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ARGUMENTOS CRUÉIS

No documento Quem Ama Educa (páginas 113-116)

“Vou embora de casa. Você me trata assim porque sou adotivo.”

Quando um filho sabe que é adotivo pode usar esse fato como arma e fazer ameaças para conseguir o que quer ao sentir-se contrariado, frustrado ou agredido, com ou sem razão, pelos pais. Principalmente quando percebe que esse é o ponto fraco dos pais.

é preciso muita calma para enfrentar essa provocação e dizer com firmeza, olhando-o nos olhos: Então vai! Agora! Com a roupa que estiver vestindo!” e em seguida abrir a porta da rua. Raramente o filho sai de casa sem ter para onde ir. Alguns, de fato, vão até a porta para intimidar mais os pais. As crianças continuarão ameaçando enquanto sentirem que obtêm resultados vantajosos.

Nessa hora, pai e mãe precisam agüentar firme e acrescentar: ‘Você só voltará se

nem pedindo desculpas você volta!” Quando sente que pertence ao time família, em geral o filho acaba abandonando a idéia de sair de casa.

Não se pode viver ameaçado por chantagens. Ou as enfrenta ou as alimenta.

Muito cuidado, pois na fase da onipotência pubertária e juvenil o filho pode sair de casa para afrontar os pais. Na juvenil, após a mudança de voz do rapaz e da menarca da garota, o filho pode inclusive ter organizado sua sobrevivência por alguns dias na casa dos amigos. Muitos filhos naturais também fazem armações com os pais quando estão na fase da rebeldia do “eu não pedi para nascer Para se safar das responsabilidades, às vezes eles jogam pesado. Gritam: “Vai ver que sou adotivo” ou “Se vocês me amassem não fariam isso comigo” e outras chantagens semelhantes.

Só cai na chantagem quem quer ter lucro fácil ou impedir uma perda significante. Assim, é preciso que os pais descubram por que caem nessas extorsões.

Os pais naturais podem negar com tranquilidade a adoção, mas se estiverem inseguros a segunda “afirmação” os abalará. Por sua vez, a mãe e o pai “do coração” que ainda não contaram sobre a adoção podem sentir-se ameaçados, como se o mundo que construíram estivesse em via de ruir.

É importante lembrar que uma boa integração relacional pode contribuir muito para ajudar a superar todos esses conflitos.

Pais adotivos podem ter a preocupação de não contrariar a criança. Isso a torna frágil por não encontrar os devi dos limites, e ela fica mais insegura, perdendo a capacidade de superar frustrações...

Crianças sem limites não são educadas, estão simples mente criadas. Uma criança educada adequadamente é mais feliz que outra simplesmente criada, pois sabe usufruir o que tem e respeitar o que não tem.

Não deve haver diferenças na educação de filhos adotivos e naturais. Quanto maior for a saúde relacional, menores serão os conflitos resultantes da adoção. É essa naturalidade que dá segurança afetiva ao adotado.

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7.FILHOS DNA

Apesar de o número de crianças e adolescentes adotados atendidos por mim não ser muito expressivo, os problemas enfrentados por eles não se deveram à adoção, mas a questões educativas como falta de regras e ausência de limi tes e de responsabilidades, numa permissividade e liberalidade totalmente fora de padrões éticos.

São pessoas, principalmente crianças e adoLescentes, que buscam certificar sua paternidade pelo exame do DNA.

Em geral, esse exame é solicitado para forçara homem a reconhecer a paternidade de alguém que quer ser declarado como seu filho. Também pode ser empregado pelo homem que quer negar a paternidade de alguém que a pede ou exige.

Raramente a mulher nega a maternidade, portanto é raro o pedido de exame do DNA para reconhecimento de maternidade por esse motivo. Diferentemente dos pais são as mães que pedem para provar que de fato são mães, para confirmar a maternidade.

No ano de 2000 atendi a alguns homens que descobriram ser pais DNA. São pais puramente biológicos e não há nenhuma convivência entre eles e os filhos.

Dagoberto é um profissional bem-sucedido e bem casado, com dois filhos na puberdade. Sua família é bem constituída. Certa vez ele recebeu no trabalho um telefonema de uma garota que queria vê-lo. Depois de muita conversa, ela explicou que era filha dele, resultante de um curto relacionamento de solteiro. Sua mãe assumira uma “produção independente. Tudo ia conforme planejado até surgírem conflitos relacionais, agravados pela entrada na adolescência. Como ela não conseguia mais conviver com a filha, revelou finalmente a identidade do pai e lhe deu o telefone dele, pois nunca perdera de vista o homem que escolhera e usara como doador dos genes masculinos. Na realidade, ele, sem saber, participara com seu DNA da formação de um feto. Depois do brevíssimo

envolvimento, ele nunca mais teve notícia da mulher nem tampouco da existência da filha, até ser procurado por ela.

A freqüência de pais biológicos que são descobertos em exames de DNA tem aumentado. Os homens que deparam com essa situação, em geral casados e com filhos, são che fes de família bem-sucedidos na profissão e bem situados social e economicamente.

Numa despedida de solteiro, cercado de amigos, bebida e no clima de ser a “última chance de aprontar’, como se o casamento fosse lhe tirar totalmente a liberdade, o festejado noivo pode ser usado por uma mulher que deseja uma produção independente’: A vítima é

perfeita: vai se casar e não a procurará mais. Na maioria das vezes, a gravidez, longe de ser inesperada, pode ser premeditada pela futura mãe. O que ela quer é ter um filho, não um companheiro...

Os nômades sexuais têm relações sexuais com quem encontram pelo caminho. Para a gravidez ocorrer, é preciso que o espermatozóide se una ao óvulo feminino. Isso pode acontecer numa única relação sexual se a mulher estiver no período fértil. A mulher carrega a gravidez por nove meses. O homem desaparece, esquecendo-se da relação sexual fortuita. Capítulo 8

O mais comum é que a filha (e não o filho) busque o pai, principalmente na adolescência, motivada mais por questões afetivas que econômicas, embora elas também possam existir, pois quanto mais os filhos crescem mais caro se torna mantê-los.

E o que faz o pai que descobre subitamente ter um filho já adolescente?

Os filhos DNA costumam ser produto de encontros anteriores ao casamento, mas podem ser fruto de relações ex traconjugais que suscitam questões delicadas: como contar à mulher? Como falar com os filhos? E se os filhos quiserem se conhecer? Leva ou não o novíssimo filho adolescente para morar com a família atual? A confusão está armada Se o relacionamento é saudável, a esposa tende a se aliar ao marido para trabalhar juntos e suportar essa carga. Em relacionamentos periclitantes, a descoberta pode precipitar crises e até rompimentos. Normalmente, as esposas aceitam com mais facilidade o filho DNA que é anterior ao casamento.

Poucos pais levam os filhos ONA para dentro de casa. Resolvem a situação de outra maneira. Dão suporte financeiro, mas os mantêm a distância.

Içami Tiba

Crianças pós-modernas e o desafio de educá-las

Não dá para negar. As crianças são muito mais inteligentes hoje que no passado.

Estimuladas desde cedo por brinquedos interativos, televisão, computador e um volume gigantesco de informações, elas estabelecem maior número de ligações entre os neurônios. A diversão hoje envolve desafios mentais, e mesmo brinquedinhos têm finalidades

psicopedagógicas apropriadas as diversas idades. As crianças não escapam da telinha nem correm mais soltas na rua. Divertem-se nas ruas e praças ou em áreas dos condomínios, onde mora, por exemplo, 60% da população paulistana. Para lidar com tantas novidades, pai e mãe têm de se preparar. Não é mais possível ser um educador silvestre.

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No documento Quem Ama Educa (páginas 113-116)