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4.2. Subtema 1: As características e tipo de formação dos cursos de

4.2.1. Análise e discussão dos dados do Subtema 1

A apresentação do grupo teve duração de duas aulas de 50 minutos, eles acessaram, por meio da internet da sala de aula, algumas homepages e compartilharam na prática algumas de suas percepções em relação às suas descobertas. Eles optaram por mostrar três homepages de universidades diferentes, sendo duas particulares e uma pública. Eles organizaram a apresentação da seguinte maneira: primeiramente, mostraram o que era recorrente nas três homepages, todos os aprendentes puderam verificar, com a ajuda do datashow, o conteúdo geral de cada uma delas: informações sobre cursos de graduação, pós-graduação, extensão, forma de ingresso, biblioteca e outros.

Na sequência, eles acessaram conteúdos específicos sobre os cursos de Graduação e localizaram as informações acerca dos tipos de cursos, visualizaram a estrutura curricular dos cursos e, por meio delas, puderam colher informações sobre disciplinas, carga horária, duração do curso e outras. Por meio dessa dinâmica, os aprendentes puderam verificar as diferenças em termos de estrutura e formação oferecidas em alguns cursos. Foi possível notar, por exemplo, que na estrutura curricular de um curso de Licenciatura havia disciplinas relacionadas à educação, portanto com especificidade de formar ensinante. Eles também perceberam que os cursos Tecnológicos são mais rápidos do que os Bacharelados. Diante disso, o grupo explicou algumas diferenças entre um curso Tecnológico e um Bacharelado, valendo-se da leitura das homepages. Como podemos verificar, o hipertexto possibilitou que o leitor trilhasse caminhos diversificados. Isso se explica quando os aprendentes acessaram outros links, mostrando à turma outras informações contidas nas

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Os folders elaborados pelos aprendentes constam do item 4.6 deste capítulo, referente à avaliação do projeto.

homepages, tais como inscrição de vestibular, conceito do Enade, bolsas de

estudo, incentivo à pesquisa, ou seja, eles não se limitaram a retirar delas apenas as informações contidas em nossa proposta inicial.

Ao propormos o subtema sobre as características e tipo de formação dos cursos de Bacharelado, Licenciatura e Tecnológico, o nosso objetivo, a princípio, era de possibilitar que os aprendentes do 2º ano do Ensino Médio tivessem contato com informações a respeito desse assunto, de modo a sensibilizá-los para sua escolha profissional.

Nossa hipótese inicial era a de que os aprendentes recorreriam a

homepages de universidades para a realização de pesquisas acerca do assunto.

No que diz respeito à definição de homepages como gênero textual, há várias visões sobre a constituição de gêneros advindos da Web. A homepage pode ser inserida nessa problemática, pois alguns autores a consideram um veículo; outros, um gênero.

Nessa pesquisa defendemos que a homepage institucional é um gênero textual de natureza hipertextual. Segundo Askehave e Nielsen (2004), a

homepage é um gênero que surgiu com o advento da internet e não tem

similaridade com outro gênero fora dela. Trata-se de gênero nativo da Web que introduz a leitura dos gêneros que apresenta.

Bezerra (2007, p. 6-10) considera que as duas funções principais da

homepage são: a) introduzir o conteúdo geral do site, ou seja, situar o usuário a

respeito dos serviços, tais como orientações que naquele endereço são oferecidas; b) funcionar como um gênero introdutório que anuncia diversas possibilidades de informações que ali podem ser acessadas. Para o autor, esse caráter introdutório assemelha-se à primeira capa de um jornal, já que ambas têm por objetivo traçar um panorama do conteúdo disponível para leitura, mas, no caso da homepage, ambiente virtual.

Na etapa da busca de conhecimento, os aprendentes tiveram contato com o hipertexto, que se destaca por ser a modalidade textual que atende às necessidades interacionais dos eventos de letramento no ciberespaço. Segundo Marcuschi (2001, p. 86), a escritura hipertextual caracteriza-se pela não-

linearidade, ou seja, “como um processo de escritura/leitura eletrônica multilinearizado, multissequencial e indeterminado, realizado em um novo espaço de escrita”.

Ao procurar informações em homepages de universidades acerca das características dos tipos de cursos de Bacharelado, Licenciatura e Tecnológico, os aprendentes utilizaram esse gênero acessando links, possibilitando que o usuário entrasse em contato com determinados conteúdos durante a realização da leitura. Assim, eles concretizaram as duas funções comunicativas da

homepage: introduzir o conteúdo geral do site (no modo de leitura) e permitir ao

usuário o acesso a esses conteúdos, no modo de navegação.

Para Soares (2002), a tela do computador é um espaço de leitura em que se configuram como novos processos cognitivos, novos modos de conhecimento, novas maneiras de ler, enfim um novo estado ou condição para aqueles que exercem práticas de leitura na tela. Nesse sentido, essa concepção confere ao letramento digital as novas práticas discursivas suscitadas pelo hipertexto.

Daí em diante, os acessos aos links das homepages foram sendo realizados conforme a curiosidade dos colegas da sala. Essa atividade foi um processo dinâmico com participação ativa e utilização da leitura como fonte de informação e disseminação cultural.

Em relação à linguagem das homepages, os aprendentes constataram que os textos nelas presentes são típicos do meio escrito e, por essa razão, são sujeitos a regras de ortografia, pontuação, gramática e vocabulário, diferentemente dos gêneros que têm como meio a oralidade, sobretudo pelo fato de serem de universidades.

Segundo Miller (2009), os nossos discursos, com gêneros consolidados, constituem-se em convenções sociais recorrentes e até mesmo ritualizadas. Isso pode ser explicado quando os aprendentes mostraram o que era recorrente nas três homepages que eles escolheram para utilizarem como ilustração durante a apresentação.

Vale ressaltar que, para que os aprendentes construíssem todos esses conhecimentos e fossem capazes de transmiti-los aos colegas da turma, o nosso diálogo foi permanente durante o desenvolvimento desse projeto, sempre motivando os aprendentes na busca de informações em diversas homepages, durante a etapa de incentivo à busca de conhecimento, promovemos um ambiente favorável de cooperação e descoberta de informações por meio das TIC.

Com relação à utilização dos recursos tecnológicos, consideramos que a apropriação da tecnologia pode trazer benefícios quando utilizada na escola, porém entendemos que ela não é garantia de uma educação de qualidade, se não priorizarmos a formação de aprendentes baseada no diálogo e na reflexão crítica. No caso das homepages utilizadas para o levantamento das informações sobre as características e tipos de cursos Bacharelado, Licenciatura e Tecnológicos, a internet propiciou acesso fácil e rápido a uma grande quantidade de informações contidas nas homepages das universidades, favoreceu a autonomia no aprendizado do aprendente, além de maior grau de interatividade.

Observamos que durante a exposição deste subtema, os aprendentes, de um modo geral, mostraram-se bem interessados nas informações que o grupo estava transmitindo, pois fizeram questionamentos bem relevantes. Após o término da apresentação, consideramos importante realizar uma intervenção com o objetivo de esclarecer algumas questões a respeito do que é Enade, Iniciação Científica e outros. Vale lembrar que o fato de atuarmos como analista de gestão acadêmica em uma universidade e ter conhecimento sobre essas informações possibilitou-nos mediar a aprendizagem dos aprendentes com mais facilidade.

Considerando que uma das principais características da pedagogia inaciana, a proposta pelo colégio, como já informado, é que o aprendente seja o principal sujeito de sua aprendizagem, elevado à condição de aprendente ativo, com inciativa, crítico, reflexivo e pesquisador. Constatamos que a nossa proposta, bem como as atitudes dos aprendentes na realização desse projeto corresponderam aos pressupostos dessa pedagogia, na medida em que os aprendentes desenvolveram habilidades que os tornaram autônomos, criativos e livres na busca de novos aprendizados. Esse subtema provocou nos aprendentes uma reflexão a respeito da importância da escolha profissional, bem como da

importância de pesquisar mais a respeito desse assunto e conversar com a família sobre isso.

Retomando nossa sondagem inicial na qual tínhamos a intenção de descobrir o conhecimento prévio dos aprendentes em relação aos tipos de cursos oferecidos nas universidades, constatamos que 54% dos aprendentes não tinham conhecimento desse assunto e 25% o conheciam parcialmente, cabe-nos responder: em que medida a utilização dos gêneros textuais pode propiciar que os aprendentes se tornassem letrados nesse projeto de letramento?

Com relação aos objetivos propostos pela disciplina de leitura e letramento, no que diz respeito ao trabalho com gêneros textuais, verificamos que o aprendente teve a oportunidade de reconhecer as particularidades de alguns gêneros. Com a homepage, foi possível refletir sobre as possibilidades de significar, construir sentidos, por meio de links e de múltiplas linguagens que constituem esse gênero, além de conhecer a estrutura composicional desse gênero, relacionando-a com seus propósitos comunicativos.

Ainda na etapa de elaboração da apresentação, os aprendentes tiveram contato com o gênero seminário, segundo Dolz e Schneuwly (2004) gênero da ordem do expor. Tomando-se por base os PCN (1998), que também consideram a necessidade na eficácia no ensino de gêneros orais, foi necessário um planejamento de atividades, com a finalidade de tentar desenvolver no aprendente uma relação consciente e voluntária com seu próprio conhecimento linguístico, além de fornecer-lhes meios eficazes para melhorar sua capacidade de falar e se expor no momento da apresentação. Para Dolz et al. (2004, p. 216), a exposição oral “representa um instrumento privilegiado de transmissão de diversos conteúdos”. Ainda afirmam que “para aquele que o prepara e apresenta, a exposição fornece um instrumento para aprender conteúdos diversificados, mas estruturados graças ao enquadramento viabilizado pelo gênero textual”.

Por fim, também na etapa da elaboração, os aprendentes tiveram contato com o gênero folder. Para isso, tiveram de se familiarizar com esse gênero, um impresso de pequeno porte, constituído de uma só folha de papel com uma ou mais dobras, e que apresenta conteúdo informativo, sendo um artefato muito

utilizado para fazer marketing e propaganda. Nesse caso, sua função social era divulgar informações acerca do subtema e sensibilizar os aprendentes a respeito dos tipos de cursos oferecidos pelas universidades.

Para Soares (2003), o indivíduo letrado deve ir além do simples processo de ler, ele deve apropriar-se da leitura para responder às demandas sociais. Sendo assim, acreditamos que cumprimos nosso papel como agente de letramento, pois tentamos aproximar nossa prática pedagógica a práticas efetivas de letramento, uma vez que letramento não é simplesmente um conjunto de habilidades de leitura e escrita, mas é muito mais que isso, é o uso dessas habilidades para atender às exigências sociais. Passemos, a seguir, para análise e discussão do próximo subtema.

4.3. Subtema 2: As homepages de instituições que oferecem oportunidade de