2. O REGIONALISMO HEGEMÔNICO E CONTRA-HEGEMÔNICO LATINO-
3.2 AS TEORIAS PARTICIPATIVAS E A CONTINUIDADE DO MODELO
Feita uma breve revisão da corrente hegemônica ou dominante, passaremos a discutir as abordagens participativas. As teorias participativas focam-se no aumento da participação popular no regime representativo e têm como principais representantes Crawford Macpherson (1978), David Held (1987), Carole Pateman (1992), Santos e Avritzer (2003), Iris Young (2006), entre outros.
Crawford Macpherson, em “Democracia liberal: origens e evolução” (1978), cria dois modelos de democracia participativa. O primeiro tipo democrático é um sistema piramidal com democracia direta na base e democracia por delegação em cada nível depois dessa. Um segundo formato participativo é a combinação do sistema piramidal do primeiro modelo com os partidos políticos concorrentes (MACPHERSON, 1978). Temos uma crítica central a Crawford Macpherson: o não-rompimento com a tradição liberal. Assim como os outros participacionistas, o sociólogo canadense incorpora elementos de regimes representativos- liberais em modelos batizados de “democracias” participativas.
David Held (1987) considera o regime democrático um processo de transformação do Estado e da sociedade civil, com duas premissas essenciais: a aceitação da divisão entre sociedade civil e Estado e o poder de tomada de decisões livre de desigualdades. Nesse último ponto, os cidadãos devem possuir uma base de recursos mínima para a tomada de decisões
que são relevantes para eles (HELD, 1987). Constatamos a aproximação de Held com os liberais, especialmente com Constant, ao defender a participação e os direitos políticos para os proprietários. Apoiados em Wood (2003), vimos que o capitalismo transformou a democracia, de tal modo que os direitos políticos (iguais formalmente) não conseguiram alterar as desigualdades e as relações de exploração e de dominação entre as classes sociais. Pensamos que a base mínima de recursos, ao contrário de garantir uma democracia livre de desigualdades, exclui as grandes massas populares da democracia.
Carole Pateman, em “Participação e Teoria Democrática” (1992), discute a participação associada à teoria democrática e retoma o “mito clássico”. O “mito clássico” é a deturpação da teoria clássica participativa de Rousseau, Mill e G. D. H. Cole pelos contemporâneos (Berelson, Dahl, Ekstein, Schumpeter e Sartori), que as interpretam diferentemente, limitando a participação do povo através do voto e atribuindo a função “protetora” das decisões arbitrárias e dos interesses privados dos representantes. A participação aprende-se participando, tendo, portanto, função educativa e não protetora. Carole Pateman acredita que só existe um regime democrático se houver uma sociedade participativa, ou seja, a participação política permear todas as esferas da vida. A indústria é um espaço importante para o exercício da participação, pois é onde as pessoas passam maior parte de suas vidas, podendo resultar na educação da administração dos assuntos coletivos (PATEMAN, 1992). As análises de Carole Pateman, apesar das pertinentes críticas à tradição weber-schumpeteriana, continuam a não romper com o paradigma liberal dominante na academia. Assim como Macpherson, Pateman aproveita elementos das teorias representativas liberais, não defendendo uma democracia genuinamente popular.
Baseando-se nas premissas de Pateman, Maria Victoria Benevides (1996) enfatiza a educação política como condição para a cidadania ativa em uma sociedade democrática. A “mola propulsora” da democracia é a virtude pública, sinônimo de igualdade política, porém os costumes, os valores e a mentalidade do povo se opõem à referida igualdade e representam um obstáculo à legitimação dos instrumentos de participação popular. O princípio da participação popular é um “remédio” ao sistema representativo-liberal, sendo importante para a diminuição da distância entre governantes e governados. Benevides conclui ressaltando a importância dos diversos instrumentos de participação política (referendos, plebiscitos e iniciativas populares) na sociedade atual (BENEVIDES, 1996). Verificamos em Benevides o problema comum dos participacionistas: a ausência de rompimento com a tradição liberal. A autora enfatiza a relevância dos instrumentos participativos, porém os insere em um regime representativo, mantendo a dominação de classe e ainda culpando o povo por tais
instrumentos não darem certo. Outro indício crítico do ensaio de Benevides é o amparo na teoria tocquevilliana de “democracia” como sinônimo de igualdade.
Seguindo Macpherson (1978) e Pateman (1992), Boaventura de Sousa Santos e Leonardo Avritzer, em “Para ampliar o cânone democrático” (2003), similarmente alvitram um modelo contra-hegemônico de regime democrático. No século XXI, com a redemocratização dos países do Sul do mundo, surge a democracia participativa, sinônimo de tentativa de disputa pelo significado de práticas políticas, de uma nova gramática social e de inclusão de novos atores, novas lutas e novas práticas políticas. Uma experiência democrática participativa é o Orçamento Participativo (OP), realizado desde 1989 em Porto Alegre (Brasil). Finalizando seu ensaio, Santos e Avritzer propõem um projeto democrático de complementariedade e coexistência da democracia participativa e da democracia representativa.
Nossa crítica centra-se justamente nessa nova forma democrática híbrida, resultante do diálogo cultural entre os diferentes países, que conserva o governo representativo-liberal. Acreditamos numa democracia socialista que, segundo Rosa Luxemburgo (1991), é sinônimo da ditadura do proletariado, exercida pela participação mais ativa possível das massas. Entendemos que Santos e Avritzer não citam, em nenhum momento, a ditadura de classe e a revolução socialista, pelo contrário, propõem um formato que não rompe, em sua totalidade, com um regime de governo burguês e representativo-liberal.
Iris Young (2006) considera que em uma democracia representativa devem coexistir a representação e a participação, pois os governantes e os governados devem sempre estar conectados. Se a relação entre os dois atores for interrompida, os governados não verão mais sentido em sua atuação e desacreditarão na participação. Para a autora, as democracias representativas podem ser aperfeiçoadas com o aumento das instituições participativas, como fóruns, conselhos, audiências, entre outras. Young alerta para a mobilização dos cidadãos em participarem da autorização e do controle público (YOUNG, 2006).
Lavalle, Houtzager e Castello (2006) complementam as reflexões de Young (2006), creditando à democracia participativa duas benesses: a multiplicação de instâncias representativas e participativas e o surgimento de novos espaços reguladores da relação entre representantes e representados. As duas benesses diminuem a crise democrática, variando os espaços participativos e pluralizando os atores com a investidura para o exercício da representação política (LAVALLE, HOUTZAGER e CASTELLO, 2006).
Concordamos com os postulados de Young (2006) e Lavalle, Houtzager e Castello (2006), contudo, ainda encontramos dificuldades na manutenção do sistema representativo-
liberal. Adicionamos que sim, deve haver uma relação mais próxima entre o povo e seus representantes, mas em uma democracia socialista e não no modelo vigente e hegemônico.
Gabriel Vitullo (2009; 2012) confirma nossas críticas às correntes alternativas participacionistas ou contra-hegemônicas de democracia que terminam por manter o regime de governo representativo-liberal e introduzir alguns mecanismos de participação popular, como, por exemplo, o Orçamento Participativo, citado por Avritzer (2003), ou o modelo piramidal de Macpherson (1978). Apesar de criticarem o modelo hegemônico, as correntes alternativas não conseguem lançar propostas de superação das estruturas institucionais atuais. Outra crítica, com a qual também concordamos, é a ausência de um novo projeto social e econômico de abandono do sistema capitalista. Vitullo atenta também para a fraca menção à luta de classes e à exploração dos trabalhadores pela burguesia em grande parte dos participacionistas. Esses não conseguiram problematizar a democracia participativa associada às grandes desigualdades sociais, econômicas e políticas presentes no capitalismo.
3.3 DEMOCRACIA: SINÔNIMO DE GOVERNO POPULAR
Realizadas as devidas considerações a respeito das teorias alternativas participacionistas, almejamos reflexionar sobre as interpretações marxistas sobre a democracia. Nosso intuito é defender, precipuamente, a democracia socialista enquanto sinônimo de governo e construção coletiva das massas.
Rosa Luxemburgo, marxista polonesa, dedicou-se à defesa da democracia socialista, sinônimo de ditadura do proletariado. Dentre todas as anotações significativas contidas em “A Revolução Russa” (1991), evidenciamos a revolução e a democracia socialista. A revolução é sinônimo de avanço e de decisões rápidas, pois, segundo a metáfora luxemburguiana:
(…) ou a locomotiva revolucionária deve subir a encosta histórica a todo vapor até o cume, ou, arrastada pelo próprio peso, voltará à planície de onde partirá arrastando consigo para o abismo, sem esperança de salvação, os que, com suas fracas forças, queriam detê-la a meio do caminho (LUXEMBURGO, 1991, p. 71).
O partido, para conquistar a direção e o poder na revolução, deve lançar palavras de ordem que mobilizem as massas e assumir as consequências decorrentes. As duas palavras de ordem lançadas ao proletariado são a assembleia constituinte e o sufrágio universal (LENIN, 1985). Ao contrário da práxis política de grande parte da esquerda brasileira hoje, Rosa Luxemburgo ressalta que a tática revolucionária cativa as massas proletárias e não o contrário. A democracia socialista é igual à ditadura do proletariado, ou seja, à participação mais
ativa possível das massas populares e começa com a tomada do poder pelo partido socialista, destruindo a dominação de classe existente e substituindo o regime representativo por um governo proletário. Não existem fórmulas, manuais ou receitas para a democracia socialista, mas a própria experiência que pode indicar os melhores caminhos a serem seguidos (LUXEMBURGO, 1991).
Chamamos a atenção para outra obra de Rosa Luxemburgo: “Greve de massas, partido e sindicatos” (1979). A greve de massas é o movimento e a forma de manifestação do proletariado durante a revolução, não sendo decisão somente desse, mas também do partido. Cabe salientarmos aqui que o partido deve contar com a espontaneidade, ou seja, deve esperar o momento certo para dirigir as massas, de tal modo que não pode fazê-lo em qualquer momento e em qualquer razão. Além da espontaneidade, outro fator de relevância consiste na consciência de classe do proletariado. Para Luxemburgo, as massas criam a consciência de classe no decorrer da luta revolucionária e não só em livros, sendo que a experiência revolucionária torna essa ativa (LUXEMBURGO, 1979).
Nicos Poulantzas, marxista grego, sugere um modelo democrático participativo, pelo qual haja a combinação de uma democracia direta na base e a mudança do Estado, através da constante mobilização das alianças populares. Os instrumentos participativos não conseguem substituir a existência estatal, pois caso o fizessem deixariam um espaço vazio de poder na sociedade, a ser preenchido pela burocracia weberiana. A democracia participativa é o crescimento das instâncias de poder, desde os movimentos sociais até o proletariado (POULANTZAS, 1980). Retomamos as reflexões pertinentes de Held (1987), as quais lembram que Poulantzas acreditava no fortalecimento das instituições políticas, deixando-as mais abertas para o povo, e das lutas políticas, que incorporariam as reivindicações das massas populares.
Carlos Nelson Coutinho, filósofo marxista, em seu artigo “A Democracia como Valor Universal” (1984), recupera o postulado de Enrico Berlinguer sobre a democracia e seu valor historicamente universal, embasando sua visão sobre tal dentro da tradição marxista. Para Coutinho, a democracia política é um valor estratégico permanente, requisito para a conquista e consolidação da sociedade socialista. Um regime de governo democrático não surge somente após a conquista do poder pelos trabalhadores, mas já mostra o esboço de seus novos elementos “(…) no seio dos regimes políticos democráticos ainda dominados pela burguesia” (COUTINHO, 1984, p. 25). Coutinho, equivocadamente, aposta na combinação articulada entre velhos institutos liberais com funções diferentes e novos institutos políticos.
crítica à crença de Carlos Coutinho em uma etapa do socialismo aonde coexistiriam proletariado e burguesia, afastando-se de uma visão leninista de revolução ou de tomada de poder pelo proletariado. A conservação ou a mudança de função dos institutos “democráticos” liberais e a criação de novos institutos políticos não é algo premeditado, deve ser pensado pelo próprio proletariado, dirigente da democracia socialista. Lembramo-nos da exposição cuidadosa de Rosa Luxemburgo (1991) referente ao parlamento e ao sufrágio universal, dois institutos políticos que devem ser fruto da ditadura do proletariado ou da participação mais ativa possível das massas. As instituições representativas na democracia socialista perdem, portanto, o caráter elitista ou de dominação de classe e transformam-se em expressões do poder popular.
Caio Navarro Toledo (1994) também tece críticas a Coutinho, complementando a análise de Adelmo Genro Filho, expondo que o valor da democracia política no sistema capitalista envolve as oportunidades de organização e de combate pelos trabalhadores e pelas camadas populares da hegemonia burguesa (TOLEDO, 1994). Para Toledo, instrumentalizar a democracia, como faz Coutinho, é relegar ao proletariado seu envolvimento por motivos éticos e humanitários e crer em uma burguesia preocupada com os ideais do bem comum, da justiça e da razão.
João Quartim de Moraes chama atenção para o rebaixamento dos valores do ideário democrático à ideologia liberal. Segundo a proposição de Moraes (2001), as instituições internacionais, como a Otan e a ONU, o Pentágono e os demais aparelhos de dominação mundiais são ferramentas da política exterior estadunidense, designados a “preservar os ideais democráticos” nos diferentes regimes de governo nacionais do mundo. Apesar da perspicaz lembrança de Moraes sobre os EUA, evocamos a grave ausência em seu texto do domínio estadunidense na América Latina. Moraes exemplifica a destruição da Iugoslávia, a Guerra Fria e até as duas bombas nucleares no Japão, no entanto desconsidera, na hora de analisar os diversos exemplos, décadas da presença dos ianques em território latino-americano, seja através dos golpes militares ou seja através da ALCA e sua reformulação chamada Aliança do Pacífico. Acreditamos que para um renomado intelectual marxista, que ao fim de seu ensaio convoca a esquerda à luta contra o imperialismo, não estaríamos exigindo demais a lembrança da luta histórica dos povos latino-americanos contra a opressão e para a conquista de sua soberania.
Ao longo deste capítulo, buscamos retomar os principais teóricos e suas interpretações sobre a democracia. Resgatamos inicialmente os autores liberais como os Federalistas estadunidenses e seu formato constitucional excludente e limitante da participação popular,
Benjamin Constant e sua defesa do governo para os proprietários, Max Weber e sua teoria da burocracia, Joseph Schumpeter e sua “democracia” competitiva para as elites e Robert Dahl e sua Poliarquia das minorias, entre outros.
A tradição liberal afastou qualquer forma de participação popular em um regime de governo, reduzindo a democracia a um procedimento, a um embasamento constitucional, às regras eleitorais e à competição entre elites pelo voto do povo. A luta entre as classes sociais, as desigualdades e as relações de dominação dos trabalhadores foram renegadas, desviando o enfoque das contradições do capitalismo.
Aludimos às considerações significativas de Miguel (2003), as quais assinalam que o liberalismo domesticou a democracia, ou seja, apropriou-se como sua criação e transformou-a em algo bem diferente do que fora na antiguidade. Carlos Estevam Martins (2003) complementa o pensamento de Miguel ressaltando que o regime democrático fora um truque utilizado para os liberais promoverem-se no campo ideológico.
A ideologia liberal expandiu-se rapidamente na academia tornando-se hegemônica e oprimiu as correntes contestatórias como, por exemplo, o marxismo. Qualquer reflexão discordante é postulada como antidemocrática, autoritária e irreal pelos liberais. Na realidade, a opressão liberal é uma tática de conquista da hegemonia, através dos aparelhos privados como a mídia e as universidades, evitando, assim, a tomada do poder pelo proletariado e pelas classes populares.
Infelizmente, até a própria tradição marxista contribuiu com a união entre democracia e liberalismo. Domènech (2009) demonstra corretamente que a expressão “democracia burguesa” é um oximoro, ou seja, uma figura de linguagem na qual as palavras com sentido oposto ganham significado quando se encontram. Em nenhuma parte das obras de Marx, Engels, Lenin e até Rosa Luxemburgo25 encontramos “democracia burguesa”. Nos apontamentos de Luxemburgo, a expressão é designada para o movimento social e político do que restou do setor pequeno-burguês originário do movimento democrático da Revolução Europeia de 1848. Erroneamente, as organizações políticas, principalmente a esquerda, e a academia passaram a utilizar “democracia burguesa”, contribuindo também com a hegemonia liberal no campo democrático. Basta participarmos de uma formação política ou conversarmos com um militante para constatarmos essa tese.
Acreditamos na democracia socialista recuperada por Rosa Luxemburgo, sinônimo de ditadura do proletariado e de tomada de poder pelos trabalhadores, e também na democracia
25 Temos dúvidas em Rosa Luxemburgo, pois algumas vezes a expressão “democracia burguesa” possui sentido dúbio e, consequentemente, diferente do recuperado por Domènech.
como regime político das classes populares, das porções da sociedade mais despossuídas e igualmente castigadas pelo capital. Repensamos a democracia socialista, ampliando-a para as frações de classe não pertencentes ao proletariado, pois cremos em uma democracia com o significado mais abrangente, fundamentalmente popular.
Como se referia Lenin, a democracia é o governo do povo por si próprio. Os caminhos, as formas, o sufrágio universal e os demais mecanismos democráticos devem ser decididos coletivamente pelo povo e não por elites que governam para alcançarem seus interesses. Nesse último ponto, lembramos, apoiados em Vitullo (2009), que a representação política não pode ser confundida com “democracia representativa” e desprezada. Precisamos criar e remodelar as instituições, de tal modo que a participação se amplie e que os dispositivos não sejam limitados ao voto em eleições periódicas.
Reconhecemos a importância dos participacionistas, contudo desconfiamos de qualquer projeto que mantenha o governo representativo-liberal e o sistema capitalista, não propondo uma profunda transformação social. Não gostaríamos de negligenciar todas as valiosas produções científicas, todavia cremos na força das mobilizações populares e no surgimento de novos atores sociais, que possam dar início às novas lutas políticas. Para que a população se mobilize mais e mais é indispensável a educação política na formação da consciência de classe.
Retomando Marx (1982), a classe em si é o conjunto ou a coincidência de trabalhadores explorados e a classe para si é o reconhecimento dos trabalhadores como integrantes da mesma classe social. A classe para si é construída no decurso da luta política e deve revolucionar a sociedade. Confiamos no poder do proletariado e das classes populares para a condução do governo democrático comunista, símbolo da ausência de classe e da ampla participação popular.
Estamos cientes de que a democracia aqui proposta é radical demais frente ao significado disseminado hoje pela tradição liberal que assenta os regimes de governo nacionais. Como enunciamos, o liberalismo transformou a democracia em um procedimento, em regras eleitorais e em um mercado político de votos, domesticando-a, como tática de conquista de hegemonia em diferentes campos. Nossa compreensão de democracia firmada na corrente socialista, e mais particularmente na acepção luxemburguiana, pode parecer utópica e distante de uma alternativa real de transformação do sistema capitalista, ainda assim insistimos na possibilidade de tomada de poder pelo proletariado e suas frações de classe. As grandes massas são diariamente massacradas por um sistema que as exclui, que as empobrece e que as mata, enquanto o capital expande-se rapidamente no mundo. É urgente, portanto,