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Mapa 06 – Terras Quilombolas e comunidades quilombolas no município de

5.3 O TERMO DE COMPROMISSO E AS IMPLICAÇÕES NA cadeia produtiva DA

5.3.1 Aspectos bioecológicos da castanha-do-brasil

A castanha-do-brasil12 (FIGURA 19) é a semente encontrada no interior do ouriço, fruto da castanheira-do-brasil (Bertholletia excelsa H.&K.), árvore pertencente à família Lecythidaceae, gênero Bertholletia e espécie excelsa (PACHECO; SCUSSEL, 2006). A castanheira-do-brasil (Bertholletia excelsa H. B. K.) representa a única espécie existente no gênero Bertholletia e, embora exista uma considerável variação no tamanho, forma e número de sementes por fruto, não se constitui justificativa plausível para reconhecer mais de uma espécie (MORI; PRANCE, 1990). É uma espécie popularmente denominada de castanheira, castanheira-do-brasil, castanheira-do-pará, castanheira-do-maranhão, castanheira-da- amazônia, Brazil nuts ou Para nuts, para os anglo-americanos, e noix du Brésil ou noix de Para, para os franceses (SALOMÃO, 2014).

A castanheira-do-brasil (FIGURA 19) é uma árvore que possui caule ou tronco em formato cilíndrico, liso e desprovido de galhos ou troncos até a altura da copa. Pode atingir 50 metros de altura, tendo em geral entre 20 e 30 metros na idade adulta, e apresenta um Diâmetro a Altura do Peito (DAP) superior a 02 (dois) metros. Uma das explicações para a altura alcançada pela espécie, que a destaca na floresta, é a necessidade de luz, uma vez que a castanheira é uma planta tipicamente heliófila. Sua casca possui cor acinzentada e a madeira é tida como adequada para vários usos industriais, embora o corte da árvore seja proibido pelo Decreto Federal nº 1.282, de 19 de 1994 (HOMMA, 1984).

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Apesar de ser chamada de castanha-do-pará, comercialmente, a partir do Decreto-Lei nº 51.209, de 18 de setembro de 1961, passou a ser denominada, para efeito de comércio exterior, como castanha-do-brasil (BRASIL, 1961)

Figura 19 – Árvore da castanheira-do-brasil e no canto superior, à direita, ouriços e sementes

da castanheira. Fonte: http://www.oleodecastanha.com.br/home/;

http://www.celeiroprodutosnaturais.com.br/castanha-do-para-granel-100g

A castanheira ocorre em agrupamentos conhecidos como “castanhais” ou “bolas de castanha”, como são conhecidos na microrregião Alto Trombetas, ou ainda “pontas de castanhais”. Em áreas de ocorrência natural de castanheiras pode-se encontrar 1,3 e até 5,1 árvores adultas por hectare (PERES; BAIDER, 1997). Estudos revelam densidades entre 1,3 e 4,0 árvores por hectare na Reserva Extrativista Chico Mendes, no Acre. Na Floresta Nacional de Caxuanã ocorre entre 10 a 12 árvores por hectare. No Trombetas, a densidade varia muito, entre 0 a 15 árvores por hectare (FIGURA 20). A densidade média de castanheiras é de 01 (uma) árvore por hectare (CYMERYS et al., 2005, p. 62).

Figura 20 – Densidade da castanheira-do-brasil, que deve ser levada em consideração

para fazer os manejos e o trabalho de coleta. Fonte: CYMERYS et. al. (2005, p. 62).

O crescimento da castanheira-do-brasil é demorado, frutificando a partir dos 8 ou 10 anos. Em alguns casos, a frutificação pode começar após os 20 anos. A floração da castanheira-do-brasil ocorre, geralmente, nos meses de agosto, setembro e outubro e a coleta nos meses de novembro a março. No Acre, as flores da castanheira começam a abrir no final da estação seca, quando os frutos da floração anterior estão quase prontos para caírem. As flores aparecem de outubro a dezembro, e os frutos amadurecem em 14 ou 15 meses, caindo de dezembro a fevereiro. No Pará, as flores aparecem entre setembro e fevereiro e os frutos caem entre janeiro e abril (FIGURA 21) (CYMERYS et. al., 2005).

Figura 21 – Ecologia da castanheira-do-brasil, que pode variar em cada região.

Fonte: Adaptado de CYMERYS et al. (2005, p. 62).

A castanha-do-brasil é rica em proteínas e calorias, sendo considerada por muitos como “carne vegetal”, pois a semente da castanha-do-brasil possui, mais ou menos, metade da proteína e duas vezes mais calorias que as contidas num bife, entre 12% a 17% de proteína e a farinha sem gordura possui 46% de proteína, enquanto a carne de gado possui entre 26% a 31% de proteína. Além disso, a proteína da castanha-do-brasil é quase equivalente à do leite de vaca, contendo aminoácidos completos. A castanha-do-brasil possui minerais como fósforo, potássio e vitamina B. Em adição, 100 gramas de castanha-do-brasil contêm: 61 gramas de gordura; 2,8 miligramas de ferro; 180 miligramas de cálcio; 4,2 miligramas de zinco. A castanha-do-brasil também contém grandes quantidades de metionina, que é um dos

elementos nutritivos mais limitados na dieta amazônica. Também contém selênio, um mineral que possui papel importante como anti-oxidante, uma vez que a oxidadação influencia no envelhecimento, Mal de Parkinson e Alzaimer. Logo, o selênio pode ser utilizado no tratamento dessas doenças (BENTON, 2002).

A castanha-do-brasil é integralmente aproveitada, sendo consumida in natura, cozida e cristalizada, em óleo, farinha ou farelo. Também é empregada em confeitarias e na indústria farmacêutica e de cosméticos, entretanto, por uma questão de cultura e de oportunidades de empreendimentos, apenas a parte comestível é que a maioria das empresas utiliza. É importante ressaltar que de todas as formas de uso a que está gerando maior valor agregado é a de insumo da indústria de cosméticos (QUADRO 11).

Quadro 11 – Usos gerais da castanha-do-brasil

Partes da castanha-do-

brasil

Usos gerais da castanha-do-brasil Onde são consumidos/por quem

Amêndoa

Descascada e comida fresca, bombom, sorvete, doce, farinha e leite para temperar comida.

Feiras, lanchonetes, supermercados, que vendem ao consumidor final, pessoas que consomem a castanha-do-brasil in natura ou como ingredientes de outros alimentos; Óleo Sabonete, creme, xampu, óleo trifásico. Indústrias de cosméticos que comercializam

com o consumidor final; Ouriço

Artesanato, brinquedos (pés de ouriço), remédio, carvão, pilãozinho, tigela para coletar seringa

Comunidades tradicionais;

Casca Remédio (chá) para diarreia. Comunidades tradicionais;

Madeira

Historicamente muito utilizada para estacas e construção, mas hoje é ilegal derrubar castanheiras silvestres.

Sem utilização, pois é ilegal; Fonte: Adaptado de CYMERYS et al. (2005, p. 63).

5.3.2 A cadeia produtiva da castanha-do-brasil coletada na Reserva Biológica do Rio