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AVANÇOS E DESCONTINUIDADES: RETRATOS DAS DIFICULDADES, DESCONTINUIDADES E

5. GINÁSTICAS NO CEARÁ: UM OLHAR PARA O ESTADO DO

5.2 AVANÇOS E DESCONTINUIDADES: RETRATOS DAS DIFICULDADES, DESCONTINUIDADES E

Nessa categoria, estão agrupadas todas as subcategorias relacionadas as problemáticas, e necessidades identificadas a partir delas, para o desenvolvimento da Ginástica no Ceará de acordo com a análise temática realizada das entrevistas com profissionais atuantes com a Ginástica no estado.

O agrupamento destas duas categorias se deu em função de sua relação direta. Toda dificuldade se revelou como uma importante necessidade apontada direta ou indiretamente nas narrativas dos participantes para o impulso do desenvolvimento das ginásticas. É importante ressaltar que os profissionais entrevistados, conforme apresentado no método, atuam com as ginásticas em desenvolvimento no Ceará: GAF, GR e/ou GPT. Portanto, vislumbram desafios principalmente para o desenvolvimento destas práticas.

Na discussão destas categorias, por vezes retomamos questões relacionadas ao desenvolvimento esportivo no Ceará de maneira geral, uma vez que essa parece ser uma dificuldade significativa no estado, conforme análise realizada no Capítulo 3 dessa pesquisa, e que como consequência abrange as ginásticas. Alguns dos aspectos apontados pelos participantes estavam entre as nossas premissas/hipóteses, como a falta de cultura da Ginástica em detrimento de outras práticas corporais expressivas e esportivas. Além da concentração da Ginástica na Capital, pois todos os participantes desta pesquisa atuavam na cidade de Fortaleza. No entanto, outros aspectos surgiram e se apresentam de maneira interligadas como apresentados e discutidos a seguir.

As dificuldades foram separadas por encadeamento de ideias e frequência de aparecimento nas narrativas, nessa ordem. Portanto, a própria organização traz em si nossa primeira análise da pesquisa de campo, que trata da inter-relação entre os aspectos em sequência. Porém, é imprescindível compreender que mesmo os fatores mais distantes entre si, podem ainda estar relacionadas, como a questão do investimento financeiro no esporte, que permeia boa parte das dificuldades encontradas, desde investimento em infraestrutura, formação e promoção de eventos.

Além destas questões, a ausência de investimento pode influenciar na oportunidade de início em uma prática corporal esportiva, permanência e progressão nela, até a formação de treinadores e atletas (SCHIAVON, 2009; ANTUALPA 2011). Por isso, retomamos que essa

organização se deu como uma das opções possíveis de fazê-la e não como desmembramento de questões que se apresentam, em nosso modo de ver, de maneira entrelaçada.

5.2.1 Investimento e Infraestrutura

Questões ligadas a investimento e infraestrutura apareceram de forma mais recorrente entre as narrativas dos participantes. Sendo pontuado por sete dos oito entrevistados, como apresentados a seguir:

Aqui no Ceará você encontra desde a dificuldade financeira até a dificuldade de você ter um local adequado para você dar aula (Participante 1 – grifo nosso).

Eu parei um ano [...], falei “Não dá mais, a gente não tem apoio, não tem quem nos pague” (Participante 1).

O tapete, eu fui ter tapete43 só agora, eu fiquei aqui no Ceará, você me disse “as

dificuldades?” Nunca tive tapete. Então, é muito difícil você treinar Ginástica Rítmica sem tapete. Muito, muito difícil! Então agora a gente teve tapete [...], a

fábrica Fortaleza muito generosamente nos deu um tapete de presente (Participante 1 – grifo nosso/participante da 1ª geração de treinadores).

(Falta) Apoio financeiro (Participante 2).

Tem uma escola aqui que até são pagos os treinamentos, R$250 parece, a mensalidade.

Desculpa, uma menina que treina seis, sete horas por dia que ganha R$250 reais, não é nada! Minas Gerais, eu estava lá conversando, é R$500. Então assim, é difícil

manter o alto rendimento. (Participante 3 – grifo nosso).

Estrutura e financeiro [...] para a competição. Eu acho que é uma grande dificuldade

porque para você colocar uma ginasta no alto rendimento ela tem que estar na

atividade de treino, em um meio de preparação que é o treino (sete/oito horas

diárias), e outro meio de preparação que é a competição, a gente tem que ir para uma competição a cada dois meses, se a gente for pensar na Rússia elas vão a cada quinze, vinte dias (Participante 3 – grifo nosso).

Eu vou fazendo o máximo do esforço pessoal, com ajuda da minha família, mas é muito investimento, aí eu tive que optar por uma (ginasta). Porque somos eu e

ela, mas uma competição a cada dois meses ainda é muito pouco, tinha que ser no mínimo, no mínimo, uma por mês, e com referenciais. [...] falando assim sinceramente [...], eu acho que é mais ou menos de R$20 a 30 mil por ano (Participante 3 – grifo nosso).

A gente ainda tem poucas competições ainda no Estado e as competições que a

gente participa fora, a gente tem muitos gastos para levar uma equipe de quinze meninas mais três técnicas, a gente conta muito com o apoio dos pais e de pessoas

que gostam da Ginástica e que apoiam, que admiram e que acabam ajudando a gente a seguir em frente. [...] Eles ajudam com passagens, com uniformes, isso ajuda

bastante (Participante 4 – grifo nosso).

43 O tapete é utilizado para a prática da Ginástica Rítmica fazerem a série sobre ele. Na realidade existe uma estrutura denominada tablado (compensado de madeira recoberto por uma espuma embaixo do tapete (carpete)) para absorção de impacto e melhor desenvolvimento das séries das ginastas, mas é comum que os locais onde não há o alto rendimento não haja a estrutura ideal. Essa realidade, de acordo com Antualpa (2011) é diferente das encontradas nos centros de alto nível nacionais.

Competições como o Torneio Regional, Torneio Nacional, a gente não consegue ajuda financeira de Estado [...] (Participante 4).

Se eu disser para você assim: “os clubes têm que dar mais espaço”, daí passa por essa questão estrutural e financeira que eu acho que é onde mais esbarra, sabe? (Participante 3).

Estrutura e dinheiro. [...] a Ginástica é um meio muito complicado, na questão financeira, e o Nordeste não é uma Região que tenha estrutura e apoio financeiro quanto o Sul (Participante 3).

Eu penso que a gente pode desenvolver projetos e levar que eles (Secretaria do Estado), vão estar abertos a aceitar, só que vai esbarrar na questão financeira

mesmo. Eu acredito que seja esse o grande problema, por enquanto (Participante

6 – grifo nosso).

Nós não temos apoio, nós não temos nenhum patrocínio, a gente ainda é visto assim

como “Ah não tem tradição”, é aquela coisa que eu sempre digo para se criar tradição, tem que se trabalhar, tem que fazer, tem que se apoiar [...], apoio governamental, apoio de empresas particulares. [...] A gente trabalha com amor, com a força e com a vontade (Participante 7 – grifo nosso).

Eu acho que é preciso fazer um investimento. E esse investimento, se a gente for esperar pelo Estado, eu acho meio difícil. [...] realmente é um investimento muito

alto. Mesmo esses projetos que existem com a Caixa (banco) [...] pelo que eu já me apercebi é difícil, demora tempo, burocracia imensa, é difícil! (Participante 5 – grifo nosso).

Essa questão do apoio para o Esporte na escola, eles não querem ter gastos com

material. Tanto que logo que eu cheguei aqui, eu fui convidado pelo Geo Nunes, que

é (foi) uma escola grande, onde hoje é a Fanor44, para lecionar Ginástica Artística para as crianças lá. “Ótimo! Tudo bem! ”, “Você faz aí o orçamento de material?”, “tá, só

um minutinho”, “Nossa, isso tudo?”, “não, esse aqui é só o comecinho, a gente tá no básico aqui”, “esse é o básico?”. Fiz uma seleção para prioridades, o que tinha que

vir primeiro para iniciar o processo, mas o preço e o custo da aparelhagem são

coisas que a gente enfrenta, não só a escola, como o clube também, o clube aqui então nem se fala, muito complicado (Participante 8 – grifo nosso).

(Falta) apoio das escolas! (Participante 2).

(Falta) um apoio governamental para que a gente desenvolva esse projeto, para que aconteça a Ginástica no interior do Estado do Ceará (Participante 7).

Com o tempo a gente vai vendo que a escola não dá aquele apoio. Não é o objetivo da escola, e você acaba mesmo fazendo a situação mesmo só para escolar (Participante 7).

Sempre foi um sonho meu, era uma vontade [...] levar a Ginástica para o interior do Estado, levar (Ginástica)Rítmica para o interior do Estado, a (Ginástica) Artística também e que não consegui, porque realmente para gente entrar lá, a gente

conseguir através de um apoio, de alguma instituição, do governo, de uma prefeitura de algo tipo e que a gente nunca conseguia (Participante 7 – grifo nosso).

Às vezes nem de interesse do próprio empresário, porque não sabe o que vem depois, porque a visão desse nosso empresariado é assim, fica entre os três primeiros senão

não serve, como assim ficar entre os três primeiros se nem começou o processo? (Participante 8).

Existe um círculo muito difícil para você entrar, então para você expor o projeto e viabilizar o projeto, falar sobre, “olha, isso aqui, pode trazer isso, isso e isso”, existe

uma resistência grande[...] (Participante 8 – grifo nosso).

É preciso investir na GA, e o investimento na GA é muito caro. Os aparelhos são

muito caros. O espaço é preciso um espaço grande para colocar esses aparelhos dentro (Participante 5 – grifo nosso).

Precisa planejar. Planejar assim, falar de crescimento do esporte (Participante 8). Tem muito potencial, muito grande, o que falta é investimento para realmente

poder caminhar, um programa do Estado que mantenha o professor, que possibilite

a entrada desse estudante que vai começar, então o processo, realmente de trabalho,

precisa mais de uma gestão do esporte, no geral (Participante 8 – grifo nosso).

Realmente, precisa de muito investimento. Tudo isso é muito gasto financeiro, investimento de tempo, para lá na frente a gente colher bons frutos (Participante 4). A gente vê muito essa questão do investimento mesmo na formação e também na parte estrutural (Participante 8).

Essa é outra questão, a Ginástica de rendimento ela funciona se ela tiver um alto grau de atenção em uma ou duas atletas, é praticamente uma atleta para um técnico e

financeiramente isso também é inviável. A gente só conseguiu fazer isso aqui com

essa menina porque eu me disponho a trabalhar até várias horas que eu não recebo, senão.... E como é que eu posso pedir isso para outras pessoas? (Participante 3 – grifo nosso).

Falta o quê? Estrutura para esse público chegar (Participante 8). E outra coisa (que necessita) era um espaço mesmo (Participante 8).

Hoje eu acredito que a coisa anda, se tiver um pouco mais de visão do empresariado mesmo, do ensino do Esporte. Se ele souber utilizar o Esporte, ele também consegue muita coisa (Participante 8).

Infelizmente, a valorização ainda é pequena do treinador, ele sempre precisa estar em vários locais para poder fazer o seu (dinheiro) do mês. Então, é difícil ele estar específico para aquilo lá, porque não tem uma valorização grande, isso é a nível nacional, se for perguntar para o pessoal da seleção, de ponta mesmo, eles vão reclamar da mesma coisa (Participante 8).

Nas narrativas agrupadas nessa primeira subcategoria, relativa a investimentos e infraestrutura, é possível observar diversas limitações do desenvolvimento, como a ausência de espaços adequados, materiais e possibilidades de formação de atletas (treinamento) e participação em competições.

Além da falta de apoio das instituições públicas e privadas no fomento à prática da Ginástica, o que pode ser uma realidade do esporte no Ceará e não somente da Ginástica. Os estudos de Schiavon (2009) ao tratar das questões de infraestrutura ressalta que mesmo as atletas de GAF do alto rendimento esportivo passaram por alguma dificuldade ligada a este

aspecto, revelando que esta condição pode se encontrar em outras regiões e estados do país. Portanto, há que se entender o contexto nacional de prática, o que nos defronta com a escassez de estudos que permitam o conhecimento de diferentes estruturas no país e como estas se mantém. Ademais, a existência de espaços públicos mal utilizados, parecem indicar problemas relacionados à má gestão esportiva local.

Outra dificuldade mencionada pela Participante 3, indica a desvantagem econômica da região Nordeste em relação ao cenário nacional como fator que afeta, entre outros aspectos, no investimento no Esporte nessa Região. Este cenário socioeconômico foi contextualizado nessa pesquisa com ajuda dos estudos estatísticos do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) no capítulo 3. Assim, a afirmativa da Participante 3 apresenta fundamentação na realidade vivida desta participante.

Outro fator possível para analisar essa discussão, diz respeito ao encontrado com relação à história da Ginástica no Ceará. De acordo com a busca documental e bibliográfica realizada nesta pesquisa e exposta no Capítulo 4, a Ginástica é uma prática recente no Estado do Ceará (DIÁRIO DO NORDESTE, 1997; CARVALHO et. al. 2016; DODÓ, 2014). Portanto, o desconhecimento das práticas ginásticas e suas necessidades não só pela população, mas também pelos profissionais e gestores do esporte, pode contribuir para essa ausência do investimento, ademais da existência ou não de recursos para tal.

Essa afirmativa vai ao encontro dos estudos de Toledo (2014) quando afirma que alguns fatores ainda são responsáveis pelo pouco desenvolvimento da GR no Brasil, por exemplo, dentre eles a “desvalorização da prática pelos gestores institucionais, que impedem o desenvolvimento de propostas gímnicas, não defendendo a prática, ofertado poucos materiais e espaços adequados” (TOLEDO, 2014, p. 181).

A ausência destes pilares certamente permeia as iniciativas necessárias para o desenvolvimento das Ginásticas no Ceará. As políticas públicas, por exemplo, como observado no Capítulo 3, parecem estar fragilizadas no Ceará, o que faz com que as iniciativas para o ensino da Ginástica sejam isoladas e sem apoio financeiro governamental, de acordo com os relatos dos participantes.

Esta falta de apoio, sobretudo financeiro, pode ser responsável pela estagnação, descontinuidade e desaparecimento de projetos de ginásticas competitivas como a Ginástica Artística e Ginástica Rítmica, como explicitado nas narrativas a seguir:

A gente vê que alguns locais aqui enfrentam algumas dificuldades, aspecto material, lá no Galpão também tem, porque o espaço também é pequeno, não dá para

colocar uma barra fixa, uma argola, porque não tem altura, [...] e limita o trabalho do professor, a progressão. Então, a gente vê muito essa questão de

infraestrutura mesmo, para montar a coisa (Participante 8 – grifo nosso).

Alguns trabalhos necessitam de certos aparelhos em uma certa densidade de espuma, precisa de um local que propicie uma desaceleração, para que não se machuque, um fosso, algo assim, não é? Para que a coisa realmente melhore, perca

o medo, vá trabalhando, etc., para desenvolver (Participante 8 – grifo nosso).

Eu deixei de trabalhar com a GA ainda em 2000, se eu não me engano 2005/2006.

Eu fui chamado para dar aula na prefeitura, de GA, aí na época eu fiz o orçamento. “Então vamos montar um grande centro de treinamento Ginástica Artística? Vamos!” Fiz o orçamento, levei na prefeitura (disseram) “valor é muito alto” (eu) “não, eu enxugo mais”. Cada vez fui enxugando45 mais. Eu comecei a trabalhar com a GA,

só para você ter ideia, só com tatame. Tatame de Judô mesmo, só! Eu não tinha nenhum aparelho. Aí era assim, toda vez que eu levava o preço, era um orçamento muito alto. Eu deixei o básico, do básico, do básico e não foi feito. E eu

trabalhei lá ainda com a GA durante um ano ou foram alguns meses. [...] um dia que eu chamei a Coordenação Geral do projeto e disse “Gente, já que não tem os aparelhos de Ginástica Artística, não foi comprado nada! A gente está trabalhando apenas com tatames, estamos sem colchonete...Nós não temos nada, eu prefiro muito mais passar para a Ginástica Rítmica”. Aí disseram, “Mas por que? ” Aí eu: “não, porque vai ser muito melhor, o material é muito mais barato, é mais viável para ser comprado, e fica mais fácil”. “Ah tudo bem então vamos fazer o orçamento desse material”. Fiz o orçamento e tal, ele foi aprovado, que passe passasse para GR. E aí como eles não

compraram o material, eu levei meu material que eu tinha. [...] (Participante 7 –

grifo nosso).

Não tem uma instituição governamental (que apoie)! A gente já conseguiu uma época [...]. Eu consegui colocar esse projeto dentro da prefeitura, mas não teve apoio

nenhum, não compraram o material, que era muito caro [...] E acabou que se foi. E hoje em dia não se tem mais nada realmente (Participante 7 – grifo nosso).

Aeróbica hoje não mais competitiva, só de academia. Antigamente tinha um grupo forte, professora Érica, do Clube do Vôlei. Ela tinha um grupo forte de competição, mas perdeu a força, então a coisa meio que desandou (Participante 8).

Algumas empresas já nos ajudaram, empresas privadas ou pessoas físicas mesmo que gostam da Ginástica e fazem por doação, por amor mesmo; ajudam com uma passagem, [...] com uma ida, uma volta, milhas, alguma coisa para as meninas em relação ao uniforme, em relação ao material como bolsa, essas coisas que a gente já conquistou com a ajuda das pessoas, mas, realmente, o maior investimento são dos

pais, pra incentivar a filha, então são eles que patrocinam mesmo e levam esse sonho adiante (Participante 4 – grifo nosso).

Falta um pouco da estrutura (Participante 3) (Falta) Espaço adequado! (Participante 2)

Já com relação à má utilização dos espaços públicos existentes, mais especificamente o Centro de Formação Olímpica, sete dos oito participantes pontuaram sobre o tema:

Te falando aqui desse Centro de Formação Olímpica, é uma vergonha até dizer isso, mas, é realmente a gente não tem nada (acontecendo) aqui dentro (Participante 7). Para a gente conseguir até trazer, treinar aqui, a gente tem que montar uma estrutura para vir treinar aqui, pagar os funcionários, pagar energia, para conseguir ter esse centro. Então é algo que não vale a pena (Participante 7).

Para a Ginástica Artística ele (CFO) foi usado ano passado, foi feito um ofício pela Federação, pela presidente anterior, pela Lorena, e o Robson usou para treinar as meninas para o (Campeonato) Brasileiro, eu acho. O Robson usou. Na Rítmica a

gente não usa para treino de jeito nenhum (Participante 2 – grifo nosso).

O CFO ainda não foi entregue. Ele ainda não está oficialmente entregue a comunidade, então não pode ser usado (Participante 2).

A gente não usou ainda também porque a gente não botou nenhum ofício pedindo, mas eu penso em pedir para as meninas treinarem. E as competições podem acontecer aqui, ele pode ter esse tipo de competição, ele não pode ter treinamentos diários, equipe ainda. Porque não tem gestão, não está funcionando, está fechado (Participante 2 – grifo nosso).

Fizeram um centro (referindo-se ao CFO) tão lindo lá, um centro de formação, que para mim não é um centro de treinamento, porque aquilo você colocar uma menina de cinco a sete anos, que ginástica de base elas não vão conseguir desenvolver? Elas

precisam de outro tipo de aparelho pedagógico (Participante 5 – grifo nosso).

Ali (CFO) é um centro para colocar meninas para fazer estágio, para vir para uma competição e ficar alojado lá (Participante 5).

É triste, sabe? Que está um local (CFO) muito bom, tanto que, se Deus quiser a gente vai fazer o (campeonato) Estreantes e o Cearense lá, agora de GA, no final do ano. Mas só está disponível para esses eventos. Se a gente quiser usufruir para um evento interno [...] eu tenho que pedir um ofício, com antecedência, explicar tudo porque, porque não, porque não sei o que, e não sei o que, para poder solicitar sim ou não, a resposta não é certa (Participante 5).

Então fica lá aquele local (CFO), sem ser usado, se deteriorando. E poderia ser usado. Como é que funciona um local daqueles na Europa? É através de clubes. Todos juntos encontram as horas que eles querem ou então escolas, faz uma parceria. As escolas vão treinar lá. Agora, tem que dar uso. Não é só dar uso em festa e festival e competição, porque aí a gente, [...] a gente nem quer... por quê? A gente tem que fazer a faxina, a gente é que tem que limpar, a gente é que tem que organizar (Participante 5).

Nossa preocupação com o CFO é grande, porque o material parado deteriora rápido também, por falta de uso, muita coisa lá está com problema porque não usa, não se utiliza o material. Ai como é que vai lubrificar? Não vai! Porque não usa (Participante 8).

Não tem como eles (treinadores e atletas de GA) irem mais para a frente, porque a estrutura que tem está fechada, o CFO está fechado para nós! (Participante 3) Um empreendimento de mais de 280 milhões de dólares, jogado assim. Como faz? Então essa é a preocupação no momento a respeito do Centro (CFO), não só da Ginástica, mas em todas as modalidades, no geral. Se você observar e fizer um andamento dentro do complexo, você vai ver muita coisa que já está mal, caixa de salto [...] (Participante 8).

Lá no Centro de Formação Olímpica do Norte e Nordeste que a gente estava sábado, lá é um local que seria palco de grandes competições, abrigo de atletas de destaque a

nível Norte e Nordeste. Então lá é um espaço público que ainda é pouco utilizado (Participante 4 – grifo nosso).

Não existe treinamento sistematizado no espaço (CFO) (Participante 6).

Um exemplo, lá (CFO) poderia ser bem mais utilizado, ter o apoio das empresas, do governo, da prefeitura para a gente conseguir fazer um trabalho com maior quantidade de participantes, para a gente conseguir fazer um trabalho de maior destaque no Ceará, incluindo os interiores, não só na Capital. Então acredito que a gente tenha muito a crescer nesta via (Participante 4).

A má utilização ou a não utilização do Centro de Formação Olímpica, revelada anteriormente pelas notícias de jornais e reforçadas nas narrativas dos participantes, traz o notório desânimo causado pela impossibilidade de uso desse espaço. É inacreditável que em um país com tanto problema de infraestrutura, em um estado que sofre também do mesmo problema, ter uma estrutura pronta para uso e parada por falta de gestão do local.

Com relação ao CFO, a visita ao local vai ao encontro da fala do Participante 8, que