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MORANDO JUNTOS ANTES DE CASAR?

No documento Quem Ama Educa (páginas 108-110)

O casal aprende que amor e atração sexual, sozinhos, não são suficientes para manter a união e agora está mais disposto a:

• Resolver os conflitos. • Superar as dificuldades.

1 Tolerar e aceitar as diferenças. • Pedir ajuda no que for necessário. • Ajudar o outro no que for possível.

1 Buscar novas soluções para velhos problemas. 1 Alimentar com novos temperos a rotina familiar.

• Reconhecer que a força do casal é muito maior que a soma de cada um.

Na época em que o machismo imperava absoluto, praticado tanto pelos homens quanto pelas mulheres, era muito importante que a mulher se casasse sexualmente virgem. As obrigações conjugais da esposa consistiam em aceitar o marido toda vez que ele quisesse, “ Ela podia acomodar-se eternamente a essa vida sem conhecer o orgasmo, e quem já o sentira nem às paredes confessaria. O que hoje é visto como natural, naquela época levava a mulher a sentir- se culpada e impura e a recriminar seus maus costumes. A felicidade do casal baseava-se em outros valores, já que muitas mulheres nem sequer imaginavam poder participar ativamente da relação sexual, muito menos sentir orgasmo.

Existia, então, um duplo padrão de comportamento sexual: o da mulher do lar e o da mulher da rua. A vida sexual da respeitada mãe de família resumia-se a servir bem ao marido e sua felicidade era cumprir bem seu papel. A mulher da rua era aquela “que não tinha dono” e, portanto, era “usada” por todos. Com ela os homens poderiam fazer sexualmente tudo o que tivessem vontade. Simplificando: em casa a vida sexual era mais reprodutiva, e na rua, mais “farra

Na realidade, quando o novo casal age assim, transmi te esse modelo relacional aos filhos, educando pelo “como somos Provavelmente as crianças utilizarão essas disposições relacionais no cotidiano, obtendo excelente qualidade de vida.

Contudo, se o casal nada aprendeu com o primeiro casamento, pode repetir os erros e assim viver de relacionamento em relacionamento, percorrendo uma jornada que dificilmente deixará os filhos felizes. Ele transmite, pelo “como

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Nos idos de 1970 atendi a um senhor bem casado, amado pe la esposa, respeitado na sociedade, que se recusava a ser consultado por psiquiatra (não se julgava louco), mas resolveu me procurar por não suportar um sofrimento específico. Sua queixa: “Ao fazer uso de minha mulher; sinto-me desanimado

Na época a educação sexual dos filhos também era tremendamente machista, com a mulher castrada em sua sexualidade. As filhas eram muito controladas para que os rapazes não ‘abusassem” delas, enquanto eles andavam totalmente soltos. Dizia um ditado nordestino: “Prendam as cabritas (filhas) porque o meu bode (filho) está solto”

O mais prejudicava a educação dos filhos era o machismo. e na a vida sexual dos pais.

De lá para cá a condição sexual da mulher melhorou muito. Ela saiu à luta, começou a trabalhar fora, a disputar os melhores cargos com os homens e... descobriu o orgasmo. Assim tornou-se mais saudável, e sua vida sexual passou a ser um tópico importante da qualidade de vida.

O que antes era impensável tornou-se realidade, e em uma única geração o machismo foi abalado. Uma revolução global deixou as avós atônitas e as netas totalmente liberadas. A vida sexual passou a ser responsabilidade de cada um, e hoje o papel dos pais é fornecer condições aos filhos para que tenham vida sexual saudável, sejam do sexo masculino, sejam do feminino.

Dizia a mãe de uma adolescente no fim do milênio passado: “Antigamente casava-se para ter sexo, hoje as pessoas fazem sexo para ver se casam”.

Mais que em outros, no campo sexual os pais não podem dizer aos filhos que “no meu tempo era assim...” porque realmente os tempos são outros. “Minha filha sai de casa somente casada” é uma frase que a evolução atropelou. E hoje em dia muitos jovens preferem fazer um estágio, ou pré-casamento, morando juntos, longe da interferência dos pais, mesmo que ainda dependam muito deles

Aqueles filhos reprimidos por pais machistas na pré-liberação sexual hoje são avós e fazem parte da geração que i’hamo de “asa e pescoço” (do frango da macarronada de domingo). Os pais deles comeram “peito e coxa”, deixando-lhes a asa e o pescoço. Quando chegou a sua vez, deram aos filhos a melhor parte do frango, o peito e a coxa, e comeram outra vez asa e pescoço. Como foram vitimas do autoritarismo e da repressão, deram liberdade ilimitada aos filhos. Começaram a trabalhar cedo e continuam trabalhando mesmo depois de aposentados. É a geração mais prejudicada em relação à comida à liberdade e ao trabalho. E, com o orçamento da família cada vez mais apertado, muitas vezes eles ainda têm de sustentar os netos, que dão grandes despesas

Esses netos nascidos em plena efervescência da informatização, têm vida muito diferente da de pais e avós. Influenciados pelo ecossistema e pelo “como somos” vigente, perderam os critérios relacionais saudáveis. Agitados, impulsivos e irritados, os pequerruchos não suportam frustrações, reagindo fortemente, chutando as canelas dos pais e cuspin do nas mães ao ser contrariados.

Está passando da hora de aposentar os modelos de pais vigentes para adotar novos modelos relacionais. Pais e avós têm de educar essas crianças com vistas à saúde social.

Se possível, a figura masculina e a feminina devem estar presentes e atuantes na formação do caráter da criança, mas nem por isso a falta de uma delas prejudica o futuro dos filhos Há mais de 300 mil anos, antes de o ser humano sair das cavernas e montar a sociedade primitiva, a mãe já educava o filho.

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No documento Quem Ama Educa (páginas 108-110)