deus é a verdade.

Aqui está um exemplo dessa nova ma- neira de viver. Você sente como se não ti- vesse nenhum propósito ou esperança. Não há razão para sair da cama, trabalhar, amar ou viver. Esse sentimento o toma por completo. Deus, no entanto, contraria esse sentimento a cada página das Escrituras. Por exemplo, “amai-vos de coração uns aos outros, ardentemente” (1Pe 1.22). Esta é uma declaração de propósito. É uma ra- zão para se levantar da cama. Você tem que lutar contra os seus sentimentos paralisantes para que possa amar a outra pessoa. Por que se importar com isso? Por-

que é a ordem pessoal dada pelo próprio Deus, o Rei dos reis.

Se você é um servo do Rei – o que, de fato, você é – e Ele lhe pede algo, você acabou de receber um propósito para vi- ver. Apenas quando o Rei disser que não precisa mais do seu serviço é que você não terá mais um propósito, e isso, claro, nunca acontecerá com o Deus verdadeiro. Ele diz que Seus propósitos para você duram por toda a eternidade.

Colocando o seu propósito em termos bem amplos, a sua tarefa é glorificar e go- zar a Deus (1Co 10.31). Glorificar a Deus quer dizer fazer o Seu nome famoso. A honra e a reputação de Deus tornam-se mais importantes do que a sua própria.

Glorificar a Deus. Isso lhe parece ser um clichê? Apesar de parecer impraticável, é na verdade algo muito concreto, que você pode realizar por meio de passos pequenos de fé e obediência. Outros podem nem perceber, mas se você faz todas as coisas por causa de Jesus e daquilo que Ele fez por você – desde pentear seu cabelo até vender tudo o que tem e se tornar um missionário – então você está glorificando a Deus.

Quer um incentivo palpável? Há mui- tas evidências nas Escrituras de que quan- do você procura a Deus e ao Seu reino, seus problemas ficam mais leves (2Co 4.16,17).

Ouça

Enquanto você trabalha em uma de- claração clara de propósito, você precisa de alguém para ajudá-lo a cultivá-la, lembrá-lo dela constantemente e lê-la para você. A esta altura, o seu trabalho será o

de ouvir. Até aqui você tem dado aten- ção aos seus próprios pensamentos; mas agora você deve ouvir o que Deus diz em Sua Palavra e o que Ele diz por meio das pessoas.

Ouvir parece algo passivo, mas é um trabalho árduo. O livro de Tiago lembra que somos propensos a “simplesmente es- cutar”, como aqueles que se olham no es- pelho e rapidamente se esquecem de como se parecem (Tg.1.22-24). Então, quando você ler ou ouvir sobre a verdade e o amor, não apenas escute, mas ouça.

Sobre o que você irá ouvir? Quando o Deus trino fala, inevitavelmente Ele fala sobre Jesus. Jesus é Aquele que teve com- paixão pelos que sofrem, e Ele os entende porque Sua dor excedeu a nossa própria. Você já percebeu que quando ouve sobre o sofrimento de outra pessoa, especial- mente quando este sofrimento é inten- so e esmagador, os seus próprios proble- mas parecem mais amenos? Ouvir sobre o sofrimento alheio, no mínimo, desvia a nossa atenção das nossas dores e nos faz perceber que não estamos sozinhos. É isso o que acontece quando olhamos para Jesus e o ouvimos.

Continue a ouvir. Mesmo que você se sinta rejeitado pelos outros, Jesus não o rejeitará (Sl 27.10). Volte-se para Ele com fé – nem que seja um grãozinho de fé – e Ele nunca o deixará nem abandonará (Hb 13.5). Ele promete isso a você.

O amor nem sempre o motiva? Então considere isso. Na presença de Deus há amor que levará toda a eternidade para começar a ser compreendido. Se isso não o motiva ago- ra, mais tarde o fará. O amor de Deus é como o de um bom pai para com seu filho que não entende todos os detalhes do amor pa- ternal. Em outras palavras, a criança pode

ocasionalmente pensar que seu pai não é amoroso, mas o amor de um pai é mais pro- fundo e belo do que uma criança pode en- tender. A criança está desesperada porque não pode mais brincar na lama, mas seu pai a está banhando para levá-la a uma viagem para Disneylândia. Se você não consegue ver este amor, então continue a ouvir o evange- lho. Sua mensagem diz que, de acordo com o plano de Deus, Jesus morreu por pecado- res como nós. Este é um amor maravilhoso e profundo. Se isto não lhe parece maravilho- so, talvez você tenha esquecido que é um pecador. Jesus não morreu por pessoas boas que necessitavam de um encorajamento espi- ritual; Ele morreu para trazer de volta para a Sua família inimigos alienados e condenados. Deus ainda diz muito mais, mas é muito fácil se perder em meio a tudo isso e começar a pensar “nada disso está me ajudando”. Como foi dito por uma mu- lher, “Nenhuma quantidade de amor de ou para alguém – e houve muito amor – poderia me ajudar. Possuir uma família carinhosa e um emprego fabuloso não eram suficientes para que eu superasse a dor e o desespero”.

Pense

Se você está deprimido e ouve os seus pensamentos, provavelmente perceberá que eles são sombrios, pessimistas, sem esperança e críticos tanto em relação a você como em relação aos outros. Quando es- tes pensamentos começam a surgir, é difí- cil que parem até que você chegue ao de- sespero mais profundo. Por exemplo, se alguém está falando sobre Papai Noel, você começa a pensar que também é gordo e que todos estão rindo de você pelas costas

por causa do seu peso. Se alguém o elogia por um serviço bem feito, você tem a cer- teza de que isso foi dito em preparo para a notícia de que será despedido ou, então, se esta pessoa soubesse o tipo de trabalho que você realizou, ela iria despedi-lo ime- diatamente, e...

Este processo mental é automático. Basta acionar um botão, e ele prossegue em piloto automático. O fato de sentir que sua mente está envolta em contínua ne- blina significa que você não se sente capaz de fazer uma força digna de Hércules para realizar as correções mentais necessárias.

Você deve começar a pensar – não mais de forma automática, mas de forma propo- sital. Seus pensamentos devem ser guiados pelas Escrituras. Trabalho duro? Sim. Qual- quer esforço mental será trabalhoso. Mu- danças imediatas? Provavelmente não as que são óbvias para você. Mas você deve fazê-lo. Seus pensamentos atuais pendem para a falta de esperança e o desespero. Você deve se dispor a entrar em uma briga.

Se você está relutante em trabalhar com seus pensamentos, então precisa se

questionar se realmente quer mudar. Pode

soar estranho, mas muitas pessoas não querem mudar. O trabalho exigido não parece valer a pena, elas odeiam pensar que terão que encarar o fato de não estarem mais deprimidas, ou são tão fiéis ao estilo de vida que vêm levando que preferem que o mundo ao seu redor mude.

Pense. Você realmente quer mudar? Se achar que está mais relutante à mudança do que pensa, você deve voltar e repensar seu propósito. Algumas pessoas usam seus filhos como uma motivação para mudar, mas os filhos não são uma razão suficientemente poderosa. Seus pensamen- tos sombrios o fariam acreditar que seus

filhos e todos os outros a quem conhece se sairiam bem melhor sem você por perto. A única razão suficiente para mudar é que você foi chamado para representar Deus na terra, Ele é o seu mestre amado e você, um filho, servo, embaixador – escolha o que quiser. Você vive por causa dEle.

Se isto não é o suficiente, então talvez deva voltar a ouvir. Peça que alguém lhe diga quem é Deus. Quando sua mente está envolta em neblina, é difícil lembrar-se sozinho da verdade, por isso peça que al- guém o ajude. Peça que alguém lhe diga que Deus é o criador, Ele vive e enviou Jesus para morrer pelos pecados de pessoas como nós, que O ignoraram e se torna- ram inimigos de Deus. Peça que alguém o convença de que Deus é bom. Peça que repitam a verdade até que ela lhe soe como uma boa nova e você passe a acreditar nela. Pense nisso. Se não estivesse deprimido, você estaria maravilhado pelo que Deus tem feito. Você se curvaria em adoração, como muitos outros que compreenderam o amor e a presença de Deus, e diria: “Eu não sou digno, mas estou grato”. Não desista de ouvir estas verdades. Elas são capazes de mudá-lo. Não desista.

O que diz a sua depressão? O que