Ao longo da vida pode-se trocar de companheiro, desde que a morte do amor os separe. Viver bem juntos é desejável, mas viver unidos pelo compromisso firmado no passado, quando nada mais existe entre ambos, é pouco saudável. Como dis se o grande poeta Vinicius de Moraes, o amor é infinito enquanto dura.
O homem e a mulher se comportam de modos distintos na separação. Os bens são divididos: ele fica com os bens materiais, o dinheiro; ela com os bens afetivos, os filhos. Hoje em dia não é raro que a mulher separada com filhos volte a morar com os pais, principalmente por questões econômicas e administrativas. Não é uma reminiscência machista, pois a que pode continua morando em sua casa com os filhos enquanto o marido sai de lá.
Percebo que o homem separado age muito diferente da mulher. Alguns homens
desaparecem da vida dos filhos e agem como se fossem solteiros. Saem de casa e vão para um fiot, abandonando o esquema familiar. Se têm dinheiro, querem morar sozinhos e aproveitar a liberdade. Se querem liberdade é porque se sentiam presos. Vivem um período de nomadismo sexual. Às vezes cumprem apenas o que a lei determina em relação à antiga família. Acabam se transformando em “ex-pais’
Entretanto, o homem está evoluindo muito, embora lentamente, e alguns que têm condições, ao montar sua moradia, reservam também um ambiente para os filhos, que podem dormir na casa do pai nos fins de semana ou em qualquer outro dia. Esses ex- maridos não vão se transformar em ex-pais. E os filhos podem contar com eles pois muitas vezes se revelam até mais participativos do que antes, quando eram casados.
Recentemente, vi um homem trocar as fraldas de uma menina com menos de 2 anos de idade num assento de avião em pleno vôo. Constatei que eram pai e filha. Trocar fraldas do
bebê em casa muitos pais já fazem, mas viajar sozinho com bebé que come “comidinhas de bebê” e ainda usa fraldas é um bom avanço para não se transformar em ex-pai.
O homem descasado se ufana da nova independência e autonomia. Logo arruma
companheiros(as) para a farra. En quanto isso, a mulher ainda se sente desvalorizada se não tem um companheiro ou uma relação estável. E talvez com pense a frustração afetiva conjugal com o exagero no papel de mãe. Essa compensação pode prejudicar muito os filhos devido a hipersolicitude e a desvalorização da figura feminina, totalmente transformada em mãe.
Nem sempre, porém, os acontecimentos seguem esse padrão. Há homens que sofrem muito por ter sido “largados” pela mulher, que ficou com os filhos. Há também mulheres que ficam muito mais soltas e saem à noite, viajam com amigas, realizam sonhos antes impossíveis, inclusive assa nhamentos até há pouco impensáveis.
QUEM AMA, EDUCA!
Certa vez atendi uma família que não era muito diferente da maioria das famílias cujos pais se separam. Era um casal de classe média com três filhos menores. O pai começou a ter grande ascensão profissional e ganhar muito dinheiro, a ponto de comprar uma casa luxuosa e um carro importado, além de uma linda casa numa praia badalada.
Descobriu-se que tinha um caso com a secretária, muito mais jovem que ele. O homem resolveu então sair de casa, comprometendo-se a não deixar faltar nada para os filhos. Prometeu que nada mudaria entre eles.
Mas, à medida que o relacionamento do pai se firmava com a outra, os compromissos assumidos com a antiga família foram sendo deixados de lado.
Pouco tempo depois essa família recebeu o convite de casamento do pai com a ex-
secretária, grávida de seis meses. A festa foi num conceituado clube da cidade, sob ampla cober tura pelas colunas sociais Os filhos não foram ao casamento.
O pai começou a reclamar que os filhos o rejeitavam e a acusar sua ex-mulher; mãe dos seus filhos, de manipulá-los.
Continuou ganhando bastante dinheiro, e o que tinha ganhado até então ficou mais com ele que com a ex-esposa, a qual havia lhe ajudado a construir o belo patrimônio — agora usufruído pela nova esposa.
Aliás, essa situação é comum: quem luta é a primeira esposa; quem desfruta é a segunda. Felizmente, nem todas as separações são assim. Quanto mais saudáveis os homens, menos esses tipos de comportamento acontecem.
Em geral, a mulher fica com os filhos e mantém a dinâmica familiar. Se arruma um namorado, ele entra numa família constituída. Portanto, ela continua no esquema familiar, enquanto o ex-marido volta à vida de solteiro.
No entanto, ás vezes os filhos manifestam o desejo de morar com o pai. É preciso averiguar se o interesse das crianças se deve ao afeto ou à possibilidade de ter uma vida
O homem separado tem a liberdade de fazer o que qui ser. Mas logo percebe que precisa cuidar das próprias roupas, da comida e de tudo o que era feito ou cuidado antes pela esposa. Nem sempre ele consegue estruturar a vida sem a ajuda de uma mulher.
Viver sozinho por aventura pode ser gostoso, mas por obrigação torna-se difícil. Não raro o homem descuida da roupa, alimenta-se mal e desorganiza às vezes até a vida profissional. A sensação de independência e autonomia logo se transforma em solidão, e ele fica mais sujeito a doenças psicossomáticas, ao abuso de drogas e ao suicídio. Geralmente esses são os sintomas de um ex-pai.
Não há ser humano que não precise de uma família. Ele pode até viver a situação transitória de estar sozinho, mas os momentos mais importantes de sua vida foram os familiares. Mesmo para morrer é muito ruim não poder contar com o conforto físico, afetivo e espiritual da família.
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