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Um plano prático de aconselha mento para ver a vida pela

perspectiva da eternidade

1. Ajude seus aconselhados a

usarem 1Coríntios 10.13-14

como forma de expor como eles

creram na mentira da permanên-

cia da criatura.

Primeiro, Paulo antecipou a forma como tendemos a pensar em meio às cir- cunstâncias difíceis. “Não vos sobreveio tentação que não fosse humana; mas Deus é fiel e não permitirá que sejais tentados além das vossas forças; pelo contrário, jun- tamente com a tentação, vos proverá livra- mento, de sorte que a possais suportar”. Tendemos a pensar que nossa situação é fora do comum, que fomos escolhidos para

uma dificuldade singular. Tendemos a pensar que Deus foi infiel para conosco; é por isso que estamos na situação em que estamos. Tendemos a olhar para a dificul- dade e pensar que é mais do que podemos suportar. E tendemos a procurar meios de escape para nos livrar da situação. Esta pas- sagem provê um diagnóstico útil a ser usado com nossos aconselhados porque ela ante- cipa bem a nossa maneira típica de pensar a respeito das dificuldades.

Segundo, quando Paulo prossegue dizendo “Portanto, meus amados, fugi da idolatria” (1Co 10.14), ele não está começando um pensamento novo (como pode parecer, visto que as nossas tra- duções começam um parágrafo novo neste ponto). Antes, ele arremata a pas- sagem! Esta frase dá sentido a tudo quanto ele acabou de dizer. Ela explica o problema de Israel, conforme apre- sentado no começo do capítulo, e defi- ne as tentações comuns que todos nós enfrentamos.

Por que lutamos? Por que perdemos a esperança? Por que questionamos a fideli- dade de Deus? Por que pensamos estar en- frentando mais do que podemos supor- tar? Por que procuramos por qualquer es- cape que esteja ao nosso alcance? Por que não encontramos conforto na presença e nas promessas de Deus? Por que a espe- rança futura ainda nos deixa invejosos, ira- dos e amargurados?

A resposta é idolatria. À proporção que eu me apego às coisas criadas, pensando que a vida pode ser encontrada ali, qual- quer situação que não satisfaz o desejo do meu coração parecerá insuportável para mim. O Deus que me colocou em tal cir- cunstância parecerá infiel e cruel e Sua presença me oferecerá pouco conforto.

Neste ponto, 1Coríntios 10 cruza-se com o Salmo 73. Na verdade, minha luta não é contra o que eu sou capaz de supor- tar nem é contra a fidelidade de Deus. Minha luta é contra como a idolatria altera a minha maneira de pensar sobre o que eu posso suportar e a minha percepção da fi- delidade de Deus. Portanto, em meio à uma situação aparentemente insuportável, eu grito: “Com efeito, inutilmente con- servei puro o coração” (Sl 73.13). Eu re- clamo, fico irado, abandono a fé, porque vivo por um ídolo.

Será que os nossos aconselhados dei- xam que a perspectiva da eternidade, do destino, influencie o seu entendimento da vida cotidiana? 1Coríntios 10 pode nos ajudar a lhes mostrar onde eles estão fa- lhando e qual o resultado. Costumo fazer isto com os meus aconselhados usando sete perguntas que derivam do texto.

1. Em que situações você é tentado a invejar as vidas das pessoas ao seu re- dor porque você pensa ter sido esco- lhido para uma vida especialmente difícil?

2. Em que situações você é tentado a pensar que Deus é infiel?

3. Quais as circunstâncias que você pensa estarem além do que você poderia suportar? O que você considera ser indispensável para viver?

4. Que falsos “meios de escape” você tende a usar para sair das circunstân- cias que você pensa que não poderia suportar? (Controle, manipulação, escapismo, fuga etc.).

5. Quais são as situações difíceis que Deus o chama para enfrentar agora? Que recursos Ele deu para que você as possa enfrentar?

6. Quais são as coisas deste mundo nas quais você tende a colocar a sua espe- rança? Quais são as coisas deste mun- do que tendem a motivá-lo para pros- seguir?

7. Que padrões de idolatria pessoal es- tão por trás de tudo isto?

2. Ajude os aconselhados a reco-

nhecerem, admitirem, confessarem

e abandonarem todos os padrões

de descontentamento, ira e amar-

gura em relação a Deus que

resultam em uma perspectiva de

vida que esquece o destino.

Isto foi difícil para Maria. Ela parecia incapaz de enfrentar muitas coisas. Era até mais difícil para ela enfrentar sua própria ira contra Deus. Mas foi um ponto deci- sivo de mudança quando ela disse: “Eu estava pensando sobre a dificuldade que eu tinha para orar e me perguntava o por- quê. Então percebi que não orava porque estava irada com Deus”. Esta é uma dinâ- mica espiritual fundamental que muitos dos nossos aconselhados negam. É impor- tante colocar isto na mesa porque a ira contra Deus revela os interesses pessoais que tomaram o lugar de Deus.

IV. AJUDE SEUS ACONSE-

LHADOS A FOCALIZAREM

AS RIQUEZAS ETERNAS

DA REDENÇÃO.

(SALMO 73.23-28)

Todavia, estou sempre conti- go, tu me seguras pela minha mão direita.

Tu me guias com o teu conse- lho e depois me recebes na glória.

Quem mais tenho eu no céu? Não há outro em quem eu me compraza na terra.

Ainda que a minha carne e o meu coração desfaleçam,

Deus é a fortaleza do meu cora- ção e a minha herança para sempre. Os que se afastam de ti, eis que perecem; tu destróis todos os infi- éis para contigo.

Quanto a mim, bom é estar junto a Deus; no Senhor Deus ponho o meu refúgio, para procla- mar todos os seus feitos.

Se não devo me concentrar nas coisas deste mundo nem comparar minha pilha de bens terrenos com a do perverso, em que devo me concentrar? Este é o ponto final no Salmo 73. O que eu possuo que me torna rico? Esta questão pode ser res- pondida com uma única palavra: DEUS! O que me torna rico não é uma circuns- tância nem a quantidade de bens que pos- suo. Eu sou rico por causa de um relacio- namento com uma Pessoa que está sem- pre comigo. Seu nome é Emanuel.

Olho para os perversos e posso dizer: “Sim, eles têm circunstâncias livres de far- dos. Sim, eles sempre parecem ter suas ri- quezas aumentadas. Mas eu TENHO DEUS! Eu sou sustentado pela Sua mão direita e guiado pelo Seu conselho. Quan- do meu coração fraqueja, Ele é a minha força. Ele está me levando à glória eterna. Ele é o que me torna rico. Nada se com- para ao que eu tenho. Posso olhar ao redor e dizer honestamente: “Não há nada no mundo que eu desejo além de Ti. Tu és o meu refúgio”.

Quantos dos seus aconselhados chega- ram a este ponto? Quantos de nós chega- mos a este ponto? Quantos podem dizer

honestamente: “O que eu quero da vida é Deus”. Quantos aconselhados diriam que a diferença importante entre eles e os perversos não está na quantidade de bens deste mundo que cada um pos- sui? Antes, Deus está perto e, portan- to, há esperança, enquanto Deus está longe do perverso e, portanto, eles pe- recerão.

Como conselheiros bíblicos, precisa- mos confrontar nossos aconselhados com as realidades maravilhosas da redenção. Precisamos desafiar sua avaliação da po- breza com a realidade de que eles são ri- cos, pois têm Deus. Precisamos chamá- los à única esperança que é realmente uma esperança. Precisamos lhes mostrar que seus pecados foram moldados pelos seus corações governados pelo desejo de coisas deste mundo. Estes desejos estruturaram sua maneira de se relacionar com Deus e o homem. Deus irá transformá-los e lhes dar riquezas verdadeiras. Eles poderão ter alegria em meio à tempestade à medida que passarem a desejar Deus em lugar de usarem Deus como um meio para alcan- çar outros fins.

Este salmo analisa o desejo com vee- mência. Ele descreve graficamente como os nossos desejos determinam o nosso projeto de vida. Explica como o desejo pessoal molda as interpretações que faço sobre Deus, eu mesmo e minha situação. Reve- la como os desejos que me governam me levam a focalizar uma coisa e ignorar vir- tualmente outras. O Salmo 73 é um aviso enérgico de como a perspectiva de um cren- te pode estar distorcida. Ele demonstra como a falha em incluir uma perspectiva bíblica essencial – a eternidade – pode alterar radicalmente a aparência da vida. Ele nos confronta uma vez mais com a

importância de focalizar o coração em nos- so trabalho com os aconselhados.

Será que estamos encorajando nossos aconselhados a serem motivados pelas gló- rias do relacionamento com Deus? Estamos dispostos a não deixar que nos- sos aconselhados persistam em sua lingua- gem de pobreza? Somos zelosos no con- frontar amorosamente os “se apenas” dos aconselhados como Maria? Somos fiéis em continuar a dizer: “Mas você tem Deus”? O mundo e tudo que nele há estão pas- sando, mas Deus é eterno; e Ele é meu e eu sou dEle. Estas verdades não são ilu- sões místicas, como muitos dos nossos aconselhados acreditam. Elas são vida real. O poder do Salmo 73 é que ele nos con- fronta em quão essenciais estas verdades são para entender a vida biblicamente e moldar respostas bíblicas práticas. Repa- re na conclusão do salmo. Uma nova ma- neira de ver a vida sempre leva a ações vi- sivelmente diferentes. Neste caso, palavras que expressam uma fé segura (73.25-28) substituem palavras de queixa e murmu- ração (73.4-15). À medida que os aconse- lhados como Maria aprendem a pensar de acordo com a perspectiva da eternidade, as suas palavras e atitudes podem mudar de maneira similar.

Um plano prático de aconselha-