Enquanto você tenta ouvir sobre Cristo e seu propósito de vida, o próximo passo é perguntar-se: “O que os meus sentimentos querem dizer?”. Os seus sentimentos dizem muito sobre você.
É assim com todas as emoções: medo, raiva, ansiedade, receio, e assim por diante. Elas são provocadas geralmente por algu- ma circunstância, mas são a sua resposta e
a sua interpretação dos eventos. Em ou- tras palavras, elas revelam quem você é. Por exemplo, se inesperadamente você receber uma conta para pagar, isso o levará a se preocupar com sua situação financeira. Mas se você está cronicamente obcecado e temeroso sobre seu futuro financeiro, o medo revela onde está sua confiança: ela está em você e não em Deus. Suas emo- ções revelam muito sobre você.
Moisés disse a mesma coisa aos israelitas quando eles andavam pelo de- serto. Ele os ensinou a ver que as dificul- dades da vida no deserto os testavam “para saber o que estava no teu coração, se guar- darias ou não os seus [de Deus] manda- mentos” (Dt 8.2). Quando os israelitas estavam descontentes, e por vezes até com raiva, eles falavam mais a respeito de si mesmos do que do deserto.
O mesmo acontece com a depressão: ela diz algo sobre o seu coração. A per- gunta é: O quê? Você deve parar e pensar. Considere algumas destas possibilidades. Qual delas expressa melhor o seu senti- mento de desânimo?
“Estou com medo.”. Medo de tomar uma decisão errada, falhar, ser expos- to, perder alguém que amo, ser aban- donado, perder o controle da situa- ção, morrer, pegar uma doença, que me incapacite ver a Deus, tudo. “Sou culpado” ou “Estou envergo-
nhado”. Culpado de meu próprio pe- cado. De não conseguir alcançar meus padrões de sucesso ao invés dos de Deus. De não ser aprovado pelas pes- soas cujas opiniões são mais impor- tantes para mim do que a opinião de Deus. De viver como se tivesse que
pagar a Deus pelos pecados que co- meto quando, na verdade, a maneira com que devo glorificar a Deus é con- cordando que Ele já pagou por tudo. De uma consciência que está fazen- do julgamentos sem ter todas as in- formações (i.e. estou carregando a responsabilidade pelos pecados de outras pessoas).
“Perdi alguma coisa”. A depressão ge- ralmente nos faz sentir vazios, como se tivéssemos perdido alguém ou algo. Talvez possa ser um emprego, a saú- de, a juventude, dinheiro ou uma pessoa. É como se alguém próximo tivesse morrido. Mas depressão é muito mais do que uma perda. É uma perda desesperadamente incontrolá- vel. É como se o que se perdeu fosse um deus para você, algo em que esta- vam depositadas toda a sua esperan- ça e confiança.
“Preciso de alguma coisa”. A depres- são está dizendo que você precisa de amor, respeito, valor ou qualquer outro desejo psicológico? Todos gos- tamos dessas coisas quando as pos- suímos, mas por vezes elas recebem mais peso do que deveriam. Já per- cebeu o que acontece quando seus desejos se tornam a coisa mais im- portante para você? Eles se trans- formam em necessidades. Você sente como se precisasse deles para viver. Isso é cobiça, e a cobiça sempre nos faz querer mais e mais. Ela nunca se dá por satisfeita. Sempre se sen- te vazia.
“Estou com raiva”. Geralmente senti- mos raiva por não termos conseguido
o que queríamos de alguém ou do próprio Deus. Talvez isso não signifi- que que você tenha pensamentos ho- micidas ou arregace as mangas e mostre seus punhos a Deus, embora fosse possível fazê-lo. Procure pelas expressões mais amenas da raiva, como reclamar, murmurar, não per- doar ou ter pena de si mesmo. Se você não encontrar nenhuma delas, olhe de novo. Com certeza elas estão lá. “Eu quero fugir de alguma coisa”. Pen-
se em qual é a parte desagradável de não se estar mais com depressão. Será que você terá que encarar coisas das quais quer fugir como, por exemplo, alguém, dificuldades financeiras ou responsabilidades que trazem em si a possibilidade de um fracasso? Talvez a neblina mental e a fatiga física da depressão o ajudem a evitar pensar em uma situação ou pessoa específica. “Ai de mim!”. As pessoas que estão acostumadas a tratar de pessoas depres- sivas conseguem facilmente identifi- car a linguagem da autocomiseração. “Se ninguém mais tem pena de mim, eu mesmo o farei.” Isso pode ser mor- tal. Quer dizer que você vive como uma vítima ao invés de viver como alguém que recebeu graça e miseri- córdia infinitas.
“Eu não tenho esperança.” Se isso lhe soa familiar, então você deve fazer ou- tra pergunta: “Esperança para que?” Es- perança de se livrar da depressão? Tal- vez você esteja esperando por muito pouco.
...gloriemo-nos na espe- rança da glória de Deus. E não somente isto, mas também nos gloriemos nas próprias tribu- lações, sabendo que a tribula- ção produz perseverança; e a perseverança, experiência; e a experiência, esperança. Ora, a esperança não confunde, por- que o amor de Deus é derra- mado em nossos corações pelo Espírito Santo, que nos foi outorgado (Rm 5.2-5).
Esta passagem das Escrituras é difícil de ser entendida, mas ela deixa algo bem definido. O apóstolo Paulo, autor da carta, estava sofrendo muito, mas de alguma maneira aquilo não o abalou. O seu tra- balho é descobrir o segredo de Paulo, que ele parece muito disposto a revelar. Aqui vai uma dica: “Considerai, pois, atenta- mente, aquele que suportou tamanha opo- sição dos pecadores contra si mesmo, para que não vos fatigueis, desmaiando em vos- sas almas” (Hb 12.3). Paulo manteve seus olhos fixos em Jesus. Quando desviamos nosso olhar de Jesus, a estrada começa a tornar-se interminável. Ficamos conven- cidos de que não temos forças para enfrentá-la. Mas quando vemos que Jesus – o Conhecedor dos corações – já trilhou esta estrada antes de nós, então ganhamos confiança de que o Espírito nos dará a força necessária para seguirmos em obediência e fé humildes.
E não foi somente Jesus quem trilhou este caminho de esperança, antecipando a glória que está por vir. Como nos indica Hebreus 11, o caminho já foi utilizado e frequentado por santos do passado e do
presente. Embora as pessoas deprimidas se sintam absolutamente sozinhas, elas fazem parte de uma procissão enorme de pessoas que estão indo em direção ao céu. “Eu sei que o meu Redentor está co- migo, e esperarei humildemente por libertação.” Quando a fé é testada, como de fato acontece durante a de- pressão, às vezes o que se revela é um coração que confia no Senhor. Você tomou a decisão de seguir a Deus não porque Ele o faz se sentir melhor, mas porque Ele é Senhor de tudo, o Pas- tor amado, o Pai eterno. Não há mais ninguém a quem se possa seguir. Cla- ro que você não entende o que está acontecendo agora, mas sabe que Ele é o Deus que está com você, e isso basta.
O que a sua depressão está dizendo? Essa é uma breve lista de algumas das ex- pressões mais comuns do coração. Há muito mais do que isso. Se você não con- segue compreender o significado da sua depressão, ainda há muito o que fazer. Ouvir do Evangelho de Cristo, conhecer Seu propósito e agir de acordo com ele já é um grande trabalho em si. Mas sempre pergunte a você mesmo o que a sua de- pressão diz.