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3.2 EDUCAÇÃO E O MEIO DIGITAL

3.2.3 Atores da EAD

Com a propagação da EAD e o aperfeiçoamento da tecnologia da educação,

houve uma mudança nos perfis dos atores envolvidos nesse processo educacional.

Essa alteração criou demandas novas para a forma de aprender e ensinar.

Concomitantemente a esse cenário, o perfil do aluno também está em

transformação, o que exigiu uma revisão das práticas pedagógicas adotadas para

atender as necessidades e expectativas das novas gerações. São considerados

atores da EAD: o professor, o tutor, o aluno e a coordenação de cursos.

O professor que atua na modalidade a distância tem o desafio de se adaptar

ao espaço físico onde era o centro das atenções para se tornar uma entidade

coletiva, na qual todos os atores do processo atuam de forma colaborativa.

Schneider, Silva e Behar afirmam que

O professor na EAD tem o papel fundamental de organizar e aplicar uma

arquitetura pedagógica adequada à modalidade e que contemple as

mudanças sociais e educacionais que interferem na sua prática pedagógica

(SCHNEIDER, SILVA, BEHAR, 2013, p.152).

Para atender esse desafio, torna-se essencial uma formação docente

contínua voltada para habilidades tecnológicas e as consequências pedagógicas da

sua atuação. O professor deve estar atento para aprender permanentemente não

apenas técnicas de programação visual e informática, mas também o conteúdo da

sua disciplina (SCHNEIDER, SILVA, BEHAR, 2013, p.152).

O Ministério da Educação (MEC) disponibiliza um documento chamado

“Referenciais de qualidade para educação superior a distância” (BRASIL, 2007) que

enfatiza o papel dos professores na EAD e diz o quanto é enganoso considerar que

programas a distância minimizam o trabalho dos professores. Ao contrário do senso

comum, os educadores têm suas funções expandidas e são exigidos para que

tenham alta qualificação para essas funções. O MEC descreve o que os professores

terão que ser capazes de desenvolver com seus alunos em uma instituição de

ensino nos cursos a distância:

b) selecionar e preparar todo o conteúdo curricular articulado a procedimentos

e atividades pedagógicas;

c) identificar os objetivos referentes a competências cognitivas, habilidades e

atitudes;

d) definir bibliografia, videografia, iconografia e audiografia, tanto básicas

quanto complementares;

e) elaborar o material didático para programas a distância;

f) realizar a gestão acadêmica do processo de ensino-aprendizagem, em

particular motivar, orientar, acompanhar e avaliar os estudantes;

g) avaliar-se continuamente como profissional participante do coletivo de um

projeto de ensino superior a distância (BRASIL, 2007, p.20).

As TIC promovem uma interação entre professores e alunos no ambiente

virtual, mas, para que isso aconteça, o professor precisa incentivar e propulsionar

atividades de trocas e integração. Por essa razão que o desafio do professor da

EAD é

Potencializar o desenvolvimento de ações e reflexões a partir da interação

com os diversos objetos de conhecimento, entre eles as ferramentas

tecnológicas. Igualmente, a realização de propostas interdisciplinares se

torna uma alternativa tendo em vista a importância de buscar a formação

integral do aluno com a perspectiva das competências. Sabe-se que o

número de recursos tecnológicos existentes na rede é imenso. Por isso, é

importante a busca, pesquisa e atualização, a fim de conhecer diferentes

possibilidades para o ensino e a aprendizagem do aluno, transformando-os

em um processo atrativo e motivador (SCHNEIDER, SILVA, BEHAR,2013,

p. 157).

Nessa nova fase da EAD, propulsionada pelas tecnologias digitais, o papel

do tutor ganha espaço de destaque no processo de gestão desta modalidade de

ensino.

O tutor, tendo um conhecimento de base do conteúdo, é um facilitador que

ajuda o estudante a compreender os objetivos do curso, um observador que

reflete e um conselheiro sobre os métodos de trabalho, um psicólogo que é

capaz de compreender as questões e as dificuldades do aprendiz e de

ajudá-lo a responder de maneira adequada e, finalmente, um especialista

em avaliação formativa. (PRETI, 1996, p. 43)

O tutor tem o status de professor auxiliar na medida que acompanha o

processo de aprendizagens dos alunos por meio das TIC (SCHNEIDER, SILVA,

BEHAR 2013, p. 159). O MEC trabalha com o seguinte entendimento sobre a função

dos tutores:

O corpo de tutores desempenha papel de fundamental importância no

processo educacional de cursos superiores a distância e compõem quadro

diferenciado, no interior das instituições. O tutor deve ser compreendido

como um dos sujeitos que participa ativamente da prática pedagógica. Suas

atividades desenvolvidas a distância e/ou presencialmente devem contribuir

para o desenvolvimento dos processos de ensino e de aprendizagem e para

o acompanhamento e avaliação do projeto pedagógico (BRASIL, 2007,

p.21).

O objetivo do tutor é dar suporte ao aluno de uma forma organizada e

planejada. Ele é responsável pela orientação do aluno para garantir uma melhor

qualidade do processo de ensino aprendizagem. Este tutor é o docente que

estabelece um contato mais direto como o aluno durante o processo do curso, além

de estimular a participação e a integração dos educandos.

O tutor auxilia o aluno e esclarece dúvidas monitorando e mediando o

processo pedagógico das atividades a distância. Em conjunto com o

professor, utiliza como ferramenta principais dessa interação e comunicação

com os alunos o chat, fórum, e-mail, telefone. Além disso, tem como função

promover a comunicação entre os colegas coletivamente, ou seja,

coloca-los em contato no mundo virtual (SCHNEIDER, SILVA, BEHAR, 2013, p.

161).

O professor e o tutor ultrapassam a premissa de transmissores de

conhecimento, tornando-se os responsáveis em motivar situações de aprendizagem,

mediando experiências e promovendo possibilidades de ensino. Com base na teoria

apresentada, eles se mantêm atentos ao papel da afetividade nas relações entre os

atores da EAD, contribuem diretamente no processo cognitivo, potencializando o

resultado das atividades desenvolvidas pelos alunos. O relacionamento entre o

professor, o tutor e os alunos deve ser construído levando em conta que o aluno é

uma a pessoa concreta, constituída tanto de sua estrutura orgânica como do seu

contexto histórico em uma rede de intricadas relações (ALMEIDA, 2004, p.125).

Descrever sobre o aluno da EAD é um desafio, pois diferentes gerações

estão envolvidas nesse processo educacional e precisam ser consideradas dentro

deste sistema. Podemos assumir que estamos em uma fase de transição, tendo de

um lado muitos alunos que ainda não têm acesso aos recursos digitais, e do outro

lado uma divisão de nativos e imigrantes digitais, como destaca Monereo e Pozo:

Da mesma maneira que existem jovens que estabelecem uma relação

distante com as TIC, podemos encontrar pessoas de idade mais avançada

que desde o começo entram na rede e, atualmente, suas formas de

trabalhar, comunicar-se e pensar estão firmemente mediadas por sistemas

informatizados (MONEREO; POZO, 2010, p.9812 apud SCHNEIDER, SILVA,

BEHAR, 2013, p. 162).

12 MONEREO, C.; POZO, J.I. O aluno em ambientes virtuais: condições, perfil e competências. In:

COLL, C; MONEREO, C. Psicologia da educação virtual: aprender e ensinar com as tecnologias

da informação e da comunicação. Porto Alegre: Artmed, 2010. P. 97-117.

A diversidade de alunos é grande e por isso deve ser compreendida pelos

atores envolvidos nesse processo educacional. Os alunos brasileiros em sua maioria

são mulheres, adultos acima dos 40 anos, que trabalham, são casados e possuem

família (ABMES, 2018, p.19).

O aluno de EAD precisará ter um comprometimento, responsabilidade e

disciplina diante das tarefas que a modalidade exigirá, pois em um ambiente livre, a

automotivação será essencial para que os objetivos de aprendizagem sejam

alcançados. O professor, nesse caso, será um facilitador que irá acompanhar essa

dinâmica do aluno ao ser o responsável pelos seus horários, interação com a

tecnologia e aprendizagem.

Muitas são as variáveis que interferem na maneira de realizar cursos para a

modalidade a distância. Cada instituição adota um modelo alinhado à sua estratégia

de ensino, filosofia da instituição, perfil de alunos, cursos oferecidos, local de

atuação e outros aspectos que interferem diretamente na forma de ofertar as

disciplinas em termos de organização dos conteúdos e demanda (BEHAR et al,

2013, p.45).

Para definir as características de um curso de EAD, também é necessário

analisar o modo de gestão da instituição, ou seja, se é pública ou privada, o tipo de

financiamento ou programa, as formas de ofertar os polos e os campi e/ou centros

que são fora da sede. Essas questões interferem nas competências necessárias à

equipe e estão ligadas diretamente à infraestrutura que a IES (Instituição de Ensino

Superior) possui ao oferecer a EAD (BEHAR et al, 2013, p.45).

A coordenação dos cursos de EAD precisa estar atenta para proporcionar

uma gestão alinhada aos aspectos de design pedagógico, planejamento e

estratégias de comunicação. A integração desses itens auxilia na interlocução entre

os atores envolvidos (professor, alunos, tutor e gestão) e colabora para que seja

oferecido um ambiente de aprendizagem propicio ao ensino-conhecimento. Sobre os

desafios da coordenação dos cursos EAD, entendemos que

A atividade de coordenação de cursos em EAD exige competências que

possibilitem a organização e garantia do bom funcionamento e atendimento

nos cursos. Além disso, esse profissional necessita ter uma visão,

inovadora, possuindo conhecimentos sobre as tecnologias educativas, seus

avanços e suas possibilidades pedagógicas. Dele se espera ainda a

capacidade de administrar o relacionamento e a integração entre novos

sujeitos envolvidos nas tarefas acadêmicas – como tutores presenciais e a

distância, suporte tecnológico, entre outros. Logo, para atuar como

coordenador de cursos online, apenas competências acadêmicas já não são

mais suficientes (BERNARDI, DAUDT, BEHAR, 2013, p.141).

A gestão acadêmica de um curso a distância precisa oferecer, no mínimo, a

mesma integração e condições de atendimento e suporte que os cursos presenciais

oferecem. Essa atuação deve estar atenta às especificidades da modalidade e

oferecer condições de gerar, promover e implementar situações em que os alunos

aprendam (BERNARDI, DAUDT, BEHAR, 2013, p.141). Dessa forma, faz parte

também da coordenação colaborar na construção de um ambiente propício à

aprendizagem e atenta às relações afetivas e suas consequências para a excelência

dos cursos da EAD.