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ASPECTOS GERAIS DO SISTEMA DE PROPRIEDADE INTELECTUAL NO BRASIL

Wanderson de Vasconcelos Rodrigues da Silva Suzana Leitão Russo 1. INTRODUÇÃO

A história da raça humana é marcada pelas descobertas e inovações resultantes da criatividade do intelecto humano para atender suas neces- sidades. Esse diferencial permitiu que a humanidade alcançasse o atual e importante nível de desenvolvimento social, econômico, tecnológico e de qualidade de vida.

Aos diferentes tipos de propriedade que resultaram da criação do es- pírito humano, surgiu o termo “Propriedade Intelectual”. Barbosa (2003) descreve que a partir de 1967, foi instituída por meio de convenção a Or- ganização Mundial da Propriedade Intelectual – OMPI (World Intellectual Property Organization – WIPO, na versão em inglês), um órgão autônomo dentro do sistema da Organização das Nações Unidas – ONU criado para suprir as insuficiências das convenções anteriores que regravam acerca dos direitos sobre as criações intelectuais.

A Convenção da União de Paris – CUP, criada em 1883, foi um dos primeiros tratados com o envolvimento de vários países a cuidar dos direi- tos relativos à propriedade intelectual, mais precisamente às patentes de aplicação industrial, sendo o Brasil, um dos países signatários.

Em 1886, seguiu-se a Convenção de Berna para a proteção das obras literárias e artísticas. Estas convenções permanecem atualmente em vigor, sendo que a Organização Mundial da Propriedade Intelectual foi constitu- ída com intuito de fortalecer esses direitos e atender às novas demandas do comércio internacional. Os debates internacionais posteriores culmi- naram na criação da Organização Mundial do Comércio – OMC que in- corporou uma série de acordos, entre eles o Acordo sobre Aspectos dos Direitos de Propriedade Intelectual relacionados ao Comércio (Agreement on Trade-Related Aspects of Intellectual Property Rights – TRIPS) que pos- sibilitou a inserção da propriedade intelectual no sistema multilateral do comércio (BARBOSA, 2003; JUNGMANN, 2010).

Wipo (2016a) ressalta que os Estados que redigiram a convenção que instituiu a Organização Mundial da Propriedade Intelectual, não definiram o termo “Propriedade Intelectual” formalmente, mas sim como uma lista exaustiva de direitos relativos a ela. A descrição extensa apresentada na convenção esclarece que a propriedade intelectual se trata de um termo abrangente utilizado para denominar os direitos de posse que refletem sobre a produção intelectual humana (conhecimento, tecnologia e sabe- res), seja no âmbito industrial, científico, artístico e literário, concedendo ao criador obter retribuição pelo seu invento, durante um período de tem- po estabelecido (RUSSO; SILVA; NUNES, 2012).

Segundo Jungmann (2010), vale ressaltar que a propriedade intelec- tual é um conjunto de direitos imateriais, o que constitui em um ativo intangível. Isso se deve ao fato de que está relacionada à informação ou ao conhecimento que pode ser incorporado, concomitantemente, a um número ilimitado de cópias de um objeto criado, em qualquer parte do mundo, e não ao próprio objeto copiado. Portanto, propriedade intelec- tual não se traduz nos objetos e em suas cópias, mas na informação ou no conhecimento refletido nesses objetos e cópias.

A noção de bem intangível tem uma funcionalidade toda especial quando se tem uma sociedade em que a economia é competitiva, na qual os valores econômicos se definem no mercado e quando há liberdade de entrada neste mercado por parte dos agentes econômicos. Diante da importância em compreender o funcionamento deste sistema e a com- pensação econômica que ele oferece, este trabalho tem como objetivo apresentar em linhas gerais os direitos relativos aos três grandes grupos que constituem o Sistema de Propriedade Intelectual estabelecido pelas convenções e tratados internacionais citados anteriormente, a saber: Di- reito Autoral, Propriedade Industrial e Proteção Sui Generis, bem como a implementação e manutenção deste sistema no território brasileiro por meio da legislação vigente, uma vez que que o Brasil é signatário desses acordos multilaterais.

2. DESENVOLVIMENTO

Com base nos objetivos apresentados, este trabalho se classifica como uma pesquisa exploratória com vistas a proporcionar maior familia- ridade com o tema estudado. Os dados utilizados para o desenvolvimento deste trabalho foram coletados em materiais já elaborados e publicados,

constituídos principalmente de livros, documentos oficiais e legislação vi- gente. Desta forma, os procedimentos técnicos adotados permitem carac- terizar este trabalho como uma pesquisa bibliográfica e documental. Para melhor compreensão do tema abordado, os conceitos relativos aos direi- tos compreendidos pelo Sistema de Propriedade Intelectual serão discu- tidos na sequência apresentada na Figura 1, fazendo sempre um paralelo à legislação brasileira que assegura determinada proteção aos diferentes tipos de criações intelectuais.

Em geral, entende-se que o Sistema de Propriedade Intelectual com- preende direitos relativos a três grandes grupos, a saber: Direito Autoral, Propriedade Industrial e Proteção Sui Generis, conforme apresentado na Figura 1.

Figura 1. Modalidades de direitos de propriedade intelectual.

Fonte: Adaptado de Jungmann (2010).

O direito autoral compreende os direitos conferidos aos criadores de obras intelectuais. É o caso das obras produzidas por escritores, artistas, compositores (direitos de autor), das interpretações ou execuções artísti- cas, produções fonográficas, gravações ou veiculação de criações (direitos conexos) e dos softwares (programas de computador). No Brasil, a lei nº

9.610, de 19 de fevereiro de 1998, regula os direitos autorais, descrevendo como obras intelectuais “as criações do espírito, expressas por qualquer meio ou fixadas em qualquer suporte, tangível ou intangível, conhecido ou que se invente no futuro”. Os programas de computador, além de se- rem protegidos pela Lei de Direito Autoral, possuem uma lei específica, lei nº 9.609, de 19 de fevereiro de 1998 (Lei do Software), que dispõe sobre a proteção da propriedade intelectual desses programas e sua comerciali- zação (BRASIL, 1998a, 1998b).

Segundo a WIPO (2016b), a Convenção da União de Paris – CUP, apro- vada em 1883, representou o primeiro grande acordo internacional para assegurar que as obras intelectuais dos criadores pudessem ser protegidas em outros países e definiu a aplicação do termo “Propriedade Industrial”, incluindo patentes, marcas, desenhos industriais e indicações geográficas, deixando de referir-se apenas à indústria e ao comércio, como também aos produtos naturais ou processados. A Lei da Propriedade Industrial – LPI, lei nº 9.279, de 14 de maio de 1996, regula os direitos e obrigações relativos à propriedade industrial no Brasil com o objetivo de conceder direitos para promover a criatividade pela proteção, disseminação e apli- cação industrial de seus resultados, considerando o seu interesse social e o desenvolvimento tecnológico do país.

O Instituto Nacional da Propriedade Industrial – INPI, autarquia fede- ral criada em 1970, vinculada ao Ministério da Indústria, Comércio Exte- rior e Serviços, é o órgão responsável pelo aperfeiçoamento, dissemina- ção e gestão do sistema de concessão, garantia e negociação de direitos de propriedade industrial no território brasileiro. Além dos serviços de concessão de registro de marcas, concessão de patentes de invenção e de modelos de utilidade, registro de desenho industrial, registro de in- dicações geográficas e repressão à concorrência desleal, ou seja, todos os direitos relativos à propriedade industrial segundo às modalidades de direitos de propriedade intelectual apresentadas na Figura 1, o instituto também é responsável pela concessão de registro de programas de com- putador (direito autoral) e de topografia de circuito integrado (proteção sui generis) (BRASIL, 1996; INPI, 2016a).

No que tange à propriedade industrial, Jungmann (2010) e WIPO (2016a), definem as marcas como sinais distintivos, visualmente percep- tíveis, que permite reconhecer um produto ou serviço. Outras caracte- rísticas como reputação, qualidade, investimentos, design e profissionais, ligadas à empresa fabricante do produto ou prestadora do serviço, são

retratadas ao consumidor através das marcas, permitindo que o cliente associe esses aspectos peculiares à qualidade do produto ou serviço ofe- recido. Barbosa (2003) complementa ao afirmar que as marcas não se destinam apenas a identificar a origem do produto, mercadoria ou serviço apresentados como também incitam o consumo destes e valorizam a ati- vidade empresarial.

Uma marca pode se converter no ativo patrimonial mais valioso de uma empresa. A exemplo, tem-se algumas marcas famosas mundialmente como Apple®, Google® e Microsoft® apresentadas na Figura 2, que chegam

a valer mais de US$ 70 bilhões. Isso se deve ao fato dos consumidores dos produtos ou serviços dessas empresas associarem a marca à reputação e a um conjunto de qualidades aos quais representam valor para quem consome e, colocando a empresa em posição de vantagem frente à concorrência (JUNGMANN, 2010).

Figura 2. As três marcas mais valiosas do mundo - 1º Apple, 2º Google, 3º Microsoft.

Fonte: Adaptado de Badenhausen (2016).

As marcas são definidas pela legislação brasileira no artigo 122 da LPI como “sinais distintivos visualmente perceptíveis, não compreendidos nas proibições legais”. As proibições legais citadas referem-se ao descum- primento dos requisitos quanto à veracidade, liceidade, distintividade e disponibilidade da marca que se pretende registrar. O registro tem vali- dade de 10 anos, contados a partir da concessão, podendo ser renovado por períodos iguais. Pode ser solicitado por pessoa física ou jurídica, e até mesmo por instituições públicas, porém a marca que se pretende registrar deve ser para designar produtos e/ou serviços resultantes das atividades que o solicitante efetivamente desempenha, para impedir a concessão de registro para pessoas que não pretendem utilizar a marca em suas ativida- des, almejando tão somente comercializá-las (BRASIL, 1996; JUNGMANN, 2010; WIPO, 2016a).

Dando sequência ao Sistema de Propriedade Intelectual, tem-se as patentes que constituem um dos mecanismos mais remotos de proteção da propriedade intelectual, tendo como objetivo motivar o desenvolvi- mento tecnológico e econômico, recompensando a criatividade dos in-

ventores. Barbosa (2003) e INPI (2013) definem patente, na sua compre- ensão clássica, como um direito imaterial conferido pelo Estado ao titular de uma invenção que atenda aos requisitos de novidade, envolvam uma atividade ou ato inventivo e seja sujeita à aplicação industrial, conceden- do-lhe exclusividade para explorar a tecnologia.

No Brasil, a Lei da Propriedade Industrial (LPI) prevê dois tipos de proteção: as Patentes de Invenção (PI) e os Modelos de Utilidade (MU). A proteção é válida por um período de 20 anos a partir da data de depó- sito para as Patentes de Invenção e de 15 anos para os Modelos de Utili- dade, sendo esses direitos territoriais, ou seja, limitados pelas fronteiras do país. Para se obter a patente, o depositante deve tornar a invenção pública por meio da apresentação de um relatório descritivo escrito, detalhado e completo da criação no ato do pedido de depósito. A difu- são das informações das patentes depositadas no Brasil se dá por meio da publicação eletrônica na Revista da Propriedade Industrial – RPI do Instituto Nacional da Propriedade Industrial (BRASIL, 1996; INPI, 2013; WIPO, 2016a).

Uma Patente de Invenção (PI) se traduz em uma nova solução (produ- to ou processo) para problemas técnicos específicos dentro de um certo domínio tecnológico. Para que a solução seja caracterizada como uma in- venção, devem haver peculiaridades que não tenham sido exploradas pe- los conhecimentos até então existentes, ou seja, pelo estado da técnica de determinado campo da tecnologia. Tanto INPI (2013) quanto Jungmann (2010) salientam a importância de compreender a diferença entre inven- ção e inovação, por vezes difundidas erroneamente como sinônimos. A invenção é uma solução técnica de um problema. A inovação é capacidade de transformar uma invenção em produto ou processo rentável e negociá- vel, agregando valor econômico e lucratividade a esta descoberta.

Por outro lado, as patentes de Modelo de Utilidade (MU) descrevem criações de uso prático e de caráter técnico funcional, suscetível à aplica- ção industrial, que consistam em uma nova forma, disposição ou melhoria no uso, aplicação ou fabricação de um objeto já existente. A patente de modelo de utilidade também exige os critérios de novidade absoluta, to- davia com um nível de inventividade menor do que exigido para as Paten- tes de Invenção. A originalidade de um modelo de utilidade pode resul- tar da associação ou composição de conjunto de elementos previamente conhecidos como kits de peças, pré-moldados, entre outros (INPI, 2013; JUNGMANN, 2010; RUSSO; SILVA; NUNES, 2012; WIPO, 2016a).

Como exemplo, pode-se tomar a tesoura como uma Patente de In- venção que ao longo dos anos sofreu diferentes aperfeiçoamentos para melhorar o seu uso ou modificar sua aplicação. A Figura 3 apresenta al- guns exemplos de Modelos de Utilidade para a tesoura de poda (tesoura específica para cortar ramos e galhos que não geram frutos).

Figura 3. Exemplos de modelos de utilidade: (A) tesoura de poda semiprofissional; (B) tesoura de

poda com cabo giratório; (C) tesoura de poda para ramos e galhos de difícil acesso.

Fonte: Adaptado de WIPO (2016a).

Obter a concessão de uma Patente de Invenção ou de Modelo de Utilidade significa adquirir vantagem competitiva no mercado, uma vez que o titular tem a prerrogativa de, a princípio, impedir que terceiros pos- sam fabricar, utilizar, vender e importar o produto ou processo sem seu consentimento no território onde a patente foi concedida. Isso porque a carta patente é um importante instrumento de negócio que permite a ex- ploração comercial da patente por parte do titular ou o licenciamento da mesma para terceiros mediante o pagamento de royalties. Por outro lado, o artigo 10 da Lei da Propriedade Industrial faz restrições às invenções e modelos de utilidade que forem contrários à moral, aos bons costumes, à segurança, à ordem, à saúde pública, entre outros (INPI, 2013; JUNG- MANN, 2010; WIPO, 2016a).

Paralelamente, outras normas apoiam e incentivam a inovação e a pesquisa científica e tecnológica no ambiente produtivo. É o caso da lei nº 10.973, de 2 de dezembro de 2004 (Lei da Inovação) que, segundo afirmam Russo; Silva; Nunes (2012), é um dispositivo fundamental para as instituições de pesquisa, sejam elas públicas ou privadas, visto que as disposições enumeradas nesta lei estimulam a criação de ambientes de inovação especializados e cooperativos (BRASIL, 2004).

Outra forma de propriedade industrial definida no Sistema de Pro- priedade Intelectual são os desenhos industriais. De modo diferente das

invenções e dos modelos de utilidade, os desenhos industriais não são patenteáveis, mas sim objetos de registro. O artigo 95 da LPI considera desenho industrial a forma plástica ornamental de um objeto ou o con- junto ornamental de linhas e cores que possa ser aplicado a um produto, proporcionando resultado visual novo e original, e que possa servir de tipo de fabricação industrial, ou seja, é um aspecto estético que pode ser constituído de características tridimensionais ou bidimensionais, porém para que possa ser registrado como desenho industrial, não pode ser ape- nas uma obra de caráter puramente artístico (direito autoral) (BOCCHINO et al., 2010; BRASIL, 1996).

A LPI estabelece que o desenho industrial é um título de proprieda-

de concedido pelo Estado, com vigência de 10 anos contados da data de depósito, prorrogáveis por mais 3 períodos consecutivos de 5 anos, tota- lizando no máximo 25 anos caso seja de interesse do titular. Os desenhos industriais são empregados em uma grande variedade de produtos in- dustrializados como celulares, relógios, joias, brinquedos, roupas, eletro- domésticos, móveis, veículos, estruturas arquitetônicas, entre outros. A Figura 4 ilustra dois desenhos industriais de um mesmo objeto, tornando sua forma tridimensional mais distintiva e agradável.

Figura 4. Desenhos industriais diferentes para o telefone.

Fonte: Adaptado de Jungmann (2010).

Os produtos ou serviços provenientes de uma determinada região que apresentam características peculiares, também são passíveis de pro- teção. É caso da Indicação Geográfica – IG que faz parte do escopo da propriedade industrial definida anteriormente. A ideia de proteger pro- dutos de uma determinada região se deu a partir da percepção que pro- dutores e consumidores tiveram ao identificar características de alguns produtos originários de determinados locais, de tal forma que não eram encontrados em produtos equivalentes em outra região (BRASIL, 2014; WIPO, 2016a).

De modo diferente da proteção das propriedades intelectuais cita- das, a IG é um direito comunitário, que não pode ser cedido ou licencia- do, uma vez que é exclusivo a um grupo de produtores, fabricantes ou prestadores de serviço de determinado território, impedindo legalmente que possa ser usado por aqueles que fabricam produtos ou prestam ser- viços em outra região, ainda que estes sejam semelhantes. Muito embora a proteção seja concedida em âmbito nacional, os tratados internacionais dão assistência para o reconhecimento da IG em diversos países por meio do acordo TRIPS (RUSSO; SILVA; NUNES, 2012; WIPO, 2016a).

Por ser representado por um sinal distintivo, as IG’s se confundiam com as marcas, uma vez que ambas têm o objetivo comum de distinguir a origem de um determinado produto ou serviço. A diferença se dá, visto que uma IG revela ao consumidor que um produto que possui certas ca- raterísticas ligadas ao local. Desta forma, o selo de Indicação Geográfica pode ser utilizado por todos os produtores que desenvolvem suas ativi- dades na região definida pela IG (BARBOSA, 2003; BRASIL, 2014; JUNG- MANN, 2010).

No Brasil, a LPI, constituiu a IG em duas categorias: Indicação de Procedência – IP e Denominação de Origem – DO. O artigo 177 define a Indicação de Procedência como território que se tenha tornado conheci- do como centro de extração ou produção de determinado produto ou de prestação de determinado serviço. Assim, não há necessidade de compro- vação de que as condições ambientais da região tenham contribuído para as características ou qualidades do produto ou serviço, tão somente que o local se tornou conhecido (BRASIL, 1996).

A Denominação de Origem (DO) é descrita no artigo 178 como o nome geográfico que designe produto ou serviço cujas características se devam exclusivamente a fatores naturais e humanos da região. Desta for- ma, nota-se a necessidade de que os fatores naturais do território sejam predominantes em conjunto com os fatores humanos que influenciem o produto ou serviço de tal forma que crie uma forte tipicidade e caráter único (BRASIL, 1996).

Até abril de 2017, o INPI contava com 59 registros de Indicações Ge- ográficas, das quais 41 correspondem as IG’s do tipo Indicação de Proce- dência – IP e 18 Denominações de Origem – DO. Das 18 Denominações de Origem registradas no Brasil, 8 são Indicações Geográficas de outros países. A Figura 5 apresenta algumas das IG’s brasileiras (INPI, 2016b).

Figura 5. Sinais distintivos de algumas Indicações Geográficas brasileiras.

Fonte: Adaptado de INPI (2016b).

A propriedade industrial não é o único meio que a sociedade pode se utilizar para proteger o conhecimento industrial criado pelo intelec- to humano. As empresas podem manter o sigilo de suas invenções por meio dos segredos industriais, preservando a natureza confidencial das informações, o que não ocorre por meio do processo de concessão de patentes. Porém Jungmann (2010) ressalta a dificuldade de se proteger os segredos industriais de pessoas não autorizadas, bem como de colocar um produto no mercado que possa ser observado, desmontado e des- vendado a criação. Por outro lado, na patente, ainda que as informações sobre a tecnologia envolvida no invento estejam disponíveis ao público, ela está protegida legalmente e não pode ser utilizada sem autorização sob pena de violação de direitos. Uma outra vantagem é que o segredo industrial pode ter duração maior do que teria uma patente. É o caso por exemplo da Coca Cola® que mantém em segredo a fórmula de seu xarope há mais de um século.

Todavia, podem transcorrer atitudes anticompetitivas, de tal forma que prejudique a livre concorrência entre as empresas. WIPO (2016a) afir- ma que podem haver uma diversidade de atos de má conduta, tais como exposição de informações distorcidas pelo concorrente a fim de causar confusão e induzir ao erro. Estes são os considerados atos de concorrência desleal, no quais consistem na prática industrial ou comercial desonesta. No Brasil, o artigo 195 da LPI, descreve as ações consideradas crimes de concorrência desleal, onde ficam proibidos atos que possam criar confu-

são e alegações falsas quanto ao estabelecimento, produtos ou atividade industrial do concorrente, bem como indicações que induzam ao erro so- bre a natureza dos próprios produtos ou de terceiros. A legislação prevê como pena a detenção de três meses a um ano, ou multa (BRASIL, 1996; JUNGMANN, 2010; WIPO, 2016a).

O terceiro grupo de Sistema de Propriedade Intelectual trata-se da proteção Sui Generis, uma expressão do latim que remete aquilo que é único em seu gênero e possui características específicas, ou seja, fazem parte do escopo da propriedade intelectual, porém não se enquadram nos dois primeiros grupos que correspondem ao direito autoral e à pro- priedade industrial. Neste grupo fazem parte as topografias de circuitos integrados que compreendem a representação da configuração tridimen- sional das camadas que compõem um circuito integrado; a proteção de