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MAIS QUE GREGÁRIO, SOCIAL

No documento Quem Ama Educa (páginas 46-49)

Animais que andam em bandos em geral são gregários. Apesar de estar juntos, cada um se protege como pode contra o predador, baseado no instinto de sobrevivência.

O bando tem seu líder, que é o macho mais forte. Ele defende sua(s) fêmea(s) e respectivas crias. Seu reinado é mantido a força, até surgir outro macho que o desafie e o derrote. É a lei do mais forte.

Os gnus africanos migram, aos bandos, milhares de quilômetros atrás de água e comida. No trajeto, são devorados por leões, crocodilos e outros predadores. Cada um tem sua

campo aberto, onde fica indefesa, O crocodilo, por sua vez, arrasta a gnu para dentro da água.

Se os gregários gnus formassem uma sociedade, bastaria alguns mais fortes apontarem seus chifres contra o predador para que este desistisse da idéia de atacá-los e procurasse outras presas mais frágeis.

As formigas e as abelhas formam uma sociedade, isto é, vivem juntas no mesmo ninho, cada uma desempenhando

fl Içami Tiba

uma função específica em benefício da coletividade. Entretanto não formam uma civilização, pois lhes falta o que os humanos têm: inteligência, criatividade, liberdade, responsabililidade, educação dos instintos, sistemas educacionais, realizações econômicas, políticos e comunicacionais, solidariedade, cidadania, ética...

Nos grandes centros urbanos, às vezes os cidadãos vivem como se estivessem num bando: cada um por si. Num assalto à mão armada, por exemplo. Quem está vendo o crime nem se mexe, para não ser a próxima vítima. É a lei do mais forte, e o revólver confere a quem o empunha a condição de predador invencível.

O cidadão, um ser social e civilizado, deve usar outros recursos para lutar contra os assaltantes, não deve reagir e in fringir assim a lei do mais forte. Como ele pertence a uma sociedade, para se defender tem de utilizar os instrumentos que a sociedade lhe oferece. A civilização é corrigir solk1

Se um irmão da espécie se torna predador, é preciso que os outros se organizem para atendê-lo em suas necessidades básicas. Temos de nos defender dos predadores sociais atacando os focos que favorecem e alimentam suas formações.

Não adianta apenas dar comida a quem tem fome. É preciso prepará-lo para que consiga comida por conta própria. Mas, enquanto ele se capacita, fica sem comer?

Está na hora então de se envolver num trabalho social de recuperação desses predadores, não só oferecendo-lhes condições de sobrevivência e educação. Educar significa alimentar o corpo enquanto se prepara a alma.

QUEM AMA, EDUCA! fl

PARTE 2

Esse trágicomomento do assalto pode ser usado para educar os filhos. É natural ficar com raiva do assaltante. Com a testosterona no cérebro, vem a vontade de lhe dar uns bons socos. E se estivéssemos armados, quem sabe até não atiraríamos?

É educativo que a mãe ou o pai expresse seus sentimentos sobre a violëncia sofrida e depois todos ponderem juntos, cada qual falando o que pensa e sente a respeito, enquanto os filhos se mostrarem interessados.

É muito ruim ser assaltado. Mas, por pior que seja, um homem civilizado não pode fazer justiça com as próprias mãos. Isso cabe ao Ministério da Justiça, através das leis. Todos somos iguais perante a lei, portanto temos de cooperar para que a Justiça possa agir.

Podemos transmitir às crianças o sentimento de solidariedade e a prática da cidadania. E devemos tomar os devidos cuidados para não nos expor ao perigo. Não paralisar a vida por medo de ser assaltados, mas também não nos expor desnecessariamente. E, por fim,

participar de movimentos que ajudem os excluídos a recuperar a dignidade de ser humano.

CAMINHOS PARA UMA NOVA EDUCAÇÃO fl Tiba

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Capítulo 1

Unidos desde o princípio

O ser humano inteligente, gregário, com religiosidade, ética e criatividade, construiu a civilização, e nela mãe e pai têm papéis importantes. Esses mesmos valores, portanto, são os que devem nortear o dia-a-dia das famílias.

A História da humanidade mostrou que o cérebro humano tem uma capacidade incrível de superação, e essa capacidade se amplia a medida que o ser humano evolui. Ele passa a ter acesso a recursos ainda não explorados.

O homem não é o que reza a tradição machista. É um ser humano integral, superior. Se fizer apenas o mínimo que se espera dele, sem ter uma visão mais abrangente do mundo ele se empobrecerá. É o caso do funcionário de uma montadora que não pode se limitar a ser um mero apertador de parafusos, ainda que passe a vida toda fazendo isso. Ele tem de saber que está ajudando a construir um carro e por tanto é um construtor de carros.

Tanto o pai como a mãe devem fazer tudo em benefício da família. Se o filho está chorando, de nada adianta o pai gritar lá da sua poltrona para que a mulher vá atendê-lo. Esse ranço machista tão antieducativo só aumenta a confusão.

Seria muito mais inteligente e ético aplicar a energia para atender a criança do que gastá-la num grito e no mal- estar de ouvir o choro do filho. A natureza é pródiga ao recompensar uma mudança de comportamento desse tipo. Além de o homem ganhar proximidade com o filho, terá a admiração da esposa, porque não há mulher que não retribua generosamente a quem trata bem seu filho.

A mulher, ao ouvir o choro de um filho, só não o aten de quando lhe é realmente impossível.

QUEM AMA, EDUCA!fl

Quem determinou que é a mulher que deve sempre atender ao choro da criança? O choro pode ser manifestação de sofrimento, de perigo... Antropologicamente, ou a mãe a socorria ou a criança era comida pelos animais. O homem forte para defendê-la? Estava ocupado, ferozmente caçando esses mesmos animais para eles comerem.

A caçada era tarefa para os mais fortes, os homens. Quem caça não cuida de crianças. Assim os machos deixaram de cuidar das crianças. Nos tempos de hoje, o homem não

precisa mais de tanta força física para trazer comida para casa. Alguns nem precisam sair de casa. Mas nem por isso passaram a cuidar das crianças. A mulher também começou a participar das caçadas, mas nem por isso abriu mão de cui dar das crianças.

Será que o homem tem dificuldade para atender ao choro da criança? Não, porque na ausência da mulher ele atende. Se em situações extremas pode fazer isso, significa que pode fazer sempre. Quem não tem competência não faz nunca, por maior que seja a necessidade. Então devo concluir que esse tipo de homem acomodou-se na globalização, mas não evoluiu para um relacionamento integrado.

O pai poderia fazer muita coisa em casa. Suas funções não se deveriam restringir a arrumar a torneira, trocar a lâmpada matar baratas. É vital que se interesse pelo passeio que o filho fez no domingo, por exemplo. Não como um detetive para ver se fez burrada e dar bronca, mas para acompanhar mais as atividades infantis. “Paiticipação” em vez de cobrança. fl Tiba

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No documento Quem Ama Educa (páginas 46-49)