... Instalaram-se no Rio de Janeiro num palacete que mandara construir em estilo neoclássico a uns duzentos metros da entrada de sua chácara localizada na Rua das Laranjeiras.
Antenor não mediu esforços nem poupou na obra. Mandou vir da Europa, grades ornamentais de bronze para compor toda frente do terreno, mármores para o piso e revestimentos de algumas paredes, azulejos para cozinha e banheiros, peças de banho, móveis ao estilo Luiz XV, lustres e os vitrais para as janelas e porta frontal. A nova residência da família Bernardes de Oliveira não deixava nada a desejar aos outros palacetes pertencentes aos nobres que ali viviam com suas famílias tradicionais.
Dias mais tarde inaugurava na Rua do Cano nº 15, no centro da cidade, uma loja de onde passou a realizar suas atividades de compra e venda de diamantes e ouro. Logo que chegou a cidade, grande foi a surpresa e também a preocupação de Antenor. Ele descobre que pouco antes de sua partida para o Rio de Janeiro seu filho George, que contava apenas com dez anos de idade conseguira convencer dois de seus escravos a dar uma surra em Sofia, uma de suas tias, como forma de vingança por tudo o que elas tinham feito contra eles. Há fora isso, Antenor não podia negar, era realmente um homem de sorte, pois com a vinda da Família Real Portuguesa, em 1808, para o Brasil instalando-se e transferindo a capital para o Rio
de Janeiro, a cidade passou a ser a mais importante da Colônia e forçosamente o centro de todas as atividades econômicas, comerciais e culturais, com isso seus negócios passaram a prosperar ainda mais e em pouco tempo passou a ser um comerciante influente e rico da época.
Para angustia e desespero de Antenor, suas quatro meio irmãs, apesar de suas condutas duvidosas conseguiram casar-se, e de suas uniões matrimoniais com os filhos de nobres portugueses, tornaram-se mais tarde a Condessa Carminda, a Baronesa Eugenia, a Viscondessa Sofia e a Marquesa Natália.
Nobres, ricas e poderosas, mas continuavam imorais como sempre foram e mais perigosas do que nunca. Seus maridos também possuíam chácaras na Capital, com essa facilidade, assim que a Família Imperial chegou por aqui, passaram a vir com muito mais frequência ao Rio de Janeiro, acabando por se transferirem definitivamente para a capital. Eram presenças constantes em todas as festas na Corte e as realizadas pelos nobres em comemorações a aniversários, casamentos, batizados ou qualquer outra festividade, sem contar com as que elas próprias promoviam.
Lenda ou não, sobre a existência da tal quantia deixada por Mariano, à verdade é que no ano de 1809 a justiça deu por encerrado o processo sobre a herança, dando a Antenor Bernardes de Oliveira ganho da causa. Entendeu o juiz responsável Senhor Cardoso Gouveia de Sá, se tratar de uma doação, como atestava a documentação anexada ao processo.
Entretanto aos cinquenta e cinco anos Antenor ainda mantinha um outro tipo de luta e bem mais velada, a da discriminação racial e social. Por ser filho de uma escrava,
casara-se com Constância uma mulher cuja família não tinha nenhum título além de serem muito pobres, não conseguindo dessa forma uma elevação social. Em razão dessa situação que parecia não ter fim, Antenor resolveu neste mesmo ano comprar o título de nobreza da família Macedo Tavares.
Desde então passando a ostentar o título de Conde de Meringuava, muito embora continuasse a ser uma pessoa simples e de atos humanitários fortes e marcantes, o que não se podia dizer de seus filhos. Na verdade esse foi mais um dos investimentos que Antenor fez, nem tanto pela vaidade de ser um Nobre, mas sim uma tentativa de amenizar a quase total segregação imposta a seus filhos.
Naquele primeiro final de semana após a aquisição do título, Antenor mandou organizar uma festa para comemorar o novo status alcançado dentro da sociedade, entretanto os que compareceram ao palacete para a recepção não representavam 30% dos que haviam sido convidados, entristecendo ainda mais a família do anfitrião. Nos anos que se seguiram, outras festividades foram realizadas na Corte e sua família foi deixada à parte, não sendo convidada para as solenidades da Família Imperial e nem aos eventos comemorativos, apesar de D. João ter conferido legitimidade ao título de Conde que Antenor adquirira. Era realmente uma situação constrangedora e às vezes até cruel, mas Antenor mostrava-se incansável na luta para inserir sua família nos meios sociais.
Aproveitando que neste ano foram fundadas várias lojas maçônicas no Rio de Janeiro, filiou-se a uma delas, e passou a fazer parte de suas atividades, forma que viu para adquirir mais respeito e reconhecimento, não só para ele como para
seus filhos.
Dez anos tinham se passado. Com a presença de suas meias irmãs por perto, virava mexia, Antenor e sua família eram molestadas e espezinhadas contribuindo para que nada modificasse no comportamento da sociedade. Mesmo tendo seu título de nobre legalizado e reconhecido, sendo um dos fundadores de uma loja maçônica e também o maior de todos os comerciantes de ouro e diamantes do Império, ele e seus familiares continuavam sendo rejeitados pela alta sociedade da época, pois apesar de serem brancos, todos o sabiam filho de uma escrava alforriada. Condição que a Marquesa Natália e suas irmãs sempre faziam questão de lembrar quer em suas conversas com as amigas, quer em pequenas notas no jornal Correio Brasiliense. Não satisfeitas com as notas no periódico quinzenal circulante da época, traziam sua origem à tona nas festas em que compareciam. Ela e suas irmãs não mediam esforços para manter aquela situação, sempre desfavoráveis a Antenor, mesmo que para isso, tivessem que seduzir alguém com poder para tal. Várias foram às vezes que conseguiram seus intentos simplesmente por terem se deitado com algum nobre poderoso.
Era o mês de Outubro de 1819. Naquele Sábado dia nove havia sido antecipada a festa de aniversario em comemoração aos 21 anos do Príncipe Dom Pedro. Como sempre, Antenor e sua família, não foram convidados e no final daquele Domingo, um dia após a festa, estava reunido ele, Constância sua mulher, e os três filhos na grande varanda do solar das palmeiras em torno do assunto que mais os incomodavam: – discriminação – A impressão que tinham era simplesmente a
de que eles não existiam para a Corte.
- Meu pai, eu estou a cada dia que passa mais convencido que de nada adiantou a compra desse título. Só serviu para o senhor gastar uma fortuna e nós continuamos a não existir para eles. – Lamentou-se George o filho mais velho de Antenor.
- Meu filho eu sei que estamos pagando um preço muito alto devido a nossa origem, mas o que podemos fazer? Suas tias não perdoam o fato de seu avo ter doado a seu pai aquela fortuna. A sociedade não aceita uma mulher como eu simples e pobre, de repente desfrutar dos benefícios da riqueza, e finalmente, descendentes da raça negra desfrutar da mesma condição dos brancos. Infelizmente são elas, justamente as minhas cunhadas, as grandes incentivadoras desse preconceito e não medem esforços para que tudo continue como no tempo da sua avó Isaltina. – Constância saiu em defesa de seu marido Antenor, pois sabia que ele se sentia culpado por aquela situação existir.
- A vontade que tenho é de dar uma lição nelas para que nunca mais se esqueçam e nos deixem em paz. – Já se exaltava George, como sempre, perdendo o controle quando o assunto girava em torno do que suas tias aprontavam.
- Logo, tudo isso passa meu filho, há de chegar à hora que darão valor à honra e a decência. Sentirão que é melhor ter-nos em suas presenças, honestos, simples e amigos do que a elas, traidoras, sedutoras e levianas. Vocês vão ver. -Constância falou com suavidade tentando acalmar seu filho George.
- Acho muito difícil, para não dizer impossível, que tudo isso
um dia acabe, mãe... Creio até, que mesmo daqui a cem anos eles não terão mudado a maneira de pensar e nem o que sentem por nossa família. – Desta vez foi Cirino, outro dos filhos de Antenor, quem vaticinou.
- Não penso assim, nosso poder financeiro é muito grande.
Basta que saibamos usá-lo corretamente. Não podemos nos precipitar e fazer como o pai. Quando chegar o momento de nos casarmos, que o façamos com moças de famílias tradicionais. Assim eles acabarão cedendo e nos aceitando. – Disse Valdecir cheio de orgulho por ter tanto dinheiro.
- Valdecir! Falando dessa forma você não percebe que está ofendendo a sua mãe?
- Não foi minha intenção ofendê-la ou tampouco magoá-la, mãe. O que estou querendo dizer é que devemos fazer com que eles é que sintam a necessidade de nos procurar para uma união.
- Detenho esse poder há mais de quarenta anos meu filho e nem por isso mudou alguma coisa, pelo contrário, parece que aumentou ainda mais o ódio e a vontade deles de nos manter afastado... Mas também não concordo com você Cirino, acredito que passados cem anos não se lembrarão mais da origem dos nossos descendentes. – Falou Antenor.
- Bem. Cem anos não são cem dias. Isso só o tempo dirá e nós não estaremos vivos para desfrutar ou comprovar. – Reclamou outra vez Cirino.
- A verdade Cirino, é que quem saiu lucrando foi à família Macedo Tavares, pois com a venda desse título eles saíram da ruína e continuam sendo considerados na sociedade como nobres. – Ressalvou George.
- Muito bem lembrado meu irmão. Ouvi falar que na ultima festa que a família compareceu, o senhor Augusto Macedo Tavares foi anunciado como ainda sendo o Conde de Meringuava. – Comentou Valdecir.
- Eu sei. Não comentei sobre o fato, para não aborrecê-los.
Avelina tinha me falado sobre essa falha cometida, mas ontem não se repetiu. Segundo o próprio senhor Macedo está apresentação errônea foi provocada por interferência direta da nossa querida tia, a Condessa Carminda. – Disse George.
- Como ele ficou sabendo disso para fazer tal afirmação? – Perguntou Antenor.
- Seu mordomo contou-lhe. Dessa vez ela foi baixa demais.
Para corromper o mordomo encarregado do cerimonial da entrada, teve que ir para cama com ele. Conseguindo dessa forma que ele anunciasse o senhor Augusto como sendo ainda o Conde de Meringuava. – Respondeu George.
- Por falar nessa família George, você já está com trinta anos, esse seu namoro com a filha do Macedo Tavares vai dar em casamento? – Perguntou Antenor mostrando satisfação se tal fato acontecer.
- Estou inclinado a acreditar que sim. Tenho estado com Avelina todos os sábados à tarde. Já conversei com a senhora Jandira para marcar o dia do noivado, que o senhor vai até lá pedir ao senhor Macedo a mão de Avelina em casamento como manda o protocolo. Fiz bem?
- Fez muito bem meu filho eu irei com o maior prazer. A propósito. Já que voltamos a falar de casamento, vou deixar um alerta para você Valdecir: - na união de um casal é muito mais importante o amor, o carinho, o respeito e a construção
da família do que as portas que possam vir a serem abertas na sociedade. Jamais use o poder do dinheiro pensando obter ou encontrar a felicidade.
- Tenho consciência disso pai, mas nada impede que possamos aproveitar e realizar uma festa onde todos comparecerão, afinal é a única filha dos Tavares que estará ficando noiva. – Lembrou Cirino.
- Na ocasião veremos isso, afinal quem normalmente determina se haverá ou não uma recepção é a família da noiva. Estou bem mais inclinado é em financiar alguma obra que o governo queira fazer. Assim vocês poderão se projetar e serão reconhecidos, não só como ricos, mas como engenheiros, afinal para que serve tantos anos de estudo em Coimbra.
- Mais que obra? Esqueceu que o senhor, quando ainda estudávamos, contribuiu com uma fortuna na aquisição de mudas e na criação do Jardim Botânico e seu nome não é mencionado como um dos bem feitores em nenhuma placa comemorativa. Sem contar que o objetivo desse projeto era transformar aquele local accessível ao público e até hoje mais de dez anos da sua fundação somente a Família Imperial e aqueles nobres que a rodeiam podem desfrutar do lugar. – Reclamou Valdecir.
- Que tal deixarmos isso um pouco mais para frente. Agora, o melhor que nós temos a fazer, é irmos dormir, pois já está muito tarde e amanhã teremos de analisar o novo lote de Diamantes. – Antenor lembrou seus filhos da responsabilidade.
Todos se recolheram a seus aposentos. Antenor antes de
deitar-se ainda foi desfrutar do seu velho vício, dando umas baforadas em seu cachimbo. Não conseguia parar de pensar sobre aquela situação. Acreditava que seus filhos devido ao preconceito racial que sofriam revidassem de forma violenta contra seus algozes. Também passava em sua mente que não conseguiriam administrar os bens que ele deixaria, pois tinha plena consciência das disputas que eles travavam entre si pelo poder, mesmo que dissimuladas. Acreditava que ao morrer eles se descontrolariam a ponto de perderem tudo, muito embora não descartasse a ideia de que pelo bem maior, que era o poder, se entendessem. Por outro lado, voltava-lhe aos pensamentos a impressão de que provavelmente não resistiriam por muito tempo à discriminação e acabariam por se desagregarem. Correndo inclusive o risco de perderem o título de nobreza, por cometerem algum desatino. Sentia que não podia deixar isso acontecer e precisava fazer alguma coisa para evitar o pior. Diante de todos esses pensamentos mais as situações constrangedoras que vinha sofrendo, passou a acreditar que lá na sexta geração seu descendente não tendo a pele negra e estando vivendo em uma época bem mais adiantada, não mais teria o peso do preconceito sobre ele, até porque nem saberiam a sua verdadeira origem. Com esse pensamento resolveu agir e garantir um legado ao seu descendente do futuro, além do título de Conde deixaria uma quantia que o faria independente e poderoso, mas também criaria algo novo em seus negócios para que seus filhos se envolvessem mais, ficando dessa forma protegidos e unidos.
Antenor dormiu com sua cabeça fervilhando. Amanhecera e Antenor ao levantar mostrava sinais da noite mal dormida.
Em vista de todos esses contratempos que o incomodava adicionado à conclusão da noite anterior, Antenor durante o resto do dia dedicou seus pensamentos a encontrar a maneira certa de como poderia tornar realidade àquela ideia que passou a ser seu grande desejo. Depois de tanto maquinar, decidiu no final da tarde daquela segunda feira reunir seus filhos para deixar suas instruções para os próximos meses.
Era o início de tudo que realizaria para salvar sua família e seu patrimônio.
- Meus filhos, já estou ficando velho e não gostaria de morrer sem antes conhecer a terra onde nasceu meu pai. Por isso resolvi com sua mãe passar o Natal viajando. Primeiro conheceremos Lisboa, depois aproveitamos que já estamos por lá e viajamos toda Europa para conhecê-la. Vou aproveitar a viagem para se possível realizar pessoalmente algum negócio na Inglaterra, estou pensando em não mais depender desses intermediários para colocar nossas pedras naquele mercado.
- O senhor acha que essa sua viagem demora quanto tempo? – Quis saber George.
- Penso que não deve passar de um ano.
- E quando pretende viajar? – Perguntou Cirino.
- No início da próxima semana parte um navio inglês para Lisboa, estou pretendendo embarcar com a mãe de vocês, só estou aguardando a confirmação das reservas que fiz.
- Acho a ideia excelente. Essa viagem o fará conhecer novos hábitos e costumes. Além de fazê-lo descansar, vai afastá-lo por um tempo desses atentados e das perseguições das suas irmãs. – Incentivou Valdecir.
- Não é perigoso o senhor viajar levando uma remessa de diamantes? – Perguntou Cirino.
- Ninguém está sabendo que a nossa viagem é também de negócio, por tanto não há risco, alem do mais tomei conhecimento de que nosso navio será acompanhado de perto por um cruzador inglês.
- Pode ir tranquilo, que nós cuidamos de tudo por aqui. – Garantiu George.
- George, diga a Avelina que quando nós voltarmos queremos vê-los na igreja casando.
Antenor passou o restante da tarde chegando a entrar um pouco na noite acertando os detalhes da viagem e determinando a cada um de seus filhos o que deveriam fazer.
Sua maior preocupação era com a segurança deles, por isso ficou acertado de que deveriam estar sempre acompanhados pelos capatazes e sempre por dois ou três escravos de confiança.
A semana praticamente voou. Na manhã de Domingo, Antenor e sua mulher Constância partiam para a Europa. A travessia oceânica transcorreu tranquila e segura, pois praticamente o navio em que viajavam, como tinham lhe avisado, foi acompanhado pelo cruzador que ia protegendo-o de algum ataque pirata, muito comum na época.
Em Lisboa abriu sua primeira loja de joias na Europa, que seria administrada por um de seus filhos, e conheceram a residência onde seu pai viveu durante algum tempo. Procurou não se identificar para não encontrar com algum provável parente, evitando com isso sofrer algum dissabor, pois sua intenção era somente conhecer o lugar onde seu pai nascera.
Após duas semanas passeando por Portugal viajaram a Madri onde ficaram por um mês e em seguida seguiram para Paris, aí permanecendo dois meses. Foi nesta cidade que Antenor conheceu David Brant, um inglês que fabricava, de forma artesanal, compartimentos para guardar valores. Com sua criatividade e a ajuda de Brant construiu um cofre extremamente seguro e sofisticado para a época, onde pretendia guardar o seu grande sonho.
Sua intenção sempre foi a de abrir na cidade um escritório para comercializar seus diamantes diretamente com a Maison Chaumet, tentou a todo custo um encontro com o ourives Marie-Etienne Nitot, o joalheiro preferido de Napoleão Bonaparte e sua duas mulheres, Joséphine e Marie-Louise.
Porém às dificuldades encontradas devido à falta de tempo daquele renomado senhor, desistiu.
Ele e sua esposa ainda ficaram algum tempo pela Europa, por lá permaneceram mais dois meses onde puderam apreciar algumas apresentações musicais, como a do notável compositor e violinista, Niccolò Paganini em Roma, também um dos primeiros concertos públicos da carreira artística de Frédéric François Chopin em Varsóvia com a idade de 11 anos, e também assistir a outro grande concerto, o de Ludwig van Beethoven, bem mais concorrido que o de Chopin, este realizado em Viena. Antes de regressarem ao Brasil passaram por Londres, cidade onde Antenor aproveitou e dando continuidade a seus planos, inaugurou o escritório para comercializar seus diamantes. Tinha em mente mandar outro de seus filhos para administrá-lo, pois estando mais próximo aos grandes consumidores, ele acabava com a intermediação
de terceiros em seus negócios e bem como neutralizava a perseguição de suas irmãs sobre mais um de seus filhos.
Antenor logo que chegou de viagem tomou duas providências: – A primeira, notificou e designou seus filhos mais novos, Valtencir e Cirino, para gerenciarem os negócios da família em Portugal e na Inglaterra, deixando para eles a escolha de onde fixariam suas residências. Ficando acertado que viajariam logo após o noivado do irmão. A segunda reuniu-se com Macedo Tavares e acertou o noivado de George com Avelina. Pela primeira vez estava acontecendo alguma coisa que o deixava feliz, e essa felicidade não era só propriedade dele, podia também ser sentido no semblante do outro velho, o ex-Conde de Meringuava.
Após o noivado de seu filho, Antenor fez algumas consultas a seu amigo, o advogado e também juiz, Dr. Cláudio Araújo Cavalcante de Assis Barbosa sobre a possibilidade de realizar tudo o que havia planejado. Com a sinalização positiva dada por seu advogado, Antenor sentiu que tudo estava pronto para ser posto em prática.
Quase três anos havia se passado desde que Antenor tomara a decisão de proteger sua família e o seu descendente da sexta geração. O primeiro passo foi passar o título de Conde para seu filho George, com isso acelerou o casamento dele com Avelina, assegurando dessa forma que o título não se perdesse ou caísse em mãos erradas.
A união das duas famílias se deu em grande pompa no dia 18 de outubro de 1822 no imenso solar dos Tavares. A bem da verdade a festa que Antenor e Macedo realizaram para a comemoração desse casamento foi memorável. Foi possível