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ANTEPENÚLTIMO CAPÍTULO O documento e as surpresas

No documento 1 A Herança (páginas 136-156)

Tinha passado seis horas desde que começou a ler as anotações e ele nem notara. Só se deu conta do tempo, quando ouviu a voz do Marquês de Saquarema que retornara a biblioteca.

- Henrique. Gostaria de tomar um banho antes da refeição?

- Sim, eu estou precisando realmente.

- Eu mandei servir o jantar às vinte horas. Está bem assim?

- Está ótimo. Mais quinze minutos termino com a leitura e tomarei esse banho.

E assim fez, Henrique terminou de ler tomou seu banho e o jantar foi servido.

Os cincos estavam reunidos à volta da enorme mesa de jantar e conversavam descontraidamente sob os mais variados assuntos, coisa que há algum tempo não acontecia. Com a presença deles, a casa voltou a ter mais vida para alegria dos mais velhos: - Principalmente Osvaldo e Petrônio, já a senhora Valquíria nem tanto.

Logo após terem encerrado o jantar o senhor Osvaldo dirigindo-se para a biblioteca voltou a tocar no assunto que trouxera Pedro Henrique até ali.

- Bem, então já posso lhe entregar os documentos referentes à herança. – Dizendo isso o senhor Osvaldo apanhou uma pasta em cima da sua mesa de trabalho, que ficava próxima ao cofre. – Aqui dentro, está a documentação que diz o que lhe

pertence e onde se encontra guardado. Se você ainda tem alguma dúvida, pode deixar de tê-la, agora. Confira. Verá que realmente é um homem rico.

- Senhor Osvaldo, mesmo que não exista nada a minha espera no final de tudo isso, eu posso lhe garantir sem medo de errar, que o livro que escreverei com essa história me dará tanto dinheiro, que não ficarei aborrecido se não houver nenhuma herança.

- Então meu rapaz você ficará duplamente rico, pois tenho certeza que a herança existe.

Henrique olhou a pasta, pegou-a, mas continuou parado como se tivesse em choque.

- Anda logo, Henrique. Abra a pasta e leia. Este documento histórico está a sua espera há mais de cento e cinquenta anos.

- Incentivava o Marquês.

- Não tenho mais pressa, Marquês. Vou continuar relaxando, amanhã junto com a Isabel tomamos posse dessa documentação.

- Espero que depois não tenha pressa em ir embora?

- De forma alguma. Se não for incomodá-lo pretendo escrever aqui mesmo meu novo livro. Além de tranquilo o local me encantou.

- Será uma honra tê-lo junto de nós. Fique o tempo que achar necessário.

Conversaram ainda por algum tempo antes do Marquês se recolher.

- Vou deixá-los a sós. Vocês têm muito que conversar. Tenha uma boa noite. – Osvaldo despediu-se e foi deitar.

- Boa noite, senhor Osvaldo.

- Boa noite, pai.

Ficando a sós, resolveram sair para dar uma volta pelo jardim da casa. A noite estava bem agradável. Henrique aos poucos ia descobrindo que o lugar era realmente encantador.

- Isso tudo que tenho vivido ultimamente está me parecendo um sonho.

- Mas pode ter certeza de que é real.

- Eu sei. Agora, o mais interessante disso tudo, é que quando comecei minha viagem pensava escrever um livro onde eu não fosse protagonista. Vejo que estava enganado.

- Não vejo assim. Nessa história você não é o personagem central.

- Sou coadjuvante. Eu sei, mas ao fundo não deixo de ser o protagonista. E o pior de tudo é o final da história. Poderei mudar como nas que eu estou acostumado a criar?

- Vai dar tudo certo, meu amor.

- Pelo menos no meio disso tudo, tem algo bom. Conheci minha cara metade, a mulher da minha vida.

- O destino não beneficiou só a você, eu também saio lucrando. Apesar de tão pouco tempo ao seu lado, sinto que nos conhecemos há uma eternidade. Amo-te muito.

- Eu também.

Namoravam em cima da pequena ponte sobre o lago. Entre um abraço e outro, Henrique pareceu ver na janela a senhora Valquíria e comentou.

- Isabel, eu reparei que a senhora Valquíria, não lhe é tão dedicada quanto o senhor Petrônio. Estou enganado?

- Não está enganado não. Ela realmente sempre foi assim mesmo, fechada. Principalmente comigo.

- Não será um pouco de ciúmes seu?

- Não. Às vezes penso que ela está aqui em casa por outros motivos.

- Como assim outros motivos?

- Não sei explicar muito bem, mas sinto que ela está sempre nos espreitando e ela sabe disso.

- Comentou isso com seu pai.

- Já, mas ele acha – como você mesmo acaba de falar – que eu tenho ciúmes dela. E por isso a minha implicância.

- Implicância? – Henrique não pode deixar de rir.

- É o que ele acha. O que eu posso fazer?

- Mas pelo que ouvi faz trinta anos que ela está aqui. Não é tempo demais? Ela já teria feito alguma coisa?

- E fez. Só o papai acha que não. Aliás, já fez várias ao longo desse tempo, mas como não tenho prova contra ela tenho que aturá-la aqui em casa.

- O que ela fez, por exemplo? Pode ser mais clara?

- Eu e o Petrônio acreditamos que ela envenenou minha mãe até a morte, mas não vamos deixar essa senhora atrapalhar nosso namoro.

- Desculpe ter lhe chateado com essa conversa.

- Isso tudo são águas passadas e resolvi não me importar mais.

- Se eu soubesse não teria tocado nesse assunto, mas quando a vi nos olhando pela janela, despertou-me a curiosidade de escritor.

- Você mesmo é testemunha. É como eu sempre falo, ela vive a nos espreitar.

- Devo confessar que eu também não simpatizei muito com

ela. Não sei o porquê, mas ela me faz lembrar algo que não sei explicar.

- Pode ser só impressão, porem agora que você sabe a minha posição sobre ela, talvez esteja somatizando.

- Não creio, quando eu tive a sensação não conhecia sua opinião. Foi automático, a vi e senti.

- Vai processando seus pensamentos. Pode ser que você encontre a razão ou se lembre de alguma coisa que esteja ligado a ela, quem sabe?

- Está ficando tarde. Deixa isso para lá. Vamos dormir?

- Só depois que me der mais um beijo.

Namoraram mais alguns minutos e se recolheram. Henrique estava impressionado com o requinte do quarto de hospedes em que foi acomodado, parecia estar alojado num apartamento de hotel de alto luxo. No dia seguinte levantou bem cedo tomou seu café e foi para a biblioteca. Isabel o acompanhou. Abriu a pasta e começou a ler o documento oficial deixado por seu tataravô.

*

Cessão de direitos.

Hoje, 05 de novembro de 1821, reunidos na Loja Maçônica Comércio e Artes na Idade do Ouro por iniciativa do senhor Antenor Bernardes de Oliveira estavam presentes os senhores; Osvaldo Brandão da Costa Cabral o Marquês de Saquarema; Paulino Correia de Mello o Conde do Pau D’alho; Sinval Garcia Queiroz o Barão da Serra Verde;

Cardeal Alfonso Celso Dias Machado; Grão-Mestre José

Bonifácio; e o Juiz Cláudio Araújo Cavalcante de Assis Barbosa para tratar a vontade do primeiro, oficializando este documento, que reconhecerá daqui a 150 anos o descendente (ela ou ele) do senhor Antenor Bernardes de Oliveira como seu herdeiro direto, recebendo este, na referida ocasião (1971) uma quantidade de diamantes equivalente a 50.000$

contos.

Os diamantes estarão guardados em um cofre de segurança máxima, de propriedade do senhor Antenor que estará sob a guarda do Banco do Brasil. Para abertura deste cofre são necessárias duas chaves e três segredos, todos independentes um do outro. Sendo que o mesmo só poderá ser aberto pelo herdeiro, acompanhado das pessoas que estarão responsáveis pela guarda das chaves, das placas com os segredos e deste documento original.

Tanto as chaves como os segredos estão em forma de joias e são aqui registradas na presença de todos como verdadeiras.

Três placas em ouro 24 k com trinta e três brilhantes encravados, emoldurando e formando o segredo do cofre ficará cada uma sob a guarda do Marquês de Saquarema, do Conde do Pau D’alho e do Barão da Serra Verde que logicamente passaram aos seus descendentes. Essas placas estão identificadas por um número e com as letras L, I e Y em ordem alternada. Esses números estão gravados no cofre logo acima de cada cilindro de segredo para a identificação de cada uma das ordens a serem usadas.

As duas chaves também são de ouro maciço com dezesseis brilhantes incrustados em cada uma delas e estarão sob a guarda da igreja na pessoa do Cardeal Afonso e nesta loja

maçônica com o Grão-Mestre José Bonifácio, que também estão encarregados de a passarem a seus sucessores.

Após a abertura do cofre, essas joias passarão a pertencer aos seus detentores na época, como forma de agradecimento pela guarda deste segredo.

Este documento oficial é constituído de um original e seis cópias, tudo devidamente chancelado e assinado pelos envolvidos na sua confecção e responsáveis pelo cumprimento do seu conteúdo e que ora tomam posse de sua guarda. Sendo que uma das cópias será anexada ao documento de aluguel existente no Banco do Brasil ainda nesta data.

Antenor Bernardes de Oliveira.

Marquês de Saquarema – Senhor Osvaldo Brandão da Costa Cabral. – Placa com segredo e uma cópia do documento.

Conde do Pau D’alho – Senhor Paulino Correia de Mello. – Placa com segredo e uma cópia do documento.

Barão da Serra Verde – Senhor Sinval Garcia Queiroz. – Placa com segredo e uma cópia do documento.

Cardeal – Sua Eminência Alfonso Celso Dias Machado. – Chave e uma cópia do documento.

Grão-Mestre da loja Comércio e Artes na Idade do Ouro – Senhor Sr. José Bonifácio de Andrada e Silva – Chave e o original do documento.

Juiz – Cláudio Araújo Cavalcante de Assis Barbosa. – Uma cópia do documento.

Estando eu presente por ocasião desta reunião, redijo este documento e reconheço a autenticidade das chancelas e as firmas dos que aqui a puseram.

Rio de janeiro, 05 novembro de 1822.

Justino Caldeira Fraga

Tabelião do Público, Judicial e Notas e Escrivão do Crime e Cível.

*

Henrique leu e releu o documento várias vezes, e mesmo assim custava a acreditar no que acabava de ler. Quando ia lê-lo mais uma vez, o Marquês que já o observava há algum tempo resolveu interrompê-lo.

- Não precisa ler outra vez, Henrique. O documento é autentico e está bem claro o seu conteúdo.

- Então é verídico, sou mesmo o herdeiro?

- Levei algum tempo para reencontrá-lo, mas não tenha dúvidas, você é o mencionado em questão.

- Como e por que foi isso?

- Quando seus pais faleceram você ainda era criança e foi viver no Mosteiro a mando do Exercito. Não sei o porquê dos padres, o esconderem e me impedirem de vê-lo. Acabei perdendo o contato. Para achá-lo novamente tive que colocar um detetive para investigar seu paradeiro e encontrá-lo.

- Não creio que tenham me escondido com algum propósito escuso.

- Pode ser. Hoje eu acredito que eles ficaram com medo de alguém querer lhe sequestrar para se apoderar da herança.

- É possível. Mas e esse cofre, será que realmente existe?

- Eu mesmo, muito antes de mandar Isabel a seu encontro, verifiquei junto ao banco se procedia à informação contida nesse documento.

- Essa quantia equivale a quanto nos dias de hoje?

- Acredito que em torno de 60.000.000 de dólares.

- Nossa! É muito dinheiro.

- Se convenceu agora da necessidade de tamanha segurança?

- Já estou convencido há algum tempo, senhor.

- E quanto a continuar com a segurança?

- Também concordo.

- Muito bom. A partir de agora você também estará protegido.

- Bem, então o que preciso fazer para ter essa herança?

- Basta agora reunir os demais envolvidos nesta operação que ainda estão com a chave do cofre e de um documento e ir até a agência do Banco do Brasil para tomar posse dos diamantes.

- Mas eu não faço a mínima ideia de onde encontrar os descendentes dos que estão mencionados neste documento. O senhor saberia onde encontrá-los.

- Quanto a isso não se preocupe, posso avisá-los a qualquer momento. Um é o nosso Cardeal Dom Anacleto, outro é o venerável mestre senhor Adalberto Cunha e por último, o Juiz do Supremo Tribunal doutor Kleiton de Morais, todos meus irmãos na maçonaria. Nós os responsáveis diretos pelo cumprimento da vontade do velho Antenor, sempre mantivemos contato.

- Faça isso, por favor, senhor Osvaldo.

- Quando está pretendendo ir ao banco?

- Qualquer dia para mim está bom.

- Então me diga o dia e a hora, para que eu possa avisá-los.

- Pode marcar para a próxima segunda-feira às dez horas.

- Então está combinado. Você volta quando para o para o

Rio?

- Volto hoje mesmo. Vou passar o fim de semana lá.

- Nos encontraremos no banco então.

- Com certeza.

O senhor Osvaldo ficou encarregado de avisar a todos os que ainda estavam como responsáveis pela guarda das chaves e documentos para que se reunissem na agência central do Banco do Brasil na cidade do Rio de Janeiro.

No dia e hora marcada todos os envolvidos compareceram a agência do banco. Na presença do diretor daquela instituição, senhor George da Costa Queiroz, o cofre foi por ele entregue a Henrique. A expectativa era grande, afinal tratava-se de um fato histórico a ser confirmado, pois constava nos documentos existir uma fortuna ali guardada a mais de cento e cinquenta anos. O cofre foi aberto. Henrique e os demais presentes descobriram que dentro dele só tinha alguns pequenos pedaços de vidro, usados provavelmente para fazer barulho e enganar, caso alguém o sacudisse.

Decepção de todos e o triste comentário do senhor Osvaldo Brandão IV.

- E pensar que ocorreram tantas mortes por nada.

- Por tudo que li, parece que o meu tataravô se vingou das irmãs deixando uma armadilha para elas e todos os gananciosos que o cercavam.

- É o que eu também acho Henrique. – Concordou Isabel.

- Bem. Agora mais do que nunca temos que pensar na nossa segurança. – Comentou Henrique preocupado.

- Segurança? Para que? – Perguntou intrigado, o senhor George.

- Acredito que agora esse pesadelo tenha terminado. Ou não?

– Ponderou o senhor Adalberto ao ver a preocupação do Marquês e do Henrique.

- Ainda não. Fomos avisados de que eu deveria entrega minha herança, sob pena de executarem a Isabel. Mas a quem e como iremos avisar de que não existe nenhuma herança?

Podem muito bem pensar que estejamos querendo enganá-los.

- Será? Não penso assim e não me preocuparia com segurança. – Disse o senhor George como se fosse íntimo deles.

- O que você pretende fazer? – Perguntou o Juiz Kleiton.

- Minha opinião é que devemos chamar a imprensa e divulgar o que acabamos de descobrir. – Dom Anacleto deu a ideia.

- O senhor acredita que vai dar certo? – Ponderou Henrique.

- Não tem porque não dar. A imprensa divulga o acontecimento acompanhado das nossas declarações. Não tendo o senhor Henrique recebido nenhuma herança, não haverá mais ameaça. – Garantiu o cardeal.

- Será que eles ao tomarem conhecimento, acreditarão? – Isabel levantou a dúvida.

- Não custa tentar. Mas continuarei não descuidando da segurança. – Garantiu o Marquês.

Assim foi feito. A Imprensa foi chamada e participada de todo o engodo que sofreram. Entretanto aproveitaram e comunicaram que as chaves bem como as três placas, que passariam a pertencer a seus guardiões por vontade do senhor Antenor, seriam doadas pelo senhor Adalberto e pelo Marquês para a igreja. Esta se encarregaria de aplicar o

dinheiro arrecadado com a venda das peças, nas instituições sob sua responsabilidade.

Sendo o cofre parte integrante de sua herança, Henrique resolveu não abrir mão dele de imediato e o levaria para sua casa depois, tendo antes o cuidado de fazer uma cópia das chaves e anotar os segredos para poder manuseá-lo. Mais tarde, talvez o vendesse para algum museu, colecionador ou antiquário por uma boa quantia, mas antes queria estar próximo a ele e como bom escritor, investigar. Não conseguia até aquele momento acreditar, que seu antepassado o tivesse envolvido numa trama como aquela por nada, além de se dar ao luxo de gastar o que gastou para guardar um punhado de vidro e chumbo, só pelo simples desejo de se vingar de algumas pessoas que infernizaram a sua vida e a de seus familiares. Sua intuição lhe dizia que o cofre tendo sido projetado pelo senhor Antenor, era bem possível existir mais algum segredo nele, mas o que poderia ser?

Naquela mesma tarde Henrique viajou de volta para Valença com Isabel e o senhor Osvaldo. Começaria a escrever lá o seu novo livro.

Na manhã seguinte os jornais estampavam a experiência vivida pelos envolvidos na saga do senhor Antenor e fazia uma sátira pela descoberta da farsa sobre a herança deixada por ele. Durante vinte e cinco dias Henrique passou trabalhando no novo texto e nesse período não foram mais procurados por quem quer que seja e nem sofreram qualquer tipo de ameaça.

Henrique, assim que acabou de transpor para o papel tudo o que passara e descobrira nas últimas semanas pegou o

telefone e fez a ligação para sua Editora.

- Alô? Boa tarde, Valdir.

- Terminou o livro ou vai me enrolar mais um pouco?

- Perdeu a educação? Mereço mais consideração, afinal sou um dos que garante a bela vida que leva. Pelo menos diga

“boa tarde”, mesmo que falsamente.

- Não enrola Henrique. Esse livro tem que sair antes do Natal.

- O livro está terminado seu velho rabugento. Amanhã estou despachando-o pelo correio. Divirta-se.

Henrique não só escreveu seu livro ali como havia prometido como também mais tarde passaria a morar definitivamente com eles em Valença. Agora, depois de ter terminado seu livro, poderia com mais calma examinar melhor o cofre que Antenor deixara.

De volta ao Rio de Janeiro, Henrique estava há horas sentado em sua cama com ele aberto a sua frente. Não se cansava de olhá-lo. Depois de muito pensar e examinar minuciosamente, um sorriso estampou-lhe o rosto. Acabava de descobrir que o espaço interno do cofre era menor que a área externa. Uma diferença quase que imperceptível, mas era menor. Com uma lanterna pode iluminar melhor o interior e descobrir um minúsculo orifício no canto superior esquerdo na parede da direita. Com a ajuda de um puxador improvisado conseguiu retirar a parede sobre posta e encontrou dois envelopes posto entre elas por Antenor, onde cada envelope estava escrito:

Nota ao meu descendente. – Documento particular.

Henrique mal podia acreditar no que acabava de descobrir.

Chamou por Isabel para que ela compartilhasse da sua descoberta. Assim que ela entrou no quarto a fez sentar-se a

seu lado. Abriu com o máximo cuidado o primeiro envelope para não rasgar seu conteúdo. Retirou a carta que se encontrava guardada dentro dele e juntos leram a mensagem escrita.

Inestimável descendente, Senhor ou senhora.

Desculpe-me por todo transtorno que eu possa ter causado a sua vida e os riscos que possas ter corrido, mas essa foi à forma que encontrei de punir e vingar-me de uma sociedade falsa, prepotente, castradora e preconceituosa que durante nossa existência segregou-nos aqui no passado e quem sabe até quando continuarão segregando nossa família, só por que corre em nossas veias o sangue negro, que a meu ver é tão nobre e puro quanto qualquer outro.

Quando você estiver lendo minha mensagem, provavelmente muitos terão morrido, pois acredito que a luta para se apoderarem das pedras preciosas será ferrenha entre os encarregados de guardar essa fortuna inexistente, as minhas meias irmãs e outros aventureiros que com certeza aparecerão, entretanto todo o risco que por ventura você tiver passado será compensado, embora eu não possa indenizá-lo pelo desgaste emocional. Dentre todos os que estarão envolvidos, o único confiável é o Marquês de Saquarema.

Tenho certeza de que ele e sua família defenderão meu desejo até o fim. Por favor, ajude-os caso estejam precisando.

Aqui em Paris, na Caixa Geral de Depósitos, existe uma conta de numero 01260, que somente você o “Conde ou Condessa de Meringuava” meu descendente e mais ninguém, poderá movimentar a partir do ano 1970. Nesta conta

depositei a quantia de 1.000.000 de libras esterlinas, deixando ordem e autorização por escrito para que fossem feitos os devidos investimentos sob a responsabilidade e administração do banco. De posse deste documento original que acompanha esta pequena declaração, solicite junto ao diretor do mesmo o controle desta conta que passa a ser sua herança.

Faça bom uso da mesma e boa sorte.

Paris, 21 de fevereiro de 1820.

Antenor Bernardes de Oliveira.

Henrique abriu o segundo envelope. Nele continha o documento que comprovava a abertura de uma conta naquele banco, com um depósito de 1.000.000 de libras esterlinas, devidamente assinado por Antenor e o diretor daquela instituição. Bem como por extensão, a autorização da cessão dos direitos sobre ela, ao seu descendente.

A alegria tomou conta do casal. Nos instantes seguintes traçaram planos combinando o que fariam com a herança.

- Não podemos de forma alguma deixar vazar essa descoberta. – Falou Henrique.

- Mas como você fará? Vai viajar até lá ou pretende deixar

- Mas como você fará? Vai viajar até lá ou pretende deixar

No documento 1 A Herança (páginas 136-156)