O desaparecimento da família
Henrique continuava ávido em sua leitura, queria acabar o mais rápido e compreender tudo o que estava acontecendo.
Essa parte dos escritos já era feita pelo senhor Osvaldo Brandão IV.
Assim como os descendentes do Marquês de Saquarema, as gerações seguintes de todos os envolvidos na saga do senhor Antenor também continuavam a existir e por essa razão o perigo continuava a rondar aqueles que eram responsáveis em fazer valer sua vontade.
A família do Marquês resolveu com a queda do Império se mudar definitivamente para a cidade de Valença. Duas eram as razões para tal decisão; ficar mais próxima à fazenda e dificultar as investidas daqueles que ainda tinham esperança em se apoderar das peças que dão acesso a grande fortuna.
Quarta feira sete de setembro de 1910. Nasce o tataraneto do velho Marquês e por uma coincidência nesse mesmo dia, também nasce Carlos Alberto o tataraneto do senhor Antenor e primeiro filho de Afonso Tavares Bernardes de Oliveira com a senhora Margareth.
O então Marquês, senhor Osvaldo Brandão III acabava de chegar à loja maçônica, vindo do hospital onde nascera seu filho.
- Qual o nome que vai dar a esse garotão, Marquês. – Perguntou-lhe o 1º Vigilante doutor Eudes de Oliveira
Bitencourt.
- Não sou Marquês. Além de estarmos vivendo uma república o título se perdeu nos anos.
- Tornou-se hábito esse tratamento, Osvaldo. Passarão duzentos anos e o título de Marquês acompanhará sua família, assim como todos os demais títulos não serão esquecidos, mesmo o Imperador tendo desautorizado seu uso após a segunda geração.
- Bem. Mantendo a tradição ele também vai se chamar Osvaldo Brandão acrescido do IV em homenagem ao Marquês e o nome de família, da Costa Cabral.
- Como estão passando dona Eunice e o menino?
- Maravilhosamente bem. O hospital São Francisco de Paula é muito bem aparelhado e todas as freiras são muito atenciosas com ela e o meu filho, graça a Deus.
- Pretende retornar para sua casa em Valença quando?
- Tão logo o doutor Dionísio Vasconcelos de alta a minha mulher. Mas voltaremos primeiro para a fazenda, pois lá ela se recuperará melhor.
Enquanto isso não muito longe dali os Bernardes de Oliveira conversavam.
- Afonso, então a partir de agora com o nascimento do Carlinhos, a família toma posse da tão cobiçada fortuna do biso. – Comentava Eulália, a tri neta de Antenor.
- Infelizmente ainda não. A herança não é para o meu filho, mas sim para o meu neto. Teremos que esperar mais sessenta anos.
- Como assim?
- Segundo consta na documentação, nosso bisavô só autoriza
a entrega em 1971. Ano que completa os cento e cinquenta anos.
- E vamos ficar esperando até lá?
- Por mim iremos esperar. Não pretendo fazer nada para reaver esse dinheiro. Mesmo necessitando muito dele.
- Porque você não conversa com o senhor Osvaldo?
- Não é da vontade dele, se apoderar desses diamantes. Ele só está cumprindo as determinações do documento que expressa à vontade do Antenor.
- Afinal, vocês não são irmãos? Ou essa irmandade é só da boca para fora dentro Maçonaria?
- Eu sei que é difícil para você entender, mas não é assim que funciona. Não podemos fazer nada.
- Claro podemos. Precisamos tentar.
- Todas as vezes que tentaram só houve mortes e prisão. O melhor é nos conformarmos e esperar.
- Enquanto isso, nós continuamos vivendo aqui nessa miséria.
Por que os nossos parentes lá da Europa vão continuar nos ignorando.
- Nada pode ser feito. Esquece isso.
Assim Afonso encerrou a questão com a sua irmã Eulália.
Dois meses mais tarde partia para Porto Velho, tinha sido contratado para trabalhar como técnico na construção da Estrada de Ferro Madeira Mamoré. Vindo a contrair febre amarela e falecer em junho 1911 deixando sua esposa Margareth e o filho Carlos Alberto numa situação muito difícil, embora não tenha ficado totalmente desamparada.
Margareth criou o seu único filho com alguma dificuldade, mas com a ajuda do velho amigo Osvaldo Brandão III,
conseguiu formá-lo oficial na Escola Militar de Realengo.
Carlos Alberto estava com trinta anos quando se casou com Esmeralda, uma linda mulata filha de criação do senhor Osvaldo Brandão III, que logo engravidou e no dia 14 de junho de 1942 dava início à sexta geração dos Bernardes Fernandes, nascia seu filho Pedro Henrique, o quinto neto da geração de Antenor e tão aguardado herdeiro dos diamantes.
Nesse mesmo ano, com a entrada do Brasil na guerra contra os países do eixo, Carlos Alberto é obrigado a viajar para a Europa. Lá passou a fazer parte no front e morre em Montese no dia 14 de Abril de 1945. No final desse mesmo ano a senhora Esmeralda falece, vítima de uma tuberculose mal curada. A partir daí o menino Pedro Henrique, então com três anos, não tendo parentes próximos ficou sob a custódia do Exercito Brasileiro passando a viver e educado no Mosteiro de São Bento. O menino Pedro Henrique chegou a ser nessa época sequestrado e ficou em poder de seus sequestradores quase dois meses. Sua liberdade foi conquistada com a ajuda de oficiais do serviço especial do Exército e agentes secretos ligados a Igreja. A partir de então transferiram o menino para uma diocese e o mantiveram incógnito para o mundo exterior.
Eu e meu pai, Osvaldo Brandão III, depois desse sequestro tentamos ficar com a guarda da criança e acompanhar a educação de Pedro Henrique, mas vimo-nos afastado do menino pela igreja, não entendendo o porquê dessa atitude.
Nos anos seguintes por quatro vezes escapamos de atentados que deixaram claro ter a intenção de se apoderarem das placas. Inclusive um assalto a agencia do banco onde elas se encontravam foi praticado e quase conseguiram pegar o cofre.
Mais tarde, durante a revolução de 64 fui procurado por homens se dizendo oficiais do exército que queriam saber onde estavam as placas e as chaves que davam acesso aos diamantes e se ainda estavam em lugar seguro. Minha integridade física só foi preservada por ser o renomado Professor do Instituto Militar de Engenharia e ser um membro influente da Maçonaria nessa época.
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