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3 CONHECENDO OS DADOS DA ANÁLISE

3.3 AS CATEGORIAS E SEUS CONTEÚDOS

Em cada uma das oito categorias trabalhadas foram verificados e separados diferentes tipos de conteúdos. Eles são o resultado das representações feitas pelos professorandos a respeito das diversas situações em que são submetidos ao longo dos Estágios Supervisionados.

Nas oito categorias de análise obtivemos um total de vinte e nove diferentes conteúdos que foram agrupados conforme o índice de incidência observado, sendo também agrupados pelo gênero e faixa etária dos autores dos relatórios pesquisados.

Neste sentido, na categoria sociedade verificou-se uma variação em três diferentes tipos de conteúdos, que oscilam entre as constatações de mudanças, os sintomas de crise, e a necessidade de transformações.

Já na categoria educação destacamos quatro diferentes tipos de conteúdos. O primeiro deles é relativo ao seu caráter de agente transformador da sociedade e das pessoas; outros, que constatam a situação de abandono em que se encontra; outros, que indicam uma crise de valores a ela relacionados; e, por fim, aqueles que evidenciam a necessidade de mudanças.

Na categoria escola, também foram identificados quatro tipos diferentes de conteúdos. O primeiro deles, que enxerga na escola a possibilidade de mudança da sociedade; outro, que destaca o seu trabalho na transformação pessoal; outro, que a considera defasada; e, um último, que denuncia sua precariedade.

Em relação à categoria professor, cinco diferentes tipos de conteúdos foram apreendidos. O primeiro deles refere-se a ele como um formador; já um segundo, destaca seu trabalho mais como um mediador; ao passo que, para o terceiro grupo, ele aparece como um modelo a ser seguido e como alguém que carrega consigo uma missão. O quarto grupo, destaca o caráter transformador da sua ação e o trabalho com valores imprescindíveis a formação social e pessoal daqueles com quem convive. Finalmente, temos um quinto grupo de conteúdos, que aponta as dificuldades, a desvalorização do trabalho docente, o despreparo dos profissionais da educação e a frustração que, em muitos casos, neles é percebida.

Na categoria aluno, foram destacados dois diferentes tipos de conteúdos. O primeiro deles que os enxerga como participativos, construtores de conhecimentos e transformadores da realidade. Já o segundo grupo os representa como indisciplinados, desinteressados, acríticos, sem perspectivas, desmotivados e desacreditados pelos professores.

Na categoria ensino de história/conhecimento histórico, os conteúdos foram agrupados em quatro diferentes grupos. O primeiro deles que lhe confere uma condição fundamental

para a conscientização das pessoas e consequentemente para a transformação pessoal. Outro, que lhe atribui a condição de mecanismo transformador da realidade, através da crítica social e da cidadania. Um terceiro, que o destaca como imprescindível, especialmente pelo seu caráter interdisciplinar; e um quarto grupo, que o descreve como tradicional, enfadonho, descontextualizado, acrítico e Conteudista.

Na categoria universidade/conhecimento adquirido foram identificados três grupos com conteúdos distintos. O primeiro deles, que ressalta a relação teoria X prática; um segundo, que confirma a aquisição de conhecimentos a ela relacionados; e um terceiro, que a descreve como muito teórica, onde se adquire pouco conhecimento pedagógico, existindo uma defasagem significativa entre teoria X prática X realidade.

Finalmente, na categoria estágio, quatro diferentes tipos de conteúdos foram identificados. O primeiro deles, que o percebe como algo importante e necessário para o aprendizado da profissão, local de comprometimento, valorização e crescimento pessoal. Um segundo grupo, que o aponta como importante para o conhecimento da realidade da escola e da profissão, como desafiador e gerador de grandes expectativas. Um terceiro grupo, que o mostra como importante para o estabelecimento das relações entre teoria e prática; e, finalmente, um quarto grupo, que o representa como insuficiente, deficitário local de dificuldades, devido, entre outros aspectos, a inexperiência e insegurança, gerador de dúvidas, frustrações, decepções e mal-estar.

Assim, dos quatro conteúdos identificados na categoria estágio, obtivemos a maior incidência no primeiro grupo etário, sessenta e três entradas entre os homens e cinquenta e oito entre as mulheres. Estes números representam aproximadamente 28,5% e 26,3% respectivamente, do total da incidência dos conteúdos verificados na categoria, que contabilizou entre homens e mulheres duzentas e vinte uma referências.

O segundo e terceiro grupo de conteúdos com maior índice de incidência nas categorias também estão entre homens e mulheres do primeiro grupo etário. Eles foram encontrados nas categorias ensino de história/conhecimento histórico, e educação, com um total de vinte e seis verificações para os homens, 28% do total na categoria ensino de

história/conhecimento histórico, e vinte oito referências para as mulheres, 30,2% do total da

categoria. Na categoria educação verificou-se vinte e três entradas para os homens, 32,9% do total da categoria, e vinte e seis para as mulheres, 37,2% do total da categoria.

Entre as mulheres do segundo grupo etário, podemos observar a incidência de um número significativamente maior de entradas nos conteúdos relativos à categoria professor, se comparado com os homens do mesmo grupo etário. São dezesseis entradas para as mulheres,

o que representa 26,6% do total das entradas nos conteúdos da categoria, contra apenas quatro referências entre os homens, o que representa 7,2% do total. O mesmo pode ser dito em relação às referências contabilizadas na categoria educação se compararmos homens e mulheres do terceiro grupo etário. São oito entradas entre as mulheres, 11,5% do total, contra apenas duas dos homens, o que representa 2,9% do total de entradas nos conteúdos verificados na categoria.

Fonte: Autoria própria

A incidência dos conteúdos por gênero e faixa etária na categoria sociedade foi reunida em dois grupos no gráfico seguinte, por percebermos uma equiparação entre dois dos três conteúdos que anteriormente havíamos unitarizado nos excertos analisados. Unimos o

conteúdo “mudança” ao conteúdo “transformações” por acreditarmos que, em ambos os

casos, os autores utilizam estes termos para designar as transformações e mudanças por que vem passando a sociedade atual e, em outros casos, fazendo menção a necessidade de outras formas de existência, sociabilidade ou relacionamentos.

Na categoria sociedade, temos um total de doze referências nos dois grupos de conteúdos identificados. Os homens do primeiro grupo etário fazem o maior número de referências a respeito de aspectos relacionados à crise por que acreditam passar a sociedade atual, o equivalente a 25% do total de referências na categoria. Contudo, equiparam-se aos autores do segundo grupo etário quando referenciam as mudanças por que passou ou está passando a sociedade, e a necessidade de outros tipos de transformações que reestabeleçam a

harmonia social e o autoconhecimento. Referências à crise contabilizam 50% do total das entradas na categoria, o mesmo índice do conteúdo “mudança/ transformação”.

Fonte: Autoria própria

Na categoria educação, o maior número de referências aparece no conteúdo que faz menção ao abandono e a crise de valores por que os autores acreditam estar ela passando. As mulheres do primeiro grupo etário, seguido pelos homens do mesmo grupo, são as que fazem o maior número de referências neste sentido. Foram identificadas quatorze referências de mulheres, o que equivale a 39% do total do conteúdo em questão, e dez referências masculinas, o equivalente a 28% das entradas no conteúdo.

13,5% dos homens do primeiro grupo etário acreditam que a educação necessita de mudanças, ao passo que, 30% dos homens do mesmo grupo fazem referência ao seu caráter transformador. Entre as mulheres, 75% das autoras do terceiro grupo etário acreditam que a educação está abandonada e passa por uma crise de valores, ao passo que 22,5% das mulheres do segundo grupo etário compartilham da mesma opinião.

Os sintomas da crise e o abandono representam 51,5% do total das referências na categoria, ao passo que, a crença em uma educação transformadora contabiliza 32,9% do total das referências. A necessidade de mudança aparece em terceiro lugar, com 15,8% do total das referências.

Fonte: Autoria própria

Na categoria escola, o índice de incidência entre as mulheres do primeiro grupo etário,

no conteúdo “defasada/precária”, é significativamente superior aos demais. Contabilizou

55,6% das referências, seguido por homens do primeiro grupo etário e mulheres do segundo grupo etário, que obtiveram os mesmos 16,7% de incidência, conforme pode ser verificado no gráfico abaixo.

O conteúdo “mudança social” representa 12,5% de entradas na categoria, enquanto “transformação pessoal” representa 15,7%. O conteúdo com maior incidência é “defasada/precária”, com 50% de entradas, seguido por “necessidade de mudanças” que

contabilizou 21,9% das referências na categoria.

Na categoria professor, 43,2% das referências foram contabilizadas no conteúdo

“dificuldade/ desvalorização/ despreparo/frustração”, seguido pelo conteúdo “formador/mediador” com 29,4% e pelo conteúdo “modelo/missão/ transformador da realidade/ trabalha valores”, com 27,6% das referências na categoria.

Homens no primeiro grupo etário e mulheres do segundo foram os que mais vezes referenciaram o conteúdo relacionado às dificuldades, desvalorização, despreparo e frustração dos professores. Entre os primeiros, foram verificadas nove referências, o equivalente a 30% dos homens nesta faixa etária. Entre as mulheres foram verificadas sete referências, o equivalente a 38,9% das identificadas no grupo etário em questão.

Homens do primeiro grupo etário e mulheres do segundo apresentam o mesmo número de incidência no conteúdo que descreve o professor como um modelo e transformador da realidade, trabalhando valores e desempenhando uma missão. Foram cinco incidências para cada grupo etário, o que equivale a 31,3% do total de entradas no conteúdo. Já as mulheres do primeiro grupo etário são as que mais fizeram referência ao professor como um

“formador/mediador”. Foram verificadas entre as mulheres desta faixa etária cinco entradas

no grupo, o que corresponde a 29,5% da incidência no conteúdo. Seguem a elas, as mulheres do segundo grupo etário, com quatro entradas, 23,6% do total do conteúdo, e os homens do primeiro grupo, com três entradas, o que corresponde a 17,7% das referências no conteúdo.

Na categoria alunos, temos a maior incidência de entradas no conteúdo

“indisciplinados/ desinteressados/ acríticos/ sem perspectivas/desmotivados/ desacreditados”.

São 29,5% do total de entradas no conteúdo, sendo equivalente o número de referências entre homens e mulheres do primeiro grupo etário. Foram contabilizadas dez entradas em ambos os grupos, o que equivale para os homens 33,4% do total do grupo etário em questão, e para as mulheres 40% do total.

Dos homens do primeiro grupo etário, o grupo formado pelo maior número de autores, apenas 6,7% deles referenciam aspectos positivos a respeito dos alunos. Entre as mulheres a situação não é muito diferente. Para elas, quando observamos o mesmo grupo etário, temos apenas o equivalente a 4% de referências positivas na categoria alunos. Em termos proporcionais, são os homens de segundo grupo etário que demonstram maior número de aspectos positivos em relação aos alunos, contabilizando o equivalente a 16,7 % do total.

Fonte: Autoria própria

Na categoria ensino de história/conhecimento histórico, as mulheres do primeiro grupo etário detêm a liderança em número de referências nos conteúdos, “transformação da

realidade/ crítica social/ cidadania, transformação pessoal/ conscientização”, e “tradicional/ enfadonho/ descontextualizado/acrítico/Conteudista”, contabilizando, respectivamente, um

total de 33,4%, 41% e 23,1% das referências em cada grupo de conteúdos. Mulheres deste grupo etário correspondem a 23,5% do total de autores dos excertos pesquisados.

Já os homens do primeiro grupo etário são os que mais percebem o ensino e o conhecimento histórico como algo imprescindível e interdisciplinar, contabilizando um total de 40% das entradas no grupo de conteúdos, o que pode ser verificado no gráfico abaixo.

Fonte: Autoria própria

Mulheres do primeiro grupo etário são as que mais referenciam na categoria

universidade/conhecimento adquirido, o conteúdo relativo ao “pouco conhecimento

pedagógico/ muito teórica/defasagem teoria X prática X realidade”. São quatorze entradas no

grupo de conteúdos, o que equivale a 48,3% do total.

Já os homens do primeiro grupo etário são os que mais referenciam os conteúdos

“relação teoria X prática” e “aquisição de conhecimentos”. Foram nove entradas no primeiro

grupo de conteúdos, o equivalente a 34,7% do total das referências, e sete entradas no segundo grupo de conteúdos, o que equivale a 43,8% de incidência no grupo de conteúdos em questão.

A categoria estágio é a que tem o maior número de referências nos conteúdos, contabilizando um total de duzentas e trinta e seis referências. Dessas, aproximadamente 38,2% encontram-se no conteúdo que menciona o Estágio Supervisionado como sendo necessário e importante, local de aprendizado, comprometimento, valorização e crescimento pessoal. Outros 31%, aproximadamente, estão no conteúdo que fala sobre o estágio como insuficiente, decepcionante, frustrante, gerador de medo e mal-estar. 21,6% percebem o estágio como local de conhecimento da realidade, de desafio e expectativa, e apenas 8,9% percebem o relatam como um espaço onde se desenvolve a relação entre a teoria e a prática.

As mulheres do primeiro grupo etário são as que melhor descrevem a relação dos conteúdos na categoria. Ao observarmos o gráfico, percebemos que elas apresentam um alto índice de confiança e comprometimento em relação ao Estágio Supervisionado, perfazendo um total de 30,8% das referências no conteúdo. Contudo, quando se trata do grupo de conteúdos sobre o mal-estar causado diante da realidade, este mesmo grupo etário chega a 24,7% do total das referências. Justifica-se, neste caso, a pequena incidência sobre o conteúdo

“conhecimento da realidade/ expectativa/ desafio”, que cai para 20% das entradas no grupo de

conteúdos, e ainda, o baixo índice de referências no conteúdo que identifica a relação entre a teoria e a prática no Estágio Supervisionado, perfazendo apenas 9,6% do total de entradas no grupo de conteúdos em questão.

Fonte: Autoria própria

Insuficiente/deficitária/dificuldades/ mal-estar/frustração/dúvidas/medo/ insegurança/inexperiência/decepção

Ao término desta análise, podemos constatar uma significativa diminuição do número de aspirantes ao magistério, mais especificamente ao Curso de História. A baixa procura pelos cursos de licenciatura é um dos sintomas crise por que passa a Educação em geral, na atualidade, sendo fortemente percebida pelas IES e sociedade como um todo. Destacamos que esta falta de interesse palas licenciaturas é praticamente mundial, exceção em países como a Coréia do Sul, Finlândia e Canadá.

Dos relatórios utilizados na pesquisa foram extraídos os excertos das falas dos alunos, que passaram a compor as oito categorias de análise.

A categoria estágio foi a que apresentou o maior número de excertos, tanto pelos homens como pelas mulheres, seguido pela categoria ensino de história/conhecimento

histórico. A categoria na qual se verificou o menor número de incidência dos excertos foi sociedade. Isto nos remete ao fato de, em muitos casos, sociedade e Educação serem

abordados de forma isolada, sem que se possa estabelecer um nexo maior entre as transformações por que passa a primeira e a defasagem verificada na segunda.

São, em sua maioria, os jovens os que buscam a formação para a docência. Aproximadamente a metade dos autores dos relatórios pesquisados está em uma faixa etária menor que trinta anos, sendo pequena a diferença do número de homens em relação às mulheres.

Nos três eixos da análise, homens e mulheres apresentam o maior número de referências na categoria estágio, em que diferentes tipos de conteúdos foram identificados, o que possibilitou uma leitura acurada da oscilação entre a busca de aspectos significativos em relação às respostas contidas nas categorias de análise e o sentimento de mal-estar relatado como experienciado em diferentes momentos em que os discentes relatam que estiveram em contato direto com as situações referentes ao cotidiano escolar.

Nos capítulos seguintes, daremos um enfoque especial aos discursos dos professorandos dentro dos eixos estabelecidos para a análise. Neles, buscaremos identificar a maneira como trabalham as relações entre o que projetam, experienciam e estabelecem como desafios para a sua formação e prática profissional.

4 PROJEÇÕES: COMO E SOB QUAIS CIRCUNSTÂNCIAS NOS CONSTRUÍMOS