Sábado, 27 de Março de 1824. Aniversário da Condessa Carminda, a pedido dela, suas irmãs resolveram acatar sua vontade de fazer uma pequena festa somente para a família, sem as costumeiras badalações.
Como sempre quando elas se reuniam o assunto era invariavelmente o mesmo, encontrar uma maneira de ridicularizar ou impedir o bastardo de ser convidado para alguma recepção. Essa era a forma como se referiam ao meio irmão Antenor, entretanto com a sua morte não havia mais sentido continuar insistindo no mesmo tema. Nesse dia em que todas estavam reunidas, assim que a Marquesa Natália tentou começar, talvez a mesma cantilena de sempre, foi imediatamente interrompida por sua irmã mais velha, Carminda.
- Natália, eu amo de verdade todas vocês. Sempre estive presente e apoiei suas investidas criminosas contra Antenor, mas agora depois de sua morte devemos deixá-lo descansar em paz.
- Mas o que você está dizendo? Esqueceu a fortuna que ele nos roubou quando nosso pai o fez seu herdeiro? – A Viscondessa Sofia saiu em defesa da Natália, deixando claro que continuaria apoiando-a, qualquer que fosse a sua ideia.
- Estou de acordo com a Carminda, também não vou mais participar dessa sua perseguição implacável a Antenor, até
porque com sua morte não faz mais sentido. Quando é que você vai esquecer de vez essa vingança doentia? – Quem perguntava era a Baronesa Eugenia.
Com a frieza que sempre foi sua companheira, Natália tomou a conversa para si.
- Carminda minha irmã, você se precipitou em não me deixar acabar de expor o que eu tinha a dizer.
Como me precipitei? Seu assunto é sempre o mesmo! -Defendeu-se a irmã mais velha.
- Não, agora é diferente e não tem nada de doentio. Até concordo quando você diz em deixar o bastardo em paz, entretanto não posso esquecer a herança que ele deixou.
- O que está pensando fazer? Matar nossos sobrinhos ou roubá-los?
- Não me diga que aqueles três são nossos sobrinhos.
- Sobrinho ou não, a herança é deles. Como poderemos ter acesso a ela? – A Baronesa Eugenia quis saber.
- Pretendo sim reaver, mas só o que é nosso.
- Do que você está falando? – Quis agora saber a Condessa Carminda.
- Dos 50.000$ contos em diamantes guardados e que também nos pertence. Lembre-se de que não estamos tão bem de situação e essa quantia vai deixar nossas famílias novamente tranquilas. E não será preciso matá-los e nem roubá-los.
- Se não vai matar ou roubar nossos sobrinhos, podemos saber como pretende realizar essa façanha? E que diamantes são esses? – Perguntou Sofia, já interessada nos diamantes que sua irmã mencionara.
- Vejo que vocês não têm conhecimento do que o bastardo
fez.
- Mas do que você está falando? – Insistiu em saber Eugenia.
A Marquesa Natália concluindo que suas irmãs realmente não tinham conhecimento de que Antenor havia deixado a mesma quantidade de diamantes que recebera de seu pai, para um pretenso herdeiro no futuro, começou a contar com detalhes tudo que descobrira a respeito. Ao terminar de expor tudo o que havia descoberto e sem dar tempo delas raciocinarem já emendou propondo um plano para reaverem o que na cabeça dela lhes pertencia.
Mais uma vez a Condessa Carminda tomou posição.
- Natália, nós não temos mais idade para essas aventuras. Não somos capazes nem de seduzir nossos maridos, quanto mais há todas essas pessoas que Antenor envolveu na loucura desse seu legado.
- Mas quem falou em sedução. Não seremos nós a fazer o serviço. Armaremos sim, as tramas para que no final as placas contendo as tais senhas e as chaves desse cofre venham parar em nossas mãos. O que é de direito nosso.
- Como faremos isso? - Sofia quis saber.
- Simples, pretendo usar nossos escravos. Meu plano é...
Natália continuou durante toda a reunião expondo suas ideias para reaver a fortuna que segundo ela, Antenor as roubara, entretanto nem desconfiava que não fosse ela e as irmãs as únicas que estavam de olho nos diamantes, havia outras pessoas também interessadas em se apoderar daquelas preciosidades.
*
Antenor mal acabara de ser enterrado e as tramas para se apoderarem dos diamantes, por ele deixado clandestinamente, começaram a ser estudas. O único ponto em que todos os interessados concordavam era de que as duas famílias, os Bernardes de Oliveira e os Macedo Tavares deveriam continuar não sabendo da existência dessa fortuna, pois poderiam conseguir legalmente na justiça, a posse de tudo, inclusive das placas e das chaves, que foram avaliadas em 3$500 contos as placas e 1$500 contos as chaves.
O tabelião Justino Fraga conversava com seu colega, e também tabelião, Bernardo do Amaral.
- Bernardo, o que vou lhe contar deverá continuar em segredo, pois pretendo com a sua ajuda me apoderar de alguns diamantes, voltar para Portugal e viver o resto dos meus dias na minha quinta em Coimbra.
- Como assim? Que diamantes são esses?
- Os da herança do Antenor.
- Se você tinha intenção em desviar alguma parte deles chegou atrasado, meu amigo. Todos os bens já foram entregues aos herdeiros.
- Estou falando dos 50.000$ contos em diamantes que ele deixou depositado no banco, para seu descendente daqui a 150 anos.
- Não me lembro disso constar no testamento.
- Essa parte não constou em seu testamento. O senhor Antenor realizou uma reunião secreta sob a proteção da Maçonaria. Ele lavrou um documento particular, beneficiando um futuro descendente, comigo. Em seguida entregou os segredos e as chaves de um cofre, a algumas pessoas de sua
inteira confiança.
- Nesse tal cofre é que estão os diamantes?
- Isso mesmo...
Justino aproveitou e colocou seu amigo a par do que Antenor havia feito.
- Pelo o que me passaste, tem muita gente envolvida nessa empreitada. Será demorado tomar posse de tudo. O que vejo ser mais difícil é depois de tudo, ter que dobrar o pessoal do banco para ter acesso ao cofre. Porém não podemos deixar de tentar. Você já tem alguma ideia de como faremos.
- Tenho. Vamos investir gradativamente em um por um, sem pressa e sem despertar suspeitas. Estou pretendendo começar pelo Conde do Pau D’alho. O que acha?
- Para mim é indiferente por quem começar se temos que começar, qualquer um está bom. Mas como você vai fazer isso.
- Tudo tem que ser muito bem planejado, e outros é que farão o serviço para nós.
- Tem certos trabalhos que não dá para ser feito por terceiros.
- Dá para ser feito e bem. Por exemplo, Aristeu, o filho do Governador perdeu alguns contos no jogo e eu paguei a sua dívida, com isso ele me deve um favor. Como ele é amigo do Almir, filho do Conde, não será difícil para ele uma vez dentro da mansão descobrir onde está guardado o documento e a placa com o segredo.
- Certo, mas ele não é ladrão e não vai cometer essa loucura só por que lhe deve alguns contos.
- Eu sei disso, mas quando eu tiver de posse dessa informação, aí passa a ser com você.
- Como assim, passa a ser comigo! Eu também não sou ladrão.
- Calma, eu sei disso. Só está esquecendo que você é o responsável pela liberdade do Miro “fumaça”. Ele te deve essa. Manda-o entrar na mansão e executar o serviço, afinal, não dizem que ele é o maior assaltante da atualidade?
- Para você tudo parece fácil. Quando é que poderemos fazer o serviço.
- E é, meu caro. Sei que a família está para a fazenda e o Conde toda tarde vai para casa da madame Olga, ter com sua amante. Amanhã mesmo lhe passo a informação a tempo do Miro fazer o trabalho antes do Conde voltar à noite.
- E se ele não quiser fazer parte desse negócio?
- Diga a ele que nós o mandaremos de volta para a cadeia. É fazer ou ser preso de novo.
Tudo combinado. Entretanto a execução do plano não foi tão rápido como a trama. Justino só conseguiu ter as informações dez dias mais tarde. Bernardo por sua vez só localizou o ex-prisioneiro no final do mês. Devido a esses contratempos, Miro “fumaça”, teria de aguardar que a família viajasse novamente para descansar na fazenda só assim poderia entrar na mansão.
Enquanto isso Tião, o escravo fujão da Marquesa Natália, sob a promessa de ganhar a liberdade muito breve, seguia o plano da sua senhora. Conseguira convencer Jovelina, escrava de confiança da casa do senhor Paulino, a namorá-lo, com isso toda tarde lá estava ele pelos arredores do casarão na tentativa de poder entrar na casa e roubar.
Os dias se repetiam e nenhum dos dois conseguia entrar na
casa. Não passava uma só tarde que eles não estivessem por perto; Tião, dentro dos domínios da mansão ia namorando escondido, só quem sabia disso era a protetora deles, a senhora Durvalina; Enquanto que o Miro “fumaça” ficava bebendo numa tendinha mais ou menos próxima da residência, mas que dava para espreitar todo e qualquer movimento da família e era a única passagem das carruagens dos moradores do local.
Naquela segunda-feira, 5 de abril de 1824, a família do Conde viajou para a fazenda. Tião depois de ajudar com as bagagens se escondeu no alojamento dos escravos quando todos viajaram. Ali ficaria esperando que o senhor Paulino saísse à tarde para ver a amante e então poder entrar no casarão e roubar o que a sua dona mandara.
Miro fumaça também viu a família saindo para viajar e se preparou para entrar logo que o Conde saísse para sua aventura amorosa. Seria o assalto mais fácil que já realizara, pois sabendo onde estavam localizados a peça e o documento, não levaria muito tempo para pegá-los.
Por volta das quinze horas, o Conde saiu.
Tião rapidamente entrou na residência e começou a procurar pelos aposentos onde estaria o cofre. Reinava um silêncio absoluto dentro da casa e graças a isso pode escutar quando alguém também entrou. Era o Miro “fumaça”. Tião resolveu esconder-se e observá-lo de longe para ver o que faria.
Seguindo-o, descobriu que ele também procurava o cofre da casa. Aguardou que ele o abrisse e constatou ser, a sua procura a mesma dele, a placa de ouro e o documento.
Rápido como um felino, Tião se atracou com o outro invasor
na tentativa de se apoderar daquilo que era o salvo conduto da sua liberdade. Bem mais fraco, Miro sentindo que iria ser dominado sacou da pequena garrucha para se defender, mesmo que para isso tivesse que matar aquele escravo.
O senhor Paulino esquecera em casa o pequeno mimo que daria para madame Olga. Como já havia falado com a cafetina sobre o presente, resolveu voltar para pegá-lo, e ao entrar em casa deparou com os invasores agarrados numa luta de morte. Não entendendo o que acontecia também sacou da sua arma e ficou esperando para ver o desfecho, pois seria mais fácil dominar um do que os dois.
A luta continuava tão ferrenha, que eles nem se deram conta de que o Conde havia retornado e os observava. Num gesto mais brusco, Tião ao torcer o braço do Miro fez com que sua arma disparasse acidentalmente ferindo de morte o senhor Paulino. Agora a luta tornara-se uma disputa não só para obter a placa com o documento, mas também pela liberdade, pois aquele que morresse seria responsabilizado pelo assassinato do Conde e o vencedor continuaria livre.
Tião sendo mais forte conseguiu dominar seu opositor desacordando-o. Com a arma do próprio Conde matou o Miro. Em seguida colocou de volta a arma na mão do Conde para dar a entender que o mesmo surpreendeu o ladrão, mas que infelizmente os dois atiraram ao mesmo tempo matando-se.
Com o barulho dos tiros vindo de dentro da casa, os escravos e o cocheiro correram para socorrer o Conde, não dando tempo para o Tião pegar no cofre o que tinha ido buscar.
Obrigando-o a fugir para não ser pego e preso.
Mais tarde surgiram boatos, que chegou aos ouvidos da viúva do Conde de Pau D’alho, senhora Durvalina, de que o Governador havia encomendado o crime por ter perdido uma grande soma no jogo e não tinha como pagar a dívida, estando seu próprio filho ilegítimo entre os assassinos. Outras notícias davam conta que o assassinato foi obra de maridos ciumentos não satisfeitos com a corte que o Senhor Paulino fazia às senhoras casadas, por meio de cartas de amor. Por ultimo tomou vulto à ideia de que estavam tentando obrigar o Conde a entregar a placa contendo o segredo do cofre que o senhor Antenor lhe confiara anos antes. Essa última notícia lhe agradou mais e fez com que optasse por ela, como sendo a verdadeira causa. Não queria se envolver com o Governador por ser influente, perigoso e sem escrúpulos, haja vista ter feito uso do próprio filho para seus intentos e muito menos poderia aceitar que o marido a traía. Por tudo isso, mais a amizade estreita com as irmãs de Antenor e não sabendo que a valiosa placa passaria a pertencer ao membro de sua família no futuro, resolveu desfazer-se dela, mesmo contra a vontade de seu filho.
Este sabendo do desconhecimento dela sobre o acordo firmado entre seu pai e o senhor Antenor, resolveu alertá-la sobre o valor da joia e de que no futuro ela passaria a pertencer à família, numa tentativa de dissuadi-la daquela ideia. Mesmo assim ela mandou o escravo Tião entregar a placa e a cópia do documento, a Marquesa Natália, abdicando por sua família do direito de herdá-la no futuro. Mas ao fazer isso impôs ao escravo que não contasse para ninguém o que ela estava fazendo, nem mesmo para a Marquesa, seria um
segredo entre eles dois, e que em troca ela daria a liberdade para a Jovelina.
Tião cumpriu o acordo feito com a viúva do Conde e manteve para a Marquesa que tinha roubado tudo conforme ela mandara.
A Marquesa Natália e suas irmãs tinham a intenção de eliminar todos os envolvidos e se apoderar das placas e chaves. Estavam radiantes com a primeira investida, pois conseguiram uma das placas com o segredo mais rápido do que imaginavam. Entretanto desconhecia que esta placa veio parar em suas mãos por outro motivo, e não por fruto das ações de seu escravo.
Almir, que não herdara nada da integridade dos seus pais, ao contrário deles, era inescrupuloso, mau caráter e também vivia sempre metido em jogatina, acompanhado por Aristeu, razão dessa sua amizade estreita, embora ultimamente desconfiasse das sondagens do amigo, ao saber que sua mãe concedera liberdade à escrava Jovelina, não entendeu o porquê e a procurou para saber com ela a razão de tal medida, mas não obtendo uma resposta convincente. – Não desistiu. – Procurou a escrava e ficou sabendo de um acordo que sua mãe havia feito com o namorado dela. Mais tarde resolveu apertar o escravo Tião, que por não ter nenhuma instrução, acabou caindo na armadilha de Almir e contou toda a trama da Marquesa. Dessa forma Almir resolveu reaver a placa e o documento, obrigando o próprio Tião que a roubasse de volta e devolvesse a ele, sob pena de ser denunciado do assassinato de seu pai e do Miro, além de que se não fizesse, ele mandaria matar a sua namorada.
Não tendo alternativa, Tião aceitou fazer o trabalho sujo outra vez e naquela mesma noite entrou na casa da Marquesa para pegar de volta o que pertencia ao herdeiro do Conde. Já dentro da casa, Tião é surpreendido pela Marquesa roubando a placa e ela começa a gritar. Tião não pensou duas vezes, ali mesmo matou-a e fugiu rapidamente sem que ninguém o visse.
Mais tarde, já de madrugada entregava o produto do roubo ao Almir.
As dívidas de jogo faziam de Almir escravo dos credores e como sua mãe não mais permitia que ele administrasse os negócios da família, não teve alternativa. No dia seguinte com a placa e o documento nas mãos procurou o Marques de Saquarema e lhe ofereceu a joia por 1$000 conto, o que foi comprada de imediato.
Dois dias mais tarde o corpo de Tião apareceu jogado no meio de um cafezal próximo das Laranjeiras. Tinha sido assassinado.
Jovelina era uma bela e inocente negra. Pensando que por ter conseguido sua liberdade seria atendida e tratada como todos os brancos, ainda no mesmo dia em que Tião apareceu morto, dirigiu-se a delegacia para registrar o que sabia. Lá contou toda história que soube dias antes por seu namorado, ao comissário de polícia Agripino Ferreira. Infelizmente o morto por ser escravo não houve nenhuma investigação e ela também apareceu morta logo depois.
Agripino de posse de todas essas informações e alegando estar investigando o assassinato da Marquesa Natália, não foi difícil confirmar sua autenticidade quando em visita a
Baronesa Eugenia. Com a descoberta, por acaso da tal fortuna que Antenor deixara, o delegado Agripino passa a ser mais um dos interessados em colocar as mãos nos diamantes.
Imediatamente resolveu descobrir quem eram as pessoas que estavam envolvidas em proteger o segredo milionário.
Esperto como todo comissário de polícia, procurou saber com o tabelião Bernardo do Amaral.
- Meu caro amigo Bernardo, me desculpe estar lhe procurando a essa hora da noite.
- Não tem problema, afinal os amigos são para essas coisas.
- Os últimos dias tem sido bem violentos na cidade. Soube que seu protegido o Miro fumaça, foi assassinado?
- Fiquei sabendo no velório. Ele foi morto pelo Conde do Pau D’alho.
- É o que pareceu, embora as circunstâncias dessas duas mortes estejam muito estranhas.
- Agripino, deixa de rodeio e diga logo o que você está querendo realmente saber?
- Tomei conhecimento da existência de um documento deixado pelo senhor Antenor. Foi você quem o redigiu e autenticou?
- Que documento é esse, comissário?
- Não tenho conhecimento do seu conteúdo, mas sei que foi feito.
- Se esse tal documento realmente existe, posso lhe garantir que não fui eu quem o autenticou e também nunca o vi. Quem lhe falou sobre isso, Agripino?
- Quem falou não vem ao caso agora, porém fiquei sabendo de que cinco pessoas já foram mortas por causa dele. Mas se
não foi você que o autenticou, só pode ter sido o Justino Fraga, estou certo?
- Se existe e foi autenticado por um tabelião, com certeza foi ele, mas também pode ter sido avalizado por outras pessoas influentes e de confiança do senhor Antenor.
- É verdade. Mas de qualquer forma vou descobrir.
- Por que esse interesse todo por um simples documento?
- Segredo meu amigo, segredo. Mas eu não tenho pressa, amanhã à noite vou fazer uma visita ao nosso amigo Justino.
Obrigado pelas informações, Bernardo.
No dia seguinte pela manhã bem cedo, Bernardo procurou seu amigo Justino antes mesmo dele sair para o cartório.
- Justino, não estou gostando nada do que está acontecendo.
- Por que está tão nervoso homem?
- Ontem à noite o comissário de polícia, senhor Agripino foi até minha casa para fazer uma sondagem sobre a morte do Paulino e do Miro, na verdade ele está mais interessado é na tal documentação que o Antenor deixou.
- O que ele queria saber?
- Está procurando quem autenticou o documento. Na certa para saber do seu conteúdo.
- Não me diga que você falou que fui eu? Falou?
- Claro que não. Inclusive levantei a hipótese de ter sido pessoas de confiança do Antenor que o autenticaram.
- Será que ele está sabendo de alguma coisa?
- Acredito que não, mas me pareceu muito interessado. Não acredito ser só para desvendar os crimes.
- Crimes? Morreu mais alguém além do Miro e do Conde?
- Segundo ele, além desses, já morreram a Marquesa e os dois
escravos.
- Então ele ficou sabendo do documento e da placa e está ligando os casos.
- Por isso estou aqui para preveni-lo, pois ele me disse que virá hoje falar com você. Fique bem atento para não nos comprometer.
- Fica tranquilo, ele não vai descobrir nada. Pelo menos comigo, eu lhe garanto.
Como havia prometido, à noite lá estava o comissário Agripino a procura de Justino.
- Justino, ontem a noite estive conversando com o Bernardo.
Vou ser bem franco com você, o seu amigo tentou me tirar do caminho, mas infelizmente não soube fazê-lo e acabou se comprometendo e arrastando você junto.
- Comissário, pode ser mais claro. Eu não estou entendo nada do que está falando.
- Já vai entender. Estou falando de um documento e de uma placa de ouro com brilhantes.
- Lamento, mas essa é a primeira vez que ouço alguém falar a respeito disso.
- Eu sei que você sabe e não vou descansar enquanto não descobrir. Cedo ou tarde a verdade aparece.
- Estarei torcendo para que você obtenha sua informação.
- Estarei torcendo para que você obtenha sua informação.