• Nenhum resultado encontrado

Mapa 06 – Terras Quilombolas e comunidades quilombolas no município de

5.3 O TERMO DE COMPROMISSO E AS IMPLICAÇÕES NA cadeia produtiva DA

5.3.3 Produção e espacialidade da castanha-do-brasil

No que se refere a produção e espacialidade da castanha-do-brasil, os resultados indicaram que é difícil estimar a produção de uma castanheira porque o número de ouriços varia muito entre anos e entre árvores. De uma maneira geral, o tamanho da árvore está relacionado com a sua produção. Entretanto, isso não é regra, pois existem árvores grandes que não produzem nenhum ouriço. Uma castanheira produz em média vinte ouriços por ano. Em média, em cada ouriço existem dezesseis castanhas, cada uma pesando sete gramas. Normalmente, uma árvore produz quatrocentas e setenta castanhas (SALOMÃO, 1991).

A castanheira é encontrada em praticamente toda a região amazônica da América do Sul, cobrindo uma superfície de aproximadamente 325 milhões de hectares, com a maior parte distribuída entre o Brasil, com 300 milhões, a Bolívia com 10 milhões e o Peru com 2,5 milhões de hectares (PACHECO; SCUSSEL, 2006). No Brasil, a castanheira-do-brasil está mais concentrada, principalmente, nos estados do Acre, Amazonas e Pará, e em menor concentração nos estados de Rondônia, Mato Grosso, Amapá e Roraima, sendo este último o estado amazônico de menor produção.

Até 1990, o Brasil ocupava a posição de liderança no mercado mundial, com 80% do comércio e uma produção de 51 mil toneladas (PENNACCHIO, 2006). Atualmente, a Bolívia é responsável por 50% da produção mundial, o Brasil por 37% e o Peru por 13%. Segundo Pennacchio (2006) e Tonini (2007), os principais fatores que justificam o declínio nos valores absolutos da produção brasileira são: a redução das áreas de castanhais nativos produtivos, não havendo uma política de reposição de novos castanhais; as deficiências na cadeia produtiva, em especial nas logísticas de transporte e de armazenamento; ausência de políticas e de programas de incentivo à produção, de apoio direto à comercialização e de sustentação de renda ao extrativista; desvantagens competitivas em relação à Bolívia e o Peru, ao mesmo tempo em que investimentos e incentivos fiscais na Bolívia tornaram este país líder no mercado internacional; aliadas as dificuldades de atendimento às exigências fitossanitárias para exportação, especialmente quanto aos limites de tolerância para presença de aflatoxinas – substância tóxica produzida por muitas das espécies do fungo Aspergillus, que deixam as amêndoas da castanha-do-brasil com uma qualidade ruim para a alimentação, saúde e comercialização – até 30 ppb no Brasil, e até 4 ppb nos EUA e Europa. Além desses fatores, as condições climáticas desfavoráveis, como escassez de chuvas em diversas localidades das Regiões Norte, Nordeste e Sudeste – fenômeno que afetou a produtividade das espécies – aliados à escassez de mão de obra para a coleta, também contribuem para a diminuição da

produção nacional de castanha-do-brasil (PENNACCHIO, 2006; TONINI, 2007).

Nos dados oficiais do IBGE a castanha-do-brasil ocupa o terceiro lugar entre os produtos extrativos não madeireiros do grupo “Alimentícios”, ocupando a terceira posição em valor de produção no ano de 2017 (R$ 104,1 milhões), ficando atrás apenas do açaí, produto que apresentou a segunda maior quantidade produzida em 2017 (219,9 mil toneladas), mas apresentou o maior valor de produção (R$ 596,8 milhões), seguido pela erva-mate, que apesar de produzir a maior quantidade, apresentou o segundo maior valor de produção, com R$ 423,9 milhões (IBGE, 2018).

Gráfico 17 – Quantidade produzida (mil toneladas) e valor de produção (milhões de reais) na

extração vegetal de produtos não madeireiros no Brasil

0,0 100,0 200,0 300,0 400,0 500,0 600,0 700,0 M il t o n e la d a s e M il h õ e s d e r e a is

Produtos extrativos não madeireiros do grupo “Alimentícios”

Quantidade produzida (mil toneladas)

Valor de produção (milhões de reais)

Fonte: IBGE (2018). Elaboração própria.

Em 2017, a castanha-do-brasil figurou entre os quatro produtos extrativos vegetais não madeireiros com maior valor de produção, apesar de ter apresentado queda de 24,56% na quantidade absoluta produzida em relação a produção de 2016, passando de 34,6 para 26,1 mil toneladas (GRÁFICO 17). Contudo, geralmente, a produção de castanha-do-brasil apresenta um movimento cíclico que não mostra definitivamente uma tendência crescente. (GRÁFICO 18).

Gráfico 18 – Produção extrativa de castanha-do-brasil produzida no Brasil, em toneladas,

entre 1994 e 2017

Fonte: IBGE – Produção da Extração Vegetal e da Silvicultura, 2018. Elaboração própria.

No Brasil, a participação relativa da Região Norte no total da produção brasileira de castanha-do-brasil entre os anos de 1994 a 2005 se manteve, em média, por volta dos 99%, o que demonstra alta concentração da produção desse produto nessa região (GRÁFICO 19). A partir do ano de 2006 até 2017, a participação relativa da Região Norte no total da produção nacional passou a ser, em média, de 96%, destacando-se, fora da Região Norte, o estado do Mato Grosso, que, em 2017, produziu 1706 toneladas e, atualmente ocupa a 5ª posição dentre os estados produtores de castanha-do-brasil (IBGE, 2018).

Gráfico 19 – Produção extrativa de castanha-do-brasil produzida nos estados brasileiros da

Amazônia, em toneladas, entre os períodos de 1994 a 2017

Fonte: IBGE – Produção da Extração Vegetal e da Silvicultura, 2018. Elaboração própria.

No Brasil, a produção da castanha-do-brasil está altamente concentrada nos estados do Acre, Amazonas e Pará, que detêm, atualmente, 83% da produção, com os demais estados (Rondônia, Mato Grosso, Amapá e Roraima) totalizando os 17% restantes, sendo que, atualmente, o estado do Amazonas é o maior produtor de castanha-do-brasil, com um total de 12.786 toneladas, ou seja, 48,8% da produção do país, seguido pelo estado do Acre, que responde por 18,3% da produção nacional, pelo estado do Pará, com 16%, e por Rondônia com 7,1% do total nacional. Roraima é o estado da Amazônia que apresenta a menor produção, com uma média histórica de 0,34% da produção nacional (IBGE, 2018).

Tabela 03 - Quantidade produzida e participação na produção nacional de

castanha-do-brasil dos 08 principais estados brasileiros produtores, em ordem decrescente – ano 2017

Estado (UF) Produção (Ton)

Ano (2017) Particiapção na produção nacional (% ) Amazonas 12.786 48,8 Acre 4.790 18,3 Pará 4.186 16,0 Rondônia 1.865 7,1 Mato Grosso 1.706 6,5 Amapá 476 1,8 Roraima 380 1,5 Tocantins 02 0,0 Total 26.191 100,0

O estado do Pará figura, nos últimos cinco anos, como o terceiro maior produtor de castanha-do-brasil dentre os estados brasileiros produtores, contribuindo com 19,71% da produção nacional (IBGE, 2018). Deste montante, o município de Oriximiná contribuiu, em média, com 24,22% da produção estadual, sendo o maior produtor do estado. Atualmente, o município de Oriximiná ocupa a 6ª posição dentre os 20 principais municípios brasileiros produtores de castanha-do-brasil (Tabela 04), com uma produção, em 2017, de 885 toneladas, o que responde por de 21% da produção do estado do Pará, e representa uma participação de 3,38% na produção nacional (IBGE, 2018).

Tabela 04 - Quantidade produzida e participação na produção nacional de

castanha-do-brasil dos 20 principais municípios produtores e respectivas Unidades da Federação, em ordem decrescente – ano 2017

Municípios produtores e respectivas Unidades da Federação Castanha-do-brasil Quantidade produzida (t) Participação na produção da Região Norte (%) Participação na produção brasileira (%) Brasil 26191 --- 100,00 Norte 24485 --- 93,48 Humaitá – AM 3280 13,40 12,52 Beruri – AM 3000 12,25 11,45 Lábrea – AM 1200 4,90 4,58 Porto Velho – RO 1080 4,41 4,12 Boca do Acre – AM 900 3,68 3,44 Oriximiná – PA 885 3,61 3,38 Sena Madureira – AC 867 3,54 3,31 Tefé – AM 700 2,86 2,67 Rio Branco – AC 673 2,75 2,57 Óbidos – PA 670 2,74 2,56 Brasiléia – AC 650 2,65 2,48 Codajás – AM 600 2,45 2,29 Guajará-Mirim – RO 600 2,45 2,29 Epitaciolândia – AC 551 2,25 2,10 Alenquer – PA 520 2,12 1,99 Xapuri – AC 503 2,05 1,92 Autazes – AM 465 1,90 1,78 Manicoré – AM 460 1,88 1,76 Capixaba – AC 382 1,56 1,46 Acrelândia – AC 323 1,32 1,23 Outros 7882 32,19 30,09

Fonte: IBGE - Produção da Extração Vegetal e da Silvicultura, 2018.

maior produção de castanha-do-brasil, principalmente as áreas de castanhais que se encontram no interior da Reserva Biológica do Rio Trombetas. Nos últimos cinco anos, a microrregião Alto Trombetas contribuiu, em média, com 6,24% na produção do município de Oriximiná. Contudo, entre os anos de 1994 a 2005, a produção de castanha-do-brasil da microrregião Alto Trombetas contribuiu, em média com 62,25% da produção do município (ICMBio, 2018)13. Esse declínio na produção pode estar relacionado à criação e à implantação da Reserva Biológica do Rio Trombetas, em 1979, com uma área de 385.000 hectare, sobreposta a territórios centenários de quilombolas, restringindo, assim, o acesso desses grupos aos recursos do território necessários a reprodução de seu modo de vida. A Reserva Biológica do Rio Trombetas está localizada sobre um território extremamente rico em diversidade biológica, onde se encontram grandes “lagos” e densa floresta, além dos principais e mais densos platôs cobertos por castanhais, áreas com as quais os quilombolas criaram fortes vínculos de territorialidade, visto que estes povos têm o seu modo de vida estruturado na coleta da castanha-do-brasil (CASTRO; ACEVEDO, 1998).

A partir de 2002, ano em que os acordos para a coleta de castanha-do-brasil começaram a ser firmados com o IBAMA e posteriormente com o ICMBio, é possível observar no Gráfico 20 uma queda na produção de castanha-do-brasil produzida na Reserva Biológica do Rio Trombetas. No período de 1990/2001, a produção média anual oscilou em torno de 1433,2 toneladas, volume que diminuiu no período de 2002/2018, quando a média passou a ser de 318,7 toneladas. Para análise dessas informações, é preciso considerar as limitações do ICMBio na coleta desses dados, afim de que não haja interpretação errônea. A produção de castanha-do-brasil apresentou um movimento cíclico que não mostra definitivamente uma tendência crescente, sendo que entre os anos 1990 a 2018 houve uma queda de 82% na quantidade absoluta produzida, passando de 2.200 toneladas para 380,2 toneladas (GRÁFICO 20) (ICMBIO, 2018).

13 Dados coletados nos arquivos do Núcleo de Gestão Integrada – NGI/ICMBio Trombetas, durante pesquisa de

Gráfico 20 – Produção extrativa de castanha-do-brasil produzida em Oriximiná e na Reserva

Biológica do Rio Trombetas, em toneladas, entre os períodos de 1990 a 2005 e 2012 a 2018.

Fonte: ICMBio, 2018. Elaboração própria

A produção brasileira de castanha-do-brasil, a da Região Norte e a do estado do Pará, assim como a produção do município de Oriximiná e da Reserva Biológica do Rio Trombetas, possuem um mesmo padrão, apresentando grandes oscilações que não mostram definitivamente uma tendência crescente, sendo que entre os anos 1994 a 2017, no município de Oriximiná houve uma queda de 57,6% na quantidade absoluta produzida, passando de 2.090 para 885 toneladas (GRÁFICO 21). Todavia, o município já registrou um pico de produção de 3000 toneladas, em 2012 (IBGE, 2018; ICMBIO; 2018).

Gráfico 21 – Produção extrativa de castanha-do-brasil produzida no Brasil, na Região Norte,

no estado do Pará e no município de Oriximiná, em toneladas, entre 1994 e 2017

Fonte: IBGE (2018); ICMBIO (2018). Elaboração própria.

5.3.4 Organização e o uso do território das diversas etapas da produção da castanha-